Elysium Fields

O Elysium Fields foi fundado em Fevereiro de 2018, com o intuito de ser um jogo entre amigos, mas cresceu para se tornar não um único jogo RPG, mas vários. Desta forma, pode encontrar um jogo para jogar, ou narrar o seu próprio jogo, com as suas regras. A maioria dos nossos jogos são guiados por um narrador, que começa a história, desenvolve, e dá um fim à mesma. Os jogadores são os seus personagens principais.
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A skin foi totalmente criada pela Ross (Ji Yeon), para uso exclusivo no Elysium Fields. A designer agradece à Persephone (Hae Shin) e à Luxi (Joo Ri) pela paciência para a aturar, a Flerex pelos códigos de cores e campos de perfil que tornaram tudo mais fácil e a FontAwesome pelos ícones. Os gráficos para imagens foram obtidas do Google e editadas pela Ross. As tramas são criações originais e de responsabilidade de seus respectivos narradores. O blog Dorama Resenhas é nosso parceiro-irmão e todo seu conteúdo é feito por suas escritoras através de uma pesquisa séria de fontes confiáveis, além da exposição de opiniões próprias. Plágio é crime. Não copie dos nossos conteúdos originais. Se for tomar inspiração, por favor mencione.
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Capítulo 5

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Relembrando a primeira mensagem :

CAPÍTULO 5
O clima no escritório não era dos melhores. Havia um incômodo silêncio pairando pelo ar enquanto o chá, outrora ofegante, apenas fazia enfeite naquele belíssimo molde de porcelana. Os longos dedos masculinos mexiam as folhas impressas há pouco tempo. Na mesa de madeira nobre, havia uma quantidade grande de pastas e mais pastas com o símbolo do WangJo. Pastas de todas as matérias e clubes, com os balanços do último bimestre. Não eram apenas notas, mas também relatórios sobre rendimento dos alunos - presença, comportamento em sala, vezes que foram colocados para fora, entrega de trabalhos, dedicação, participação.

Ao todo, o colégio tinha 280 alunos. A grande maioria estava no prédio do ensino fundamental, com 130 alunos, onde havia mais séries e mais turmas também. Em seguida vinha o ensino médio com 80 e apenas uma turma para cada ano; e o especializado com 70. Era um número pequeno de estudantes, considerando o tamanho do lugar. Porém, quando se pensava que ali estudavam os herdeiros da Elite da Coréia do Sul, o número ganhava uma nova conotação.

Mesmo assim, aquele volume possibilitava um cuidado maior com as estatísticas e relatórios por parte dos professores.

Relatórios que agora Tae Song revisava após a maratona de Conselhos de Classe.

O Corpo Docente estava se reunindo desde terça feira para discutir o bimestre dos três prédios. As provas ocorreram na semana passada e na segunda feira, as notas tinham surgido, mas não foram reveladas aos alunos. Eles precisavam passar pela angustiante espera pelo ranking das salas e do prédio.

Pela cara que Tae Song fazia, os resultados tinham sido bem preocupantes.

Diante dele, Ji Sung, também conhecida como Srta. Yang, diretora assistente; e Sunwoo Eun Sook, a Pedagoga, esperavam pelo parecer do diretor. As duas foram requisitadas para que ficassem mais do que o horário. A última reunião do Conselho de Classe tinha sido com os alunos do ensino médio.

Se antes ele já estava preocupado com os alunos do ensino fundamental, esta última reunião o deixou ainda mais aflito.

Capítulo 5 - Página 17 N3EAujq

- O que eu não estou enxergando? - Perguntou, de repente, olhando para aquela quantidade de folhas com nomes e notas.

- Perdão? - A pedagoga o encarou com certo receio.

Tae Song abaixou a papelada e encarou as duas mulheres diante de si. Ambas eram bastante polidas e sempre carregavam aquela expressão que misturava serenidade, justiça e firmeza. Talvez Yang tivesse uma cara ainda mais fechada que Sunwoo, pois ela tinha naturalmente um olhar mais doce. Ainda assim, eram mulheres firmes e de extrema confiança de Tae Song.

- Alguma coisa não está chegando até o nosso conhecimento para justificar certos dados.

- Com o perdão da palavra e da postura, Sr. Wang, a verdade é que isso era o esperado.  - Yang disse de modo firme.

Sunwoo arregalou um pouco os olhos e Tae Song ajeitou-se em sua cadeira.

- Disserte.

- Sua agenda de compromissos esteve cheia demais para dar a atenção necessária a esses alunos. Não quero soar arrogante, tampouco agressiva, senhor, mas essa novidade que o senhor trouxe para o colégio precisava de maior atenção. Precisava de maior planejamento. Passar numa prova, por mais difícil que ela seja, não significa que o resto do caminho será fácil.

Capítulo 5 - Página 17 4pWaZZ6

Tae Song passava a mão no queixo enquanto ouvia a mulher.

- Estive convivendo mais tempo com esses alunos do que o senhor e os observei. Os alunos novos, no caso, os bolsistas têm uma realidade completamente diferente de nossos herdeiros. A maioria trabalha depois do colégio. Com uma carga horária puxada como a nossa, somente sendo um gênio ou não dormindo, os resultados seriam melhores. Mesmo assim, ainda vejo com otimismo certas pontuações. Quer dizer que apesar de tudo, eles ainda conseguiram posições melhores do que muitos outros.

Um instante de silêncio.

- Eu entendo o que quer dizer. - Sunwoo disse. - Mas não podemos diminuir o grau de dificuldade do colégio, tampouco toda nossa ementa…

- Não, não podemos. - Yang concordou. - Mas isso o que eu disse, não é tudo.

- Claro que não é…- Tae Song disse. - Não são apenas os bolsistas que estão me preocupando. Esse número de faltas dessa aluna...E a queda desta outra...Fora esses outros balanços. O que está acontecendo?

- Com os meninos fica realmente mais nítido porque o número de advertências subiu  200%, principalmente entre os meninos do 2º ano. Tem um grupo que persegue um dos bolsistas mais...ahm...Não sei encontrar a palavra. - Yang cerrou os olhos. - De todo modo, os meninos deixam seus problemas mais evidentes. Já as meninas…

- Sim. Vejo muitos problemas silenciosos e pouca solução.

- Vejo soluções que só precisam de um pequeno incentivo. - Yang continuou e procurou por uma das pastas. - Aqui. Achei interessante o que a Srta. Chu Eun Young de informática nos trouxe. Como sabem, todo ano os alunos de informática têm um projeto de melhoria. Dessa vez um dos alunos trouxe algo...que vem a calhar com coisas que estão acontecendo.

- Eu ouvi, também achei interessante. - Tae Song meneou positivamente. - É uma das soluções que estou pensando também. Mas antes disso, acho que seria interessante conversar com o grupo que criou isso. Algo discreto… - Olhou para Yang. - Para semana que vem, durante o horário do clube de informática.

Capítulo 5 - Página 17 MtSkUIp

- Certo. Enviarei o e-mail para eles amanhã.

- Do que estão falando? A ideia anti-bullying? - Sunwoo indagou. - Vocês acham que as meninas estão praticando isso?

- É uma certeza que não tem provas ainda. - Yang disse. - Mas essa queda de rendimento não é mera coincidência…

- Também preciso mudar os pontos cegos das câmeras de segurança. Srta Yang, acha que consegue agendar a visita dos técnicas para este fim de semana ou o próximo?

- Acredito que não haverá problemas, Senhor.

- Faça isso, então, por favor. - Já eram duas pequenas possibilidades de soluções.

- Isso será bom para o ensino fundamental também. Tem sido surpreendente o número de situações que andam chegando até minhas mãos. - Sunwoo era pedagoga e diretora assistente do ensino fundamental. - E com isto, digo que precisamos de outra decisão…

- Por favor, nos dê sua opinião. - Tae Song disse.

- Sei que tivemos problemas com os dois últimos profissionais que passaram por aqui. Mas diante de tantas certezas e incertezas sobre nossos alunos, este colégio precisa de um novo psicólogo.

Tae Song fechou os olhos por um instante, retirando os óculos de leitura e massageando a têmpora.

- Sei que não concorda com o método de alguns, mas essas crianças precisam, Diretor. Todas elas. Os bolsistas podem ter problemas com a nova realidade que eles estão lidando, mas não é fácil ser um herdeiro. Eles também sofrem muita pressão e se a família é contra uma terapia, pelo menos aqui no colégio, eles teriam ajuda. Porque quem pratica bullying também precisa de acompanhamento.

- Eu concordo completamente. - Yang cruzou os braços. - Também poderia nos ajudar a compreender o que aconteceu com alguns nomes. Dessa vez seremos mais cautelosos com o profissional, diretor.

- De, de… - Suspirou. - Eu sei. Comunicarei à empresa para que comece a anunciar vagas…

Sunwoo ficou aliviada por Tae Song ser tão receptivo com a ideia. Até mesmo Yang deu um pequeno sorriso no canto dos lábios, satisfeita com a decisão dele.

- Tenho certeza que essas pequenas mudanças trarão resultados positivos para o próximo bimestre.

- Que assim seja. Torço pelos meus alunos…

- Certamente que sim.

Tae Song deu um pequeno sorriso e voltou o olhar na direção das pastas. As fotos 3x4 de Oh Yerin, Go Eun Na, Bing Min Ho, Seok Ryu Ji e Dang Beom Su se destacavam por serem as fichas que ele vinha analisando.

Não era apenas uma questão de bolsistas.


DOIS MESES DEPOIS






Dois meses se passaram desde que os portões foram abertos para mais um novo ano letivo. Aqueles dias de Abril pareciam uma memória antiga, como se tivessem acontecido muitos anos atrás. Isso porque em dois meses, a vida daqueles sete jovens tinha recebido uma grande carga de mudanças - todo tipo de mudança.

Namoros falsos que muito pareciam verdadeiros.

Términos de não-namoros que tinha tudo para ser namoro.

Planos do futuro que pareciam cada vez mais distante.

Escolhas difíceis entre familiares e amigo.

A impossibilidade de ajudar amigos com a alma quebrada.

Uma mente que ainda muito oscilava e levava a consequências jamais pensadas antes.

A paz que fora roubada e a ausência de sono para relaxar a mente.

Cada um teve sua quota de problemas para resolver. E, obviamente, não foram coisas que aqueles sete jovens conseguiram colocar um ponto final em dois meses. Até porque o colégio ainda cobrava muito deles. Havia muito o que estudar, muito o que ler, clubes com várias exigências, muitos trabalhos - sem contar o emprego que outros três ali tinham.

Como se não bastasse isso, ainda havia toda uma preocupação fora de colégio. Ao mesmo tempo em que Maio parecia não ter fim, ele correu rápido demais. De repente eles estavam diante da semana de provas e tinham que passar por uma maratona de uma semana. Os clubes fizeram falta, de certo modo - ficariam duas semanas sem as atividades por conta das provas e dos conselhos de classe.

Se não havia clube, em compensação, havia a biblioteca. O lugar ficou lotado durante aquele período e, curiosamente, extremamente silencioso. Aqueles que quisessem estudar em grupo, tinham que pedir chave para um dos “cubos” que preservava a acústica para que as vozes não vazassem dali e atrapalhasse os outros. Até seis alunos eram permitido para cada cubo.

Todo esforço era válido e necessário naquele momento.





Para Hee Kyung, o tempo passado trouxe muito o que pensar. Agora que ele desenvolvia seu lado sociável com mais vigor, ele estava expandindo suas amizades. Além de Joo Hyuk e Sun Hee, o menino também podia dizer que tinha feito amizade com Lee Ha Yi, Wang Hye Won e Park Chaeyoung. As três “noonas” do segundo ano eram amigas de Sun Hee e Stella e a aproximação foi natural.

Contudo, Hee Kyung não pararia por aí - para a imensa infelicidade de Min Ho e nervosismo de Ui Jin, visto que muitas garotas se aproximavam deles. Ha Neul tinha conseguido convencer Sona a se aproximar do grupo. Logo Hee Kyung perceberia que a menina andava sozinha por pura opção, porque era uma garota que sabia conversar muito bem quando queria, além de ser uma excelente observadora.

No Clube de Xadrez, Dong também conheceu Ah Sejeong, uma das meninas novas e bolsistas. Sejeong não era pobre, mas vinha de uma família que sempre teve que batalhar muito para ter as coisas. Por isso ela era competitiva, mandona e esquentadinha. Tinha passado em 2º lugar na prova, ficando atrás de Song Jae Ki, mas vinha encontrando dificuldades no ritmo de WangJo. Era era amiga de Hyo Shin e Nayeon. Nayeon era a menina que Min Ho havia citado como a mais invisivel de todas e ela era, de fato, um bichinho do mato.

Excelente pianista - a melhor daquele colégio e com bolsa garantida para estudar fora - a menina não sabia se socializar muito bem. Já Hyo Shin era mais um nerd quietinho. Só que diferente de Hee Kyung e seus amigos, ele era um herdeiro nível 3, por isso nunca se misturou muito. Ele mesmo acabou acreditando naquele distanciamento entre níveis.

Outra pessoa que se mostrou um amigo divertido e leal foi Kang Woo Jin. O bolsista era uma pessoa muito bacana, porém, com sua própria dose de misterios. Nas últimas semanas ele andava um pouco disperso e mais cansado do que o normal. Quando Dong deu o computador para ele, Kang não soube onde enfiar a cara. De inicio, recusou e disse que não queria a amizade de Hee Kyung só pelo computador. Isso apenas alimentou a vontade do herdeiro de ajudá-lo e, depois de conhecer o irmão mais novo dele, o computador simplesmente parou na casa dele.

Kang ficou um pouco bravo, por vergonha, mas a verdade é que está muito feliz com o presente - que usou para ajudar nas pesquisas para seu amigo Won Bin. E agora Dong tem um amigo fiel para todo o sempre.

Assim como Kang, Won Bin também foi outro bolsista que se tornou “amigo” de Dong. O garoto era bastante tímido e eles ainda não tinham conseguido conversar - não tinham nenhum horário em comum e a vida de Won estava uma bagunça. Porém, havia certa simpatia e empatia entre os dois. Won tinha a mesma aura de good guy que Hee Kyung.

Já Jae Ki era mais arisco. Não dava para dizer que eram amigos, tampouco inimigos. Jae só era ciumento demais com seu território, mas não amolava mais tanto seus amigos.

Mesmo diante de tanta melhora no social, Hee Kyung ainda teve tempo para seus amigos antigos. Os encontros de domingo se mantinham - fosse para estudar ou jogar. Contudo, Min Ho começou a ir menos. Num primeiro momento, podiam achar que era por conta do ódio dele às pessoas, mas não era isso. Ele geralmente dizia que não podia ir porque não foi permitido. Como ele era uma pessoa bem literal, isso queria dizer que os pais não estavam deixando mesmo.

A questão era: por que?

Ele não respondia durante as aulas, sempre mudando de assunto.

Outro relacionamento que foi um pouco mais aprofundado era Stella. A Srta Jun continuava ensinando inglês aos sábados, mas havia algo mais também. Os dois pareciam mais próximos e estavam jogando juntos também. Acabava que tinham assunto para tudo: fosse filme, jogo, lançamentos, livros, escola, amigos em comum. Ele sentiria que poderia passar horas e horas falando com ela que ainda teriam assunto.

O que isso significava, contudo, ainda era um pequeno mistério para o brilhante garoto. Afinal, sentimentos não eram exatos como uma fórmula. Eram muito mais complexos.

Até porque seus sentimentos também envolviam a prima. Hayoung estava se distanciando mais. Talvez tenha sido a única pessoa que tenha se afastado dele. Cada vez mais envolvida com o grupo de Yerin - chegando até a viajar para o exterior um pouco antes das provas - a menina não concordava com as novas amizades do primo. Assim como ele não parecia aprovar a delas.

Isso influenciava um pouco na forma como eles agiam nos encontros familiares. Os tios não estavam provocando Dong como costumavam. Eles pareciam mais...quietos. E Hayoung falava pouco com ele. Algo definitivamente estava fora do tom. Pelo menos ele tinha os pais e o avô. O avô também estava ensinando o neto a jogar Go e parecia muito empolgado com os clubes dele, principalmente xadrez.

O foco de Dong, contudo, era Informática. Ainda mais agora com o projeto que seria levado ao diretor durante o Conselho de Classe. De certo modo, ele achava que o projeto era uma das últimas alternativas para mudar sua prima e ter a paz que ele tanto buscava.

As últimas duas semanas tinham sido uma insanidade. Ele ficou estudando em todos os momentos livres e sentia que parte do cérebro foi deixado na prova. Agora só restava esperar pelo resultado de seus esforços...





Quem olhasse para Hyemin podia jurar que ela tinha a vida perfeita. Suas postagens nas redes sociais sempre indicavam que ela estava nos melhores restaurantes ou fazendo as compras mais extravagantes ou ainda tendo os melhores momentos que uma adolescente poderia querer.

Invejável, alguns diriam.

A realidade, contudo, era bem diferente do que aparecia.

Houve muita coisa boa naquele período. A viagem para NY foi o ponto alto. Mesmo sendo um pouco perto do período de provas, Hyemin e seus amigos Beom Su, Yerin e Hayoung se divertiram como nunca. Ficaram quatro dias lá - de sexta a segunda - e cada instante valeu a pena. Foi um pouco corrido, mas ela podia voltar lá no final de semana seguinte, se quisesse.

Fato era que o show da Selena Gomez foi a coisa mais incrível que ela já tinha visto na vida. Até mesmo Yerin se divertiu no show. O grupo participou de um meet & greet especial com a cantora que foi muito receptiva e amorosa com a fã chorona. Passou mensagens de amor e que ela acreditasse sempre em seus sonhos.

Além disso, eles também fizeram muitas compras...a ponto de Hyemin se perder. Foi o único momento tenso da viagem, mas Hayoung foi o anjo que a encontrou. O grupo não comentou nada sobre o ocorrido, mas era óbvio que guardaram o que tinha acontecido.

Yerin estava começando a ficar um pouco mais sensível com essas coisas. Não era a primeira fraqueza/segredo de amiga que ela estava cuidando…

Quando Hyemin voltou para a Coreia, no entanto, teve que lidar com a realidade. Os sonhos ficaram em NY porque algumas coisas transformaram Maio num mês nebuloso. Seu pai tentou cumprir a promessa de ficarem juntos aos domingos, mas era justamente o único dia que ela via o pai. Havia muito trabalho para ele administrar e tinha dia que nem em casa dormia. Porém, aos domingos, ele passava cerca de doze horas - contadas - com a filha.

A tia também não estava dócil. Infeliz com o casamento, ela tinha se distanciado um pouco da casa Seo. Ficou vários dias em SPA ou viajando. Não vinha dando toda atenção e amor para a querida sobrinha. Mas Hyemin era uma menina dócil que conseguia compreender…

Não é?

Bom, pelo menos ela tinha as amigas. No caso, amigos porque Beom Su entrou de vez para o grupo. Eles se reuniam na casa de Hyemin e faziam sessão de cinema, festa do pijama e várias atividades do gênero. Nana foi algumas vezes, mas não todas.

A amiga tinha mudado muito. Deixou de usar aquelas roupas super femininas, preferindo tons escuros e roupas largas. Isso começava a esconder a perda de peso que ela vinha tendo. Entre outras coisas. Ao longo daquele período, as meninas tiveram que lidar com um surto dela.

Numa das festas de pijama enquanto viam um especial da MNET, o cantor Taemin fez um mashup de suas músicas logo depois de um comeback. Dentre as músicas, uma delas foi Move. Até chegar nessa musica, o grupo dançou, se divertiu, mas assim que Nana ouviu MOVE, ela travou. Ninguém entendeu nada ou porquê dela se tremer tanto, mas ela começou a se bater, chegando até mesmo a quebrar um dos vasos da casa de Hyemin.

Yerin se trancou no banheiro com ela, mas os gritos ecoaram pela casa e na mente de Hyemin por um bom tempo.

Felizmente, Yewon não tinha ido a essa festa de pijama e foi mais um segredo que Beom Su, Hayoung, Hyemin e Yerin compartilharam.

Toda essa situação não foi o suficiente para travar a impiedade de Yerin no colégio. Como era uma garota de palavra, segunda-feira realmente virou o dia de perseguir Sunny e/ou suas amigas. Elas aprontavam muito, vários tipos de travessuras e pequenas humilhações que Sunny, Stella e Lee Hi recebiam caladas. Fosse por orgulho ou medo, o que acontecia ali, ficava ali. A última travessura, inclusive, foi “sequestrar” as apostilas de Sunny sem que ela visse. No mesmo dia, as apostilas foram devolvidas, mas faltavam várias anotações importantes. Isso acabou prejudicando o rendimento dela nas provas.

Outro problema da escola era Kim. Depois daquela desastrosa conversa/briga que tiveram, ele não a procurou mais para tirar satisfações de nada. Havia aquele abismo entre os dois, mas até mesmo ele admitia que era muito difícil ignorá-la sempre. Vez ou outra se esbarravam de modo constrangedor - virando uma esquina, entrando na sala, enfim - mas eles não se falavam mais.

Pelo menos havia uma amizade antiga que estava mantida. Por mais irritado que Jung Mi tenha ficado com toda aquela situação criada pelo imaginario de Hyemin, ele não a tratou diferente - só porque conseguiu contornar a situação também. Continuava sendo amigo dela, mesmo que não concordasse com as práticas dela e suas amigas.

O namoro dele com Misoo também aproximou um pouco as duas. Por respeito à Yewon, elas não podiam dizer que eram amigas, mas elas se davam bem no clube de moda e tênis. Outra pessoa que também se mostrou um amorzinho foi Bomi. Sociável e amorzinho, ela sempre foi, mas agora ela parecia menos grudada em Misoo e mais dada a outros grupos.

Algo tinha acontecido…

Os clubes estavam maravilhosos, mas Culinária certamente era, de longe, o mais legal. A professora de Moda era um pouco irritante, às vezes. Extremamente esnobe e crítica, somente Sunyoung parecia fazer as coisas certas. Mas em Culinária, Hyemin era a estrelinha da turma, empatada com a capitã - as duas se complementavam e não brigavam entre si. O que era ótimo, porque de conflitos, já bastava os que ela já tinha que aturar.

Para as provas, Hyemin tinha estudado com seu grupinho. O rendimento não foi tão proveitoso assim porque eles se distraíam demais - até mesmo Yerin que andava um pouco mais avoada e cansada do que o normal. Hyemin podia ser boba, mas conhecia bem a amiga. Sabia que ela estava passando por problemas, mas ela se recusava a dizer o que era.

Yerin era, antes de tudo, a coluna daquele grupo. Se quebrasse ou demonstrasse fraqueza, todos desmoronariam.

No fim de semana após a prova, Hyemin almoçou com seu pai, os Han e os Wang. Miwoo esteve presente e, para sua completa surpresa, eles trocaram telefone!!! No próprio domingo, ele mandou uma mensagem combinando de jantarem na próxima sexta-feira.

Quem que se importa com o resultado das provas quando tem um encontro para programar? Por que era isso, né? Um encontro!!!

Beom Su se animou todo em ajudá-la. Hayoung também estava hypada. Yerin e Nana, contudo, estavam um pouco mais sérias. Nana cortou qualquer chance dela vestir vermelho ou decote. Implorou para que fosse o mais vestida possível e que não tentasse seguir seus últimos conselhos. Já Yerin tinha ranço mesmo e não se manifestava, apesar de querer a felicidade dela.

Agora apenas algumas horas a separavam de seu conto de fadas…





Assim como a “bipolaridade” que domava seu inconsciente, os meses também foram meio bosta e meio legais. Logo em meados de Abril, Hyun Hee foi surpreendido pelo “castigo” do Secretário Lee. Depois de conversar com o avô, Lee foi autorizado a treinar Hyun. O garoto que já foi faixa preta em TKD e estava há dois anos sem treinar nada, foi colocado à prova para revisitar seu passado.

Foi difícil e ele odiou, mas quando passou a ser mais honesto consigo mesmo, ele encontrou certo prazer nos treinos. Lee não pegava leve também, sendo um mestre bem exigente - talvez até batesse de verdade, só pra aliviar a alma. Fato era que depois de treinar, ele se sentia mais leve...Cansado, porém, em paz.

Era comum depois dos treinos, eles irem até o restaurante familiar que Hyun conhecera logo na primeira semana de aula. A comida era boa e o clima bastante amigável. Ele não fazia ideia que pertencia à tia de uma colega de turma.

O castigo também serviu para aproximá-lo de Lee. De certo modo, o “babá” tornou-se um amigo. Atualmente era mais frequente que eles conversassem sobre o passado de Lee - que foi surpreendentemente rebelde e tinha boas histórias para contar - e os papos sempre rendiam bons conselhos. Não seria exagero dizer que ele começava a ganhar características paternas. Idade para ser seu pai, ele tinha, mas os dois ainda sabiam que, no fim do dia, Lee era o empregado e Hyun o patrão.

Oxigenar o cérebro com luta também o ajudou a se concentrar mais nas coisas que aconteciam ao seu redor.

Aquela noite de sábado ainda era um mistério, mas a mudança de Go Eun Na era nítida. A garota não era mais a mesma e certamente tinha medo dele. Vivia evitando contato visual e sempre saía da frente quando ele passava. Quando ele buscava conversar com ela pelas redes sociais, ela respondia com um tom que podia ser considerado medo.

Os outros garotos de seu grupo não comentavam sobre aquela noite. Jong In também não, mas agora ele vivia sonhando com o dia que quebraria o pescoço de Yerin.

Aliás, Jong In continuava o cretino de sempre. Hyun soube que ele conseguiu concluir o desafio, mas agora levaria para algo mais dificil. Era um pouco chocante - para alguem que tivesse um pingo de moral - ouvir o tipo de coisa que ele fazia. A vítima, ele não sabia quem era, mas tinha suas suspeitas.

Pelo menos tinha certeza de que não era Chaeyoung. Se tivesse, ela certamente teria contado para ele - e Jong In seria um homem morto.

Os amigos dele também estavam perseguindo o garoto de cabelo colorido - agora o cabelo dele andava castanho, mas dava para ver que era pintado também. As brigas físicas ocorriam pelo menos uma vez por semana, mas muitas vezes mais fora do colégio. Taehyung e Ro Young odiavam mesmo o cara. E o garoto não abaixava a cabeça, sempre revidando mais.

Eles já tinham sido suspensos por conta das advertências, mas voltaram à tempo de fazerem as provas.

As meninas também continuavam agindo daquele jeito venenoso. Hyun não fazia ideia, mas Eun Joo, Jimin e Hyejeong sempre faziam algo com Chaeyoung. Não foram poucas as vezes que ela chegou com a mão machucada ou o joelho roxo/ralado no terraço. Ela dizia que tinha caído na escada - nunca empurrada. Era fácil de acreditar porque ela era mesmo atrapalhada, às vezes.

No terraço, eles passavam um tempo conversando ou no mais puro silêncio, ouvindo música. Também começaram a levar “marmitas” com comida que faziam para os dois. Às vezes Hyun, às vezes ela, em outras, meio a meio. Era uma amizade colorida e uma das coisas boas daquela nova vida.

Chaeyoung o aceitava do jeito que era e não seguia a linha de chata apaixonada. Deixava que fosse livre e também era. Mas eles pareciam se gostar. O aniversário dela tinha sido no último dia de Abril e ela esperava recuperar a joaninha. Mas até hoje ele não devolveu.

Sempre tinha uma desculpa.

Hyun era mais ligado com as pessoas fora de sua turma, mas até que falava com alguns do 1º ano. Tinha contato com Hyemin, Misoo e iniciou uma estranha e improvável amizade com Jaeki, por conta de mecânica.

Os clubes eram legais, ao seu modo. Ocupavam a mente e criavam vínculos novos. Era curioso como ele fez amizade com o bolsista, mas não conseguia trocar uma palavra com seu irmão. Jung Mi não falava nada com ele, nem se encaravam direito. Tanto que ele nem fazia ideia que o namoro era uma mentira.

Os eventos sociais também eram uma constante na vida de Hyun. Quase todo fim de semana tinha uma festinha nova, mas agora ele tomava mais cuidado - nenhuma chegou ao cúmulo daquela noite de sábado, também.

De muitas formas, Hyun era quase normal.

Mas ele sabia que era uma questão de tempo até o tic tac de sua bomba mental terminar…





Misoo não podia imaginar na reviravolta que sua vida teria depois que Jung Mi disse em alto e bom som que eram namorados. Aquela história que começou de modo muito amargo, teve um desfecho...interessante.

Não havia outra palavra.

O namoro podia ser de mentira, mas eles agiam como se fosse de verdade. Não havia toques, beijos ou afins. Mas eles sempre estavam presentes em vários momentos, de modo que pareciam namorar de verdade. No início foi muito incômodo para Misoo que nem fazia ideia de como conseguiria manter aquilo. Era uma péssima mentirosa.

Contudo, depois de um tempo, os pontos positivos começaram a surgir.

Começando por sua família. Quando a mãe soube que ela estava namorando um Park - ainda que fosse o mais novo - ela quase explodiu de alegria. Foi até um pouco constrangedor o modo como a mãe a olhou. Era como se visse alguém brilhante ou muito especial. Talvez tenha sido a primeira vez que a mãe a viu de verdade.

O quão irracional isso podia ser?

A mãe passou a tratá-la como uma filha de verdade. Elas conseguiam até mesmo conversar. Parecia que nunca houve agressão ou uma vida inteira de mágoas. Misoo chegava a receber até elogios sobre como tinha acordado bonita ou como seu penteado antes esquisito, parecia lindo. Até mesmo algumas vontades e mimos passaram a ser feitos. Um deles foi que a mãe passou a ser menos rígida com a questão de comida. Agora agia de modo saudável, não radical.

Inclusive houve uma noite onde elas viram um filme e dividiram sorvete do pote - um pote pequeno, mas ainda assim. Era o tipo de coisa que a menina nunca tinha experimentado antes com sua mãe. E agora era possível.

O relacionamento com a avó também estava ótimo. Ela ficava feliz por ver sua filha finalmente tratando a neta direito, mas se preocupava. Se aqueles dois terminassem, temia pelo que poderia acontecer com Misoo. A decepção seria grande demais.

Já o pai, ainda era um homem muito ocupado e ausente. Mas agora que a menina estava mais proxima da mãe, pôde vê-la chorando algumas vezes no banheiro de seu quarto. A mulher sempre disfarçava, mas o casamento não era perfeito como gostavam de transparecer…

Uma farsa, talvez.

A maior delas foi quando Jung Mi foi convidado para jantar na residência Yeun. O menino levou flores, charutos e um ursinho de pelúcia. Era a primeira vez que ia na casa dela e ainda ia com o título de namorado, precisava levar presentes aos anfitriões. A família dela agiu como se fosse um lar cheio de amor. O menino saiu até impressionado com tudo aquilo.

Quando ela desabafava com as amigas, ela recebia a compreensão de Mia, mas Bibi sempre falava de modo mais claro. Bibi achava que Misoo reclamava demais dos atos de Jung Mi. Estava recebendo vários mimos, qual era o mal disso? Em outras palavras, ela achava que Misoo deveria aproveitar mesmo. Isso tinha prazo para acabar e quando acabasse, ela podia se arrepender.

Esse tipo de história não chegava até Bomi. Apesar de terem resolvido as pendências, as duas tinham se afastado um pouco - assim como Gyu, que mesmo que fosse “amigo” de Jung Mi, pouco falava com Misoo. Bomi estava mais falante com outros grupos e até mesmo com unnies do 2º ano.

Mia sentia inveja. Nem ela conseguia conversar com aquelas meninas e Bomi era convidada para as coisas, como se fosse amiga há anos. Eun Bi achava esquisito também, mas já não estava ligando muito para isso.

Gostava de Bomi, mas se ela não queria compartilhar todos os momentos com elas, paciência. Cada uma tinha sua vida mesmo.

Além desse pequeno problema, Misoo também tinha que lidar com as provocações de Yewon. Para o azar da rival, o nome de Jung Mi tinha poder sim. Eun Joo tinha “adotado” a garota como sua irmãzinha e também a protegia. Isso enfraquecia um pouco Yewon, mas Misoo podia ter a certeza de que ela não desistiria de transformar sua vida num inferno. Outra unnie que também a tratava bem, mas com reservas era Sunyoung. Depois dela ter dito que não namorava, mas aparecer namorando, ela entendeu que deveria desconfiar do que Misoo dissesse.

Nos clubes, tudo seguia bem. Quer dizer, dança e tênis estavam bem - ela até ficou um pouco mais animada por ter voltado a comer melhor - mas moda ainda era um martírio. Para completar, a professora de moda odiava a mãe dela e descontava suas frutrações em Misoo.

Era o pior dia e, para completar, era uma aula que durava a tarde toda.

Pelo menos ficaria duas semanas sem essa praga, graças à semana de provas e o conselho de classe - não que provas a deixassem mais calma, mas ainda assim...era melhor do que ter aquela droga de aula.

Os estudos foram bons. Jung Mi a ajudou e Eun Bi compartilhou as dicas que pegou com Jae Ki. Os dois pareciam caminhar para algo próximo de relacionamento, mas não tinha oficializado nada. Na verdade, alguns dias antes das provas, eles tinham brigado e nem estavam se olhando direito.

Um dos mistérios da humanidade certamente era esse: como eles se aturavam? Não era muito cansativo ter um relacionamento assim?

Pelo menos o dela era de mentira…





Jae Ki estava, definitivamente, no seu limite. Depois de uma primeira semana muito difícil, ele colocou em mente que precisava se controlar. Isso acabava sendo mais desgastante do que explodir. Guardar tanto desaforo e perseguição acabaria adoecendo o garoto. O único momento que ele conseguia colocar a raiva para fora era quando se encontrava com sua gangue.

O grupo estava se metendo em muito mais briga do que o normal. Agora que estavam aliados dos NEW0 e faziam “intercâmbio” de membros, eles estavam mais dados a atos de vandalismo, brigas e até mesmo furto. Jae Ki não sujava as mãos, mas ele esteve presente em vários furtos de Dan. Os meninos eram legais, gente boa, mas moralmente errados.

Atualmente, Dan e Kai estavam no intercâmbio e faziam parte do grupo de Ji Hoo. Justamente por Kai ser bom de briga e Dan um sonso mão leve. Por enquanto, ninguém tinha saído para ir para lá, simplesmente liberaram os dois. Dessa forma, Jae Ki descobriu que Kai era o irmão mais novo de May e Jazz - os líderes. Dan era um órfão que nem estudava e vivia fugindo do conselho tutelar. Ele era muito inteligente, mas já podia ser considerado um perdido.

Enfim, Ji Hoo ainda não cobrou seu favor por conta do segredo de Jae Ki com WangJo. Mas o menino podia sentir que estava perto de acontecer. Só não tinha sido assim ainda porque estavam todos muito tensos.

No colégio, a tensão não era diferente. Fosse por Eun Bi, pelos amigos ou por si mesmo, Jae sempre se sentia provocado. Por varias vezes se meteu para ajudar Kai nas brigas - sempre tentando separar e, por isso mesmo, nunca recebeu advertência por isso. Com Eun Bi, o problema era na aula de dança. Ela continuava sendo a parceira oficial de Taemin e isso o incomodava bastante. Ainda tinha o clube de natação que ela e Taemin também faziam parte.

Era de enlouquecer a mente de qualquer ciumento como ele.

Contudo, Eun Bi sempre dizia que não tinha nada demais, que estava tudo bem. O difícil era ele aceitar isso e ficar de boa.

Os Dragões continuavam bem unidos e tentavam entender os dilemas adolescentes, bem como o porquê do ódio aos Yoon. Não encontraram nada que fosse considerado desprezível, muito pelo contrário. Cada vez parecia mais que o pai de Won não tinha motivo para odiá-los.

Sunny continuou sendo um assunto velado. Ele protegia a menina de longe e por isso não fazia ideia das coisas que Yerin vinha fazendo com ela. Por outro lado, a megera estava de olho em Jae Ki. Ela soube da ameaça que ele fez com Hyemin e foi bem clara quando o pegou no corredor. Disse que se ele ousasse tocar nela de novo, ela falaria com a polícia. Não seria uma advertência, nem suspensão, seria a polícia.

O que ela quis dizer com isso, ficava à critério da mente de Jae. Mas era certo de que ele entrou na lista negra dela, muito embora ela não o perseguisse. Era só não se meter no caminho de Hyemin de novo - foi uma colher de chá por conta da vez que ele a ajudou, nas escadas.

O pior era que ele sempre via Yerin no clube de artes. Ela era muito boa, mas as pinturas dela pareciam muito tristes. Para os mais sensíveis, olhar para a tela dela era o mesmo que sentir uma dor no peito e vontade de chorar. Isso não mudava quem ela era, mas enfim, era algo diferente.

Em casa, as coisas continuavam iguais. A halmoni estava mais aborrecida por conta das brigas que Jae Ki estava se metendo, mas gostou de conhecer Kang e Won. Achava que, talvez, ele ainda tivesse esperanças. Gostou principalmente de Won que parecia um menino bondoso. Pediu aos meninos que tivessem paciência com Jae Ki. Soo Ji também adorou os “principes” e conheceu o irmão de Kang.

As duas crianças se deram super bem, mas nem pensavam em casais ou coisa do tipo. O irmão de Kang era troll demais para paquerar, ele queria jogar, ser pro-player. Tinha tempo para meninas não.

Quando as provas se aproximaram, ele e Eun Bi foram estudar juntos. O clube de dança só não estava pior porque ela o ajudou bastante. Em troca, ele a ajudaria com os estudos. Tudo estava indo muito bem, eles pareciam ter até um tipo de clima ou coisa assim.

Mas...no fim de semana que antecedeu as provas, quando tudo parecia encaminhado para uma confissão, eles tiveram uma briga feia. Eun Bi estava irritada por ele trazer Taemin para a conversa de novo e falou que gostava sim de dançar com ele. Inclusive disse que o garoto tinha pedido desculpas a ela e por isso não via motivos para pararem de dançar. A briga foi piorando e eles estão há duas semanas, eles nãos e falam direito. Muito mal se olham.

Os amigos já começaram apostas para ver até quando, mas eles parecem resolutos nisso.

Isso tirou um pouco a concentração dele nas provas e a espera para os resultados tem sido uma verdadeira tortura.





Sunny vinha experimentando um dos piores tipos de dor: decepção. Depois que Jung Mi apareceu no café, naquela fatídica segunda-feira para contar a verdade sobre seu relacionamento com Misoo, a garota tinha alimentado esperanças para os próximos dias. Porém, diferente de tudo o que ele tinha dito, os dois realmente estavam parecendo um casal.

E ele parecia gostar dela.

Ninguém era capaz de mentir tão bem e isso a fazia concluir de que a grande idiota daquela história tinha sido ela. Não conseguia compreender o nível de sadismo dele para fazer isso com ela.

Além de ser muito irônico que alguém como ela, apaixonada por livros e romances, se visse numa história tão triste assim. O que será que ela tinha feito nas vidas passadas para merecer um destino assim? Não bastava todo seu histórico, até o fim da vida, só encontraria sofrimentos?

Não, não podia ser injusta.

Tinha conhecido amigos maravilhosos, tinha uma família incrível. Nem tudo eram trevas em sua vida. Havia muita luz. Ela era uma criatura solar, precisava acreditar nisso…

O problema era que sua mente não estava ajudando com isso. Vinha sofrendo com insônias e insanidade que refletiam um pouco em seu humor e no pique para encarar o dia. Estava constantemente cansada e levemente desatenta. Sua nuca doía muito e ela não sabia como conseguia concluir os dias. Em alguns momentos, pareciam durar uma eternidade enquanto noutros passava com o piscar de olhos.

Diante de tantos trabalhos, treinos musicais, composições de literatura, grêmio, dever de casa, parecia improvável que a cabeça encontrasse um pouco de alívio. Felizmente, Sunny tinha amigos e foi isso que salvou, ainda que minimamente.

Neste período, Sunny conheceu a casa de Chaeyoung - um singela e tradicional mansão, visto que ela era filha do maior banqueiro da Coreia do Sul - bem como a família de Stella, que morava num bairro de diplomatas. A mãe dela era muito divertida e estava gravidíssima. O bebê estava previsto para o fim de Junho/início de Julho. Contagem regressiva! Hee Kyung também estava mais próximo dela, principalmente depois da visita no café. Isso sem contar, é claro, com a constante presença de Kim em sua vida.

Apesar de música ser uma tortura por conta da presença de Jung Mi, também era um alento porque eles ficavam em espaços diferentes. Chae estava lá com ela e Sunny também conheceu ou se aproximou de outras pessoas - Won, Kang, Bomi e Gyu faziam parte desse clube também. Literatura também trazia grande conforto porque era uma aula gostosa, apesar do volume de tarefas a cumprir.

Outro problema do colégio era a perseguição de Yerin. Ela realmente cumpriu sua promessa de transformar as segundas-feiras num pequeno inferno. Ou atingia Sunny ou as amigas dela - Stella e Lee Hi. A última que aprontaram foi antes das provas. Qual foi a surpresa de Sunny ao abrir as apostilas e encontrar várias folhas faltando?? Por sorte, ela estudava um pouco por dia, mas mesmo assim, seria impossível revisar. Stella até tentou ajudar, mas não era a mesma coisa.

Eram anotações pessoais demais, esquemas que só ela entendia. E agora...perdidos. Justo quando ela achava que as meninas não podiam aprontar mais, elas conseguiam surpreendê-la. Era incrível.

Por falar em Lee Hi, ela estava definitivamente estranha. Durante o mês de Maio, ela chegou atrasada ou saiu mais cedo várias vezes, com as justificativas mais tolas do mundo. Andava muito mais avoada e não largava o celular. Quando era indagada, ela não explicava o que estava acontecendo. Pelo contrário, ficava até um pouco aborrecida por ter sua "privacidade invadida".

Pelo menos a família dela não teve muitas mudanças. Tudo seguia como sempre, com exceção das reclamações de Jun Pyo acerca de um cliente que começou a virar rotina e que estressava um pouco a tia Yumi. Ele estava com ciúmes e deixando o pai da família meio desconfiado.

A ausência das anotações dela a abalaram um pouco para as provas, mas ela seguia otimista. A maioria das respostas, ela já sabia e saiu com o sentimentos de que não tinha sido tão ruim assim.





Se alguém virasse para Won Bin no início daquele ano e contasse algumas coisas sobre seus meses futuros, ele certamente daria uma boa risada na cara da pessoa. Apenas num mundo paralelo, ele estaria fazendo teatro e música; estaria trabalhando; não falaria com seu pai como antes; tivesse parado de treinar TKD; e estaria, provavelmente, gostando de uma menina rica.

Mas essa era a mais pura verdade.

Won Bin foi uma das pessoas que mais mudanças teve no decorrer desse período. Seu objetivo ao entrar nos clubes de música e teatro era sair da zona de conforto e isso estava adiantando. Apesar de ainda ser muito tímido, ele conseguia se afastar dessa característica quando era necessário - principalmente no trabalho e em apresentações em grupo no colégio. O teatro ajudava nisso. As aulas de canto, idem. Ele era um “minor”, mas o professor dizia que sua voz tinha potencial. Se ele continuasse treinando, provavelmente seria um dos chamados para cantar no “Concerto WangJo”.

O colégio tinha alguns contras, mas até o momento o saldo tinha sido positivo para ele. Era muito difícil, tinha todo aquele clima de brigas - ele não via o que acontecia com as meninas, só o que Ye Ji, às vezes contava que passava. Seu discurso sempre era triste e cheio de vitimização. Porém, Won viu as vezes que Kai apanhou e bateu nos meninos, chegando a ajudar a separar também.

Era um pouco difícil viver nessa tensão, mas a verdade era que a vida dele estava uma somatória de tensões.

O trabalho também não ficava muito atrás. Sua chefe já tinha deixado claro que gostava dele, mas sempre havia a sombra de que a Sra Yoon surgiria ali para infernizá-lo. A mulher não tinha ficado mais sociável, pelo contrário. Ela fazia questão de ser uma grande pedra no sapato. Às vezes, Bomi era obrigada a ir com ela, mas arrumava desculpas para esperar do lado de fora ou coisa do tipo.  Bomi geralmente aparecia quando os pais não estavam em casa e foi assim que ela entregou alguns resumos para estudarem juntos também.

O sentimento deles estava evoluindo, mas eles ainda tinham alguns bloqueios e barreiras. Principalmente Gyu Sik que não estava muito feliz de ver a irmã de papinho com ele. O garoto tinha um pouco de bronca de Won desde a história de que ele era o herói de Misoo, mas agora era ciúmes de irmão mesmo. Por isso eles não conseguiram almoçar juntos como tinham combinado. Se não era o clube de Radio, era o irmão dela que impedia.

Suas outras amizades estavam seguindo um rumo bom. Os Dragões estavam mais unidos e se solidarizando mais. As pesquisas sobre os Yoon renderam informações que só enalteciam aquela familia. Aparentemente, o pai de Bomi tinha uma carreira ilibada, era popular por conta das causas que defendeu e extremamente honrado. A mãe dela vinha de uma família do ramo imobiliário e era uma socialite. Também havia muita informação - das mais relevantes às mais futeis - sobre o tio famoso dela. Atualmente vinham falando muito do casamento com a herdeira de uma famosa emissora.

Ficava cada vez mais difícil entender o porquê do ódio de seu pai por eles. Tinha que ter um motivo, mas Won não encontrava nem ao menos uma pisca.

Será que seu pai era “pior” do que ele imaginava? Sim, porque as recentes atitudes dele foram uma verdadeira revelação. Será que ele se decepcionaria ainda mais com ele? Dificil saber…

Uma coisa era certa: seu pai era um homem de palavra. Afinal, estava cumprindo a promessa que fizera. Won já tinha se livrado do gesso, mas não pôde voltar a treinar. Ainda tinha o contato do Mestre, mas não treinar era muito triste. Apesar do resto estar, mais ou menos bem, ele se sentia incompleto.

E a situação em casa também era ruim. Seu pai sempre foi seu melhor amigo e não poder compartilhar as coisas com ele era dificil.

Nem a interferência do tio Jin Han estava ajudando muito. Jin Han ia lá aos fins de semana para verem jogos e essas coisas. Até mesmo levou os dois para assistirem a uma partida de basebol. Foi o único momento que pai e filho ficaram mais próximos e dava para perceber como sentiam falta um do outro.

O orgulho, contudo, era um problema.

Durante os estudos, ele receberia a ajuda dos amigos e de Bomi, mas não estava muito certo do resultado. WangJo era mais difícil do que diziam.

7 DE JUNHO DE 2019 - SEXTA FEIRA - 10 A.M


A sexta-feira tinha chegado e estava passando bem rápido, para alegria dos amantes do fim de semana. Quando o sinal tocou, indicando o intervalo, houve bastante alivio. Muitos já se levantaram felizes da vida enquanto outros ainda estavam exaustos.

Fato era que os primeiros a saírem das salas, poderiam se deparar com o tão esperado resultado. Os que estavam dentro da sala rapidamente ouviriam os gritos de euforia ou desespero. Lá, no mural, para todo mundo ver, estavam o rankingo dos alunos em quatro folhas: 1º ano, 2º ano, 3º ano e geral com os 80 alunos.

”ranking”:
1 -Gyu
2 - Nayeon
3 - Ui Jin
4 - Hyo Shin
5 - Jung Mi
6 - Stella
7 - DONG
8 - Min Ho
9 - SUNNY
10 - JAEKI
11 - HYUN
12 - MISOO
13- Yerin
14 - Eun Bi
15 - YeJi
16 - WON
17 - Eun Na
18 - Hayoung
19 - Bomi
20 -- Kim
21 -HYEMIN
22 - Jiran
23 - Kang
24 - Taemin
25 - Miran
26 - Sejeong
27 - Ye Sol
28 -  Ryu Ji
29 - Yewon
30 - Beom Su

No ranking geral, Dong tinha ficado em 10º lugar, Sunny em 17º, JaeKi em 18º, Hyun em 25º, Misoo em 27º, Won em 38º e Hyemin em 57º. (Baseado nos seus resultados)
(C) Ross
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Achava que ela nem se daria o trabalho de ouvi-lo por isso segurou o seu braço. Temia que ele estaria gritando ao vento e que o ódio havia prevalecido.

Mas ela tinha parado. Tinha ouvido ele dizer tudo o que restava de segredo no coração de Won. Sem mais nada a revelar Won se sentia desarmado, sem nenhuma proteção.

Sem visão clara de seu rosto Won não sabia a reação exata de Bomi inicialmente mas aos poucos parecia que a postura de Bomi mudava mais um pouco.

Depois daquilo tudo Won não imaginava que ela ficaria. Tinha quase certeza de que ela continuaria dando-lhe as costas. Na verdade ela fez o contrário ao ir em direção dele.

- Hajima! Hajima!! HAJIMA!!! - Berrou também - Eu nunca quis que você fosse um Ryu Ji! Nunca!! ´

Não conseguiu se mover, apenas ficou parado ali. O que tinha mais a dizer? Se ela não queria então porque falava que sentia arrependimento, que tinha abandonado um namoro promissor…

Sua cabeça em seu ombro pareceu desarmar toda resistência de Won. Ele não sabia como responder mais nada.

- Mas eu quero que você vá embora. - A voz saiu num fiozinho de nada.- E recupere sua vida. Porque eu nunca quis que você fosse um Ryu Ji, mas você não podia ser um Hwang, Won Bin…

Diante daquele último soluço dela seu corpo agiu sem que pensasse.

Colocou os braços sobre ela e com cuidado a envolveu num abraço, deixando que se tornasse um apoio para que chorasse e que mantivesse a cabeça ali. Naquele abraço meio improvisado ele conseguiria formar uma palavra.

-Saranghae. Saranghae. Saranghae. Saranghae. Saranghae… - dizia primeiro em alto e bom som mas a cada “eu te amo” seguinte sua voz ia baixando para quase um sussurro

-Se eu não posso ser ele. Se eu não posso ser um Hwang...quem eu posso ser Bomi? Eu quero consertar as coisas, eu quero ser...eu. E eu não quero ir, não de verdade

Não restava ser mais ninguém afinal.

-É impossível voltar pra minha antiga vida Bomi. Eu não posso porque nada que eu fazia vai ter o mesmo brilho sem você…

Aos poucos ia soltar seu abraço. Não tinha mais o que dizer, tinha se desarmado por completo.

Wangjo

— Ross
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Hyemin gostava bastante de seus amigos. A remoção de Yewon do grupinho tornou tudo mais leve. Desde que contou aquele segredinho,  ela passou a ficar com medo da “amiga” e aos poucos ela foi punida pela própria Yerin até que se afastou de todos. No lugar estava Beom-Su, que ela achava um garoto muito legal e conseguia engatar fácil em qualquer assunto dele. Agradeceu as maquiagens do dia anterior e devolveu ali mesmo uma necessáire com o rímel salvador.  Mesmo assim, não comentou muito sobre a noite anterior. Não tinha mais motivos para falar dela, fingia que nem tinha acontecido. Até a briga com Yerin tinha sido esquecida e perdoada.

Tanto que sentiu um pouco de culpa de participar de um grupo sem ela, mas realmente ela não merecia ficar sabendo de seu relacionamento quando tinha tantas coisas piores acontecendo com ela. Ela fez brincadeiras sobre os castigos terríveis que Hayoung devia estar sofrendo (como ficar sem celular, ter que vender suas roupas etc. e dava contrapartidas que achava que ela poderia fazer, como morar em outro país ou virar Idol e não precisar mais estudar). A garota teria bastante coisa para ler quando pudesse. Já sobre ela mesma, ela só dizia de forma genérica que tinha sido tudo ótimo, que comeu lagosta e ganhou rosas, mas não fez as descrições longas que estava acostumada. Na verdade, comentou que o noivo ligou novamente e que queria sair de novo. Focava em coisas que realmente tinham acontecido, e o restante se baseava no encontro de Chaeyoung.

O motivo para isso agora era para evitar questionamentos. Ninguém entenderia direito. E já estava se sentindo melhor, pra que levantar problemas? Ela também se certificou que Yerin estava bem pelo celular e anunciou que só dormiria depois de ler mensagens dela. Agora ficaria muito mais atenta.

Era muito assustador ver o quanto elas não eram poderosas de verdade fora da escola. Nana e Yerin eram as provas vivas disso e ela via o quanto não conseguia protegê-las e que, talvez, ela também não pudesse ser protegida. Pelo menos não tinha nada errado em sua vida que ela não pudesse lidar sozinha, não é? Não precisava ser protegida de nada.

Seu sono daquela vez foi revigorante. Quando acordou, nem acreditou no jeito simples que teve a coragem de sair de casa no dia anterior. Como teve coragem de nem fazer tratamento facial? Apostava que tinha envelhecido 2 anos por causa disso.  Ela não teve pressa para arrumar cabelo e rosto, cuidando-se com todo o amor de antes.  Como sairia com o pai, ela não queria enrolar muito, então montou um look em tom pastel em lilás e branco.

Desceu os degraus e o rostinho sonolento logo encheu-se de vida ao reconhecer o cheiro das panquecas. Ela fez barulho descendo rapidamente, com a ansiedade de ver seu pai. Ele realmente tinha aparecido cedo, fechando um fim de semana perfeito.

- Appa! Appa, appa, appa!!  - correu para abraçá-lo na cintura como se não o visse a anos. Ela aguardou mimos para olhá-lo com um sorriso puro.

- Fez boa viagem? Quando chegou? Tá cansado? Nós vamos sair né? Fiz cookies, mas acabaram - fez um biquinho. - Mas que bom que adivinhou. Obaaa, panquecas - bateu palmas, circulando o pai e observando a comida. - Já comprei os ingressos, dessa vez não é desenho - brincou, ‘orgulhosa’ de si mesma e apoiou-se no balcão. - Trouxe minha bluuusa?

Nem perguntou isso e já saiu correndo para procurar,  esperando que o pai dissesse onde estava. Caso encontrasse, voltaria com o(s) pacote(s) para a cozinha para conversar com ele. Se não, voltaria do mesmo jeito, mas com um bico dramático.

Residência Seo

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Impossível manter uma postura serena diante do comportamento rebelde e afrontoso de Taemin. Entretanto, devido ao conjunto de ações e reações recente, sem que Sunny se quer notasse, aconteceu uma substancial mudança na maneira dela realmente enxergá-lo. Não que estivesse o vendo de modo diferente, mas agora sabia sobre a existência de uma camada sob a pose de playboy prepotente e desagradável que ele fazia questão de expor aos demais.

Não comentou nada quando Taemin falou que bastava ler seus exercícios, ter uma “boa cola”... e pronto. Até porque, nem precisava dizer um ai, pois a revirada de olhos marcava perfeitamente o... NÃO.

Ela NÃO vai passar cola!!!

NAUM.

Sunny continuou com o discurso, tentando colocar algum juízo naquela cabeça aloirada... Para ela, estudar era tão divertido, ainda mais quando se entende a matéria. De verdade, Sun-Hee não sentiria qualquer incômodo em ajudá-lo, já que também seria uma forma de fixar o conteúdo. Porém, esse preguiçoso preferia o método mais fácil... OKAY, ENTÃO! Não assumiria o papel de chata insistente, no entanto... com aquela língua arisca e jeito certinho... Taemin teria SIM as atividades feitas por Sunny E - de brinde - um monte de reclamações inclusas no pacote.

O toquinho na testa apenas serviu para reafirmar a diferença de alturas, como se já não fosse suficientemente evidente. Uma satisfação cheia de vingança surgiu no rosto miúdo ao constatar que não era a única a sentir-se “frustrada” ali e aquele sorrisinho brotado do Inferno não intimidava Sunny, pelo contrário... Parecia atiçar a diabinha que se escondia na feição puramente angelical. Mas, ao invés de ceder as vontades do instinto em atacá-lo, Sunny optou por outra saída.

Avisou que torceria para que ele vencesse.

- Tsc... Não é? – arqueou as sobrancelhas, porém a piscadinha causou um breve instante de abobamento... Sunny virou o rosto, emburradinha e um discreto tom rosado cobriu as bochechas – Nós dois temos noções distintas entre arrogância e realismo... – ela ainda resmungou.

O tempo correu.

Ela precisava ir, mas queria que Taemin soubesse.

Que Sunny olhou através do aparente... “animal”.

Assim que começou a ganhar distância, Sun-Hee escutou o chamado do herdeiro. Ela virou o corpo o bastante para encará-lo num misto de confusão e receio. Todavia, todas as emoções se resumiram frente ao que Do Taemin acabou de admitir. Foi a vez das defesas de Sunny caírem enquanto fitava o sorriso dele, completamente surpresa, desarmada pelo garoto.

De costas, Taemin aproveitou para exigir o dever de casa... Por causa disso, não veria o sorriso doce da bolsista, que permaneceu o observando desaparecer no meio de tantas pessoas.

Capítulo 5 - Página 17 21729745228470_722_m

E, independente da multidão, ela - momentaneamente - não veria ninguém além de Taemin...

[...]

No Café Literário, Sunny pediu desculpas pela demora, embora tivesse gasto o tempo do próprio horário de almoço para ajudar Yoona. Sem sombra de dúvida, valeu a pena cada minuto... A carinha feliz da pequena Campeã e todo o carinho que recebeu foram gratificantes. Sunny sentia-se renovada, apesar de tudo. Mas, preferia pensar que teve sorte. Sorte que Taemin apareceu na hora certa, pois diante das desvantagens físicas, aqueles estrangeiros teriam a arrastado para longe e... só com o pensamento do que teria acontecido...

Fazer os exercícios de Taemin certamente seria um preço baixo, muito, muito baixo.

Durante a parte inteira da tarde, Lee-Hi demonstrou uma melhora que acalmou Sunny, mas isso não diminuiu a atenção em cima da amiga. Como esperado, a quietude alterou-se bruscamente graças ao súbito movimento. Sunny não lembrava-se de ter trabalhado tanto como naquele sábado. Foi bom porque impedia a mente de reviver o momento assustador da manhã, mas as mãos, às vezes, tremiam involuntariamente. Claro que preferiu não compartilhar o episódio, assim como não disse nada do “encontro” com Taemin, já que abria margens para detalhes. Até tentou comer e  enganar o estômago vazio desde cedo, mas – milagre ou não – a comida do Café não estava tão convidativa como de costume. Não por causa de algum problema na qualidade, e sim pelo simples fato de ter servido o cardápio repetidas vezes. No fim, a melhor sugestão partiu de Lee-Hi. Depois de um dia turbulento – em amplos sentidos -, a garota atiçou a fome de Sunny ao chamá-la para comer um hambúrguer enorme. E junto do hambúrguer, também adicionaram fritas e milkshake.

Para o choque de Sunny, Lee-Hi mostrava uma fome tão absurda quanto a dela, algo que fugia da normalidade. Sunny chegou a interromper a mastigação das batatinhas conforme assistia Lee-Hi devorar o lanche, mas nada comentou. Ao menos, o apetite tinha retornado, né? Era um bom sinal após um começo de dia bastante delicado. Sunny parecia um aspirador e por pouco que Lee-Hi não precisou empurrá-la para casa feito uma bolinha.

Até aí... Não falaram nada a respeito dos tópicos mais... complexos.

Então, já dentro do ônibus, ela sentiu uma crescente ansiedade sobre os possíveis segredos da amiga e começava uma série de tentativas mentais em adivinhar o que ela ia contar. Enfim, quando chegaram na casa de Sunny, elas foram recebidas pelos cães e não demorariam a perceber que o restante da família não se encontrava presente.

- Ah, eu esqueci que o papai ia sair com os amigos. A titia e Jun-Pyo ainda estão no restaurante e Ji Yoo... – Sunny suspirou enquanto se abaixava, distribuindo afagos entre os pidões – No serviço... – recordava-se da conversa de antes na qual o irmão revelou que a empresa enfrentava problemas – Eles devem demorar. Vou mandar uma mensagem avisando que cheguei e alimentar essas crianças. Miga, você pode ficar à vontade, tá? Enquanto ajeito a situação aqui, pega uma muda de roupa lá no meu quarto e toma um banho. Tem toalha limpa no armário do banheiro. Vou preparar um chá também.

Preparar um chá já pronto, vale o acréscimo.

Queria que Lee-Hi se sentisse confortável, calma e, principalmente...

Protegida.
SÁBADO - UNIVERSIDADE SEJONG

— Ross
Kim Sun-Hee
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-  AISH! Eu só parei por causa dela! - respondeu em tom de brincadeira-agressiva para Jaeki.  Ainda não gostava muito dele.

- O Won me perguntou. Eu falei o que todo mundo sabe   - respondeu a amiga sem papas na língua.  Não achava mesmo que tinha feito algum mal, principalmente porque ele estava sofrendo tanto. - Eu contei que antes que eles se conhecessem ela estava saindo com um menino. Bibi, aquela história do “irmão” foi muito forçada. Aquilo não era carinho de irmão. - revirou os olhos. - Ele estava tão triste… Fiquei com dó.

Olhou pensativa para baixo. Won era um garoto muito bonzinho aparentemente.

- Mas aí falei pra que ele parasse de perguntar pra gente e resolvesse com ela. Também não sou pombo correio!! Até porque a gente nem sabia direito o que tava acontecendo, porque ela se isolou super.   - fez um bico. - Aí agora explodiu nisso

[...]

- Sério? - botou a mão na cintura, vendo Eunbi fugir da cena. Já estava começando a  atiçar sua curiosidade agora, principalmente depois do diálogo. - Mas será que eles vão ficar bem..? Aigo...Vamos evitar o Café por hoje, né? Melhor… - sugeriu.

Ficou bem dividida sobre ir ou não, mas o fato é que não queria voltar para casa, mas também não queria ficar de vela e na presença de Jaeki muito tempo. Ela acabou acompanhando a amiga, mas não estava a fim de verdade, andando meio atrás deles, esperando uma boa desculpa para cair fora e evitando olhar para o namorado dela.

Parquinho

— Ross
Yeun Misoo
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Jae-ki estava muito feliz com a resposta da irmã, era muito bom ouvir que ela tinha tido o melhor dia. Ficou com um pouco de ciúmes da irmã com as garotas, gostava de ser o único herói dela, mas entendia que para Soo-ji estar entre garotas deveria ser mesmo legal. Halmoni era muito velha e atrasada, não era a mesma coisa. Sem uma omoni, sua irmã devia sentir falta mesmo de uma presença feminina. Jae até ficou feliz de imaginar que agora teria Eun-bi para ficar perto da irmãzinha. Elas poderiam falar de assuntos de garotas que ele não tinha o menor jeito, embora até tentasse.

- Uwa, o melhor dia? Daebak!

Ele riu quando Eun-bi o respondeu daquele jeito dizendo que tinha se rendido. Viu a carinha de reprovação da irmã, só que ás vezes implicar era mais forte que ele. Em seguida foi igual um moleque mostrar o que sabia fazer. Não sabia ser romântico, mas gostava de parecer o cara que fazia coisas perigosas. Olhou para Eun-bi esperando uma reação dela, mas fez um bico ao ver que a bailarina não deu tanta bola. Sua irmã que estava preocupada.

- Calma Soo-ji-ya - Disse depois de descer - Não vou me machucar, eu sou muito bom nisso. Mas tá, parei...

De repente recebeu o abraço gostoso dela. Adorou ouvir o "eu te amo". Finalmente sua irmã conseguia se divertir um pouco, mas para ele ainda era muito menos do que ela merecia.  

- Saranghae Soo-jiya. Eu vou te dar dias melhores. Eu ainda sou seu favorito né?

Então veio o pedido dela, que era muito difícil de recusar. Porém Jae-ki sabia que estava praticamente sem dinheiro. Talvez Kang pudesse ajudar, poderia pagar ele depois que conseguisse emprego. Mas será que podia pedir isso ao amigo que já o tinha ajudado tanto? Parecia demais.

- Ahnn... - Disse meio sem jeito - Eoh, vamos lá. Deve ter água também, eles devem ter um filtro lá na loja do Kang ou no café do lado... A gente vê lá, não vou te deixar com sede.

Afinal, água devia ser grátis de pedir, ao menos Jae-ki achava que sim. Os dois andaram até as garotas, Jae-ki estava morrendo de curiosidade por dentro. Quando Eun-bi tentou o provocar, Soo-ji logo respondeu. Quando a bailarina perguntou se queriam ir na loja de Kang, Jae-ki meneou positivamente para a irmã, indicando que poderia aceitar.

Então a irmã perguntou se ele também iria. Jae-ki olhou para Eun-bi, depois para MiSoo. Ele queria muito ir espiar Won. Porém não gostava de deixar a irmã sozinha, mesmo com Eun-bi, só se tivessem ao alcance de sua vista. Não que desconfiasse da bailarina, mas se surgisse algum idiota que implicasse com elas, queria estar por perto. MiSoo hesitou em ir com eles, mas Jae-ki tentou convencê-la a ir.

Capítulo 5 - Página 17 2VPnDbO

- Eoh, gaja. Vamos todos, vem MiSoo. Gaja, gaja. Puxa ela aí Soo-jiya. 

Disse para não deixar aquela garota espiar o amigo. Se ele não ia, ninguém mais poderia ir, ainda mais ela sendo amiguinha da Bo-mi. Quando começaram a caminhar, Jae-ki segurou a mão da irmã, mesmo que a outra estivesse sendo segurada pela bailarina. Jae não era do tipo que andava em silêncio, até porque não queria ficar ansioso pensando em Won. Então no caminho, puxou conversa com Eun-bi também:

- Ya, eu já te contei que luto hapkido? Eu treino com meus amigos, os hyung. Eu vou ensinar a Soo-jiya também, tô só esperando as férias. Minha Soo-jiya vai ficar invencível. Uma vez eu vi na TV um cara de cadeira de rodas que lutava pra caramba.

Lançou um olhar orgulhoso para irmã. Largou a mão dela pra dar uns soquinhos no ar de demonstração.

- Socando assim de baixo de pra cima, quebra o queixo do isekya. Tem chutes também.

Falava para MiSoo ouvir também, ela tinha tratado bem sua irmã, então não a ignorou. Em seguida fez um chute no ar, mas logo voltou para caminhar e falar com elas, estava mesmo empolgado:

- Vocês nunca pensaram em fazer algum tipo de luta? Hapkido é muito bom pra defesa pessoal, tem muitos isekyas por aí. Mas MiSoo nem precisa, ela tem um estilo próprio que taca mochilas.

Implicou no final com MiSoo rindo, se ela ameaçasse bater nele, mostraria rindo as palmas da mão em sinal de paz. Quando chegassem a loja de Kang, perguntaria se tinha algum filtro de água para Soo-ji. Estava preocupado com Won também. Não queria ir embora até saber do amigo. O que aquela falsa da Bo-mi estaria dizendo? Se Soo-ji se distraísse com Eun-bi, daria um jeito de conversar baixo com Kang.



— Ross



Capítulo 5 - Página 17 OQyMeP8
Jae-ki
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Hyun retribuiu um pouco da hospitalidade se oferecendo para ajudar na cozinha. Sabia uma coisa ou outra pela experiência de morar sozinho e os clubes. Além disso, era uma forma de relaxar. Era muito bom ficar naquela casa em paz, sem ter que dar satisfações. Acabou que negligenciou um pouco da namorada também, usando o tempo como um tipo de meditação -- e talvez fugir de notícias do celular.

Ali parecia um menino normal, querendo colocar a mesa e sendo silencioso e bem educado. Apenas uma aura lutuosa pairava ali, mesmo sem sua intenção. Comeu à mesa, e depois sim retornou ao quarto para tomar seu remédio de forma escondida, embora eles soubessem um pouco de sua condição agora. Não queria ouvir palpites sobre isso. Não agora.

Ali, vestiu a roupa casual que usaria para ir ao hospital e foi assistir TV na sala, mas com o celular na mão, para finalmente manter algum contato. Não estranhou a ausência do irmão, pois não se falavam muito. Pegou o aparelho para conversar com Chaeyoung.

Hyun

Tigrão
Bom dia, como você está?
Tigrão
Logo mais vou com meu irmão no hospital.


Releu as conversas passadas, dando um pequeno sorriso, e apreciando as fotos dela. Ela lhe dava bastante calma. Se pudesse, escolheria viver naquela casa, na companhia de Chaeyoung. Achava que assim ficaria bem.

Perdeu algum tempo à toa só com isso, quando Han Jae lhe deu um sinal. Tinha combinado com Jung Mi então só lhe mandaria uma confirmação lá pelo meio-dia, para não ser um chato, mas também não deixá-lo no escuro.

Fez questão de ajudar no preparo do almoço e depois avisou que sairia para o hospital, sem dar muitos detalhes. Ele ainda tratava aquilo com insegurança. Não sabia exatamente qual seria a reação de seu avô e a presença de seu irmão mais novo sozinho parecia boa demais para ser verdade.

De qualquer forma, ele esperou o irmão na recepção do hospital, avisando-o por mensagem que tinha chegado e só faria o cadastro para a entrada na presença dele. Era a primeira vez que passariam de verdade por um drama desses juntos e dessa vez pensava em fazer o certo.

Humor: depressivo /--+++

— Ross

Park Hyun Hee
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HEE KYUNG. 8 DE JUNHO. 1:45 P.M.


Stella arqueou uma das sobrancelhas, fazendo uma carinha bem desconfiada quando notou que a encarada de Hee Kyung demorava mais do que o normal. Por conta disso, ela mesma olhou para a própria roupa, tentando ver se havia alguma mancha em sua camisa ou algo que passara despercebido e o perfeccionista amigo estava notando.

Contudo, assim que ouviu o elogio, um sorriso bobo apareceu em seus lábios. Não se conteve, chegando a mostrar os dentes em meio à risada.

- Thanks! - Fez um charminho.- You look handsome. - Deu uma piscadinha. - I like the vest - Fez um gesto, indicando que falava do colete dele.

A garota tinha ficado tão contente com o elogio que nem reparou que ele foi específico do hoje. Também adorou ver a iniciativa dele falando em inglês uma frase inteira. O sotaque ainda estava longe de ser o ideal, mas isso era bem normal. Apenas a prática poderia melhorar isso.

- Eu estou bem e você? Ani, eu já almocei, estou bem. - Garantiu e ajeitou a mochila para poder segui-lo.

Chegou a dar dois passos na direção dele quando ouviu que ele iria direto ao ponto. Achou um pouco estranho, mas Dong era cheio dessas gracinhas. Ponderou por um instante, batendo de leve o dedo no queixo.

- Desafiador, hm? Pois bem, eu já ia propor algo um pouco mais difícil. Estava um pouco insegura, mas já que você quer… - Deu de ombros. - Hoje vamos treinar sua escrita e interpretação. Você vai traduzir do inglês para o coreano e vice versa. Calma que eu não trouxe nenhum artigo científico! Na verdade, são pequenos parágrafos e todos com os temas que já estudamos. Espero que você tenha revisado.

Piscou várias vezes, fazendo uma gracinha.

- E eu trouxe umas coisas para incentivá-lo. - Fez um ar de mistério. - Mostro quando chegarmos na sala…

Não sabia que estavam indo para o quarto dele. Assim que chegou no ambiente, arregalou os olhos arredondados e abriu a boca surpresa. O quarto dele era impecavelmente arrumado e tinha todo um padrão de cores e arrumação que ela mal acreditava no que estava vendo. Parecia um quarto de exposição, porém muito mais bonito.

- Uau...Ainda bem que você nunca foi ao meu quarto. - Olhou para ele meio preocupada. - Tirando minha estante que é super arrumada, você ficaria nervoso com minha bagunça.

Riu. Não era tão bagunceira, mas comparado com aquele lugar, qualquer objeto fora de ordem seria considerado uma bagunça. Caminhou até a mesa que tinha duas cadeiras dispostas e tirou a mochila das costas. Ainda estava olhando de modo encantado para o quarto, mas o encarou ao ouvir sobre a janela.

- Não, está bom assim. - Colocou a mochila sobre a cadeira, continuando de pé.

Olhou para a mesa do computador, mas como já tinha colocado suas coisas na mesa de estudos, não olhou para o quadro com muita atenção. Também faltava os óculos que ela ficava relutante de botar. Quando visse que tinha uma foto dela, certamente acharia uma grande surpresa. Mas agora, ela tinha uma surpresa para ele.

Abriu a mochila preta e retirou de lá o Encadernado da Guerra Civil todo em inglês. Mostrou o exemplar protegido por um saco plástico com bastante orgulho. Chegou até a sacudir um pouco e logo colocou na direção da cadeira dele.

- Presente adiantado. Está todo em inglês para você treinar a leitura e começar a entender algumas expressões. Para o encadernado, também tem… - Pegou um mini-dicionário inglês-coreano/coreano-inglês, deixando perfeitamente alinhado ao lado dele. - E fora isso, achei uns livros meus do meu colégio. Se você quiser dar uma olhada depois….Só tenho 5ª e 6ª séries porque na 7ª, eu já tinha me mudado para cá.

A mochila dela ficou subitamente vazia.

- Pelo menos é desse aqui que vou querer que você faça umas traduções. - Mostrou o livro de inglês para interpretação.
(C) Ross



WON BIN. 8 DE JUNHO - 3:45 P.M


Bomi fechou os olhos com mais força ao sentir que os braços dele a envolveriam. A garganta se fechou enquanto as mãos ficaram espalmadas sobre a camisa dele - bastaria um movimento para que os braços começassem a afastar os dois, mas ela não o fez. A cara “eu te amo” que ela ouvia, suas resistências também eram testadas, ao ponto dos braços descerem até a cintura dele. Pouco a pouco, ela também o envolveu num abraço.

Não tinha respostas para o questionamento dele. Esse era um problema que ela não via solução, por enquanto. Só sentia que para chegarem a algum lugar, primeiro precisava deixar que ele fosse.

Agora que toda aquela história veio à tona, ela achava que dificilmente as coisas melhorariam para ele no Café. E, bom, ainda havia aquele medo dentro dela de que ele estivesse mesmo envolvido em tudo aquilo. Não sabia em quem confiar, seu faro investigativo não estava funcionando como deveria. Talvez se tivesse deixado aquela conversa quando o sangue estivesse mais frio, o resultado teria sido diferente.

Sentia que não tinha motivos para duvidar das palavras de seu pai, mas ela raramente deixava uma história de lado sem olhar outros pontos. Até mesmo Misoo teve sua chance de se explicar - quando Bomi se sentiu mais calma e disposta a absorver sua versão. Tudo bem que não voltaram a ser 100% como antes, mas quando as coisas ficaram tensas, foi Misoo quem esteve ao seu lado, então, ainda podia dizer que eram amigas sim.

Franziu levemente as sobrancelhas com o comentário final dele e começou a soltá-lo, no mesmo instante que ele.

As lágrimas já estavam incomodando demais por afetarem a respiração e a própria vista. Fora que não estava aliviando a dor que estava sentindo.

- Eu… - Soluçou e corrigiu a postura antes de continuar. - Eu não sei quem você deve ser… - Admitiu. - Mas não tem como...Como continuarmos desse jeito.

Umedeceu os lábios e passou as mãos pelo rosto, tentando conter as lágrimas.

- Não está certo…Eu preciso pensar, mas para isso, eu preciso me afastar. - O queixo tremeu novamente. - Se você não vai, eu estou indo, Won…

Murmurou a última parte e deu um passo para trás.

- Miane. - Mais um passo e abaixou a cabeça. Dessa vez, não deu as costas para ele, mas também não permitiria ser interrompida novamente.

Temia que ao ficar, acabaria deixando tudo muito mais difícil. Já estava, na verdade, porque não havia como apagar as fortes lembranças dos momentos que construiu com ele. Como poderia esquecer da sensação de voar? Era uma das coisas que ela mais tinha medo, mas com Won, ela não teve.

Quando tivesse tomado distância o suficiente dele, ela viraria de costas, finalmente e começaria uma caminhada lenta e torturante, quase que uma penitência.

Cada passo trazia uma lembrança diferente dos últimos meses. Estava tão distraída no celular naquele dia...Tinha acabado de saber que Eun Bi tinha sofrido um assalto e perdido o telefone. Estavam combinando de se reunirem na casa de Mia. Até que ela mesma foi uma quase vítima de um acidente.

Tinha sido um resgate bastante torto, na verdade. De repente, ela sentiu um empurrão e um peso considerável em cima de si enquanto a moto buzinava raspando por eles. Estava quase reclamando com a pessoa que a tinha jogado no chão, mas quando olhou o rosto daquele menino...tão de perto...Sentiu como se tudo estivesse em câmera lenta. O constrangimento logo veio, mas ela reverteu discutindo com o motoqueiro.

Perturbou muitas pessoas com aquela história, ela sabia. Tentou procurar nas redes sociais e até mesmo comentou sobre um quase acidente nos stories do instagram. Só pode agradecer ao seu herói sem sobrenome.

Curioso como ela quis tanto o sobrenome dele, mas agora que tinha e sabia o peso dele, ela preferia que ele continuasse anônimo.

Abraçou o corpo pequeno enquanto continuava lembrando dos eventos dos últimos meses: os planos do painel mental, as visitas ao Café, os ensaios do clube de música, os micos que passaram em grupo...O parque.

Parou por um instante, vendo que já tinha tomado distância o suficiente dele e mudou um pouco o trajeto para que não precisasse passar pelo “centro” do condomínio. Podia ficar um tempo se escondendo por ali enquanto pegava o celular e enviava uma mensagem para Misoo.

De todas as pessoas, logo ela.

[Se você for embora, os amigos já estarão na loja e vão te ver ]
(C) Ross


MISOO E JAEKI. 8 DE JUNHO. 3:45 P.M.


Ainda sobre o tópico envolvendo Bomi, Eun Bi ficou de queixo caído quando Misoo revelou que tinha falado.

- Mentira… - Levou a mão até a boca. - Sussu...Bom, eu concordo. Eles eram discretos, mas quando estavam juntos nos passeios, eu podia quase jurar que ela gostava mesmo dele. Aish que complicado.

Suspirou, coçando a cabeça. Olhou novamente para a amiga e meneou positivamente.

- Você tem razão. Eles que tem que se resolver, foi o que tentei dizer ao Jae, mas sem contar os detalhes. Como eu podia imaginar que você estava contando direto para o Won?! Aigooo…

Encerrou com essa cara de espanto, mas dando uma risadinha engraçada. Soo Ji e Jae Ki finalmente se aproximaram.

[...]

Depois que os irmãos Song se juntaram às meninas, Eun Bi encontrou um modo de acabarem com aquela indecisão: já que eles deveriam se resolver sozinhos, então era melhor ir embora! A tentação estava cada vez maior e eles acabariam cometendo a indiscrição de espiar.

- Serio, ela está com sede e...ahm, eu vou ver algo para beber também. - Sentia seu estômago colando, mas ainda estava com muita raiva das coisas que ouviu. - Tudo bem, não vamos ao Café, vamos pra loja, então?

Soo Ji não via problemas em ir para a loja do oppa. Olhou para o irmão quando ele começou a incentivar todo mundo a ir e deu um pulinho, já de mãos dadas com Eun Bi. Achou muito fofo e bonito dividir as mãos com a Princesa e seu irmão, mas não demorou para que ela olhasse para as duas combinações - a mão dela com a dor irmão; e a outra mão com a da bailarina. Um sorrisinho surgiu, mas ficou quietinha num primeiro momento.

Eun Bi ficou surpresa com aquela revelação.

- Luta? Sério? Uwaa… - Ficou bem surpresa. - Pois não parece, sabia?

Teve vontade de rir quando ele comentou sobre treinar a irmã. Isso porque Soo Ji deu um longo suspiro e lançou um olhar de “socorro” para a princesa. Ela era péssima até para matar uma barata!! Imagine para treinar? Mas nunca que acabaria com os planos de seu oppa. Ficava feliz por fazê-lo feliz.

- Nossa, mas hapkido é legal sim. - Bibi concordou depois da risadinha que deu. - Mas você não parece mesmo. É tão fraquinho. - Implicou.

- Ya! Como assim a unnie é boa tacando mochilas? É um estilo mesmo de artes marciais? De tacar bolsa? Eu acho que esse é mais fácil!!

De repente, Soo Ji soltou as mãos de Eun Bi e Jae Ki, deixando que ficassem mais próximos e correu para Misoo. Ela realmente tinha gostado da companhia dela. A verdade é que Soo Ji parecia ter um tipo de “dom” para identificar aqueles que tinham as almas mais fragilizadas, mas ocultavam. Claro que amava seu irmão e adorava a princesa, mas havia alguma coisa em Misoo - que ia além do Stitch - que a fazia querer ficar perto e levar amor para aquela unnie.

- Unnie, unnie, um dia você me ensina a tacar mochilas?! - Nem imaginava que seu irmão tinha sido vitima dela.

Fato era que Soo Ji segurou a mão dela de modo muito delicado e querido. Pela primeira vez, Misoo teria a perspectiva de ser uma “irmã mais velha”. Sua família não tinha crianças e ela sempre foi a caçula - até mesmo dos amigos, visto que era a última a fazer aniversário. Sempre teve uma aura moleca e brincalhona, mas nunca tinha ficado tanto tempo na companhia de uma criança.

Os olhinhos dela brilhavam de empolgação enquanto andavam juntas, tomando a frente.

Eun Bi e Jae Ki ficaram um passo atrás. A bailarina segurava a pelúcia da garotinha num dos braços e segurou o dedinho de Jae.

- Nossas crianças nos trocaram? - Olhou para ele. Afinal, Misoo era a “bebezinha” de Bibi assim como Soo Ji era a de Jae. - Hmm… - Cerrou os olhos. - Parece que não vai ser hoje que vou conseguir contar a ela o meu nome. Mas na verdade, eu acho que ela nem liga muito para isso.

O nome não parecia importante, mesmo. A bailarina olhou para Jae Ki e foi entrelaçando mais os dedos aos dele. A troca talvez não tenha sido de todo ruim.

Quando o quarteto chegasse até a loja, veriam que Kang estava começando a sair de lá, já com suas roupas normais - uma calça jeans escura, uma blusa de manga comprida preta e um boné para trás. Estava pegando o celular, mas hesitou quando viu que eles se aproximavam. Ergueu o braço, acenando.

Misoo também sentiria o celular vibrando com uma mensagem.

BOMI

Bomi
Acabou, Sussu...Eu nem sei o que dizer.
Bomi
Vou deixar aquela volta para outro dia, porque não estou me sentindo muito bem. Prometo que depois eu explico melhor o que aconteceu...


[Se o Won passar, vocês vão ver]
(C) Ross


SUNNY. 8 DE JUNHO. 5 P.M.


A ideia de comerem um hamburger partiu de um desejo aleatório de Lee Ha Yi. Ocorreu enquanto passavam em frente a uma das lanchonetes famosas e ela viu a foto do sanduíche. No fim, foi a melhor coisa que elas fizeram. Depois de terem passado o dia inteiro servindo o cardápio do café, elas mereciam algo gordo, gorduroso e grandioso.

Lee Hi não se fez de rogada e comeu muito além do que o normal. Considerando que ela vinha numa fase de pouco apetite e embrulhos, era uma pequena vitória que ela conseguisse engolir tanta coisa. O trabalho talvez tenha ajudado a descarregar suas energias e criado a necessidade de reabastecer daquela forma.

Quando se deu por satisfeita, ela chegou a rir da barriga que tinha formado. Realmente estava maravilhoso e ela esperava que não passasse mal.

Na residência Kim, quem estava no comando eram os cães. A menina já era de casa e a festa estava pronta - a verdade é que ainda que não fosse de casa, os cães certamente fariam toda aquela bagunça. A amiga de Sunny adorava aqueles fofos e recebia os lambeijos sem nenhum problema. Depois das boas-vindas, elas finalmente conseguiam entrar na residencia, propriamente dita.

- Hm...Amiga, se for algum incômodo, eu não preciso dormir aqui… - Gostaria, porém não queria mesmo incomodar a familia.

Todos voltariam tão cansados que, provavelmente, iriam preferir ficar à vontade na residência. Ficou um pouco pensativa quando ouviu que Ji Yoo ficaria no serviço.

- Ele anda muito ocupado, não é? Nunca mais o vi no Café te buscando…  -Comentou por alto. Era verdade que o irmão não tinha ido com a mesma frequência. Surpresa era que Lee Hi tivesse notado isso mesmo na época em que estava diferente com todo mundo.

Agradeceu imensamente pela hospitalidade.

- Ah, Sunny, eu prefiro que você pegue as roupas. Não quero mexer nas suas coisas. - Disse com as bochechas coradas. - Eu espero você pegar…

Não teria problemas em esperar que Sunny cuidasse dos bichinhos primeiro. Enquanto isso, Lee Hi sentou-se no sofá, abraçando a própria bolsa enquanto ligava a tv. Sentia que seu estômago estava embrulhando e, por isso, começava a se arrepender do tanto de comida que tinha consumido.

- Ao invés de chá, eu acho que vou preferir um sal de frutas. Comi muita fritura...Aquela batata estava uma delicia, mas agora estou embrulhada.

Comentou com Sunny, mas primeiro tomaria o banho. Quando a amiga terminou o serviço, Lee Hi pegou a muda de roupa emprestada e seguiu até o banheiro, onde encontrou toalhas limpas. Como não quis tomar o sal de frutas antes para não atrasar a amiga, ela acabou vomitando. Para não preocupar, abriu o chuveiro para que o som confundisse Sunny.

Por muito pouco não desmaiou ali, mas o banho a ajudou a voltar a si. Cerca de quinze minutos depois, a menina saiu do banheiro com um look simples de Sunny: short e camiseta. Estava um pouco cansada pelo esforço e precisou tomar o remédio antes que pudessem continuar.

Muito embora a casa estivesse vazia, Lee Hi não tomou a iniciativa de contar o que estava acontecendo com ela. Ainda sentia-se muito envergonhada com tudo e não sabia por onde começar. Olhou para o copo com o fundo sujo do pozinho e engoliu em seco, pensando.

De repente, disse.

- Sunny....Você já se apaixonou de verdade por alguém?
(C) Ross


HYEMIN. 9 DE JUNHO. 10:35 A.M


Sung Ki tinha entrado naquele modo de foco total. A mente dele simplesmente se desligava do mundo quando começava a cozinhar. A culinária sempre foi seu grande amor, um sonho que não conseguiu concluir, porém que ainda servia de refúgio quando precisava esvaziar a cabeça.

Naquele domingo, em especial, ele gostaria apenas de fazer uma surpresa para sua princesa. Também conseguia se livrar das preocupações que tivera no Japão, mas o principalmente objetivo era ver um sorriso no rosto de sua pequena. Não achava que apenas sua presença seria o suficiente - um erro que ele, aparentemente, insistia em cometer.

Quando Hyemin chegou, encontrou o pai bastante atento ao ponto que gostaria que a calda de frutas vermelha escorresse. Ele era exigente até com a apresentação do prato. Para ele, uma comida começava a ser degustada pelos olhos. Às vezes a visão podia enganar, mas a primeira impressão era importante sim.

Parou de mexer nas frutas vermelhas quando ouviu o grito de Hyemin. Recuou um passo  aquela expressão séria se desfez num sorriso tão doce quanto aquele café da manhã.

- Minha princesa! - Virou-se, abrindo os braços e logo a envolveu num abraço saudoso e carinhoso. - Uwaa...Eu precisava mesmo disso. Bogosipda… - Admitiu e deu um suspiro longo.

Recuou, mantendo apenas um abraço de lado.

- Sim. Há duas horas. Estou. Vamos. Poxa, mas nem lembrou de mim… - Precisava responder de modo curto e direto porque eram muitas perguntas por segundo. - Eu não adivinhei, agora quero cookies…

Fez uma manha, forçando um beicinho.

- Obaa!! Não teremos musiquinhas viciantes! - Comemorou, mas riu da cara dela.

Não teve tempo de falar sobre a blusinha que ela queria. Chegou a erguer o dedo, mas a menina disparou. Ele recuou o dedo, mordendo para se conter. Viu a carinha decepcionada que ela trouxe na volta e aquilo doeu, de certo modo. Achava, às vezes, que sua filha ficava mais feliz com os presentes mesmo.

- Eu não tive tempo de comprar. - Falou com certo pesar. - Fiquei enfiado no escritório, até minhas refeições foram lá. - Suspirou, ligeiramente chateado com seus dias. - Mas não se preocupe, você pode escolher hoje as blusinhas que quiser quando sairmos mais tarde.

Parecia um bom negócio. Ele retirou o avental e pegou a bandeja.

- Gaja, vamos tomar café!! Estou faminto.

Ele mesmo foi levando as panquecas até a mesa que já estava preparada para eles. Além do “prato principal”, também havia o café fresquinho, leite, suco, iogurte e frutas frescas. Puxou a cadeira para que ela se sentasse e fez o mesmo, em seguida. Ele mesmo serviu o prato da filha antes de colocar o dele também.

- Então...Como foram seus dias? Divertiu-se com suas amigas? Quem mandou as flores que estão na entrada? - Perguntou com certa curiosidade.
(C) Ross


HYUN HEE. 9 DE JUNHO. 1 P.M.


Hae Sook e Chang Wook ficaram agradecidos e aliviados quando Hyun Hee se ofereceu para cuidar do desjejum deles. Aliviados porque indicava que o garoto estava melhorando - a expressão dele também indicava um pouco disso e isso acalmava o coração da tia. Já agradecimentos porque, segundo o próprio primo, fazia tempo que não comiam algo decente naquela casa. Obviamente, a tia de Hyun deu um tapa na nuca de seu filho.

Não era porque ele era maior de idade que escaparia da punição da justiça materna. Apesar de admitir que era verdade, ela pelo menos se esforçava para ligar e pedir comida.

A refeição foi bastante leve. A única coisa que perguntaram foi se Hyun tinha tido uma boa noite de sono ou se estava com dores por conta do colchão. Hae Sook imaginava que ele estivesse acostumado a um material de melhor qualidade, mas enfim, era o que podiam disponibilizar. Fora isso, eles não comentaram sobre remédios, nem o avô porque não tinham muitas notícias. Também não quiseram ser indelicados ou indiscretos.

Dessa forma, eles fizeram exatamente o que Hyun Hee esperava: o trataram como uma pessoa normal, para variar.

Após o café da manhã, a tia se retirou para ir à feira enquanto o primo até que ficou pela sala, mas ocupado com as próprias planilhas com planos de aula. Ele sentou-se no chão, aproveitando a mesa de centro para apoiar o notebook. Vez ou outra olhava para a tv e tecia um comentário com Hyun, mas nada que o atrapalhasse.

A mensagem para Chaeyoung foi recebida, porém não foi lida. Parecia justo a menina dormir um pouco mais no domingo, mas era um pouco estranho mesmo assim. Quando se é acostumado à respostas quase que imediatas, o silêncio preocupa um pouco.

Felizmente, a atmosfera da casa e a ligação de Han Jae o fariam esquecer um pouco das preocupações. Agora ele sabia como o avô estava e qual era o horário das visitas. Jung Mi respondeu com um “Ok. Estarei lá”, bem pontual e seco - típico de seu “novo” irmão, porém eram mais palavras do que eles tinham trocado ultimamente.

O primo e a tia também ficaram aliviados com a notícia e Chang Wook se ofereceu para levá-lo até o hospital - caso ele preferisse ir sozinho, tudo bem também. Ninguém o tratava como doente ali.

As horas tinham passado e a namorada ainda não tinha dado sinal de vida. Pelo menos foi assim até que ele chegou no hospital, por volta das 1h.

JOANINHA

Joaninha
Boa tarde! Eu estou bem, dormi muito xD e você? Descansou? Está se sentindo melhor?
Joaninha
Espero que corra tudo bem na visita. Acho que seu avô vai ficar feliz =) Depois me conta como foi <3<3




Enquanto lesse ou respondesse à mensagem, Jung Mi chegaria até o hospital. O domingo tinha um sol agradável e céu azul, porém com a temperatura um pouco baixa, como no dia anterior. Jung Mi usava uma camisa branca de manga comprida - com um tecido não tão quente - uma calça preta e sapatos fechados. Retirou os óculos escuros e passou a mão pelo cabelo, tentando mantê-los para baixo.


Começou a buscar pelo celular para mandar mensagem ao irmão, mas nem foi preciso. Olhou para Hyun Hee e hesitou por um instante. Manteve os olhos nele até que respirou fundo e começou a se aproximar.

- Hyeong. - Reverenciou de modo respeitoso. - Está esperando há muito tempo? Sei que me atrasei um pouco. Mianhaeyo.

Disse ainda meio curvado e de modo bastante polido. Endireitou-se e pegou sua identidade para pegar o cartão de visitas. O nome deles estava liberado para subir, como já era o esperado.
(C) Ross
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Queria envolve-la naquele abraço para sempre. Queria ficar eternamente sentindo aquele doce aroma de morango e mesmo em lágrimas desejava não solta-la jamais.

Soltar significava abandonar aquela noite perfeita. Abandonar os sentimentos que tanto lutou para entender.

Quando sentiu que ela também o abraçava o sentimento de não deixar soltar era ainda maior.
A falta de respostas a sua questão: quem ele deveria ser para que pudessem nunca mais se soltar?

Não havia resposta porque talvez não existisse um alguém que Won pudesse se tornar para reverter aquilo. A questão vinha de anos antes mesmo de se conhecerem: seus pais haviam selado o ódio que os separava.

Won estava disposto a entender a razão, disposto a ouvir e entender as razões pelo qual Bomi estava em tanto conflito. Queria a verdade e queria consertar as coisas.
Estava disposto a lutar.

Mas se ela não tinha certeza. Se ela não lutaria ao lado dele...valia a pena lutar?

As palavras da chefe "vale a pena" ressoavam em sua mente. Seu coração dizia que valia mas todo o restante do mundo dizia que não.

Era tarde.

Era hora de soltar.

- Eu… - Soluçou e corrigiu a postura antes de continuar. - Eu não sei quem você deve ser… - Admitiu. - Mas não tem como...Como continuarmos desse jeito.

Won já não tinha palavras para responder. Apenas olhou para o lado, incapaz de encarar aqueles olhos avermelhados por chorar.

- Não está certo…Eu preciso pensar, mas para isso, eu preciso me afastar. - O queixo tremeu novamente. - Se você não vai, eu estou indo, Won…

Tentou segurar a mão dela levemente mas ela deu o passo para trás. Segurando o ar Won sentia que Bomi começava a ir embora com um pedaço de seu coração.

Enquanto Won estava com a mão ainda meio estendida ela pedia perdão. Por que pedir perdão agora? Do que perdão adiantaria?

Won não disse mais nada mas conseguiu encara-la enquanto ela andava para trás.

A pessoa mais importante pra ele nesses últimos dois meses se afastava e o deixava sozinho. Sozinho novamente.

Estar só era a sina de Won. No fim ele sempre estaria só...

"De um jeito ou de outro..."

Lentamente ela ia embora e se virava. Won ficou encarando ela se tornar um ponto distante com a mão ainda estendida.

"Tudo porque vocês fizeram algo no passado, não é pai?" fechou o punho, um lampejo de raiva.
Não se estendeu naquele pensamento de fúria. Na verdade seu corpo era preenchido por um sentimento pior.

Sentia um vazio no peito como se um abismo tivesse sido aberto e tudo o que ele sentia fosse tragado na escuridão.
Ficou parado ali, punho fechado, sozinho, enquanto não sentia mais nada...era um casco.

"Eu também não posso fazer mais isso. Eu não posso ficar mais perto daqui. Não posso ficar aqui enquanto vou te ver na escola todo dia e ainda te ver no café. Não...eu não posso. A partir de hoje..."

Tinha tomado a decisão.

"...eu sou seu Fantasma"

Pediria demissão do café assim que possível e nunca mais colocaria os pés ali.

Levou alguns segundos para recuperar o controle das pernas. Usou a manga da camiseta para secar o rosto. Respirou fundo e deu o primeiro passo.

Era o primeiro passo para se afastar dela. Que fosse o primeiro ou segundo, se sentia vazio.

Andando um pouco veria os amigos na loja do Kang. Os amigos o veriam com uma expressão vazia.

Colocou as mãos no bolso e apenas se sentaria numa das mesinhas. Não falaria oi ou teria a mesma simpatia de sempre.
Quem o conhece perceberia que aquele brilho no olhar, aquele espirito de desafio que Won sempre carregava simplesmente...apagou.

Wangjo

— Ross
Won-Bin
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Hyemin apertou o pai, naquele abraço de saudades. Sentia-se a menina mais feliz do mundo e com alguns anos a menos. Ela sempre sentia que voltava ao fundamental quando estava com o pai. Deu um sorriso largo, satisfeita por ele também sentir sua falta.

- Prometo fazer, mas o senhor tem que ficar em casa no nosso domingo! Que tal?  - tentou negociar com seu sorriso com os olhos.

Em seguida ela saiu correndo atrás de sacolas gigantes com seus presentes. Era sempre assim. Toda vez que ele ia embora, voltava com algo para ela. Ao não encontrar nada pela sala, a menina voltou com um bicão no rosto.

- Minha blusinha… só tem lá...    - fez uma cena, embora não estivesse realmente chateada com isso, mas estava acostumada a ganhar coisas. - Aigoo, por quê? O senhor não é o dono? Devia poder sair quando quisesse. Por que não muda o seu horário?   - O entendimento de Hyemin sobre o mundo era uma grande piada. Ela não fazia ideia do tipo de pressão que o pai tinha que enfrentar e o tipo de coisa que ele sempre teve que abrir mão justamente por ser “o dono” e como isso não o tornava “dono” do mundo inteiro.   -  Tá bom~~  Assim está ótimo também!!  - pensaria em algo bem bonito para compensar, mas seu humor já estava bom. O importante de verdade era ter seu pai em casa.

Saltitou até o assento e pegou morangos para comer. Sorria o tempo todo, feliz mesmo por tê-lo de volta. Tinha algo bem sério para conversar com ele, mas o momento ainda era de curtir seu pai.

- Saí sim. Ontem nós fomos ao aquário. Foi muito legal. Tiramos muitas fotos. A Hayoung não foi porque estava de castigo e... - fez um biquinho e mordeu a panqueca, lembrando das notas e mudando de assunto. - Appa!!! Que delícia. Estou muito feliz - sorriu para o prato. - Ah~ e as flores…  - fez uma pausinha envergonhada.

Capítulo 5 - Página 17 Maxresdefault

- Oppa. Foi o Wang Miwoo oppa.  

Os olhinhos brilharam e ela fez aquele sorriso de filhote. Não explicou por que tinha recebido isso, porque era a parte chata da história, mas estava se controlando para não falar o quanto ele era lindo maravilhoso e príncipe e ainda tinha ligado para ela. Esse tipo de coisa não se falava para um pai. Compartilharia com a tia, isso sim, quando ela voltasse à civilização. Envergonhada, a menina voltou a comer, lembrando da ligação linda que recebeu e da voz atrativa de seu oppa.

Residência Seo

— Ross
Seo Hyemin
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Frase : É só não jogar água e não alimentar
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Hyun

Tigrão
Sim, eu estou melhor e parece que meu avô também. Dormi bastante. Nem sabia que dava para dormir tanto.
Tigrão
Pode deixar que eu conto. O que vai fazer hoje?  


Hyun estava distraído no hospital. Tinha aceitado a carona, mas quis ficar sozinho ali. Era um momento muito íntimo de família. Ou melhor, era a chance de encontrar seu irmão sem amigos ou tio. Não se incomodou com o tom das mensagens porque ele já tinha aceitado o quanto eram estranhos agora. Chegou a olhar o horário duas ou três vezes, balançando a perna. Será que ele faltaria? Isso não, certo? Ainda eram família, mesmo que estivessem distantes.

Quando Jung Mi apareceu, Hyun imediatamente se levantou, um pouoc ansioso, e fez uma mesura educada.


- Jung Mi.  Ani, ani. Tudo bem - balançou a cabeça e deu uma bela olhada no irmão, querendo extrair qualquer coisa dele que ele não expressava em palavras.

Acabou por aproximar-se dele, dando um toquinho em seu ombro.

- Como você está? - a pergunta foi menos casual do que para Chaeyoung. O caçula tinha o direito de estar abalado ou com raiva. Estava tentando cuidar dele.

Fez uma pausa, na esperança que algo diferente fosse dito, enquanto trocava um olhar levemente culpado e esperando alguma atitude arisca.

- Vamos lá?

Hyun tomou a frente e andou com o irmão perto, inicialmente em silêncio, até chegarem no elevador.

- Mianhae -  começou. Pelo que estava pedindo desculpas mais especificamente? Não sabia, mas sentia que devia isso a ele. A vida do caçula tinha virado de cabeça para baixo por causa dele. Pelo acidente, por ter que cuidar dele, por depois aguentá-lo na escola e agora isso. - Se eu pudesse, teria ficado longe para nunca mais te causar problemas…  Um hyeong não deveria dar tanto trabalho para seu dongsaeng.   - colocou a mão para que ele entrasse na frente.   - Não queria que tivesse passado por tudo isso por minha causa.   - entrou atrás e apertou o botão.   - Eu entendo que você me odeie, Jung Mi. Eu mesmo não sei pensar em motivos para o contrário… Então, obrigado por mesmo assim ter vindo hoje. Significa que somos irmãos apesar de tudo o que aconteceu...  Foi importante.

Humor: depressivo /--+++

— Ross
Park Hyun Hee
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Jae-ki caminhava com elas para a loja de Kang, um mão segurando a mãozinha de Soo-ji. Estranhamente dessa vez ele era o único garoto ali. Para não pensar em Won, acabou falando sobre algo que gostava bastante, o hapkido.

- Não? - Questionou Jae-ki sobre o comentário de Bibi.

Porém quando Eun-bi falou que não parecia que ele lutava e ainda implicou dizendo que ele era fraco, o semblante de Jae-ki se fechou instantaneamente. A bailarina estava dizendo na sua cara que era fraco! Como assim?

- Ya!! Fraco?!! - Reclamou.

Soo-ji no entanto ficava com dúvida sobre o lance das mochilas, mas Jae-ki estava tão irritadinho, que quando foi responder, a irmã já tinha corrido para MiSoo. Então voltou a argumentar contra a implicancia de Eun-bi:

- Esqueceu quem bateu nos isekyas que roubaram sua bolsa?!? Aigooo... Você viu o que fiz no parque, tem que ter força nos braços para aquele movimento! Aishhh...

Jae fez um bico invocado, odiava que o subestimasse, isso também feria sua masculinidade. Não ia se sentir satisfeito até provar o contrário. Repetiu alguns outros socos no ar mostrando que sabia lutar:

Capítulo 5 - Página 17 339536f58a2503eeaf06834189b3a301

- Tá vendo, é que você não me viu brigar pra valer. Aqueles saekki que pegaram sua bolsa, não foram nada para mim. Se eu não tivesse tentando ser um cara legal em Wangjo, você já teria me visto lutando. Bibi, você ainda não viu nada...

Sentiu Eun-bi se aproximando e segurando um dos seus dedos. Ele até gostou disso, embora ainda estivesse pensando em um jeito de provar que era forte pra ela. Os dois entrelaçaram os dedos. Quando Eun-bi disse que não seria hoje que ela conseguiria contar seu nome, Jae-ki lançou um olhar para ela arqueando uma de suas sobrancelhas.

- É importante que você fale.

Mas logo voltou a pensar de novo na implicancia dela. Assim que viram Kang, Jae-ki teve uma ideia:

- Ya, vou te provar que sou forte.

Jae se aproximou de Kang, quando estava perto o bastante, o agarrou e o colocou sobre os ombros como um saco de batata.

Capítulo 5 - Página 17 Tumblr_om33xuihZ71s886sbo1_r1_500

Virou para bailarina e disse:

- Tá vendo, eu sou forte!! Vou correr e...

Porém Won chegou, bastava ver o rosto do amigo para notar que as coisas tinham sido péssimas. Por isso deixou Kang no chão, olhou para as garotas e disse:

- Bibi, MiSoo, podem ficar com Soo-ji um pouco? - Olhou para a irmã - Eu tenho que falar com o Won, tudo bem? Mas eu vou ficar aqui perto de olho em vocês. Pode ficar tranquila.

Jae-ki também lançou um olhar preocupado para Kang:

- Temos que falar com ele... Gaja.

Jae-ki planejava ir até Won com Kang, sentaria junto do amigo. Depois de ver que Eun-bi não o respondeu mais cedo, já esperava que a conversa não seria boa. Porém ver Won assim o deixava realmente preocupado. O que mais teria acontecido?



— Ross



Capítulo 5 - Página 17 OQyMeP8
Jae-ki
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Misoo torceu os lábios. Então o marginal era lutador de algo “regrado”. Achou que seria só briga de rua. Ficou olhando a menina delicada fazendo aqueles movimentos e achou engraçado. Ela mesma era bem moleca e gostava de esportes. Nunca pensou na luta, mas de repente teria sido uma boa ideia.

- Você fica falando palavrão perto da sua irmã? - fez um bico implicante. - É, isso mesmo! E sou ótima com a minha raquete também - brincou apertando os olhos ameaçadora.

Começou a rir, tapando a boca, quando a menina confundiu aquilo como um estilo e mais quando o menino estava se exibindo. Era engraçada essa necessidade dele, mas era legal ver a energia do garoto também. Parecia habilidoso de alguma forma.

- É a minha especialidade lidar com valentões. Pode deixar, que eu ensino. Se quiser treinar no tênis eu posso te ajudar também. E você pode usar nas pessoas desagradáveis, assim ó -fez o movimento da raquete.

Ela passou a andar de mãos dadas com a garota e observando o Stitch na outra.

- Você não tem problemas na escola, não é, Sooji-ya? A Princes do Parquinho tem que se impor. Alguém mexe com você? - perguntou mais baixo, só de curiosidade. Afinal, ela sabia bem o que era aquilo e achava que Jaeki era um irmão relapso que não perceberia essas coisas. Talvez o comentário das mochilas fosse um sinal. - E que outros desenhos você gosta? Você é uma graça… quem diria quem é seu irmão...

- YA! Kang Woo Jin - acenou para o garoto fora do trabalho.

O sorrisão no rosto só sumiu quando ela pegou o celular. Foi um tipo de combo avistar Won Bin naquele canto todo sombrio e a mensagem da garota. Alguma coisa tinha dado muito errada. Mordeu o lábio.

Bomi-yah

MiSoo
Tudo bem, Bomi-yah. Descansa.
MiSoo
Me chama pra gente conversar quando você quiser. Beijo.


Quando terminou de mandar a mensagem e ergueu o olhar, viu Jaeki carregando Kang e soltou um berro, seguido de uma gargalhada.

Capítulo 5 - Página 17 Tumblr_o47l682Veg1uk4i5go1_500

- OMMO?

Logo a expressão ficou mais séria e ela assentiu, porque já sabia que tinha acontecido algo muito ruim.

- Ye. Tudo bem. - confirmou e lançou um olhar significativo para Eunbi, um sinal de que algo tinha dado muito errado.

- Vamos lá dentro comprar uma coisa para você beber. Tem uma caixinha surpresa da My Melody também. Você gosta? - e entrou na loja com a menina e a bailarina. Sooji-ya, pode pegar o que você quiser. Faz parte do ritual de coroação da Princesa do Parquinho. Não precisa ter vergonha -e soltou a menina para que procurasse as coisas, enquanto falava com Eunbi.

- Olha só isso… - Mostrou o celular para ela, com a conversa com Bomi. - Vamos precisar intervir. Vamos invadir a casa dela e dormir lá com sorvete?

Parquinho

— Ross
Yeun Misoo
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Lee-Hi mal terminou de falar direito e Sunny já revirava os olhos diante de toda aquela hesitação da amiga em dormir ali – Pode parando com isso... Claro que não vai incomodar! Você nem é mais visita – e não dizia aquilo dá boca para fora, não. Estava terminando de acalmar crianças quando Lee-Hi soltou o comentário a respeito do irmão mais velho – o que chamou a atenção de Sunny. Isso era um bom sinal, pois indicava que a amiga não andou tão aérea assim sobre o que acontecia ao redor de si mesma. Sunny sorriu e balançou a cabeça – Ele anda com alguns problemas na empresa, mas nada que não possa resolver. Sabe como Ji-Yoo é... Extremamente determinado e muito teimoso. Só fico preocupada porque, às vezes, ele ignora os próprios limites e não quero vê-lo doente – suspirou baixinho – Mas quando as coisas se ajeitarem, ele voltará a aparecer por lá. Enquanto isso, melhor deixá-lo focado no trabalho.

De novo, insistiu para que ela não ficasse achando que atrapalharia.

- Ok, ok... Eu peeeego – sorriu.

E, tardiamente, percebeu que quase deu uma mancada.

Enlouqueceu?!

Falar para Lee-Hi mexer no guarda-roupa...

Considerando o que escondia lá.

- Ah, sério? Hmmm, comemos rápido demais, também. Deve ser uma indigestão... Não vou demorar, tá? Daí separo um remédio para você e esse mal-estar desaparecerá logo logo.

Realmente foi rápida. Era engraçado como os cães fingiam um excelente comportamento conforme assistiam o ritual de Sunny. Todos tinham vasilhas próprias e estas até levavam o nome de cada um, mas no fim, comiam na tigela do outro, menos Tea e Cookie. Na verdade, o Beagle parecia, de fato, um velho ranzinza. Ele olhava para os irmãos com uma cara de quem reprovava a maneira “deselegante” de se comportar “na mesa”. Sunny começou a rir quando Bum-Kun parou de comer e deitou de barriga para cima, exigindo carinho. Do quinteto, ele era o mais carente...

Sunny se ajoelhou para acariciar aquela barriguinha entupida de ração.

- Não sei o que é maior: esse par de olhinhos pidões ou sua fome infinita... Acho que nós dois precisamos de mais exercícios. Você tem nome de atleta... Como pode ser tão sedentário?

Quase esqueceu do tempo à medida que continuava os afagos nele, fitando-o de um jeito bastante nostálgico.

Correu para pegar uma camisola , mas de última hora, imaginou que a amiga se sentiria mais à vontade com um conjuntinho básico. Afinal, a diferença de centímetros não era tão gritante, porém era provável que a peça ficasse mais curta na garota. De volta à sala, entregou a muda para Lee-Hi e ao ver a feição meio pálida, avisou que buscaria o sal de frutas, embora a amiga tivesse dito que beberia depois do banho. Sunny não insistiu, mas a encarou de modo cuidadoso, tanto que a bebida já estaria a esperando assim que Lee-Hi saísse do banheiro, em cima do balcão/mesa.

O barulho do chuveiro a impediu de escutar Lee-Hi vomitando e ela também se distraiu enquanto mandava uma mensagem para a titia e outra para o papai. Depois colocou uma música, relaxando a tensão do dia e decidiu preparar o chá – que era uma das POUCAS coisas que ela conseguia se virar na cozinha.


Claro que é o de pó que Sunny sabe fazer...

Estava na dúvida entre o de Ginseng ou de Framboesa quando a amiga apareceu na cozinha.

- Bebe. Tudinho.

Apontou para o copo, sorrindo, apesar do timbre mandão.

Pelo canto dos olhos, ela fitou Lee-Hi, estranhando o silêncio... Então, prestes a questioná-la, a amiga soltou uma pergunta, no mínimo, completamente distante de qualquer contexto. Sunny perdeu a fala conforme a encarava de forma atordoada, sem entender o motivo.

Não que a resposta fosse difícil...

Ainda mais que, automaticamente, o rosto dele surgia nos pensamentos e, junto do mesmo, uma série de recordações.  

Spoiler:
Capítulo 5 - Página 17 1699863677804321c47394ff8cfa6624

Por sorte, Lee-Hi parecia muito concentrada no conteúdo azedo e borbulhante para reparar na feição melancólica de Sun-Hee e no jeitinho discreto que ela levou uma das mãos até o peito, acertando alguns tapinhas bem leves.

- Sim...

Capítulo 5 - Página 17 Tumblr_oij6kiunYs1vem8apo6_r1_400

Eu sou apaixonada por alguém.

De verdade.

Só que não completou a frase.

Aquela era uma conversa sobre Lee-Hi.

Quase perguntou o motivo dessa curiosidade, no entanto algo diferente lhe beliscou o cérebro...

Sunny virou de costas, ficando diante do fogão e iniciava o processo de preparo do chá, despejando a água quente numa caneca – E você...? Já se apaixonou, Lee-Hi? De verdade...?

Ela falou em voz calma... mas ainda assim, cautelosa.
SÁBADO - RESIDÊNCIA KIM

— Ross
Kim Sun-Hee
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LOJA DE CONVENIÊNCIAS: ANYTIME. 8 DE JUNHO. 3:45 P.M.


Eun Bi estava realmente se divertindo com a cara de Jae Ki. Não foi à toa que o chamou de fraco! Sabia bem como o menino se aborrecia com essas coisas, mas era engraçado ver como Jae Ki iniciava um discurso infinito, cheio de argumentos que provavam o óbvio. A bailarina manteve o sorrisinho sacana durante o tempo todo e segurou na mão dele para tentar acalmar.

Quando nem isso adiantou, ela soube que Jae Ki aprontaria alguma coisa. Como se não bastasse, sua amiga também ficava rebatendo o linguajar inapropriado dele. Nesse caso, Bibi precisou concordar.

- É verdade. Não sei como a Soo Ji não sai repetindo o que você fala.

- É porque eu não consigo, mas eu penso quando estou brava. - Revelou daquele jeitinho fofo enquanto segurava na mão de Misoo.

Eun Bi deu uma risada gostosa que alimentou a deliciosa gargalhada da menina. A menina parou quando a tenista voltou a falar e observou o movimento com a mão.

- Jinja?! Com mochila?? Araso...Eu nunca nem segurei uma raquete de tênis, parece difícil. Você deve ser mesmo muito habilidosa para jogar esse esporte. Eu só sei dançar, queria ser bailarina e a Minah - Apontou para Eun Bi. - Prometeu que me ensinaria nas férias, mas a gente se desencontrou. Daí meu oppa descobriu que o colégio tinha clube de danças e entrou para me ensinar.

Fez uma pequena pausa, tombando de leve a cabeça. Eun Bi diminuiu um pouco o ritmo dos passos, vendo que precisava mesmo falar com ela. Quando Jae Ki disse que era importante, ela meneou positivamente.

- E ele já te ensinou alguma coisa?

- Ung! - Deu um pulinho. - Já aprendeu umas 4 coreografias não é, oppa? Teve mais, mas eu só decorei essas.

Eun Bi olhou para Jae Ki depois de ouvir isso e sorriu. Antes deles brigarem durante as provas, ela também tinha ajudado em algumas mais difíceis. Era bom ouvir que, indiretamente, estava ajudando Soo Ji. Apertou um pouco mais a mão dele e bateu de leve o ombro.

Soo Ji ajeitou uma mecha solta e olhou para Misoo de novo. A pergunta sobre a escola, fez o rostinho dela hesitar por um instante. Para alguém como Misoo, acostumado a esconder seus problemas por querer ver todo mundo feliz e alegre, ainda que ela estivesse infeliz, aquela expressão era bastante conhecida. Soo Ji respirou fundo e sorriu novamente.

- Ani. É tudo bem na escola. - Disse com bastante convicção, mas não se estendeu nesse assunto, ficando animada com os desenhos. - Princesas Disney, Pororo, Pucca, Ladybug!! - Disse animada. - São os que passam na tv, mas eu também vejo muito programa de idol! Você gosta do Idol Bright? - Se enrolou no inglês, mas de tanto ouvir, conseguiria se fazer entender- Aquele programa da SB. A nova temporada começa agora, nas férias, mas já tem teasers.

A menina era fã das Mermaids, tendo Yuki como sua bias. Ouviu o elogio de Misoo e seu rostinho se iluminou ainda mais.

- Uwaa, komawoo, unnie. Você é muito legal, sabia? E bonita também!

Comentou um pouco antes de chegaram até a loja. Kang tinha acabado de sair da loja, já com suas roupas de “civil”. Acenou para o grupo - estava cansado, mas ainda mantinha aquela animação de sempre.

- Ooi! Vocês ainda estão por aqui, é? - Perguntou para Misoo, mas logo olhou na direção do casal que se aproximava enquanto a tenista pegava o celular.

- Vai, prove… - Eun Bi soltou a mão dele e bateu palmas, incentivando que ele fosse.

Kang não entendeu nada, chegando a cerrar de leve os olhos. Franziu um pouco as sobrancelhas quando Jae Ki se aproximou daquela forma.

- Mwo? O qUEEEEEEEEEEEE - O tom da voz foi aumentando com o susto que tomou quando foi erguido daquele jeito. Sentia-se, de fato, um saco de batatas com pernas. O chão estava muito longe e, ao mesmo tempo, próximo demais. Continuou dando alguns gritos e sacudindo as longas pernas.

Tinha certeza que logo se espatifaria no chão e as risadas das meninas só aumentavam o constrangimento. Eun Bi nem conseguia respirar por conta da cena que estava vendo. Soo Ji estava chocada demais para dizer qualquer coisa. Seu oppa era doido!!

- QUE CORRER O QUE?! ME PÕE NO CHÃO!!! - Esperneou mais ainda.

Só parou com os escândalos porque do ângulo em que estava, via que Won de cabeça para baixo e com uma expressão muito fechada. Voltou para o chão e aproveitou para empurrar Jae Ki - só de implicância, não tinha forças para comprar uma briga com seu amigo. Foi apenas uma forma de se livrar do susto.

Eun Bi também foi diminuindo as risadas, tossindo de levinho. Ajeitou o casaco e voltou a atenção para Jae Ki. A verdade é que ele nem precisava pedir. Meneou positivamente e ficou com uma expressão mais séria enquanto via os dois meninos se aproximando de Won.

Assim que eles saíram, ela trocou um olhar nervoso com Misoo. Nem precisava perguntar se algo tinha dado errado, mas elas seguraram os comentários até entrarem na loja de conveniências. Lá dentro, elas ainda poderiam acompanhar o que acontecia do lado de fora, mas ainda estavam contidas. Soo Ji ouviu com atenção as instruções sobre o ritual das princesas e as bochechas coraram rapidamente. Concordou que pensaria em coisas legais para sua coroação, mas a verdade era que a menina não era pidona, nem consumista. Tinha gostos bem simples e sempre olhava os preços com cautela - um hábito que adquiriu com o irmão.

Eun Bi escolheu uma mesa perto da grande janela de vidro, ouvindo o que a amiga tinha a dizer.

- O que? - Pegou o celular, vendo a mensagem e escondendo os lábios em seguida. - Aish...Deve ter acontecido alguma coisa estranha. - Mordeu o lábio. - Mas sabe, eu acho melhor deixarmos a Bomi quieta. Ela nem visualizou sua resposta ainda e também, eu preciso voltar para casa hoje.

Suspirou, deixando os ombros caírem.

- Acho que se ficarmos correndo atrás dela, é capaz dela reagir mal. Deixa a poeira baixar um pouco e conversamos em outra hora. Que tal irmos ao clube amanhã? Vamos jogar tênis, andar, qualquer coisa…um lugar fora daqui.

Foi a sugestão que encontrou e viu Soo Ji procurando os kits que Misoo havia comentado.

- Ainda preciso contar a ela sobre o meu verdadeiro nome. - Comentou. - Eu estava conversando sobre isso quando tudo aconteceu. Nem sei como definir o dia de hoje, foi uma montanha russa de emoções. - Fez um beicinho, mexendo no ziper de seu moletom

Soo Ji logo retornou para mostrar o que compraria. Para a surpresa das duas - ou não - havia apenas 3 canetas diferentes da My Melody e 2 cartelas adesivas dela com Little Twin Stars. Fora isso, tinha o doce do Pandinha que ela havia adorado e o suco que ela pediu.

- Olha o que achei. - Mostrou as três canetas super fofinhas. - Peguei uma pra cada para comemorar minha coroação. - Sorriu enquanto sacudia as canetas. - Acho que está bom, unnie…

[...]

Quando Won Bin se aproximou do Café e da Loja de Kang, veria os amigos naquele clima completamente oposto ao dele. Jae Ki carregava Kang no ombro, como um saco de batatas enquanto ele reclamava e pedia para descer. Eun Bi e Misoo estavam vermelhas de tanto rir e Soo Ji parecia chocada demais para dizer qualquer coisa.

Tão logo se deram conta da presença dele, não houve ninguém que tivesse coragem de manter a expressão de alegria. A cara fechada e distante de Won contaminou a todos. Isso não era de todo ruim, porque dava para ver que eles se importavam com o garoto.

Woo Jin tinha parado de reclamar e Won não foi interrompido em sua caminhada até a mesinha de fora. Muito embora sua expressão mandasse que todos se afastassem, os Dragões pareciam cegos ao aviso e não demorou para que se aproximassem. Quanto mais perto estavam, mais evidente ficava a vermelhidão nos olhos do líder, assim como as mangas molhadas da camisa.

Pela primeira vez, Jae Ki tinha chegado em silêncio, acompanhado por Kang. Woo Jin o encarou por mais um tempo, mas logo puxou uma cadeira e sentou-se.

Queria saber o que tinha acontecido, mas estava achando que perguntar, no momento, apenas magoaria mais o amigo. Por isso, ele apenas se mostrou presente e completou batendo no ombro dele, demonstrando que estava ali.

Muitas coisas tinham mudado na vida de Won desde que ele tinha iniciado sua jornada naquele colégio.

Talvez ele não percebesse agora, mas a mais importante de todas era que enquanto os dragões estivessem com ele, ele não precisava sofrer sozinho. Porque um sempre parecia disposto a defender o outro, como se fosse um lema principal daquele grupo composto por ex-solitários.
(C) Ross


SUNNY. 8 DE JUNHO. 5:30 P.M.


As palavras de Sunny acalmaram um pouco mais Ha Yi. Ainda que seus gestos estivessem mais tímidos e contidos, ela começou a se organizar naquela casa. Quando se recusou a pegar uma roupa nas gavetas da amiga, foi mais por uma questão de princípios. Se soubesse que encontraria algo alarmante ali, ela certamente fuçaria apenas para ajudar a amiga.

Porém, agora, ela pensava se mexessem em suas gavetas. Não gostaria nada da sensação.

Tão logo pegou a muda de roupa, ela entrou no chuveiro. Aquele era seu limite antes de vomitar praticamente tudo o que tinha comida. Foi tão voraz no almoço que realmente passou dos limites para seu fígado. O banho a ajudou a se acalmar e recompor, mas apenas depois do sal de frutas, foi que sentiu o frescor na barriga.

O fundo com pozinho que não tinha sido dissolvido parecia demasiadamente atrativo naquele momento. A expressão de Lee Hi foi ficando mais distante, conforme o som do violino ficava mais intenso. Não era tão amante do instrumento quanto a amiga, mas gostava daquela artista, em específico.

De repente, a pergunta simplesmente percorreu por seus lábios e foi feita em voz alta. Era um tanto quanto invasivo, mas gostaria de saber se a amiga já tinha se apaixonado por alguém. As chances de compreendê-la, aumentavam por isso.

Ao ouvir o sim quase que melancólico, ela voltou o olhar para as costas de Sunny.

Tinha cerca de um ano que as duas se conheciam. Apesar de Lee Hi ser uma unnie - por ser a mais velha - Sunny era a sunbae porque começou a trabalhar primeiro no café. Esses pequenos detalhes meio que anulavam a forma como elas se tratavam. Era respeitoso, mas elas não levavam em conta a diferença de idade quando estavam no grupo de amigas ou sozinhas assim.

Independente de Sunny ser sua sunbae no Café, naquele momento, Ha Yi realmente se sentia a mais nova e perdida das duas.

Umedeceu os lábios e abaixou o olhar. Engoliu em seco antes de erguer a cabeça de novo e dizer um baixo.

- Ung...De verdade. - Fechou os lábios e deixou que ela terminasse de preparar o chá para encará-la de novo. - Eu sei que a gente não se conhece há tanto tempo assim, mas eu confio em você e te considero uma de minhas melhores amigas, ainda mais agora que estamos estudando no mesmo colégio.

Falava bem baixinho - ela era naturalmente educada, mas estava muito mais frágil agora.

- Eu me envergonho por ter escondido isso de você, da Chae, da Hyewon, até da Eun Seok. - Era mais próxima das meninas do segundo ano, obviamente, e de Sunny, mas também gostava da presença de Stella. - Mas…Eu acreditei que era melhor deixar escondido.

Deixar algo escondido…

Isso lembrava alguma coisa, Sunny?

- Nunca antes eu...tinha sentido essas coisas por alguém. Quer dizer… - Ajeitou o cabelo. - Eu era popular por conta da minha aparência, mas ninguém nunca tinha despertado nada. - Franziu as sobrancelhas. - E então...Veio Wangjo e eu me deslumbrei com o lugar, com as pessoas. Também me decepcionei muito por conta do bullying, nunca tinha passado por isso na vida.

Foi um pouco chocante no início, tanto que ela ficou sem reação porque não acreditava que estivesse passando por algo do tipo.

- E no meio de todas essas novidades, eu conheci uma pessoa que...Eu achei que fosse o meu principe encantado. - Sorriu da propria ignorância. - Ele parecia ser tudo o que eu sempre desejei e esperei de alguém. Começou bem aos poucos, mas foi tomando uma proporção que...quando eu vi...eu já estava completamente envolvida e não conseguia enxergar o quanto.

As bochechas dela coraram e ela abaixou a cabeça. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto, até saltarem no fim.

- Ele foi perfeito… - Escondeu os lábios. - E...e….quando eu vi...- Não conseguiu se conter, começando a soluçar enquanto segurava o choro. - Aconteceu...Simplesmente aconteceu.

O que, exatamente, a amiga não conseguiu concluir. Mas a interpretação podia ser bastante abrangente.
(C) Ross


HYEMIN. 9 DE JUNHO. 10:35 A.M


- Hm...Não sabia que você levava jeito para negociações, que grata surpresa! - Sung Ki ficou realmente feliz por ela fazer uma proposta como aquelas. - Eu vou querer cookies e brownies, então.

Fez um breve suspense.

- Cookies para o domingo e brownies para o sábado. Parece bom para você? - Deu uma piscadinha, mas nem tiveram muito tempo de discutir os termos porque a menina foi louca atrás dos presentes.

Que não puderam vir, dessa vez. Respirou fundo com aquele beicinho que ela fazia, mas a encarou de modo paciente.

- O papai não teve tempo mesmo...Prometo que quando for lá, eu trago. Você sabe como eu entendo pouco dessas marcas, sou completamente ignorante em termos de moda. - Revirou os olhos, meneando negativamente. O que ele tinha de talento para culinária, ele tinha nada para marcas de roupa.

Começou a ouvir os questionamentos dela e achou certa graça. Fez um cafuné em sua cabeça e escondeu os lábios por um instante.

- Você acha que por eu ser o dono, posso ter beneficios? Ah, querida, eu só tenho mais trabalho. Vamos fazer uma breve analogia...Lembra quando foi a capitã do clube de culinária e foi responsável por tudo o que seu grupo fizesse fosse bom ou ruim? - Deixou que ela absorvesse aquela comparação. - Você era a primeira a chegar e a última a sair, não é? Porque se alguma coisa desse errado, era você quem responderia porque era seu nome, sua liderança. É a mesma coisa com o papai, mas em proporções maiores. Sendo chefe, eu só tenho mais obrigações.

Suspirou, bastante cansado. As preocupações só pioravam quando ele parava para pensar que Hyemin não seguiria com os negócios. Além de não ter talento nenhum para levar uma chaebol adiante, ele tinha feito uma promessa quando ela nasceu: jamais seria aquele que cortaria os sonhos dela. Independente do que ela buscasse para a vida, ele a ajudaria e apoiaria. Coisa bem diferente que seu pai fez.

Claro que na época, ele também sonhava que teria mais herdeiros que a casa estaria cheia de filhos. Afinal, ele imaginava que seu casamento resistiria às intempéries de uma família ranking 1.

Não foi bem isso o que aconteceu.

Um homem poderia se sentir amargo e infeliz por ter abandonado sua carreira da gastronomia como condição para ficar com uma pessoa. Agora não tinha nenhuma das paixões: nem a mãe de Hyemin, nem o titulo de chef. Porém, ele não se arrependia de nada.

Pois tinha Hyemin.

Queria tanto poder acertar mais com ela. Fazer dela uma mulher justa, honesta, bondosa, caridosa. Mas também reconhecia suas falhas - ou parte delas, pelo menos - porque para compensar sua ausência, ele a mimou demais. Agora parecia um pouco tarde para reverter isso, mas sua filha sempre seria seu maior orgulho.

Observou o comportamento dela à mesa e perguntou como foi o fim de semana dela.

- Foram ao Aquário? E foi divertido? - Sorriu ao ouvir que tinha sido legal e concordou sobre as fotos. Arqueou uma das sobrancelhas com o comentário sobre o castigo de Hayoung. - Eu vi as notas, não precisa fazer essa cara. Admito que fiquei surpreso do 2º lugar cair para 20º, mas a sua nota final não foi ruim. Estava acima da média, mas você acha que precisa de algum tipo de reforço em alguma matéria, Hyemin? Porque eu espero que você se saia melhor nas próximas provas. Afinal, é minha princesinha.

Ele enxergava potencial na filha, mesmo que as notas não acompanhassem isso. Sabia porque Hyemin era muito mais parecida com ele do que imaginava.

Sorriu novamente ao ouvir que as panquecas estavam deliciosas. Modéstia à parte, estavam mesmo. Tanto que ele pegou uma boa porção para si, mas no instante em que colocou na boca, começou a tossir, se engasgando. Precisou tomar uma quantidade considerável de suco para encará-la.

- Mwo? Wang Miwoo te enviou aquelas rosas? - Tentava não parecer muito agressivo, mas estava visivelmente surpreso. - Wae? Vocês se encontraram? Aconteceu alguma coisa que eu deveria saber e você não contou?

Repousou os talheres à mesa e focou todas as suas atenções na filha. Seus sentidos paternos estavam à flor da pele, no momento.
(C) Ross


HYUN HEE. 9 DE JUNHO. 1 P.M.


JOANINHA

Joaninha
Hahaha! Você hibernou, foi? Devo chamá-lo de “Hyursinho” agora? :3
Joaninha
Hm...Eu tinha alguns planos de sair com minhas amigas hoje, mas todas parecem meio quietas demais. Então, acho que só vou almoçar com minha mãe e ficarei em casa. E você? O que vai fazer depois da visita?


Aguardaria pela resposta de Hyun que, provavelmente, ocorreria antes da chegada de Jung Mi. Por saber um pouco em cima da hora sobre o horário de visitas, o irmão mais novo se atrasou cerca de 5 minutos além do combinado.

Quando Hyun Hee o visse, teria certeza de que o atraso não fora proposital. Jung Mi parecia lamentar mesmo por isso. Sua expressão não pôde ser lida, à principio, porque ele se manteve naquela postura respeitosa e cheia de mesuras. Ao ouvir que estava tudo bem, ele voltou a ficar com a postura correta e observou a aproximação do irmão.

Arqueou uma das sobrancelhas com o toque em seu ombro e parecia computar o que ele estava tentando fazer.

- Eoh. - Afastou-se de modo educado, colocando um certo limite naquilo, mas sem ser grosso ou raivoso. - E você? - Não era mera retórica, porque ele encarou Hyun com certo interesse.

Pelo que soube, ele tinha dormido na casa da tia. Nenhum dos dois nunca tinha dormido lá, mesmo quando a mãe era viva. Parecia uma experiência nova e algo que Jung Mi gostaria de sentir algum dia. Não conseguia se conter apenas imaginando como seria. Todos sabiam que a tia vivia “do outro lado do muro”. Como uma pessoa normal, coisa que eles não eram.

- Sentiu-se confortável na casa da nossa tia? - Completou a pergunta, demonstrando a curiosidade que ele tinha.

Após isso, concordou que poderiam ir. Andou ao lado, porém meio passo atrás, considerando a hierarquia. Os dois esperavam sozinhos pelo elevador - não havia fila. e Jung Mi se posicionou ao lado esquerdo, pois era o lado que geralmente escolhia, apesar de não ser canhoto. O violino era o responsável por ele sempre agir assim, visto que este era seu lado de apoio, no fim das contas.

- Pelo que você está se desculpando? - Perguntou antes que percebesse e o encarou com mais profundidade enquanto o elevador se aproximava.

Percebeu de pronto que o irmão não sabia exatamente pelo que. Fez uma expressão de quase tédio quando ele falou sobre nunca mais causar problemas. Por que ele continuava causando, então? Suspirou, um tanto incomodado com aquela conversa. Era um momento oportuno, de fato, mas Jung Mi não se sentia completamente preparado.

Não diria nada até entrar no elevador e esperar as portas se fecharem.

Quando viu o reflexo, considerou algo…

Por que não podia ser sincero, apenas para variar?

Hyun Hee estava completando suas palavras enquanto os olhos de Jung Mi passavam pelo painel do elevador. Ouvir o termo “irmãos”, o encorajou ainda mais pelo que estava por vir. Subitamente, ele apertou o botão para que o elevador parasse. Houve um pequeno solavanco e Jung Mi virou-se para o irmão.

- Com todo o respeito, você não entende nada, hyeong. Se você entendesse...Talvez já percebesse que não estou aqui apenas por conta do araboji. - Enfiou as mãos nos bolsos. - Verdade que esse tipo de coisa faz a gente refletir. Parece que também funcionou para você, porque está se portando feito… - Ia falar “gente”, mas não queria discutir. - Feito o meu hyeong.

Ponderou sobre a comparação e concordou com o termo.

- Eu me lembrei quando recebi a ligação, dois anos atrás. Na verdade, naquela época, eu estava na casa do araboji que hoje está internado. Naquele dia, ele também teve um princípio de infarto e eu não sabia o que fazer. Foi uma cena meio desesperadora, mas não comparada com a notícia que recebi logo em seguida. Fiquei pensando se foi por conta disso que ele não gosta tanto de mim.

Abaixou o olhar.

- Se é porque eu o faço recordar daquele dia. Mas fato é que...Eu pensei que estou cansado de perder. Cansado de...me omitir. De saber, por exemplo, o que você tem feito aos fins de semana e não tentar me meter. De vê-lo se aproximando daquele bolsista e o tratando como um irmão…- Cruzou os braços, ainda tentando se controlar. - Eu definitivamente te odeio, hyeong.

Revelou e deixaria apenas o suspense do impacto daquela palavra antes de concluir.

- Eu te odeio porque apesar de tudo, de todos os motivos, de tudo pelo que você me fez passar, eu… - Fechou os olhos, tomando coragem para dizer. E, no instante em que abriu os olhos de novo, parte da máscara que ele frequentemente usava, parecia rachada. - Eu não consigo ser indiferente a você, tampouco não me preocupar. Porque no fundo, hyeong, eu ainda amo o meu irmão.

Foi franzindo as sobrancelhas e puxou o ar num susto, como se estivesse se controlando.

- Eu sinto...sua falta.
(C) Ross
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Apesar da aparente melhora da amiga, Sunny não esqueceu nenhum detalhe do comportamento que Lee-Hi vinha demonstrando nos últimos meses, por isso mesmo não diminuía a atenção sobre ela. Ainda tinha a certeza de que algo muito sério aconteceu para motivar aquele jeito estranho e distante. Tanto que, durante todo o caminho, Sunny pensou nas maneiras menos invasivas de entrar no assunto, mas acabou desistindo. Apenas seguiria sua intuição e a deixaria completamente à vontade. Na maior parte das vezes, as pessoas somente precisam de alguém que se disponibilize a ouvir. Só isso. E Sunny tinha excelentes ouvidos...

Mesmo assim, não esperava aquele tipo de pergunta e tentava relacioná-la com a situação da amiga. Mas mal teve como refletir.

Sunny carregava suas próprias desilusões e embora tentasse evitar até os pensamentos, quando cutucada, a ferida voltava a sangrar. Doía? Sim, porém o tempo a ajudou a se acostumar. E, de toda forma, não existia outra opção além dessa.

Mas cansava, cansava sempre ter que aguentar, se adaptar...

Aguardava a resposta de Lee-Hi enquanto terminava o chá, mergulhando o pacotinho na água quente. Acabou enchendo uma segunda caneca, mesmo que a amiga tenha preferido o sal de frutas. Escolheu o de Framboesa para si mesma e o de Ginseng para ela.

Lee-Hi era a mais velha, porém já estava na personalidade de Sunny possuir esse instinto protetor, independente da idade. Quando a unnie apareceu no Café Literário, Sun-Hee quem ficou com a responsabilidade de lhe apresentar o estabelecimento e explicar cada função. Na época, se colocou no lugar da menina, imaginando que deveria ser meio intimidante... Passara por aquela experiência, então entendia as dúvidas e medos. Ela ajudou Lee-Hi, atitude que teria feito por qualquer pessoa, mas as duas tiveram a grata surpresa de virarem amigas.

E... Ela era tão inocente...

Não que Sunny não fosse também, mas mostrava-se tão independente que aos outros passava uma imagem bastante autossuficiente. Mas, ao contrário de Lee-Hi, ela tinha uma casca mais dura, o que a motivava a se colocar na linha de frente.

Nas primeiras palavras dela, Sunny a encarou de um modo sereno. Pegou as duas canecas e entregou uma à Ha Yi – Bebe um pouquinho... Ginseng é ótimo para problemas estomacais – sorriu, incentivando-a.

Caso não aceitasse, não insistiria.

Sunny sentou num dos bancos altos e manteve a louça amarela entre as mãos, ainda sem tocar na bebida. Olhava para garota, concentrando-se completamente nela. Concordou com a cabeça sobre também considerá-la uma de suas melhores amigas e o sorriso logo sumiu diante da continuação. Sunny queria reprová-la por sentir vergonha, porém não era justo se achar no direito de controlar os sentimentos dos outros. Limitou-se a escutar, por ora.

Eu acreditei que era melhor deixar escondido...

Aquilo a fez morder o interior das bochechas, frustrada perante a semelhança das atitudes, só que Sunny tinha a consciência de que era sim melhor deixar escondido...

Melhor para as pessoas que amamos.

Não para quem guarda o segredo.

Antes de Lee-Hi prosseguir, Sunny já calculava as possibilidades. Ela estava apaixonada por alguém. Era esse o segredo? Ou seria a pessoa? Ele a machucou? Terminaram? Por que ela precisaria esconder o relacionamento?

- Você é linda, amiga – sentiu a necessidade de acrescentar – Mas não “só” linda.

Quando ela começou a descrever as agressões que sofriam na WangJo, a expressão de Sunny tornou-se mais fechada e reflexiva. Um gesto involuntário, na verdade. Porém, mais uma vez, Lee-Hi dizia coisas que Sunny poderia tomar para si. Não via Jung-Mi como seu príncipe encantado porque não carregava esse tipo de “fantasia”, mas por um momento de pura irrealidade, ela acreditou que o Park fosse a “sua pessoa...” e, de fato, ele era...

Ele é.

Pena que Sunny não era a dele.

Ao identificar as lágrimas, Sun-Hee respirou fundo e cerrou os punhos.

Simplesmente aconteceu.

O quê?

O que simplesmente aconteceu, afinal?


Não gostava no que sua mente trabalhava... Não gostava das opções...

Não gostava de ver Lee-Hi chorar...

Odiava aquilo.

Assim como detestava o culpado por causar aquelas lágrimas.

Delicadamente estendeu a mão, puxando a da amiga, onde iniciou alguns afagos carinhosos e com a mesma gentileza, ela perguntou:

- O que aconteceu?
SÁBADO - RESIDÊNCIA KIM

— Ross
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Won hesitou por um instante em continuar andando até a mesinha na loja. Via os amigos tão felizes e o clima era de diversão, ele sabia que ia acabar com aquele bom momento se chegasse do jeito que estava.

A vontade era de ir embora, se entregar a sensação de vazio, mas seus pés andavam sozinhos até a mesa.

Notou como as expressões morriam quando o viram e se arrependeu de não ter ido embora dali.

Só os dragões se aproximaram e Won já imaginava o que teria de dizer e de explicar e só de imaginar como contar o que aconteceu já lhe consumia mais energia que não possuía mais.

Mas diferente da maioria das vezes eles não perguntaram nada, na verdade ficaram em silêncio. Won forçou um meio sorriso diante de Kang batendo em seu ombro. Estava com as mãos sobre a mesa.

Ainda estava um pouco letárgico então não começou a falar imediatamente, levaria uns minutos antes.

-Acabou. Só...acabou - conseguiu dizer - Tinham mais coisas, mais problemas que envolvem nossas famílias. E eu não posso mudar ou consertar essas coisas

Era a derrota em pessoa.

-Eu não quero falar sobre tudo. Não hoje, desculpem... - já não tinha energias pra sequer falar isso - Peço também que não discutam com a Bomi sobre o que aconteceu

Respirava fundo já imaginando como lidar com ela na escola e no clube.

-A situação pra trabalhar no Café já é insustentável. Eu...eu vou pedir demissão amanhã

Concluía com o que poderia ser mais chocante também.

Olhava para as próprias mãos, não sabia nem se queria ir pra casa agora. Tinha a estranha sensação letárgica ainda, o sentimento de vazio.

Wangjo

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- Ahhh, então você vem no sábado também?  - comemorou enchendo os olhos. -  Com certeza. Cookies e brownies!

Estava toda feliz por ter sido elogiada. Achou que era super inteligente ali e deu uma risadinha.

Sobre a roupa, ela tinha entendido. Acabou falando um “tudo bem” e o bico sumiu da cara. Um dia iria junto com o pai em uma dessas viagens e fariam juntos muitas compras. Pra ele também. Logo ele explicou sobre as implicações de ser o dono e lhe deu um exemplo bem fácil de se relacionar. Pensou um pouco. Achava que esse tipo de coisa era muito chato, mas quando pensou no Clube da Culinária, ela não achou ruim fazer tudo aquilo, porque amava de verdade o que estava fazendo e queria que tudo saísse perfeito. Claro que ficava cansada, mas era com muita vontade que fazia. Nunca pensou que tinha sido “o pai” no âmbito escolar do Clube de Culinária do fundamental.

-  Entendi… - fez um biquinho. - Mas então o senhor deve gostar muito mesmo do seu trabalho como eu gosto do clube. Porque eu não conseguiria ficar tanto tempo ocupada com uma coisa que eu não gosto - refletiu.

Achava até que  ele gostava mais do trabalho do que gostava de ficar com ela, às vezes. Mas não quando estavam juntos. Aí sentia que era uma princesinha.

Já na mesa, ela falou animada sobre seu passeio e já pegou o celular para mandar uma foto para o pai em que estava com os amigos no aquário, como uma resposta de que tinha se divertido. Depois, olhou o pai meio receosa por causa das notas. Pelo menos ser mediana estava bom para ele.

Se achava que precisava de reforço para ALGUMA matéria? Precisava para todas, menos química e biologia. Desviou o olhar.  A verdade é que não queria estudar naquela escola. Estava pensando nisso desde que resolveram humilhá-la dizendo que só estava lá por dinheiro. Talvez em outra fosse mais fácil.

- Eu não sei...  - falou desanimada sobre precisar de ajuda. Porque só de pensar nas dificuldades que tinha com os estudos, já lhe dava um certo pavor. Encorajada ao ser chamada de princesinha, ela sentiu um pouco mais de coragem de falar o que sentia. - Não entendo por que temos que estudar algumas coisas - fez um muxoxo.  Não achava também que adiantaria ter aula de reforço, porque simplesmente não assimilava os conteúdos direito. Não sentia que era capaz de ser boa aluna.

Então mudou de assunto, para falar sobre as flores. Isso sim era um assunto bom! Mas por que o pai estava fazendo aquela cara estranha? O que ele queria dizer com “alguma coisa” que poderia ter acontecido? Começou a ficar com mais vergonha. Definitivamente não se falava disso com um pai!! Corou um pouco e respondeu no mesmo instante:

- Ani!!! Não sai com o oppa!! Quer dizer… - travou o que ia falar e olhou para baixo por um momento, piscando bastante. Estava nervosa e quase falou que “era para ter saído”. Ficou atrapalhada e quase soltou a verdade. Seu pai lhe deixava muito nervosa olhando para ela desse jeito e ela não conseguiu mais erguer o rosto, porque seria pega falando mentira. - São só flores, appa. - protestou de leve, bebendo suco só para ganhar tempo e depois ficou passeando o olhar entre o pedaço final da panqueca e o pai. - O que tem demais? Um dia eu não vou me casar de qualquer forma?  

Então qual era o problema se eventualmente fossem namorados? Não seria MUITO melhor do que se ela se casasse com ele sem estar apaixonada? Ou ainda, era tão ruim assim que ele quisesse conhecê-la um pouco melhor para que aprendesse a gostar dela também?

Residência Seo

— Ross
Seo Hyemin
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Hyun

Tigrão
Não sei se isso seria mais embaraçoso do que Tigrão
haha
Tigrão
Não pensei em nada. Queria ficar quieto com você. Mas fique com a sua mãe. Talvez eu troque de lugar com o Han Jae para ficar com meu avô. Ele não deve ter dormido direito.


O ideal para ele agora seria ficar com a namorada em silêncio, curtindo a paz que ela lhe fornecia. Até pensou em chamá-la para a casa da tia. Que grande paz isso seria! Tudo bem que talvez ela achasse estranho o primo ali que também era professor, mas…

Sem formular muito bem um plano, ele viu Jung Mi e se pôs de pé.

- Eoh. Eu pude descansar - contou, dando um sorriso amargo. Não que fosse ruim dormir, mas a situação toda era esquisita.

Realmente, a casa da tia era uma grande surpresa para eles. Era um tipo de tabu. O avô nunca imaginaria onde ele esteve naquele dia. Pensou sobre isso e tinha a sensação de que tudo que era bom e simples de alguma forma era arrancado deles por interesse, mas eles não tinham como saber disso quando crianças. Quantos assuntos “Chaeyoungs” não lhe foram privados porque não havia um “negócio” por trás daquilo.

- É… Confortável. Mesmo nunca estando lá, tem uma sensação familiar. Me senti como se tivesse 10 anos. Você entende? - referia-se literalmente à família, ao cheiro de comida de avó, embora eles ali não cozinhassem como hábito, mas era algo que achava que o irmão podia imaginar do que ele falava.

A sensação toda de nostalgia foi o que pesou mais e culminou naquele pedido de desculpas. Queria voltar para o tempo de antes. Não respondeu a princípio pelo que estava se desculpando, mas continuou seu discurso, ou tentativa. A franqueza com que o irmão lhe disse que ele não entendia nada o fez temer pelo restante das palavras. Calou-se, esperando tenso pelo que viria, mas ele o surpreendia.

Só podia imaginar como foi para ele receber a notícia naquele dia e lidar com tudo aquilo. Se ele mesmo não aguentou ao acordar, como teria sido ficar de olhos abertos durante todos os eventos?

Ele ficou quieto, resignado, ouvindo o que o irmão tinha para dizer. Seus argumentos e postura estavam muito mais maduros. Ele não podia manipulá-lo mais com um gracejo qualquer. Ao mesmo tempo, não conseguia sentir completamente suas intenções enquanto ele dizia isso, porque o último contato deles antes do hospital tinha sido bem diferente.

Fim de semana?O que ele estava fazendo de fim de semana? Franziu a testa. As festas eram um segredo, não eram? Ou o quê? E Jaeki?Ele esteve observando sua relação com Jaeki? Estava muito surpreso e confuso, porque aquele rosto dele nunca tinha transmitido nem sombra daquela preocupação. Porém, ele disparou que o odiava, constrangendo-o ao ponto de abaixr o rosto e sentir aquelas palavras como uma dor física.

De novo? De novo? Hyun começou a ouvir aqueles pensamentos pesados sobre ter sido estúpido de tentar começar de novo aquela relação, sobre o medo de perder para sempre o irmão, sobre não saber como voltar e… Antes que fosse tragado por aquele tipo de ideia, ele disse que ainda o amava.

Ergueu o rosto, olhando-o com transparência, confuso. Então, engoliu em seco ao ouvir aquelas palavras. Respirou fundo, recompondo a postura e apertou o ombro dele.

- Eu também. Jungnie (“Tchôn-ni”)... Eu também. - deu uma apertadinha de leve.

Ficou um pouco em silêncio, retomando a fala quando chegaram no andar.

- Tem sido difícil, sem eles... - admitiu. - É muito melhor com você aqui… Obrigado.

Não conseguia no momento pedir mais desculpas sobre o passado ou falar sobre tudo que aconteceu naquele acidente até que se reencontrassem. Um dia teriam que falar sobre isso, mas o pequeno passo que ele dava, já achava satisfatório.

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— Ross


Park Hyun Hee
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Misoo não se conteve em olhar para Eunbi no momento que Sooji a chamou de “Minah”. Ainda não tinha esclarecido essa história para a menina? Era um pouco triste. Será que ela ficaria chateada quando soubesse? Enfim,  o que mais lhe impressionou foi o fato de que aquele garoto rude tinha entrado no clube para ensinar a irmã a dançar. Será que era isso mesmo? NAhhh… Queria era ficar perto da Eunbi! Esse safado.

- Um dia você tem que mostrar pra gente essas coreografias  - sorriu para a menina.

Foi concordando e reagindo conforme ela falava dos desenhos. Era bonitinho como ela seguia falando.

- Ohh. Sei. Tinha sugerido para a Bibi participar, mas apesar de ser bailarina e linda, ela não sabe cantar. Já pensou em participar um dia também?

Então teve toda a cena com Jaeki e Kang, que a fez rir muito, mas o clima todo foi estragado por causa do papo sério e a bailarina achava melhor não falarem com Bomi. É, ela tinha o tempo próprio para se recuperar das coisas, vide o que fez com a própria quando ela chegou às próprias conclusões sobre o namoro.

- Aigo… É verdade. Não, não. Deixa então. Temos que dar o tempo dela. Não dá para forçar. Se ela precisar, ela vem. Eu não sei o que mais pode ter dado errado, mas eu fico mesmo triste por ele - espiou o lado de fora. - Ele é um carinha tão legal...

Não que a amiga não fosse, mas Bomi sabia ser bem desgraçada quando queria e ela já tinha experimentado isso. Já Won não parecia ser capaz de magoar ninguém e foi logo gostar da garota mais inconstante… Falando em gente inocente, a amiga comentou sobre Sooji.

- Me senti mal por ela. Você devia fazer isso logo. Ai, acho que te chamei pelo nome “errado” algumas vezes. Foi sem querer. Será que ela já percebeu? - de repente a garotinha aparecia com presentinhos para elas e a fez ficar quase emocionada. Primeiro a tinha chamado de linda, agora tinha a oportunida de pegar uma coisa para ela e escolheu para as duas. Era muito fofa mesmo.

-Muito obrigada, princesa Sooji. Adoreeei. Vamos combinar agora. Nossa “caneta do dia”. Que nem as meninas da escola - fez uma careta de patricinha e riu, referindo-se ao grupo de Yerin.

- Hm. Fica aqui com a bailarina enquanto eu vou ali no caixa - olhou bem para Eunbi. Era sua chance de contar a verdade para a garota a sós, enquanto ela fazia uma horinha longe delas.


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Yeun Misoo
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Jae-ki fez um bico quando MiSoo o questionou sobre os palavrões. Não gostava quando os outros que não sabiam nada deles ficavam dando palpites sobre como tratava sua irmã. Em seguida Eun-bi concordou e Sooji falou aquele comentário engraçado. Jae-ki arregalou oa olhos, mas em seguida deu um sorriso leve, sua irmã era sincera e isso o orgulhava. Claro que era bom que ela não falasse como ele. Porém não deixou de responder MiSoo:

Capítulo 5 - Página 17 709a95a1d90d5401783edead53ba3e26

- Ya, tem gente que fala bonito, mas é um lixo. A Soojiya sabe como eu sou e é isso que importa. E ela não vai repetir...Soojiya é esperta. 

Claro que não era bom falar palavrão na frente dela, sabia disso. Ás vezes ele se controlava, mas outras saía sem querer. Só que achava que MiSoo não tinha esse direito de se intrometer.

A irmã conversava com MiSoo e ele prestava atenção. Era bom ficar de olho no que ensivam à sua irmã. Sorriu quando ela contou sobre como ele havia entrado no clube de dança.

- Eoh, e eu vou te ensinar mais.

Sorriu ao sentir a mão de Eun-bi apertando a sua. Jae-ki até que se sentiu bem por ser o professor de dança da irmã, tudo que sabia sobre professoras de danças era bem ruim. A de Wangjo era insuportável e a da bailarina ainda pior. Não deixaria sua irmã passar por essas coisas.

Jae-ki ainda tinha aquela irritação sobre o comentário da bailarina, ela tinha acertado em cheio na implicancia. E quando ele teimava com algo, não tirava da cabeça. Queria provar mesmo que era forte, por isso carregou Kang daquele jeito. Jae não tinha muito senso do que era passar vergonha na rua.

Sorte do Kang que Won apareceu, então ele não teve tempo de correr para provar sua força. Ver o amigo triste daquele jeito fez Jae-ki esquecer do seu orgulho. Depois de colocar o amigo no chão, recebeu aquele empurrão, mas não reclamou. Já era meio comum esses gestos entre os dragões.

Ele pediu que as meninas ficassem com sua irmã um pouco e elas entenderam. Ele e Kang se aproximavam em silêncio de Won e sentaram perto dele. Dava para ver os olhos vermelhos do amigo, as coisas tinham sido realmente difíceis. Embora Jae-ki estivesse curioso sobre o que tinha acontecido ficou em silêncio dessa vez, esperando pela reação do amigo.

Won demorou a falar, mas quando disse, Jae-ki se sentiu mal pelo amigo. Tinha durado tão pouco, nem parecia que ontem havia sido um dia tão legal. Se soubesse disso, não teria ajudado o amigo a ficar perto da garota naquele parque. Na verdade tentaria o oposto, ainda achava que Bo-mi tinha enganado a todos eles. Uma garota educadinha que devia ser podre pro dentro. Não entendeu o que ele disse sobre as famílias, mas esperou Won falar tudo que queria.

- Suas famílias? Mas como assim cara? Ela confirmou que te enganou ou ficou te enrolando? Ah foi mal... Não precisava falar se não quiser...

Jae já havia passado pela dor de perder um amor, se fosse antes disso, talvez não entendesse Won, mas agora sabia mesmo o que ele passava. Falava demais muitas vezes e sai sem querer as palavras, mas tentaria se conter. Porém foi o último comentário dele que o deixou surpreso, arregalou os olhos. Como assim se demitir?

- Won?! Tem certeza? Isso já te fez muito mal, não pode deixar que façam você perder o café também... Você deu seu sangue para conquistar isso, cara... Tava com o braço quebrado e persistiu! Vai largar agora? Não faz isso cara... Não abre mão do que conseguiu!

Olhou para Kang, não era muito bom no que falar, sabia que o amigo disse pra não irem falar com Bo-mi, mas era o que Jae-ki mais queria agora, pensaria melhor nisso depois.

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- Pô cara, eu vou tá do seu lado seja o que você decidir... Só tô falando o que eu acho, mas você que sabe. Eu já passei por essa dor... Doí mesmo, antes eu nem imaginava como era, agora eu sei... Por isso te entendo de verdade e eu sei que vai demorar a passar... Mas sei la, tenta focar no seu maior sonho...

Jae-ki começou a ser sincero de um jeito que nem esperava, mas tentava ajudar o amigo pelo menos da forma que ele sabia:

- Tinha vezes que eu odiava acordar pra ir para Wangjo, mas eu lembro da Soo-ji e ganho força.... Você também tem seus focos cara, seus sonhos, sei lá... Agarra neles para vencer essa barra...  




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Jae-ki
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Capítulo 5 - Página 17 Grey-wallpaper-miscellaneous_dark_loneliness_grey
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