Elysium Fields

O Elysium Fields foi fundado em Fevereiro de 2018, com o intuito de ser um jogo entre amigos, mas cresceu para se tornar não um único jogo RPG, mas vários. Desta forma, pode encontrar um jogo para jogar, ou narrar o seu próprio jogo, com as suas regras. A maioria dos nossos jogos são guiados por um narrador, que começa a história, desenvolve, e dá um fim à mesma. Os jogadores são os seus personagens principais.
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A skin foi totalmente criada pela Ross (Ji Yeon), para uso exclusivo no Elysium Fields. A designer agradece à Persephone (Hae Shin) e à Luxi (Joo Ri) pela paciência para a aturar, a Flerex pelos códigos de cores e campos de perfil que tornaram tudo mais fácil e a FontAwesome pelos ícones. Os gráficos para imagens foram obtidas do Google e editadas pela Ross. As tramas são criações originais e de responsabilidade de seus respectivos narradores. O blog Dorama Resenhas é nosso parceiro-irmão e todo seu conteúdo é feito por suas escritoras através de uma pesquisa séria de fontes confiáveis, além da exposição de opiniões próprias. Plágio é crime. Não copie dos nossos conteúdos originais. Se for tomar inspiração, por favor mencione.
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Capítulo 5

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Relembrando a primeira mensagem :

CAPÍTULO 5
O clima no escritório não era dos melhores. Havia um incômodo silêncio pairando pelo ar enquanto o chá, outrora ofegante, apenas fazia enfeite naquele belíssimo molde de porcelana. Os longos dedos masculinos mexiam as folhas impressas há pouco tempo. Na mesa de madeira nobre, havia uma quantidade grande de pastas e mais pastas com o símbolo do WangJo. Pastas de todas as matérias e clubes, com os balanços do último bimestre. Não eram apenas notas, mas também relatórios sobre rendimento dos alunos - presença, comportamento em sala, vezes que foram colocados para fora, entrega de trabalhos, dedicação, participação.

Ao todo, o colégio tinha 280 alunos. A grande maioria estava no prédio do ensino fundamental, com 130 alunos, onde havia mais séries e mais turmas também. Em seguida vinha o ensino médio com 80 e apenas uma turma para cada ano; e o especializado com 70. Era um número pequeno de estudantes, considerando o tamanho do lugar. Porém, quando se pensava que ali estudavam os herdeiros da Elite da Coréia do Sul, o número ganhava uma nova conotação.

Mesmo assim, aquele volume possibilitava um cuidado maior com as estatísticas e relatórios por parte dos professores.

Relatórios que agora Tae Song revisava após a maratona de Conselhos de Classe.

O Corpo Docente estava se reunindo desde terça feira para discutir o bimestre dos três prédios. As provas ocorreram na semana passada e na segunda feira, as notas tinham surgido, mas não foram reveladas aos alunos. Eles precisavam passar pela angustiante espera pelo ranking das salas e do prédio.

Pela cara que Tae Song fazia, os resultados tinham sido bem preocupantes.

Diante dele, Ji Sung, também conhecida como Srta. Yang, diretora assistente; e Sunwoo Eun Sook, a Pedagoga, esperavam pelo parecer do diretor. As duas foram requisitadas para que ficassem mais do que o horário. A última reunião do Conselho de Classe tinha sido com os alunos do ensino médio.

Se antes ele já estava preocupado com os alunos do ensino fundamental, esta última reunião o deixou ainda mais aflito.

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- O que eu não estou enxergando? - Perguntou, de repente, olhando para aquela quantidade de folhas com nomes e notas.

- Perdão? - A pedagoga o encarou com certo receio.

Tae Song abaixou a papelada e encarou as duas mulheres diante de si. Ambas eram bastante polidas e sempre carregavam aquela expressão que misturava serenidade, justiça e firmeza. Talvez Yang tivesse uma cara ainda mais fechada que Sunwoo, pois ela tinha naturalmente um olhar mais doce. Ainda assim, eram mulheres firmes e de extrema confiança de Tae Song.

- Alguma coisa não está chegando até o nosso conhecimento para justificar certos dados.

- Com o perdão da palavra e da postura, Sr. Wang, a verdade é que isso era o esperado.  - Yang disse de modo firme.

Sunwoo arregalou um pouco os olhos e Tae Song ajeitou-se em sua cadeira.

- Disserte.

- Sua agenda de compromissos esteve cheia demais para dar a atenção necessária a esses alunos. Não quero soar arrogante, tampouco agressiva, senhor, mas essa novidade que o senhor trouxe para o colégio precisava de maior atenção. Precisava de maior planejamento. Passar numa prova, por mais difícil que ela seja, não significa que o resto do caminho será fácil.

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Tae Song passava a mão no queixo enquanto ouvia a mulher.

- Estive convivendo mais tempo com esses alunos do que o senhor e os observei. Os alunos novos, no caso, os bolsistas têm uma realidade completamente diferente de nossos herdeiros. A maioria trabalha depois do colégio. Com uma carga horária puxada como a nossa, somente sendo um gênio ou não dormindo, os resultados seriam melhores. Mesmo assim, ainda vejo com otimismo certas pontuações. Quer dizer que apesar de tudo, eles ainda conseguiram posições melhores do que muitos outros.

Um instante de silêncio.

- Eu entendo o que quer dizer. - Sunwoo disse. - Mas não podemos diminuir o grau de dificuldade do colégio, tampouco toda nossa ementa…

- Não, não podemos. - Yang concordou. - Mas isso o que eu disse, não é tudo.

- Claro que não é…- Tae Song disse. - Não são apenas os bolsistas que estão me preocupando. Esse número de faltas dessa aluna...E a queda desta outra...Fora esses outros balanços. O que está acontecendo?

- Com os meninos fica realmente mais nítido porque o número de advertências subiu  200%, principalmente entre os meninos do 2º ano. Tem um grupo que persegue um dos bolsistas mais...ahm...Não sei encontrar a palavra. - Yang cerrou os olhos. - De todo modo, os meninos deixam seus problemas mais evidentes. Já as meninas…

- Sim. Vejo muitos problemas silenciosos e pouca solução.

- Vejo soluções que só precisam de um pequeno incentivo. - Yang continuou e procurou por uma das pastas. - Aqui. Achei interessante o que a Srta. Chu Eun Young de informática nos trouxe. Como sabem, todo ano os alunos de informática têm um projeto de melhoria. Dessa vez um dos alunos trouxe algo...que vem a calhar com coisas que estão acontecendo.

- Eu ouvi, também achei interessante. - Tae Song meneou positivamente. - É uma das soluções que estou pensando também. Mas antes disso, acho que seria interessante conversar com o grupo que criou isso. Algo discreto… - Olhou para Yang. - Para semana que vem, durante o horário do clube de informática.

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- Certo. Enviarei o e-mail para eles amanhã.

- Do que estão falando? A ideia anti-bullying? - Sunwoo indagou. - Vocês acham que as meninas estão praticando isso?

- É uma certeza que não tem provas ainda. - Yang disse. - Mas essa queda de rendimento não é mera coincidência…

- Também preciso mudar os pontos cegos das câmeras de segurança. Srta Yang, acha que consegue agendar a visita dos técnicas para este fim de semana ou o próximo?

- Acredito que não haverá problemas, Senhor.

- Faça isso, então, por favor. - Já eram duas pequenas possibilidades de soluções.

- Isso será bom para o ensino fundamental também. Tem sido surpreendente o número de situações que andam chegando até minhas mãos. - Sunwoo era pedagoga e diretora assistente do ensino fundamental. - E com isto, digo que precisamos de outra decisão…

- Por favor, nos dê sua opinião. - Tae Song disse.

- Sei que tivemos problemas com os dois últimos profissionais que passaram por aqui. Mas diante de tantas certezas e incertezas sobre nossos alunos, este colégio precisa de um novo psicólogo.

Tae Song fechou os olhos por um instante, retirando os óculos de leitura e massageando a têmpora.

- Sei que não concorda com o método de alguns, mas essas crianças precisam, Diretor. Todas elas. Os bolsistas podem ter problemas com a nova realidade que eles estão lidando, mas não é fácil ser um herdeiro. Eles também sofrem muita pressão e se a família é contra uma terapia, pelo menos aqui no colégio, eles teriam ajuda. Porque quem pratica bullying também precisa de acompanhamento.

- Eu concordo completamente. - Yang cruzou os braços. - Também poderia nos ajudar a compreender o que aconteceu com alguns nomes. Dessa vez seremos mais cautelosos com o profissional, diretor.

- De, de… - Suspirou. - Eu sei. Comunicarei à empresa para que comece a anunciar vagas…

Sunwoo ficou aliviada por Tae Song ser tão receptivo com a ideia. Até mesmo Yang deu um pequeno sorriso no canto dos lábios, satisfeita com a decisão dele.

- Tenho certeza que essas pequenas mudanças trarão resultados positivos para o próximo bimestre.

- Que assim seja. Torço pelos meus alunos…

- Certamente que sim.

Tae Song deu um pequeno sorriso e voltou o olhar na direção das pastas. As fotos 3x4 de Oh Yerin, Go Eun Na, Bing Min Ho, Seok Ryu Ji e Dang Beom Su se destacavam por serem as fichas que ele vinha analisando.

Não era apenas uma questão de bolsistas.


DOIS MESES DEPOIS






Dois meses se passaram desde que os portões foram abertos para mais um novo ano letivo. Aqueles dias de Abril pareciam uma memória antiga, como se tivessem acontecido muitos anos atrás. Isso porque em dois meses, a vida daqueles sete jovens tinha recebido uma grande carga de mudanças - todo tipo de mudança.

Namoros falsos que muito pareciam verdadeiros.

Términos de não-namoros que tinha tudo para ser namoro.

Planos do futuro que pareciam cada vez mais distante.

Escolhas difíceis entre familiares e amigo.

A impossibilidade de ajudar amigos com a alma quebrada.

Uma mente que ainda muito oscilava e levava a consequências jamais pensadas antes.

A paz que fora roubada e a ausência de sono para relaxar a mente.

Cada um teve sua quota de problemas para resolver. E, obviamente, não foram coisas que aqueles sete jovens conseguiram colocar um ponto final em dois meses. Até porque o colégio ainda cobrava muito deles. Havia muito o que estudar, muito o que ler, clubes com várias exigências, muitos trabalhos - sem contar o emprego que outros três ali tinham.

Como se não bastasse isso, ainda havia toda uma preocupação fora de colégio. Ao mesmo tempo em que Maio parecia não ter fim, ele correu rápido demais. De repente eles estavam diante da semana de provas e tinham que passar por uma maratona de uma semana. Os clubes fizeram falta, de certo modo - ficariam duas semanas sem as atividades por conta das provas e dos conselhos de classe.

Se não havia clube, em compensação, havia a biblioteca. O lugar ficou lotado durante aquele período e, curiosamente, extremamente silencioso. Aqueles que quisessem estudar em grupo, tinham que pedir chave para um dos “cubos” que preservava a acústica para que as vozes não vazassem dali e atrapalhasse os outros. Até seis alunos eram permitido para cada cubo.

Todo esforço era válido e necessário naquele momento.





Para Hee Kyung, o tempo passado trouxe muito o que pensar. Agora que ele desenvolvia seu lado sociável com mais vigor, ele estava expandindo suas amizades. Além de Joo Hyuk e Sun Hee, o menino também podia dizer que tinha feito amizade com Lee Ha Yi, Wang Hye Won e Park Chaeyoung. As três “noonas” do segundo ano eram amigas de Sun Hee e Stella e a aproximação foi natural.

Contudo, Hee Kyung não pararia por aí - para a imensa infelicidade de Min Ho e nervosismo de Ui Jin, visto que muitas garotas se aproximavam deles. Ha Neul tinha conseguido convencer Sona a se aproximar do grupo. Logo Hee Kyung perceberia que a menina andava sozinha por pura opção, porque era uma garota que sabia conversar muito bem quando queria, além de ser uma excelente observadora.

No Clube de Xadrez, Dong também conheceu Ah Sejeong, uma das meninas novas e bolsistas. Sejeong não era pobre, mas vinha de uma família que sempre teve que batalhar muito para ter as coisas. Por isso ela era competitiva, mandona e esquentadinha. Tinha passado em 2º lugar na prova, ficando atrás de Song Jae Ki, mas vinha encontrando dificuldades no ritmo de WangJo. Era era amiga de Hyo Shin e Nayeon. Nayeon era a menina que Min Ho havia citado como a mais invisivel de todas e ela era, de fato, um bichinho do mato.

Excelente pianista - a melhor daquele colégio e com bolsa garantida para estudar fora - a menina não sabia se socializar muito bem. Já Hyo Shin era mais um nerd quietinho. Só que diferente de Hee Kyung e seus amigos, ele era um herdeiro nível 3, por isso nunca se misturou muito. Ele mesmo acabou acreditando naquele distanciamento entre níveis.

Outra pessoa que se mostrou um amigo divertido e leal foi Kang Woo Jin. O bolsista era uma pessoa muito bacana, porém, com sua própria dose de misterios. Nas últimas semanas ele andava um pouco disperso e mais cansado do que o normal. Quando Dong deu o computador para ele, Kang não soube onde enfiar a cara. De inicio, recusou e disse que não queria a amizade de Hee Kyung só pelo computador. Isso apenas alimentou a vontade do herdeiro de ajudá-lo e, depois de conhecer o irmão mais novo dele, o computador simplesmente parou na casa dele.

Kang ficou um pouco bravo, por vergonha, mas a verdade é que está muito feliz com o presente - que usou para ajudar nas pesquisas para seu amigo Won Bin. E agora Dong tem um amigo fiel para todo o sempre.

Assim como Kang, Won Bin também foi outro bolsista que se tornou “amigo” de Dong. O garoto era bastante tímido e eles ainda não tinham conseguido conversar - não tinham nenhum horário em comum e a vida de Won estava uma bagunça. Porém, havia certa simpatia e empatia entre os dois. Won tinha a mesma aura de good guy que Hee Kyung.

Já Jae Ki era mais arisco. Não dava para dizer que eram amigos, tampouco inimigos. Jae só era ciumento demais com seu território, mas não amolava mais tanto seus amigos.

Mesmo diante de tanta melhora no social, Hee Kyung ainda teve tempo para seus amigos antigos. Os encontros de domingo se mantinham - fosse para estudar ou jogar. Contudo, Min Ho começou a ir menos. Num primeiro momento, podiam achar que era por conta do ódio dele às pessoas, mas não era isso. Ele geralmente dizia que não podia ir porque não foi permitido. Como ele era uma pessoa bem literal, isso queria dizer que os pais não estavam deixando mesmo.

A questão era: por que?

Ele não respondia durante as aulas, sempre mudando de assunto.

Outro relacionamento que foi um pouco mais aprofundado era Stella. A Srta Jun continuava ensinando inglês aos sábados, mas havia algo mais também. Os dois pareciam mais próximos e estavam jogando juntos também. Acabava que tinham assunto para tudo: fosse filme, jogo, lançamentos, livros, escola, amigos em comum. Ele sentiria que poderia passar horas e horas falando com ela que ainda teriam assunto.

O que isso significava, contudo, ainda era um pequeno mistério para o brilhante garoto. Afinal, sentimentos não eram exatos como uma fórmula. Eram muito mais complexos.

Até porque seus sentimentos também envolviam a prima. Hayoung estava se distanciando mais. Talvez tenha sido a única pessoa que tenha se afastado dele. Cada vez mais envolvida com o grupo de Yerin - chegando até a viajar para o exterior um pouco antes das provas - a menina não concordava com as novas amizades do primo. Assim como ele não parecia aprovar a delas.

Isso influenciava um pouco na forma como eles agiam nos encontros familiares. Os tios não estavam provocando Dong como costumavam. Eles pareciam mais...quietos. E Hayoung falava pouco com ele. Algo definitivamente estava fora do tom. Pelo menos ele tinha os pais e o avô. O avô também estava ensinando o neto a jogar Go e parecia muito empolgado com os clubes dele, principalmente xadrez.

O foco de Dong, contudo, era Informática. Ainda mais agora com o projeto que seria levado ao diretor durante o Conselho de Classe. De certo modo, ele achava que o projeto era uma das últimas alternativas para mudar sua prima e ter a paz que ele tanto buscava.

As últimas duas semanas tinham sido uma insanidade. Ele ficou estudando em todos os momentos livres e sentia que parte do cérebro foi deixado na prova. Agora só restava esperar pelo resultado de seus esforços...





Quem olhasse para Hyemin podia jurar que ela tinha a vida perfeita. Suas postagens nas redes sociais sempre indicavam que ela estava nos melhores restaurantes ou fazendo as compras mais extravagantes ou ainda tendo os melhores momentos que uma adolescente poderia querer.

Invejável, alguns diriam.

A realidade, contudo, era bem diferente do que aparecia.

Houve muita coisa boa naquele período. A viagem para NY foi o ponto alto. Mesmo sendo um pouco perto do período de provas, Hyemin e seus amigos Beom Su, Yerin e Hayoung se divertiram como nunca. Ficaram quatro dias lá - de sexta a segunda - e cada instante valeu a pena. Foi um pouco corrido, mas ela podia voltar lá no final de semana seguinte, se quisesse.

Fato era que o show da Selena Gomez foi a coisa mais incrível que ela já tinha visto na vida. Até mesmo Yerin se divertiu no show. O grupo participou de um meet & greet especial com a cantora que foi muito receptiva e amorosa com a fã chorona. Passou mensagens de amor e que ela acreditasse sempre em seus sonhos.

Além disso, eles também fizeram muitas compras...a ponto de Hyemin se perder. Foi o único momento tenso da viagem, mas Hayoung foi o anjo que a encontrou. O grupo não comentou nada sobre o ocorrido, mas era óbvio que guardaram o que tinha acontecido.

Yerin estava começando a ficar um pouco mais sensível com essas coisas. Não era a primeira fraqueza/segredo de amiga que ela estava cuidando…

Quando Hyemin voltou para a Coreia, no entanto, teve que lidar com a realidade. Os sonhos ficaram em NY porque algumas coisas transformaram Maio num mês nebuloso. Seu pai tentou cumprir a promessa de ficarem juntos aos domingos, mas era justamente o único dia que ela via o pai. Havia muito trabalho para ele administrar e tinha dia que nem em casa dormia. Porém, aos domingos, ele passava cerca de doze horas - contadas - com a filha.

A tia também não estava dócil. Infeliz com o casamento, ela tinha se distanciado um pouco da casa Seo. Ficou vários dias em SPA ou viajando. Não vinha dando toda atenção e amor para a querida sobrinha. Mas Hyemin era uma menina dócil que conseguia compreender…

Não é?

Bom, pelo menos ela tinha as amigas. No caso, amigos porque Beom Su entrou de vez para o grupo. Eles se reuniam na casa de Hyemin e faziam sessão de cinema, festa do pijama e várias atividades do gênero. Nana foi algumas vezes, mas não todas.

A amiga tinha mudado muito. Deixou de usar aquelas roupas super femininas, preferindo tons escuros e roupas largas. Isso começava a esconder a perda de peso que ela vinha tendo. Entre outras coisas. Ao longo daquele período, as meninas tiveram que lidar com um surto dela.

Numa das festas de pijama enquanto viam um especial da MNET, o cantor Taemin fez um mashup de suas músicas logo depois de um comeback. Dentre as músicas, uma delas foi Move. Até chegar nessa musica, o grupo dançou, se divertiu, mas assim que Nana ouviu MOVE, ela travou. Ninguém entendeu nada ou porquê dela se tremer tanto, mas ela começou a se bater, chegando até mesmo a quebrar um dos vasos da casa de Hyemin.

Yerin se trancou no banheiro com ela, mas os gritos ecoaram pela casa e na mente de Hyemin por um bom tempo.

Felizmente, Yewon não tinha ido a essa festa de pijama e foi mais um segredo que Beom Su, Hayoung, Hyemin e Yerin compartilharam.

Toda essa situação não foi o suficiente para travar a impiedade de Yerin no colégio. Como era uma garota de palavra, segunda-feira realmente virou o dia de perseguir Sunny e/ou suas amigas. Elas aprontavam muito, vários tipos de travessuras e pequenas humilhações que Sunny, Stella e Lee Hi recebiam caladas. Fosse por orgulho ou medo, o que acontecia ali, ficava ali. A última travessura, inclusive, foi “sequestrar” as apostilas de Sunny sem que ela visse. No mesmo dia, as apostilas foram devolvidas, mas faltavam várias anotações importantes. Isso acabou prejudicando o rendimento dela nas provas.

Outro problema da escola era Kim. Depois daquela desastrosa conversa/briga que tiveram, ele não a procurou mais para tirar satisfações de nada. Havia aquele abismo entre os dois, mas até mesmo ele admitia que era muito difícil ignorá-la sempre. Vez ou outra se esbarravam de modo constrangedor - virando uma esquina, entrando na sala, enfim - mas eles não se falavam mais.

Pelo menos havia uma amizade antiga que estava mantida. Por mais irritado que Jung Mi tenha ficado com toda aquela situação criada pelo imaginario de Hyemin, ele não a tratou diferente - só porque conseguiu contornar a situação também. Continuava sendo amigo dela, mesmo que não concordasse com as práticas dela e suas amigas.

O namoro dele com Misoo também aproximou um pouco as duas. Por respeito à Yewon, elas não podiam dizer que eram amigas, mas elas se davam bem no clube de moda e tênis. Outra pessoa que também se mostrou um amorzinho foi Bomi. Sociável e amorzinho, ela sempre foi, mas agora ela parecia menos grudada em Misoo e mais dada a outros grupos.

Algo tinha acontecido…

Os clubes estavam maravilhosos, mas Culinária certamente era, de longe, o mais legal. A professora de Moda era um pouco irritante, às vezes. Extremamente esnobe e crítica, somente Sunyoung parecia fazer as coisas certas. Mas em Culinária, Hyemin era a estrelinha da turma, empatada com a capitã - as duas se complementavam e não brigavam entre si. O que era ótimo, porque de conflitos, já bastava os que ela já tinha que aturar.

Para as provas, Hyemin tinha estudado com seu grupinho. O rendimento não foi tão proveitoso assim porque eles se distraíam demais - até mesmo Yerin que andava um pouco mais avoada e cansada do que o normal. Hyemin podia ser boba, mas conhecia bem a amiga. Sabia que ela estava passando por problemas, mas ela se recusava a dizer o que era.

Yerin era, antes de tudo, a coluna daquele grupo. Se quebrasse ou demonstrasse fraqueza, todos desmoronariam.

No fim de semana após a prova, Hyemin almoçou com seu pai, os Han e os Wang. Miwoo esteve presente e, para sua completa surpresa, eles trocaram telefone!!! No próprio domingo, ele mandou uma mensagem combinando de jantarem na próxima sexta-feira.

Quem que se importa com o resultado das provas quando tem um encontro para programar? Por que era isso, né? Um encontro!!!

Beom Su se animou todo em ajudá-la. Hayoung também estava hypada. Yerin e Nana, contudo, estavam um pouco mais sérias. Nana cortou qualquer chance dela vestir vermelho ou decote. Implorou para que fosse o mais vestida possível e que não tentasse seguir seus últimos conselhos. Já Yerin tinha ranço mesmo e não se manifestava, apesar de querer a felicidade dela.

Agora apenas algumas horas a separavam de seu conto de fadas…





Assim como a “bipolaridade” que domava seu inconsciente, os meses também foram meio bosta e meio legais. Logo em meados de Abril, Hyun Hee foi surpreendido pelo “castigo” do Secretário Lee. Depois de conversar com o avô, Lee foi autorizado a treinar Hyun. O garoto que já foi faixa preta em TKD e estava há dois anos sem treinar nada, foi colocado à prova para revisitar seu passado.

Foi difícil e ele odiou, mas quando passou a ser mais honesto consigo mesmo, ele encontrou certo prazer nos treinos. Lee não pegava leve também, sendo um mestre bem exigente - talvez até batesse de verdade, só pra aliviar a alma. Fato era que depois de treinar, ele se sentia mais leve...Cansado, porém, em paz.

Era comum depois dos treinos, eles irem até o restaurante familiar que Hyun conhecera logo na primeira semana de aula. A comida era boa e o clima bastante amigável. Ele não fazia ideia que pertencia à tia de uma colega de turma.

O castigo também serviu para aproximá-lo de Lee. De certo modo, o “babá” tornou-se um amigo. Atualmente era mais frequente que eles conversassem sobre o passado de Lee - que foi surpreendentemente rebelde e tinha boas histórias para contar - e os papos sempre rendiam bons conselhos. Não seria exagero dizer que ele começava a ganhar características paternas. Idade para ser seu pai, ele tinha, mas os dois ainda sabiam que, no fim do dia, Lee era o empregado e Hyun o patrão.

Oxigenar o cérebro com luta também o ajudou a se concentrar mais nas coisas que aconteciam ao seu redor.

Aquela noite de sábado ainda era um mistério, mas a mudança de Go Eun Na era nítida. A garota não era mais a mesma e certamente tinha medo dele. Vivia evitando contato visual e sempre saía da frente quando ele passava. Quando ele buscava conversar com ela pelas redes sociais, ela respondia com um tom que podia ser considerado medo.

Os outros garotos de seu grupo não comentavam sobre aquela noite. Jong In também não, mas agora ele vivia sonhando com o dia que quebraria o pescoço de Yerin.

Aliás, Jong In continuava o cretino de sempre. Hyun soube que ele conseguiu concluir o desafio, mas agora levaria para algo mais dificil. Era um pouco chocante - para alguem que tivesse um pingo de moral - ouvir o tipo de coisa que ele fazia. A vítima, ele não sabia quem era, mas tinha suas suspeitas.

Pelo menos tinha certeza de que não era Chaeyoung. Se tivesse, ela certamente teria contado para ele - e Jong In seria um homem morto.

Os amigos dele também estavam perseguindo o garoto de cabelo colorido - agora o cabelo dele andava castanho, mas dava para ver que era pintado também. As brigas físicas ocorriam pelo menos uma vez por semana, mas muitas vezes mais fora do colégio. Taehyung e Ro Young odiavam mesmo o cara. E o garoto não abaixava a cabeça, sempre revidando mais.

Eles já tinham sido suspensos por conta das advertências, mas voltaram à tempo de fazerem as provas.

As meninas também continuavam agindo daquele jeito venenoso. Hyun não fazia ideia, mas Eun Joo, Jimin e Hyejeong sempre faziam algo com Chaeyoung. Não foram poucas as vezes que ela chegou com a mão machucada ou o joelho roxo/ralado no terraço. Ela dizia que tinha caído na escada - nunca empurrada. Era fácil de acreditar porque ela era mesmo atrapalhada, às vezes.

No terraço, eles passavam um tempo conversando ou no mais puro silêncio, ouvindo música. Também começaram a levar “marmitas” com comida que faziam para os dois. Às vezes Hyun, às vezes ela, em outras, meio a meio. Era uma amizade colorida e uma das coisas boas daquela nova vida.

Chaeyoung o aceitava do jeito que era e não seguia a linha de chata apaixonada. Deixava que fosse livre e também era. Mas eles pareciam se gostar. O aniversário dela tinha sido no último dia de Abril e ela esperava recuperar a joaninha. Mas até hoje ele não devolveu.

Sempre tinha uma desculpa.

Hyun era mais ligado com as pessoas fora de sua turma, mas até que falava com alguns do 1º ano. Tinha contato com Hyemin, Misoo e iniciou uma estranha e improvável amizade com Jaeki, por conta de mecânica.

Os clubes eram legais, ao seu modo. Ocupavam a mente e criavam vínculos novos. Era curioso como ele fez amizade com o bolsista, mas não conseguia trocar uma palavra com seu irmão. Jung Mi não falava nada com ele, nem se encaravam direito. Tanto que ele nem fazia ideia que o namoro era uma mentira.

Os eventos sociais também eram uma constante na vida de Hyun. Quase todo fim de semana tinha uma festinha nova, mas agora ele tomava mais cuidado - nenhuma chegou ao cúmulo daquela noite de sábado, também.

De muitas formas, Hyun era quase normal.

Mas ele sabia que era uma questão de tempo até o tic tac de sua bomba mental terminar…





Misoo não podia imaginar na reviravolta que sua vida teria depois que Jung Mi disse em alto e bom som que eram namorados. Aquela história que começou de modo muito amargo, teve um desfecho...interessante.

Não havia outra palavra.

O namoro podia ser de mentira, mas eles agiam como se fosse de verdade. Não havia toques, beijos ou afins. Mas eles sempre estavam presentes em vários momentos, de modo que pareciam namorar de verdade. No início foi muito incômodo para Misoo que nem fazia ideia de como conseguiria manter aquilo. Era uma péssima mentirosa.

Contudo, depois de um tempo, os pontos positivos começaram a surgir.

Começando por sua família. Quando a mãe soube que ela estava namorando um Park - ainda que fosse o mais novo - ela quase explodiu de alegria. Foi até um pouco constrangedor o modo como a mãe a olhou. Era como se visse alguém brilhante ou muito especial. Talvez tenha sido a primeira vez que a mãe a viu de verdade.

O quão irracional isso podia ser?

A mãe passou a tratá-la como uma filha de verdade. Elas conseguiam até mesmo conversar. Parecia que nunca houve agressão ou uma vida inteira de mágoas. Misoo chegava a receber até elogios sobre como tinha acordado bonita ou como seu penteado antes esquisito, parecia lindo. Até mesmo algumas vontades e mimos passaram a ser feitos. Um deles foi que a mãe passou a ser menos rígida com a questão de comida. Agora agia de modo saudável, não radical.

Inclusive houve uma noite onde elas viram um filme e dividiram sorvete do pote - um pote pequeno, mas ainda assim. Era o tipo de coisa que a menina nunca tinha experimentado antes com sua mãe. E agora era possível.

O relacionamento com a avó também estava ótimo. Ela ficava feliz por ver sua filha finalmente tratando a neta direito, mas se preocupava. Se aqueles dois terminassem, temia pelo que poderia acontecer com Misoo. A decepção seria grande demais.

Já o pai, ainda era um homem muito ocupado e ausente. Mas agora que a menina estava mais proxima da mãe, pôde vê-la chorando algumas vezes no banheiro de seu quarto. A mulher sempre disfarçava, mas o casamento não era perfeito como gostavam de transparecer…

Uma farsa, talvez.

A maior delas foi quando Jung Mi foi convidado para jantar na residência Yeun. O menino levou flores, charutos e um ursinho de pelúcia. Era a primeira vez que ia na casa dela e ainda ia com o título de namorado, precisava levar presentes aos anfitriões. A família dela agiu como se fosse um lar cheio de amor. O menino saiu até impressionado com tudo aquilo.

Quando ela desabafava com as amigas, ela recebia a compreensão de Mia, mas Bibi sempre falava de modo mais claro. Bibi achava que Misoo reclamava demais dos atos de Jung Mi. Estava recebendo vários mimos, qual era o mal disso? Em outras palavras, ela achava que Misoo deveria aproveitar mesmo. Isso tinha prazo para acabar e quando acabasse, ela podia se arrepender.

Esse tipo de história não chegava até Bomi. Apesar de terem resolvido as pendências, as duas tinham se afastado um pouco - assim como Gyu, que mesmo que fosse “amigo” de Jung Mi, pouco falava com Misoo. Bomi estava mais falante com outros grupos e até mesmo com unnies do 2º ano.

Mia sentia inveja. Nem ela conseguia conversar com aquelas meninas e Bomi era convidada para as coisas, como se fosse amiga há anos. Eun Bi achava esquisito também, mas já não estava ligando muito para isso.

Gostava de Bomi, mas se ela não queria compartilhar todos os momentos com elas, paciência. Cada uma tinha sua vida mesmo.

Além desse pequeno problema, Misoo também tinha que lidar com as provocações de Yewon. Para o azar da rival, o nome de Jung Mi tinha poder sim. Eun Joo tinha “adotado” a garota como sua irmãzinha e também a protegia. Isso enfraquecia um pouco Yewon, mas Misoo podia ter a certeza de que ela não desistiria de transformar sua vida num inferno. Outra unnie que também a tratava bem, mas com reservas era Sunyoung. Depois dela ter dito que não namorava, mas aparecer namorando, ela entendeu que deveria desconfiar do que Misoo dissesse.

Nos clubes, tudo seguia bem. Quer dizer, dança e tênis estavam bem - ela até ficou um pouco mais animada por ter voltado a comer melhor - mas moda ainda era um martírio. Para completar, a professora de moda odiava a mãe dela e descontava suas frutrações em Misoo.

Era o pior dia e, para completar, era uma aula que durava a tarde toda.

Pelo menos ficaria duas semanas sem essa praga, graças à semana de provas e o conselho de classe - não que provas a deixassem mais calma, mas ainda assim...era melhor do que ter aquela droga de aula.

Os estudos foram bons. Jung Mi a ajudou e Eun Bi compartilhou as dicas que pegou com Jae Ki. Os dois pareciam caminhar para algo próximo de relacionamento, mas não tinha oficializado nada. Na verdade, alguns dias antes das provas, eles tinham brigado e nem estavam se olhando direito.

Um dos mistérios da humanidade certamente era esse: como eles se aturavam? Não era muito cansativo ter um relacionamento assim?

Pelo menos o dela era de mentira…





Jae Ki estava, definitivamente, no seu limite. Depois de uma primeira semana muito difícil, ele colocou em mente que precisava se controlar. Isso acabava sendo mais desgastante do que explodir. Guardar tanto desaforo e perseguição acabaria adoecendo o garoto. O único momento que ele conseguia colocar a raiva para fora era quando se encontrava com sua gangue.

O grupo estava se metendo em muito mais briga do que o normal. Agora que estavam aliados dos NEW0 e faziam “intercâmbio” de membros, eles estavam mais dados a atos de vandalismo, brigas e até mesmo furto. Jae Ki não sujava as mãos, mas ele esteve presente em vários furtos de Dan. Os meninos eram legais, gente boa, mas moralmente errados.

Atualmente, Dan e Kai estavam no intercâmbio e faziam parte do grupo de Ji Hoo. Justamente por Kai ser bom de briga e Dan um sonso mão leve. Por enquanto, ninguém tinha saído para ir para lá, simplesmente liberaram os dois. Dessa forma, Jae Ki descobriu que Kai era o irmão mais novo de May e Jazz - os líderes. Dan era um órfão que nem estudava e vivia fugindo do conselho tutelar. Ele era muito inteligente, mas já podia ser considerado um perdido.

Enfim, Ji Hoo ainda não cobrou seu favor por conta do segredo de Jae Ki com WangJo. Mas o menino podia sentir que estava perto de acontecer. Só não tinha sido assim ainda porque estavam todos muito tensos.

No colégio, a tensão não era diferente. Fosse por Eun Bi, pelos amigos ou por si mesmo, Jae sempre se sentia provocado. Por varias vezes se meteu para ajudar Kai nas brigas - sempre tentando separar e, por isso mesmo, nunca recebeu advertência por isso. Com Eun Bi, o problema era na aula de dança. Ela continuava sendo a parceira oficial de Taemin e isso o incomodava bastante. Ainda tinha o clube de natação que ela e Taemin também faziam parte.

Era de enlouquecer a mente de qualquer ciumento como ele.

Contudo, Eun Bi sempre dizia que não tinha nada demais, que estava tudo bem. O difícil era ele aceitar isso e ficar de boa.

Os Dragões continuavam bem unidos e tentavam entender os dilemas adolescentes, bem como o porquê do ódio aos Yoon. Não encontraram nada que fosse considerado desprezível, muito pelo contrário. Cada vez parecia mais que o pai de Won não tinha motivo para odiá-los.

Sunny continuou sendo um assunto velado. Ele protegia a menina de longe e por isso não fazia ideia das coisas que Yerin vinha fazendo com ela. Por outro lado, a megera estava de olho em Jae Ki. Ela soube da ameaça que ele fez com Hyemin e foi bem clara quando o pegou no corredor. Disse que se ele ousasse tocar nela de novo, ela falaria com a polícia. Não seria uma advertência, nem suspensão, seria a polícia.

O que ela quis dizer com isso, ficava à critério da mente de Jae. Mas era certo de que ele entrou na lista negra dela, muito embora ela não o perseguisse. Era só não se meter no caminho de Hyemin de novo - foi uma colher de chá por conta da vez que ele a ajudou, nas escadas.

O pior era que ele sempre via Yerin no clube de artes. Ela era muito boa, mas as pinturas dela pareciam muito tristes. Para os mais sensíveis, olhar para a tela dela era o mesmo que sentir uma dor no peito e vontade de chorar. Isso não mudava quem ela era, mas enfim, era algo diferente.

Em casa, as coisas continuavam iguais. A halmoni estava mais aborrecida por conta das brigas que Jae Ki estava se metendo, mas gostou de conhecer Kang e Won. Achava que, talvez, ele ainda tivesse esperanças. Gostou principalmente de Won que parecia um menino bondoso. Pediu aos meninos que tivessem paciência com Jae Ki. Soo Ji também adorou os “principes” e conheceu o irmão de Kang.

As duas crianças se deram super bem, mas nem pensavam em casais ou coisa do tipo. O irmão de Kang era troll demais para paquerar, ele queria jogar, ser pro-player. Tinha tempo para meninas não.

Quando as provas se aproximaram, ele e Eun Bi foram estudar juntos. O clube de dança só não estava pior porque ela o ajudou bastante. Em troca, ele a ajudaria com os estudos. Tudo estava indo muito bem, eles pareciam ter até um tipo de clima ou coisa assim.

Mas...no fim de semana que antecedeu as provas, quando tudo parecia encaminhado para uma confissão, eles tiveram uma briga feia. Eun Bi estava irritada por ele trazer Taemin para a conversa de novo e falou que gostava sim de dançar com ele. Inclusive disse que o garoto tinha pedido desculpas a ela e por isso não via motivos para pararem de dançar. A briga foi piorando e eles estão há duas semanas, eles nãos e falam direito. Muito mal se olham.

Os amigos já começaram apostas para ver até quando, mas eles parecem resolutos nisso.

Isso tirou um pouco a concentração dele nas provas e a espera para os resultados tem sido uma verdadeira tortura.





Sunny vinha experimentando um dos piores tipos de dor: decepção. Depois que Jung Mi apareceu no café, naquela fatídica segunda-feira para contar a verdade sobre seu relacionamento com Misoo, a garota tinha alimentado esperanças para os próximos dias. Porém, diferente de tudo o que ele tinha dito, os dois realmente estavam parecendo um casal.

E ele parecia gostar dela.

Ninguém era capaz de mentir tão bem e isso a fazia concluir de que a grande idiota daquela história tinha sido ela. Não conseguia compreender o nível de sadismo dele para fazer isso com ela.

Além de ser muito irônico que alguém como ela, apaixonada por livros e romances, se visse numa história tão triste assim. O que será que ela tinha feito nas vidas passadas para merecer um destino assim? Não bastava todo seu histórico, até o fim da vida, só encontraria sofrimentos?

Não, não podia ser injusta.

Tinha conhecido amigos maravilhosos, tinha uma família incrível. Nem tudo eram trevas em sua vida. Havia muita luz. Ela era uma criatura solar, precisava acreditar nisso…

O problema era que sua mente não estava ajudando com isso. Vinha sofrendo com insônias e insanidade que refletiam um pouco em seu humor e no pique para encarar o dia. Estava constantemente cansada e levemente desatenta. Sua nuca doía muito e ela não sabia como conseguia concluir os dias. Em alguns momentos, pareciam durar uma eternidade enquanto noutros passava com o piscar de olhos.

Diante de tantos trabalhos, treinos musicais, composições de literatura, grêmio, dever de casa, parecia improvável que a cabeça encontrasse um pouco de alívio. Felizmente, Sunny tinha amigos e foi isso que salvou, ainda que minimamente.

Neste período, Sunny conheceu a casa de Chaeyoung - um singela e tradicional mansão, visto que ela era filha do maior banqueiro da Coreia do Sul - bem como a família de Stella, que morava num bairro de diplomatas. A mãe dela era muito divertida e estava gravidíssima. O bebê estava previsto para o fim de Junho/início de Julho. Contagem regressiva! Hee Kyung também estava mais próximo dela, principalmente depois da visita no café. Isso sem contar, é claro, com a constante presença de Kim em sua vida.

Apesar de música ser uma tortura por conta da presença de Jung Mi, também era um alento porque eles ficavam em espaços diferentes. Chae estava lá com ela e Sunny também conheceu ou se aproximou de outras pessoas - Won, Kang, Bomi e Gyu faziam parte desse clube também. Literatura também trazia grande conforto porque era uma aula gostosa, apesar do volume de tarefas a cumprir.

Outro problema do colégio era a perseguição de Yerin. Ela realmente cumpriu sua promessa de transformar as segundas-feiras num pequeno inferno. Ou atingia Sunny ou as amigas dela - Stella e Lee Hi. A última que aprontaram foi antes das provas. Qual foi a surpresa de Sunny ao abrir as apostilas e encontrar várias folhas faltando?? Por sorte, ela estudava um pouco por dia, mas mesmo assim, seria impossível revisar. Stella até tentou ajudar, mas não era a mesma coisa.

Eram anotações pessoais demais, esquemas que só ela entendia. E agora...perdidos. Justo quando ela achava que as meninas não podiam aprontar mais, elas conseguiam surpreendê-la. Era incrível.

Por falar em Lee Hi, ela estava definitivamente estranha. Durante o mês de Maio, ela chegou atrasada ou saiu mais cedo várias vezes, com as justificativas mais tolas do mundo. Andava muito mais avoada e não largava o celular. Quando era indagada, ela não explicava o que estava acontecendo. Pelo contrário, ficava até um pouco aborrecida por ter sua "privacidade invadida".

Pelo menos a família dela não teve muitas mudanças. Tudo seguia como sempre, com exceção das reclamações de Jun Pyo acerca de um cliente que começou a virar rotina e que estressava um pouco a tia Yumi. Ele estava com ciúmes e deixando o pai da família meio desconfiado.

A ausência das anotações dela a abalaram um pouco para as provas, mas ela seguia otimista. A maioria das respostas, ela já sabia e saiu com o sentimentos de que não tinha sido tão ruim assim.





Se alguém virasse para Won Bin no início daquele ano e contasse algumas coisas sobre seus meses futuros, ele certamente daria uma boa risada na cara da pessoa. Apenas num mundo paralelo, ele estaria fazendo teatro e música; estaria trabalhando; não falaria com seu pai como antes; tivesse parado de treinar TKD; e estaria, provavelmente, gostando de uma menina rica.

Mas essa era a mais pura verdade.

Won Bin foi uma das pessoas que mais mudanças teve no decorrer desse período. Seu objetivo ao entrar nos clubes de música e teatro era sair da zona de conforto e isso estava adiantando. Apesar de ainda ser muito tímido, ele conseguia se afastar dessa característica quando era necessário - principalmente no trabalho e em apresentações em grupo no colégio. O teatro ajudava nisso. As aulas de canto, idem. Ele era um “minor”, mas o professor dizia que sua voz tinha potencial. Se ele continuasse treinando, provavelmente seria um dos chamados para cantar no “Concerto WangJo”.

O colégio tinha alguns contras, mas até o momento o saldo tinha sido positivo para ele. Era muito difícil, tinha todo aquele clima de brigas - ele não via o que acontecia com as meninas, só o que Ye Ji, às vezes contava que passava. Seu discurso sempre era triste e cheio de vitimização. Porém, Won viu as vezes que Kai apanhou e bateu nos meninos, chegando a ajudar a separar também.

Era um pouco difícil viver nessa tensão, mas a verdade era que a vida dele estava uma somatória de tensões.

O trabalho também não ficava muito atrás. Sua chefe já tinha deixado claro que gostava dele, mas sempre havia a sombra de que a Sra Yoon surgiria ali para infernizá-lo. A mulher não tinha ficado mais sociável, pelo contrário. Ela fazia questão de ser uma grande pedra no sapato. Às vezes, Bomi era obrigada a ir com ela, mas arrumava desculpas para esperar do lado de fora ou coisa do tipo.  Bomi geralmente aparecia quando os pais não estavam em casa e foi assim que ela entregou alguns resumos para estudarem juntos também.

O sentimento deles estava evoluindo, mas eles ainda tinham alguns bloqueios e barreiras. Principalmente Gyu Sik que não estava muito feliz de ver a irmã de papinho com ele. O garoto tinha um pouco de bronca de Won desde a história de que ele era o herói de Misoo, mas agora era ciúmes de irmão mesmo. Por isso eles não conseguiram almoçar juntos como tinham combinado. Se não era o clube de Radio, era o irmão dela que impedia.

Suas outras amizades estavam seguindo um rumo bom. Os Dragões estavam mais unidos e se solidarizando mais. As pesquisas sobre os Yoon renderam informações que só enalteciam aquela familia. Aparentemente, o pai de Bomi tinha uma carreira ilibada, era popular por conta das causas que defendeu e extremamente honrado. A mãe dela vinha de uma família do ramo imobiliário e era uma socialite. Também havia muita informação - das mais relevantes às mais futeis - sobre o tio famoso dela. Atualmente vinham falando muito do casamento com a herdeira de uma famosa emissora.

Ficava cada vez mais difícil entender o porquê do ódio de seu pai por eles. Tinha que ter um motivo, mas Won não encontrava nem ao menos uma pisca.

Será que seu pai era “pior” do que ele imaginava? Sim, porque as recentes atitudes dele foram uma verdadeira revelação. Será que ele se decepcionaria ainda mais com ele? Dificil saber…

Uma coisa era certa: seu pai era um homem de palavra. Afinal, estava cumprindo a promessa que fizera. Won já tinha se livrado do gesso, mas não pôde voltar a treinar. Ainda tinha o contato do Mestre, mas não treinar era muito triste. Apesar do resto estar, mais ou menos bem, ele se sentia incompleto.

E a situação em casa também era ruim. Seu pai sempre foi seu melhor amigo e não poder compartilhar as coisas com ele era dificil.

Nem a interferência do tio Jin Han estava ajudando muito. Jin Han ia lá aos fins de semana para verem jogos e essas coisas. Até mesmo levou os dois para assistirem a uma partida de basebol. Foi o único momento que pai e filho ficaram mais próximos e dava para perceber como sentiam falta um do outro.

O orgulho, contudo, era um problema.

Durante os estudos, ele receberia a ajuda dos amigos e de Bomi, mas não estava muito certo do resultado. WangJo era mais difícil do que diziam.

7 DE JUNHO DE 2019 - SEXTA FEIRA - 10 A.M


A sexta-feira tinha chegado e estava passando bem rápido, para alegria dos amantes do fim de semana. Quando o sinal tocou, indicando o intervalo, houve bastante alivio. Muitos já se levantaram felizes da vida enquanto outros ainda estavam exaustos.

Fato era que os primeiros a saírem das salas, poderiam se deparar com o tão esperado resultado. Os que estavam dentro da sala rapidamente ouviriam os gritos de euforia ou desespero. Lá, no mural, para todo mundo ver, estavam o rankingo dos alunos em quatro folhas: 1º ano, 2º ano, 3º ano e geral com os 80 alunos.

”ranking”:
1 -Gyu
2 - Nayeon
3 - Ui Jin
4 - Hyo Shin
5 - Jung Mi
6 - Stella
7 - DONG
8 - Min Ho
9 - SUNNY
10 - JAEKI
11 - HYUN
12 - MISOO
13- Yerin
14 - Eun Bi
15 - YeJi
16 - WON
17 - Eun Na
18 - Hayoung
19 - Bomi
20 -- Kim
21 -HYEMIN
22 - Jiran
23 - Kang
24 - Taemin
25 - Miran
26 - Sejeong
27 - Ye Sol
28 -  Ryu Ji
29 - Yewon
30 - Beom Su

No ranking geral, Dong tinha ficado em 10º lugar, Sunny em 17º, JaeKi em 18º, Hyun em 25º, Misoo em 27º, Won em 38º e Hyemin em 57º. (Baseado nos seus resultados)
(C) Ross
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O sorriso que Stella deu poderia capturar a alma de um rapaz com facilidade, por muito pouco Dong não deixou que a sua fosse levada diante da sua feição.

- You're embarass me, miss Jun. - Pigarreou um pouquinho levando a mão direita diante da boca na tentativa de abafar esse som.
- Acho que está na hora de atravessarmos a fronteira e irmos para o próximo passo, você e eu - Enquanto ela dava de ombros, ele concordava com o rosto. -Se for o que estudamos traduzir será fácil, eu passei algumas noites memorizando e praticando desde a ultima vez.

Quando chegaram ao quarto ele notou a surpresa que a canceriana teve, provavelmente esperava estudar na sala, mas como hoje as coisas estavam mais corridas, optou por ser lá em cima mesmo, além do mais, havia arrumado tudo muito bem para esta ocasião.

Hee Kyung podia ser muitas coisas mas porco ou relaxado não era uma delas, suas palavras anteriores foram carregadas com confiança, a feição estava até mais séria no rosto dele, determinada, mas uma rusga de curiosidade nasce onde ela joga no ar aquele comentário... Ele quase riu mas ficou ligeiramente encabulado.

Hee Kyung não dizia mas gostava quando elogiavam o seu senso simétrico, levantou a mão até os cabelos castanhos também virados de lado, mexendo neles como que num toque, sem graça com as palavras.


- Provavelmente, eu ficaria. - Talvez não fosse o melhor comentário mas acabou rindo de nervoso só de pensar na bagunça que deve ser, apesar, que dificilmente visualizaria ela sendo porquinha e desleixada. A surpresa vem como um golpe na barriga e ele curva os ombros para frente, tentando ver se os olhos avelãs não lhe pregavam uma peça.. - Civil War numero 7? Como obteve?! Não tem na loja Nova Era, nem no Elysium... até no Tártaro procurei!

Quando ela coloca na cadeira ele se aproxima como um filhote de cachorro prestes a pegar o potinho de ração.
- Isso é ótimo, coisa fina, vou treinar muito e depois devolverei no mesmo estado, prometo! - Afinal ela não disse que era para ele. Do lado ainda teria o dicionario mostrando o quão engenhosa era Stella, unido o útil ao agradável para ampliar a vontade do herdeiro...
- Me parece uma ideia brilhante, você é muito esperta Stella-shi, por isso gosto de ti.

Dong puxou uma flanelinha, ela acharia aquilo estranho mas logo percebe que era para manusear a HQ, mesmo estando protegida pelo plástico, só ai ela veria o nível de vicio.


- Seus livros? Adorarei devora-los hmm... Mian, isso soou um pouco... crepu. (creep) Espero que tenha alguns desenhos seus nas páginas, você tem cara de quem desenha, deve ser outro talento seu que não conheço. - Olhou ela por cima do ombro, parecia bem alerta como quem tinha bebido café extra forte.
- Tenho mais uma questão quanto as traduções, lembraa o que tinha me dito da outra vez? Sobre escutar músicas americanas e aumentar o repertório de  slangs? Então, até hoje você não me deu a sua playlist. Tem elas ai no seu celular para me passar? Se estiver com vergonha, eu não vou rir de nada.

Não bastava apesar estudar com ela, ler os livros dela, agora teria que ter as músicas também. As vezes Stella teria a ligeira impressão de que Dong queria refazer os passos dela, mas como ele era cheio dessa estranhezas, talvez ela não olhasse de uma forma negativa. Enquanto ela esvaziava a mochila, foi pegando no livro de interpretações para checar o que estava por vir. Depois olharia o tal dicionario, que de tão alinhado que ficou, o garoto acabou nem mexendo nele.

Se pudesse colocaria ele e a HQ num tipo de pedestal ou altar.



Morada Dongland

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LOJA DE CONVENIÊNCIAS: ANYTIME. 8 DE JUNHO. 3:50 P.M.


Após os tapinhas no ombro, Kang ficou quieto, aguardando o momento em que Won finalmente teria forças para contar o que tinha acontecido. Havia a probabilidade desse momento não chegar e, se fosse o caso, ele usaria de suas habilidades para o entretenimento para tentar animar o amigo. Chegou até mesmo a trocar um olhar com Jae Ki, demonstrando que estava prestes a fazer uma intervenção.

Tão logo começou a mexer a boca, ele também fechou e aguardou.

Franziu um pouco as sobrancelhas, deixando uma rusga de preocupação se formar em sua fronte. Os ombros caírem, também se sentindo derrotado. Assim como Jae Ki, ele também colocou grande empenho na noite anterior para que tudo fosse perfeito.Uma pena que o efeito foi apenas por uma noite.

Teve algumas dúvidas sobre a questão da família, mas Won logo deixava claro que não queria falar sobre tudo naquele momento. Kang coçou a cabeça porque estava entrando num tema muito complexo. Se não podiam falar sobre Bomi, famílias ou o que aconteceu, como poderiam ajudar o amigo agora?

Muito embora estivesse tentando resolver aquela questão, ouviu o que Won pediu para Bomi. Achou admirável que ele tentasse conter os impulso fraternais - a vontade era mesmo de tirar satisfações ou simplesmente passar a ignorar a menina na segunda-feira. Mas mesmo depois de tudo, ele se provava superior e pedia para que não descontassem nela.

- Kure… - Meneou positivamente e, finalmente, encontrou a questão que Won mais precisava de ajuda no momento.

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Antes que Kang tivesse a oportunidade de dizer qualquer coisa, Jae Ki começou uma super defesa - com argumentos justos, era verdade - para que Won não desistisse do café. Jae tinha seus motivos, afinal, ele tinha perdido o emprego naquele dia. O mais legal de tudo é que ele nem ao menos pensou em se aproveitar disso para tentar ficar com a vaga de Won.

Mesmo precisando muito.

- Esse não é o sonho do Won… - Woo Jin comentou num tom de voz baixo, depois que Jae Ki deu o impulso para que se agarrasse nisso. Ao focar nos sonhos, os problemas seriam mais suportáveis. - Foi um objetivo temporário, não foi?

Puxou o ar com forças e apoiou as mãos nos braços da cadeira, pensando.

- Se teve uma coisa que aprendi ao longo desses anos, é que a gente precisa se adaptar ao que acontece em nossa vida. - Cerrou os olhos. - Sinceramente? Eu acho que isso pode ter sido a oportunidade que você buscava.

O olhar de Kang mudou e ele tomou o impulso para a frente para falar.

- O Café foi uma moeda de troca, não foi? E se agora você mudar o contexto? - Arqueou uma das sobrancelhas. - Quando chegar em casa hoje ou quando estiver mais disposto, puxe o seu pai para uma conversa…

O garoto estava um tanto quanto misterioso, mas estava tentando ajudar para que o amigo visse além do sofrimento que era. Talvez o fato de nunca ter sofrido de verdade por um amor, o ajudasse a analisar com mais razão do que paixão.

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- Diga a ele que ele tem razão, toda razão. Use essa raiva dos Yoon e peça desculpas. - Fez um sinal para que esperassem ele terminar concluir. - Se o negócio ainda se mantiver de pé, como a palavra de policial de seu pai, você vai voltar a treinar….você vai se reaproximar dele...você vai descobrir qual é o problema com a família da Bomi. Porque como você não quis mexer no computador dele, precisa de um modo alternativo, mas você precisa conseguir isso estando do lado dele, não batendo de frente, sabe? Use o que aprendeu no teatro para controlar sua raiva e agir como o antigo Won...O antigo Won com a experiência do novo. Acho que isso pode funcionar…

Recuou novamente, como se tivesse tido a ideia mais brilhante de todas, mas logo fez uma de suas expressões bestas.

- Eu deveria escrever doramas. Se isso der certo, posso usar como inspiração para o meu roteiro?

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- Mas brincadeiras à parte, se você não quiser seguir essa ideia, você pode sair com a gente na segunda-feira. Porque o Jae Ki também teve um sábado horrível, ele foi demi… - Olhou para Jae Ki e continuou mais baixo. - tido...e vamos atrás de um emprego. O que? O que?! A gente prometeu que não teria mais segredo!

[...]

Eun Bi costumava ser uma boa amiga - uma pessoa que se colocava à disposição para ajudar e defender suas amigas nos piores momentos. Porém, a bailarina era aquele tipo de pessoa que achava que algumas coisas precisavam mesmo de tempo. O comportamento recente de Bomi também não ajudava a alimentar seu lado altruísta e, diante de todas as coisas que a menina andou escondendo, Bibi realmente achava melhor falar com ela quando as coisas estivessem mais calmas.

Conseguia compreender a necessidade de Misoo porque conhecia a tenista. Misoo queria ser presente para todos o tempo todo. E Bibi não queria vê-la magoada, caso ficasse triste com a resposta que poderia ter.

- Ung…- Deu uma pequena espiada. - Foi muito feio o que aconteceu mais cedo no café, né? Eu me sinto um pouco envergonhada por essas coisas…

Abaixou o olhar, mas quando ouviu sobre Soo Ji, foi a vez dela ter vergonha do próprio ato. Escondeu os lábios por um instante e comentou.

- Essa é a primeira vez que a vejo desde as férias. Estava falando com ela na hora que você chegou e o Jae Ki também não ajudou muito quando interrompeu tudo. - Suspirou. - Perdi o ritmo, mas eu vou contar. Acho que ela já percebeu, mas...aigo...vou dar o meu melhor para tentar explicar.

Parou de falar quando Soo Ji se aproximou para mostrar o que tinha escolhido. A garotinha deu um sorriso bastante doce e concordou que agora ficariam combinando.

- Komawo, unnie!!! - Deu uns pulinhos de alegria e olhou de Misoo para “Minah” quando ouviu que ela pagaria. - E você não pegou sua bebida?

- Oh, é verdade! Sussu, compra uma água pra mim, por favor? Depois ajusto contigo. - Comentou e então olhou para Soo Ji e indicou o lugar para que ela sentasse.

Tinha entendido muito bem o recado de sua melhor amiga. Olhou para Soo Ji e, apesar de ser algo muito simples para contar, ela tinha muito medo da reação. Jae Ki meio que traumatizou nesse sentido. Também não queria que a menina ficasse tão magoada com ela. Respirou fundo e engoliu em seco algumas vezes.

- Eu não lembro mais onde paramos a nossa conversa naquela hora, Soo Ji-yah, mas tem uma coisa muito importante que eu preciso te contar…

- Uhum… - Soo Ji concordou e escondeu os lábios. - Você é rica, né?

Eun Bi só conseguiu menear positivamente.

- Do tipo muito rica?

- Ung...do tipo muito rica. - Disse com certo embaraço. - Mas...Isso não foi o principal motivo. Eu...Eu menti sobre o meu nome.

Soo Ji a encarou séria, mas sem demonstrar muita surpresa.

- Não foi porque não confiasse em vocês, mas...porque eu estava usando o nome de uma amiga. Uma unnie minha me deixou ir no lugar dela para dar aulas naquele lugar. E eu respondi no automático que me chamava Minah, mas, na verdade, eu me chamo Choi Eun Bi...E...Seu irmão ficou muito chateado quando soube. Eu não pude mais voltar naquele lugar, como prometido, porque minha omma descobriu que eu estava mentindo e me colocou de castigo. Não consegui me despedir à tempo e só reencontrei seu irmão no colégio. Tentei procurá-los de novo, mas nunca mais achei, pensei que não fosse vê-los mais…

- Nós também. - Soo Ji respondeu de modo simples. - O oppa me disse que você não tinha tempo pra gente, mas ontem disse que passaria a ter. - Suspirou, meio resignada. - Minah, Eun Bi, eu não ligo muito para o seu nome porque eu gostei de você, não do som do nome. Mas…

- Mas…?

- Me preocupa você ser rica, do tipo muito rica. Nós somos pobres, do tipo muito pobres. Isso dá certo nos doramas e nos filmes, mas...eu tenho medo que meu oppa se machuque mais. - Fez uma carinha um pouco mais brava e determinada. - Eu posso não ligar para o seu nome, mas vou ligar se você magoar meu oppa. Se ele sofrer, eu não vou poder te perdoar...Eun Bi-unnie.

- Eu não quero fazê-lo sofrer… - Eun Bi disse com certo receio. - E também não quero mais te decepionar.

- Tudo bem… - Soo Ji forçou aquele sorriso, mas já tinha deixado seu recado. - Então, naquele dia...você estava como a princesa Jasmine? Vestida de plebeia? Isso faz do meu oppa o Aladdin?

- Hm...Bom, o nariz é igual, né?

Soo Ji levou as duas mãos até a boca, fazendo uma rápida associação e começando a rir da comparação. Eun Bi ficou um pouco mais aliviada pela risada e conseguiu relaxar um pouco.

- Tadinho do oppa! - Disse ainda rindo. - Mas ele não pode se passar por rico. A gente não tem um Gênio da Lampada.

- Não precisarão ter… - Eun Bi respirou fundo. - Eu sei que a vida é difícil para vocês e eu prometo que tentarei não levar problemas ou chateações…

Soo Ji concordou e então saiu de sua cadeira. Daria a volta na mesa, parando ao lado da bailarina que já estava de pé também. Eun Bi se abaixou e trocou um abraço carinhoso com a garotinha enquanto recebia um aperto maior. Olhou na direção de Misoo, indicando que estava tudo bem.

Ou pelo menos se encaminhava para que ficasse tudo bem.
(C) Ross


SUNNY. 8 DE JUNHO. 5:30 P.M.


Chegou num ponto que Ha Yi foi incapaz de conter as lágrimas. Mal conseguia enxergar Sunny graças à quantidade abundante de liquido que tinha acumulado em seus olhos. O queixo ficou tenso enquanto ela segurava o soluço e o choro em si. Fechou os olhos, permintindo que a primeira dupla escorresse pelo bonito rosto até a pontinha do queixo.

Capítulo 5 - Página 18 Tumblr_ndr3wwcoHm1rvvjlxo1_1280

O carinho de Sunny era tocante, ainda mais para uma pessoa tão fragilizada e insegura como a amiga se sentia.

Umedeceu os lábios várias vezes até abrir os olhos para encará-la. Diferente da conversa que tiveram mais cedo no trabalho, o choro de Lee Hi conseguia ser menos desesperado. Talvez o primeiro montante que Sunny testemunhou tenha sido um alívio para esse que vinha agora. Não que o momento estivesse mais fácil, mas naquela manhã estava sufocante.

- Ele me convidou para sair no início de Maio. Foi no cinema que aconteceu o meu primeiro beijo.

Capítulo 5 - Página 18 B0Znsp1CIAAs_R9

As bochechas coraram com aquela revelação e ela apertou a mão de Sunny. Para uma jovem coreana, os beijos eram coisas sérias! Ainda mais o primeiro. Porém, isso não seria o suficiente para justificar tanta tristeza como a amiga sentia agora. Sentia-se a pior das pessoas naquele momento e precisou de muita coragem para encará-la e continuar.

- Eu fiquei muito envolvida por ele porque realmente acreditei que ele me amasse. E...duas semanas depois do primeiro beijo, eu… - Respirou fundo.

Precisou sentir o peso do silêncio daquela casa porque se sentiria ainda pior se alguém além de Sunny escutasse. Como também se sentia suja e indigna de permanecer ali ou ser amiga dela, ela deu um fim ao toque, recolhendo a mão para segurar a caneca com o chá.

- Eu me entreguei a ele… - Disse bem baixinho. - Não posso dizer que eu não sabia o que estava fazendo. Eu sabia sim...Foi por isso que fui tão mal nas provas. Estava tão hipnotizada e obsecada pelas minhas ilusões que...Eu não via mais nada.

Recuou um pouco mais os braços. Sua vontade era de cavar um buraco e se enfiar inteira nele.

- Acreditei que era melhor guardar segredo, porque além de obedecê-lo, no fundo, eu também me achei uma colle*. - Apertou a caneca entre as mãos - Eu não devia ter vindo pra cá para sujar sua casa ou suas roupas. Sou uma pessoa deplorável.

*Vadia
(C) Ross


HYEMIN. 9 DE JUNHO. 10:35 A.M


O pai hesitou por um instante quando ouviu aquela conclusão mais do que lógica de sua filha. Os olhos mudaram de foco por um tempo enquanto ponderava sobre aquilo. No fundo, deveria gostar, mas a verdade é que, talvez, não colocaria tanto empenho nisso se as coisas fossem diferentes. Ou mais fáceis.

Por fim, deu um sorriso para ela. Sua filha podia não ser uma das mentes mais brilhantes da Coreia, mas era inteligente ao seu modo. Já tinha estudado um pouco à respeito disso, de que existem vários tipos de inteligencia. A de sua filha devia a ser a intrapessoal. Mesmo sem perceber, às vezes ela dizia as coisas certas, no momento certo.

Já enquanto estavam à mesa, o tema da conversa mudou bastante. Não queria mais falar de si, preferindo ouvir a filha.

Sentia falta da voz dela.

O celular não estava perto dele - o que era uma grande surpresa. Ele frequentemente estava carregando os dois aparelhos dele, mas naquele momento, não tinha nenhum em mãos. Depois veria a foto que ela enviou. Já sobre a escola, estava um pouco mais preocupado com a carinha infeliz dela.

- Eu sei como se sente, algumas matérias são bem irritantes mesmo. - Suspirou. - Mas é esperado que uma herdeira Seo tenha uma educação de qualidade e se prove eficiente em vários ramos do conhecimento. - Tentou usar um discurso mais motivador. - Minha filha não é apenas um rostinho belissimo, é uma menina educada, inteligente, alguém que dá orgulho ao nome que carrega. Entende por que essa fase precisa ser passada? Porque eu e todos os seus ancestrais precisamos que o nome continue sendo uma referência.

O pai a encarou por mais um tempo e tocou em sua mão.

- Para termos a vida que temos, alguns sacrifícios são necessários, Hyemin. Quando você nasceu, eu jurei a mim mesmo que apoiaria seus sonhos e desejos profissionais. Mas isso é uma etapa futura de sua vida. Agora, eu preciso que você se dedique ao que nos é imposto desde sempre. Também passei por essa fase, essa idade. Sei que Wangjo é um colégio difícil, mas é o melhor. E é o melhor que quero pra você.

Tomou a mão para si e deu um suave beijo. As coisas pareciam se encaminhar para uma conversa agradável, até que Sung Ki engasgou ao saber quem tinha sido o responsável pelas flores.

Capítulo 5 - Página 18 Tumblr_inline_n3ltd4yWZV1r0ly11

- .... - Só flores? Respirou fundo e resmungou. - - Pelo menos não são vermelhas. - Colocou o último tanto de panquecas na boca e mastigou com mais vontade do que o normal.

Não parecia mastigar apenas a comida, parecia conter a raiva também.

- Daqui a muitos anos, espero eu. - Falou. - Ele é um pretendente! E você não tem idade pra casar ainda, só quando eu for bem velho e caquético! Mas já que não foi nada demais...Tudo bem. Espero mesmo que Wang Miwoo esteja se comportando de modo digno com você, minha filha. Porque é a joia mais valiosa que eu tenho e eu não perdoaria se alguém a fizesse sofrer.

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Jae-ki havia dado sua opinião do que achava da decisão de Won, achava que o amigo estava sofrendo e por isso não estava conseguindo pensar direito. Mas se Won teimasse, não iria contra. Jae não era o melhor para consolar os outros, mas tentou ajudar dizendo como ele mesmo fazia.

Mas então foi a vez de Kang falar, Jae arqueou a sobrancelha quando ouviu o primeiro comentário. Começou a entender que talvez a loja tenha sido mesmo um objetivo temporário. Embora um emprego fosse muito importante para Jae, talvez não fosse pra o amigo. Porém quando falou de objetivo, era pra Won por o que ele achava mais importante, não falava só do emprego.

Kang continuou falando e quando ele falou que poderia ser um oportunidade para Won, Jae não entendeu nada. Como assim? Era uma situação horrível, isso sim.


Capítulo 5 - Página 18 71d4256429e2f5f7b6732074903bcdc2

Jae-ki foi ouvindo curioso e acompanhando o raciocínio do amigo, o plano dele fez Jae-ki arregalar os olhos e ficar boquiaberto. Kang parecia bobo ás vezes, mas os dragões sabiam como as ideias dele surpreendiam. Parecia mesmo uma boa Won voltar a treinar e tentar conseguir as coisas do pai. Porém não via algo bom em tentar descobrir sobre a família dela agora.

- Araso... Parece uma boa voltar a treinar...

Mas não demorou para Kang fazer uma expressão besta, já fazia piada falando que podia escrever doramas.

Capítulo 5 - Página 18 E59aa03220df34ae6d556912da02035c

- Aigoo, Kang... Dorama é coisa de menininha...

Jae-ki achava que Kang tava precisando ver filmes de terror, não tinha visto muitos doramas na vida e os achava bem chatos, só eram bons pra dormir. Negócio bom era ver violência. Em seguida ele tocou no assunto da demissão, Jae lançou um olhar pra ele, mas não era porque não podia contar, só que era meio tenso ainda falar nisso.

- Não é segredo...  Mas não foca nisso agora...- Respondeu a reação de Kang - Olha, você que sabe Won, vou tá do seu lado, só não quero que perca mais coisas nessa história...





— Ross



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Won sabia que os amigos eram curiosos e que Jae-ki não ia querer deixar aquilo morrer sem muitas explicações mas o olhou sério diante da frase de que Bomi o teria enganado...

-Não, ela não enganou. Ela não disse nada mas parou de sair com ele no dia que eu salvei ela do acidente - respondeu com uma expressão séria - É sério, eu não quero que vocês briguem com ela. Entenderam?

Queria deixar isso claro. Tanto para proteger Bomi como proteger os próprios amigos e não dificultar as coisas para Jae-ki e Eun-bi.

Jae-ki falava sobre seu sonho...engraçado, aquele sonho das olímpiadas parecia ter vindo de outra vida, outro Won, quase conseguiu esquece-lo diante dos últimos meses focados no Café e em Bomi.

Kang até parecia mais sério que o normal: sabia que o amigo escondia certa sabedoria mas parecia esquisito até pra ele.

- Esse não é o sonho do Won… - Woo Jin comentou num tom de voz baixo, depois que Jae Ki deu o impulso para que se agarrasse nisso. Ao focar nos sonhos, os problemas seriam mais suportáveis. - Foi um objetivo temporário, não foi?

Won ouviu atentamente. Realmente não planejava um "fim" naquele objetivo mas de certa forma sua ideia de se soltar mais por atender as pessoas foi alcançada.

-Oportunidade? - olhou um tanto confuso.

- Quando chegar em casa hoje ou quando estiver mais disposto, puxe o seu pai para uma conversa…

Começou a entender onde Kang queria chegar. Tinha imaginado que tipo de conversa ia ter com o pai hoje, mas odiaria admitir que seu pai estava certo. Principalmente pela forma como ele havia escondido esconder tudo dele.

Kang tinha feito um plano e surpreendentemente era um bom plano! Quase conseguiu sorrir quando falou sobre ser escritor de doramas: Kang ainda era o Kang.

-Eu não sei se eu quero continuar investigando o caso dos Yoon. Eu continuaria se Bomi quisesse continuar lutando por...nós. Mas não é mais o caso. Mesmo assim eu quero saber o que aconteceu de tão grave pra fazer meu pai agir desse jeito

O objetivo permanecia apesar da motivação ter mudado. Ia seguir a ideia.

-É uma boa ideia Kang. Obrigado...eu vou tentar tirar algo de bom nisso - forçou um pequeno sorriso. Ainda se sentia horrível mas se alcançar novos objetivos e seu sonho ajudassem a afogar aquele sentimento de vazio...faria o que fosse preciso.

Ouviu a notícia de que Jae-ki foi demitido com surpresa. Até arregalou um pouco os olhos.

"Aish logo o Jae-ki que é quem mais precisa!?"

-Hmmm, eu poderia te indicar pra vaga que eu vou deixar por sair do Café - disse sem hesitar - A Hyesang é uma boa chefe. Exigente. Mas é justa. E você pode ganhar gorjetas no café, então deve até pagar melhor que o antigo emprego

Se sentia menos pior por talvez trazer uma possibilidade de ajuda para seu amigo.

-Obrigado gente. Eu vou ficar...assim por um tempo eu acho. Mas obrigado por serem meus amigos - disse com sinceridade, talvez não conseguisse pensar em nada positivo sem eles.

Wangjo

— Ross
Won-Bin
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Jae-ki ouviu a explicação de Won sobre Bo-mi, ela não o tinha enganado então? Mas Bibi nem queria falar nada. Isso era estranho, difícil entender realmente o que houve. Será que ela enrolou Won ou disse a verdade pra ele? Mas por hora acataria o pedido do amigo, mesmo a contragosto, por respeito a Won.

- Não enganou?!! Hum.... Eoh... Tá... Não vou falar com ela...

Então Kang falou a sua ideia inteligente e surpreendente. Jae-ki fez seus comentários e ouviu atento ao que Won tinha a dizer. Imaginava também que não fazia sentido ele querer continuar investigando o caso, já que tudo tinha acabado. Won confirmava que Bo-mi não estava querendo lutar, e para Jae isso importava muito também, não dava para ter algo se um dos lados não queria.

Porém entendeu porque Won queria saber o que aconteceu, e ele era curioso também. Pelo menos seu amigo merecia saber a verdade, mesmo que o relacionamento dos dois tivesse chegado ao fim.

- Te entendo cara. Você merece a verdade, não é justo ficar sem saber.

Olhou para Kang e também comentou:

- É... Kang é sinistro hein, é cada ideia, ele é daebak mesmo. Por isso eu vim pedir ajuda pra ele, é o sábio dragão.

Porém quando Won ofereceu sua vaga, Jae-ki ficou realmente surpreso. Nesse dia estava surgindo mais oportunidades do que tinha esperado, era ótimo, tinha amigos incríveis, mas não queria se aproveitar do momento sensível do amigo, mesmo estando desesperado. Além disso, a ajuda de Kang e de Bibi o acalmaram em parte.

- Cara... Valeu mesmo! Isso seria ótimo... Mas você lutou por esse emprego, pensa melhor... Eu não quero tomar seu lugar, me sinto sei lá... Espera até segunda pra decidir pelo menos.

Jae-ki falava sério:

- E o Kang ta me ajudando e a Bibi também disse que vai me ajudar, pensa em você, tu já fez muito por mim. Mas se for largar mesmo por você querer, não por mim, eu aceito. Mas pensa cara! Pensa...Não responde agora! Só pensa...

No final, Jae-ki sorriu quando Won agradeceu, entendia mesmo a dor dele. Enquanto falava, deu uma olha ao redor por costume.

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- Nós somos os dragões, tamo junto nisso. Se quiser riscar o carro da madame para desabafar essa raiva, só chamar...

Jae então parou um segundo pra pensar melhor e logo desfez o que falou, até porque estava falando com o filho de um policial. Won já tinha dado provas da sua fidelidade, mas não era bom arriscar, sabia como os amigos eram, ouvir sermão agora não seria uma boa:

- Ya, só to te assustando! Não falei sério, você não faria isso... Mas é pra você entender que tamo junto mesmo cara.

Se não tivessem mais o que falar, Jae-ki voltaria para dentro da loja, não ficaria até muito tarde lá, tinha que ficar de olho na halmoni também. Pretendia tentar levá-la no médico, embora isso fosse difícil de fazer por causa da teimosia dela.
 



— Ross



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Jae-ki
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HEE KYUNG. 8 DE JUNHO. 1:45 P.M.


- Pois então, daremos o próximo passo, Mr. Dong! - Stella não tinha levado o comentário dele no duplo sentido porque já conhecia uma coisa ou duas sobre o amigo.

Capítulo 5 - Página 18 Superthumb

Às vezes ela ainda sentia o coração disparar com as coisas que ele dizia ou fazia, mas até onde sua mente conseguia raciocinar, ele agia assim por ser o seu jeito natural. Ou, pelo menos, era mais fácil tratar desse modo. Fora que ele parecia sempre mais à vontade durante as aulas de inglês mesmo.

Sentiu um pouco de vergonha por ir até o quarto dele, mas o sentimento logo deu o lugar à uma grande surpresa por ver tudo milimetricamente arrumado. Não seria difícil imaginar que o próprio Hee Kyung quem arrumou todos os objetos daquele modo. Parecia bem típico dele. Deu outra risada divertida quando ouviu o comentário sobre seu quarto.

Não era desleixada ou porquinha, mas geralmente tinha preguiça de arrumar todo dia. Fazia uma geral uma vez na semana e parecia muito bom. Mesmo assim, nunca chegou ao nivel de perfeição que o garoto apresentava. Nem ao menos ficou ofendida com o comentário e começou a mostrar suas surpresas.

- Ani, ani...ani. - Foi dizendo não, porém concordando que não havia nessas lojas. - Eu tenho meus meios. - Sorriu de modo misterioso. - Na verdade, eu achei numa loja dos EUA há um mês e mantive segredo. Fiz algumas encomendas com meus livros e só por isso está fora da caixa de entrega. Mas eu também aproveitei para colocar num saco plastico bonitinho, do tamanho dele, certinho.

Explicou-se. Não abriu o presente dele por querer ler - até porque, ela também tinha comprado para si, além de já ter lido online. A questão é que Stella tinha o hábito de comprar o digital e o físico porque gostava de manusear os livros, apesar da praticidade do primeiro tipo.

Ajeitou o cabelo e o encarou de um jeito bem fofinho.

- Por que você vai me devolver uma coisa que é sua? - Mexeu de leve as sobrancelhas. - Eu comprei pra você! Porque você se mostrou um aluno tão empenhado que achei que uma HQ toda em inglês seria bom para treinar. Você podia baixar também, mas eu acho mais legal segurar assim, por isso comprei pra você.

Juntou as mãos na frente do corpo depois de ter exibido tudo o que trouxera para ele. Além da HQ, havia o dicionário e os livros da 5ª e 6ª séries. Os livros canadenses estavam em perfeito estado, também com um saquinho plastico para protegê-los.


Capítulo 5 - Página 18 D3f6151c12e014986663de894cb5cadafbfce1fc_00

- Komawoo… - Agradeceu ao elogio e observou com bastante atenção o que ele fazia com a flanelinha.

Achou bem curioso todo o cuidado dele, mas gostou de ver. Significava que seus livros também estariam em boas mãos.

- Wae? Eu também gosto de devorar livros. - Sorriu, mas logo sacudiu as mãos. - Eu sou péssima com desenhos. Mas os livros estão com anotações sim. Muito marca texto em tons bebês e anotações na laterais. Porém, para sua sorte, com isso eu sou muuito cuidadosa. TInha o hábito até de compor a cor conforme o tópico. Isso sim é um pouco “crepu” - Riu.

Assim que ele falou do celular, ela automaticamente levou a mão até o bolso para buscá-lo. Viu que estava quase sem bateria, mas tinha levado o carregador consigo. Antes de pedir para recarregar, ouviu o questionamento dele.

- Você sabe que minha playlist quase não tem música americana? Tem músicas francesas e muito kpop. Agora também tem bastante música clássica por conta das aulas do piano. Eu já estou bem mais ligeira, sabia?! - Disse com entusiasmo. - Mas americanas, ahm...Eu posso te mandar depois? Boto no pendrive e te entrego na segunda, por ser?

Pegou o carregador e após a pergunta dele, mostraria.

- Posso carregar? Meu celular anda consumindo muita bateria rapido. Estou precisando trocar a bateria. - Fez um beicinho e caminhou até as tomadas que ficavam perto do PC.

Caso Hee Kyung aproveitasse o tempo para ver os livros dela, perceberia que ela realmente era uma menina super organizada. Não era desenhista, mas a letra cursiva era bem redondinha. Havia adesivos destacando coisas importantes e cores agradáveis aos olhos. Enquanto isso, Stella finalmente via as fotos que estavam dispostas ali.

Primeira revirou os olhos com a cara de Hayoung, sentindo uma pontada de ciúmes. Fez um bico para a Cosplayer maravilhosa de Caitlyn Pulsefire, mas travou quando viu sua foto. Foi arrelagando os olhos e abrindo a boca, apontando para a foto.

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- Ya! Hee Kyungie, quando foi que você bateu essa foto minha? - Apontou para o quadro e virou-se um pouco para encará-lo.
(C) Ross


LOJA DE CONVENIÊNCIAS: ANYTIME. 8 DE JUNHO. 3:50 P.M.


Kang tinha entendido muito bem a parte que não deveria procurar por Bomi para buscar qualquer esclarecimento ou coisa do tipo. Era melhor mesmo ignorar e ser apenas educado, se ela ao menos fosse. Quando encontrou uma brecha, ele decidiu contar sua ideia brilhante, digna de um dorama.

Todo o discurso foi bem elaborado e descrito, mas ele, obviamente, tinha que dar seu toque pessoal de humor, brincando sobre o roteiro. Riu da cara de Jae Ki, mas logo fez um palmo de bico.

- Coisa de menininha nada! São muito bons, tá?

Ele que não tentasse empurrar filmes de terror para Kang! A resposta seria n.ã.o! Logo parou de implicar com Jae Ki porque queria ver a reação de Won, o maior interessado naquilo. Meneou positivamente.

- Eoh! Eu não falei pensando nela, mas sim porque seria uma oportunidade de clarear esse mistério. E já vimos que se afastando do seu pai, você também se afasta das respostas. Está na hora de usar a cabeça, para variar.

O que ele quis dizer com isso?

Que todos eles eram muito passionais, por isso deixavam as coisas óbvias passarem. Naquele instante, Woo Jin achou que tinha algo muito errado com aquele ranking! Ele não merecia ter ficado em 22º quando parecia ser tão mais esperto que os amigos. Respirou fundo e tentou se focar.

- Tente sim. Temos que extrair as coisas boas das adversidades, caso contrário, vish…

Olhou para Jae Ki dando uma risada sobre ser o Sábio Dragão. Realmente, algo muito errado com aquele ranking! Mas tirando essa neura, ele ficava feliz por ouvir esse tipo de cosia. Gostava de ser útil para seus amigos e não apenas engraçado.Era bom ser reconhecido pelas boas ideias e não apenas pelas palhaçadas.

Depois que contou sobre o desemprego de Jae Ki, eles foram surpreendidos com aquela ideia de Won. Se Woo Jin tinha achado legal Jae Ki não ter se aproveitado disso, Won vinha com uma atitude ainda mais bonita. Não era um grande choque, porque estava mais do que sacramentado a fidelidade que eles tinham entre si, assim como estavam sempre dispostos a se ajudarem.

Manteve um sorriso discreto, porém orgulhoso enquanto Jae Ki respondia. Quando tomou ar para falar, Jae Ki veio com suas pérolas de vandalismo. A expressão do sábio dragão foi o suficiente, mas Woo Jin emendou.

- Se eu não trabalhasse aqui, eu até que tacaria uns ovos mesmo. - Comentou. - Bem que a madame merecia. Maaaas o Won disse que não quer isso, vamos respeitar. E eu ainda trabalho aqui. Fora que se você for mesmo para o Café, também será da familia dela, então…

Melhor se comportarem.

Jae Ki começou a se levantar para se encaminhar para loja e Woo Jin olhou para Won.

- Tudo bem ficar assim por um tempo. Eu acho normal, já que você estava mesmo envolvido. Mas você tem a gente, viu? E se quiser outro emprego, podemos ir nós três buscar emprego na segunda-feira. Se tivesse vaga aqui, eu daria para vocês, mas no seu caso, você quer mais é distância, né?

Fez uma cara um pouco chateada, do tipo “sinto muito, meu amigo”. Porque realmente sentia. Assim como Misoo, achava que Won era um cara muito legal para sofrer assim.

- Enfim, vamos entrar ou já está afim de ir embora?

[...]

Depois daquela conversa sobre nomes e forturnas, Eun Bi e Soo Ji pareciam ter zerado suas pendências. Durante o abraço que as duas deram, a bailarina olhou na direção da amiga e agradeceu de modo silencioso por ela ter dado aquele espaço.

Foi o empurrão necessário para que Eun Bi finalmente falasse.

Quando Jae Ki olhasse - ou entrasse - na loja, veria a bailarina se levantando depois do abraço e arrumando o cabelo dela. Tanto ela quanto Soo Ji olharam na direção da porta. Nenhuma das duas chorava, o que já era um grande avanço, e também pareciam bem. A menininha logo largou Eun Bi para correr até o irmão.

- Oppa! Oppa! Oppa! O meu ritual de princesa não acabou!! A unnie me disse para escolher o que quisesse da loja e eu pedi os doces de panda para a gente dividir! E canetas lindas pra gente e um suquinho gostoso!! - Dizia com bastante inocência e de uma vez só quase sem respirar. - E eu já sei a verdade! Você é o Aladdin e a Eun Bi unnie é a Princesa Jasmine!!

Agarrou a perna dele no processo, atropelando tudo. Pelo menos tinha dito o nome de Eun Bi pela primeira vez. A bailarina fez “v” de vitória com as duas mãos, mas caminhou até Misoo. Jae Ki a veria acelerando para a amiga e agarrando por trás enquanto ela pagava. Bibi deu um beijo pelo cabelo dela porque foi onde alcançou.

- Komawo… -Disse apertando o abraço. - Você é a melhor amiga do mundo e eu sou a mais chata.

Apesar de Jae Ki ter antipatia por Misoo, era inegavel como ela e Bibi eram coladas e como Soo Ji tinha gostado da tenista. Misoo tinha sido super legal com a irmã também, o que podia ajudar a aumentar os pontos dela para com Jae Ki.
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HYUN HEE. 9 DE JUNHO. 1 P.M.


Jung Mi entendia completamente o que o irmão quis dizer em relação à casa da tia. Até os nove anos dele e dez de Hyun, eles conviveram com a avó materna - era uma mulher doce, simpática, carismática e excelente cozinheira. Era a perfeita matriarca de uma família unida, sempre muito preocupada com todos e querendo que todos fossem felizes. Tinha sido criada numa cultura para ser boa dona de casa e, de fato, foi a melhor esposa, mãe e avó que uma mulher poderia ser.

Naquela época, eles sabiam exatamente como era se sentir protegido de todos os modos. A mãe dele também passava essa sensação, mas a casa dos avós era diferente. Pareciam que podiam aprontar de verdade, brincar sem limites e ainda comer algo gostosinho preparado pela Sra Hong.

Estranho como poucos anos depois do falecimento da avó, as tragédias passaram a ser constantes naquela família.

De todo modo, o irmão achou interessante o que ouviu. Não era nenhuma surpresa, visto que Hae Sook também fora criada pela avó deles. Apesar de aparentar ser independente e menos fofinha, no fundo, a essência era igual, não é? Pelo menos era isso o que Jung Mi achava.

Já no elevador, o tom da conversa se provou um pouco mais amargo. Doce amargo, sendo mais preciso. De repente, Jung Mi se viu falando muito mais do que esperava, demonstrando uma sinceridade que às vezes ficava oculta pela etiqueta social ou o relacionamento péssimo que tinha com Hyun.

Após dizer tudo o que queria, ele novamente tocou o painel, permitindo que o elevador subisse. Muito embora tivesse dio que sentia falta do irmão, a expressão voltou a se fechar e ele abaixou a cabeça com o toque em seu ombro. O toque ainda o incomodava e não conseguia esconder. Eles não pareciam próximos o suficiente para que o toque fosse algo normal. Umedeceu os lábios com aquela confissão do irmão e concordou.

Capítulo 5 - Página 18 18514128_120473751872856_377607421515792384_n

- Aniyeo (de nada). Parece que nós que gostamos de complicar as coisas, hm? - Olhou de banda para ele. - Mas outra hora falaremos sobre isso. Vamos focar em quem precisa de nossa presença, no momento.

O elevador chegou até o andar do avô deles. Os dois começaram uma caminhada simétrica e ritmada até o quarto dele. Assim que chegaram até o corredor, poderiam ver pelo espelho de vidro que o avô estava recostado à cama, olhando de modo entediado para a TV. Sua cabeça ainda estava enfaixada, assim como ele era todo monitorado, mas estava acordado e com o lado esquerdo um pouco caído.

Han Jae passou em frente ao vidro, depois de ter consertado a posição da tv e viu a dupla. Ficou um pouco surpreso e eles ouviriam que ele falou.

Capítulo 5 - Página 18 85562ea400d2c8c70f6bc73923d246ea

- O Senhor tem visitas, Presidente Hong.

O avô não respondeu, mas assim que Han Jae abrisse a porta, os olhos dele estariam bem atentos para ver quem entraria. Não fazia ideia quem poderia aparecer ali, ainda mais considerando que ele sempre mandava que Han Jae abafasse seu estado clínico, de modo geral. Será que a noticia tinha vazado? Será que os bajuladores já começariam a cercá-lo como urubus?

Sinceramente não tinha humor para isso, motivo pelo qual sua expressão estava tão emburrada.

Porém, assim que visse Hyun, a surpresa ficaria estampada, ainda que ele não conseguisse se manifestar com plenitude. Ver Jung Mi entrando em sequencia aumentou sua frequencia cardíaca, mas nada extramemente preocupante. Só estava emocionado por vê-los ali.
(C) Ross
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Era esperado de uma herdeira Seo que ela fosse muitas coisas menos o que ela era de verdade. A tentativa de ser motivador do pai só a fez simular um beicinho, segurando a vontade que tinha de afundar o rosto na mesa e pedir por favor para sair daquele colégio. No começo não parecia ruim, porque estudaria com Yerin, mas ela não fazia ideia do quão horroroso seria no ensino médio.

Em que vários ramos do conhecimento ela poderia orgulhar o pai? Sabia cozinhar, costurar, se maquiar, jogar Tênis, gostava de Biologia e Química… Estava bom, não é? O pai realmente não a conhecia por dizer que ela não era só um rostinho bonito, porque não seria isso que a escola diria se ele fosse chamado lá com a nova organização. Sentiu-se ouvindo o Mushuu condenar os ancestrais dela, vergonha para ela, vergonha para sua vaca. E nem tinha uma vaca.

- Ye, appa… - falou baixinho, mas seu rosto era bem transparente sobre o inferno que era a parte acadêmica de sua vida. A expressão se desfez ao sentir o beijinho reconfortante em sua mão.

Poderia parar de pensar naqueles estudos idiotas e se dedicar ao que interessava, como Moda? Ou, como sua unnie tinha sugerido, a Confeitaria? Pelo menos o pai sabia que a escola era difícil. Só duvidava que ele soubesse como era ser burro - a nota média dela era o auge do que achava que conseguiria sem Hayoung. Tudo bem, só precisava passar por aquilo mais um pouco e logo se veria livre daquela escola e de tudo que ela representava, inclusive aquele elemento ruim do seu passado. Tinha que estudar para se livrar dos estudos, santa ironia! E assim se livraria também daquele menino idiota para sempre também.

- … Vou me esforçar... - concordou de levinho e sorriu para ele.  Só não tinha garantia nenhuma de que isso adiantaria, já que sentia que suas notas dependiam somente de um fator de sorte.

O assunto mais confortável para ela, apesar de ficar com vergonha, era o pior para o pai, cuja reação ela não entendia direito. Piscou curiosa sobre o fato das flores vermelhas. E daí se fossem? Seria mais romântico, é verdade, mas…? Não entendeu e questionou sobre o fato de poder se casar.

- Eh? Como assim? -  Muitos anos? Como assim muitos anos? Quando contaram isso para ela, disseram que ela não deveria ficar reparando nos meninos na escola. Ela tinha muita certeza desde então que seu futuro já estava traçado. Se Wang Miwoo era só um pretendente, significava que ele tinha outras pretendentes também???? Precisava se esforçar o dobro para ser a melhor de todas então, porque agora já o amava muito e já tinha começado em desvantagem por causa da idade. Pelo menos ele tinha dado flores e ligado para ela, não para outra, hm? Mas quem seriam as outras? Que nem naquele livro, “A seleção”, que tem várias moças disputando pelo príncipe… Isso a preocupava muito. Será que não conseguiria ficar com seu amor? Depois de tanto tempo alimentando aquele amor platônico, será que a história deles não estava tão certa quanto ela pensava no começo? Se não fosse ele, com quem ficaria? Não conseguia imaginar outra pessoa. Os garotos do colégio eram todos chatos e nenhum deles parecia valorizá-la como menina, ou pelo menos assim ela não percebia. Chamava a atenção por ser bonita e princesa, mas como uma mulher?  Havia tantas unnies mais interessantes que ela no colégio! Não, não, esse noivado tinha que dar certo!

Pareceu um pouco tensa com essa “nova informação”, mas disfarçou rindo quando ele completou que ela só casaria quando ele estivesse bem velho e ficou distraída com isso. Era um papai lindo ciumento e enchia sua autoestima chamando-a de jóia. Baixou o olhar por segundos quando ele mencionou que não perdoaria se alguém a fizesse sofrer. Ah, se ele soubesse daquele show ridículo que deu no restaurante… Isso poderia significar o fim do seu noivado.

- Ani, ani. Está tudo bem - mentiu, finalizando a panqueca, mas conseguiu sorrir ao lembrar da ligação. Porque no fim tinha ficado tudo bem mesmo. Porém, o assunto anterior parecia ser um pouco melhor.   -  Mas appa, isso quer dizer que o senhor tem outros pretendentes para mim? - pareceu preocupada. De repente ela tinha mais possibilidades também, guardadas na gaveta. Isso seria terrível, porque ela estava apaixonada por Miwoo. E se não fosse um menino tão lindo e maravilhoso quanto ele? E se fosse um esquisito bizarro? Miwoo era um presente porque conseguia agradar seu pai, já que ele quem tinha escolhido, e ela ao mesmo tempo. Era o melhor dos mundos. - E o oppa? Tem mais pretendentes para ele também? - perguntou meio tímida, fazendo um biquinho infeliz, com medo da resposta.

Residência Seo

— Ross
Seo Hyemin
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- Lógico que não, né? Se me pagar de volta, vou te dar uns tapas - brincou com a amiga e saiu.

A tenista aproveitou que tinha que fazer uma hora e pegou também uma luva grossa, um vasinho e outros itens da área de jardinagem que existiam em uma loja de conveniência. Quando terminou, olhou para a duplinha e deu um sorriso satisfeito. Completou com um “v” nos dedos. Sempre ficava feliz em ajudar os outros, especialmente quando eram suas amigas. Terminou de escolher e pagar o que precisava, observando a “família feliz” se resolvendo com bastante satisfação. Não gostava muito de Jaeki, mas se ele fazia Eunbi feliz, então tudo bem. Sooji era uma boa companhia para a amiga também. Ficava feliz por ela.

Quando terminou de digitar a senha do cartão, recebeu aquele abraço, que ela prontamente retribuiu como podia, sorrindo largamente.

- Tô muito feliz que deu certo! Eu nem fiz nada, foi você     - piscou.   - Aqui, sua água. Aonde vocês vão agora? Queria ir junto para evitar ir pra casa, mas eu sei que vocês precisam de um tempo para ficar melosos, irritantes e cheios de coisa. - fez uma careta.   - Eu posso ficar de babá, enquanto vocês saem. Não tenho nada para fazer e gostei da menininha, mas vou entender também se você quiser um tempo com o seu namoradinho. AH, minhas amigas estão crescendo tanto.   - fez uma cena, mas parou, concluindo com sinceridade. -  Pode ir, eu arrumo coisas pra fazer. Vou começar um jardinzinho na minha janela.

Tinha que se acostumar com isso. Já bastava uma criando crises no namoro e ficando tão infeliz. Além do mais, queria retomar o hobby das plantinhas e ter algo a mais para falar com a avó.

Loja de Conveniência

— Ross
Yeun Misoo
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- Eoh.

Concordava que precisavam se concentrar no avô agora. Os dois poderiam conversar melhor sobre isso em outro momento. ELe só tentou dizer o possível no raro que tinham conseguido ficar juntos sem brigar. Quando seria esse outro momento? Hyun Hee não sabia, mas agora tudo que podiam extrair disso considerando as mágoas e o orgulho já tinha passado.

Caminhou em silêncio a seu lado, mas não era um silêncio constrangedor. Era como se o máximo já tinha sido falado e parecido o suficiente por enquanto. Quando chegaram, precisou respirando um pouco mais fundo. Afinal, não sabia ainda como o avô estaria ao acordar. No entanto, alimentava um sentimento positivo. O pior tinha passado, não? Tinha medo que não.

Foi o primeiro a entrar, fazendo uma reverência breve e encontrou o rosto emburrado do avô, que se transformou depois. A sua própria expressão era resignada, de um neto praticamente normal. Abaixou o rosto e lambeu os lábios. Tinha vergonha do que tinha feito.

-  Haraboji. - começou, um pouco receoso e humilde, mas ao mesmo tempo aliviado. Descobriu que não conseguia falar com ele então olhou o secretário. -  O que mais eles disseram? E… Eu posso ficar aqui hoje. Isso… Se não se importar. - olhou o avô, por fim.

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— Ross
Park Hyun Hee
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Respirou fundo quando Jae-ki falou sobre vandalizar o carro dos Yoon ou algo do tipo. Mas sabia que seu amigo era extremo e que tinha a boa intenção de animá-lo mesmo do jeito mais radical.
Apenas fez um “não” com a cabeça.

”Usar a cabeça é?” Estava sendo criticado pelo Kang!? O mundo realmente dá voltas. Mas ele também queria tacar ovos então havia um pouco de vândalo no sábio dragão.

-Sim, acho que pra vocês se manterem de boa com a Eun-bi e a Misoo é bom vocês se comportarem por aqui - comentou retomando um pouco a postura de dragão líder por um instante.

-Eu tinha uma reserva de grana porque eu não estava gastando com nada, só gastei uma parte no parque ontem mas ainda tenho um pouco de grana. Eu particularmente não quero trabalhar com mais nada por um tempinho se eu voltar a treinar. Quero me focar…

E de preferência se focar em algo bem distante de Bomi.

- Enfim, vamos entrar ou já está afim de ir embora?

-Eu vou me...recuperar um pouco aqui e vou embora. Preciso de um banho gelado e de um tempo sozinho pra pensar como falar com meu pai hoje. E eu vou ser uma companhia horrível hoje, vocês vão querer continuar com as meninas não é? Aproveitem em dia por mim

Não quis falar que também queria distância do círculo de amigas de Bomi.

Jae-ki seria o primeiro a levantar e entrar na loja enquanto Kang ainda ficava na mesinha. Acenaria para ele com um “yo” discreto e uma expressão um pouco melhor do que a tinha quando sentou ali.

-Ei Kang… - disse de forma que ele esperaria um pouco antes de sair também - ...a Misoo é bem legal, não é? Acabei nem conversando com você depois de ontem, vocês foram no trem fantasma não foi? - disse de forma um tanto estranha, um assunto meio aleatório.
-Até que ela até se arrumou pra voltar aqui depois de correr, não? Que curioso… - para bom entendedor que Kang era meias palavras talvez bastassem - Aish, desculpe, eu não tenho nenhuma moral pra falar disso hoje. Por favor não deixe que o meu caso faça vocês todos se afastarem. Até mais K-Dragon, te mando mensagem mais tarde

Liberaria o amigo e após um minuto ou dois se levantaria para a saída do condomínio.

Iria passar por aquele portão uma última vez. Como um Fantasma.

A ida para casa seria muito silenciosa, nem música ele se ligaria de colocar pra ouvir. Imaginava se chegaria numa casa vazia mais uma vez.

Wangjo

— Ross
Won-Bin
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HYEMIN. 9 DE JUNHO. 10:35 A.M


- Como assim o que? - O pai a encarou novamente. Aquela assunto sobre Wang Miwoo podia ser confortável para Hyemin, mas era bastante ruim para o pai.

Quando tomou a decisão de colocar a filha num colégio misto, sua intenção era que ela não se deixasse levar por certas distrações. Não imaginava que sua filha transformaria aquela história num conto de fadas. Conhecia a mente criativa dela, mas não que chegasse a esse ponto. Ele só não queria que ela acabasse cedendo às conversas dos meninos cheios de hormônios.

Porém, naquela época, também havia a parte a questão de unir os nomes. Muito embora Sung Ki não tenha precisado de um nome forte para se manter, ele não podia dizer o mesmo de Hyemin. A filha não tinha dom para os negócios e precisavam que a família com a qual ela se casasse, fosse confiável. Na época, sua irmã tinha surgido com a ideia dos Wang, mirando justamente na família mais poderosa e rica da Coreia, visto que eles eram o segundo.

Naquele momento pareceu uma boa ideia.

Naquele momento…

Ele não estava mais tão certo disso. Havia tantas coisas que ele gostaria de entender e discutir mais à fundo, mas parecia que sempre havia alguém um passo à frente. Eram escorregadios, bom de jogo. Talvez ele não fosse tão inteligente quanto julgava ser.

E agora também se deixava levar pelo ciúme paterno. Respirou fundo e disse.

- Muitos anos quer dizer que você ainda é muito nova. Não estamos mais vivendo numa Dinastia, você não precisa casar com 16, 18 anos. - Olhou para ela. - Foi exagero dizer que seria só quando eu fosse um velho caquético, mas entenda seu pai. Se eu pudesse, eu a protegeria de todo mal do mundo porque você sempre será minha garotinha. Eu sei que você já cresceu e está crescendo cada vez mais. Logo será uma mulher feita. - Deu um sorriso quase triste com a perspectiva de perder seu bebê. - Só queria que você focasse no que gosta antes de se casar...Acho que é isso. Quando você for mãe, espero que tenha um menino.

Que tipo de desejo era esse?!

- Dizem que mães são mais ciumentas com filhos e pais com meninas. Acho que você vai entender um pouco a cabeça de seu appa. - Riu e coçou a cabeça. Arregalou os olhos com a história de outros pretendentes.

Abriu a boca e fechou no mesmo instante.

- Estou sofrendo com um só, você acha que sou masoquista?? - Deu outra risada. - Não pensei em nenhum outro, mas se desejar...Posso ver os nomes das famílias. - Encarou Hyemin um pouco mais profundamente ao ouvir ouvir aquela pergunta direcionada para a vida de Miwoo

Nesse instante, limpou os próprios lábios e repousou o pano na mesa.

- Isso...eu nao sei responder, minha filha.

Disse com certo ar de hesitação porque, de fato, não sabia. Até aquele momento, não imaginava que sua filha estivesse tão avançada nos pensamentos sobre o casamento.. Sung Ki ajeitou-se, desconfortável.

- Vamos mudar de assunto? Quais são os planos para hoje? Que horas é o filme? Dá tempo de dormir? - Fez uma carinha triste. - Brincadeiraa, brincadeira!!! Eu vou ficar bem acordado. - Arregalou os olhos.
(C) Ross


HYUN HEE. 9 DE JUNHO. 1:10 P.M.


Han Jae esboçou um discreto sorriso de confiança para Hyun Hee quando o viu chegando ali com Jung Mi. Abaixou a cabeça para os dois e, obviamente, o irmão mais novo apenas o tratou com respeito pela idade, mas sem nenhuma intimidade ou proximidade. Ele era um empregado, afinal.

O avô estava bastante surpreso com a chegada de seus dois netos. Não esperava nem que Hyun Hee fosse, quiçá Jung Mi. Ainda mais juntos!! O coração dele realmente deu uma acelerada, mas nada alarmante. Ele tinha certa dificuldade para falar, por isso se poupou. Ao invés disso, lançou um olhar saudoso para os dois e indicou que gostaria que se aproximassem.

Como Jung Mi o encarou por mais um tempo, ele identificou o sinal e se aproximou do avô. Deu um suspiro e perguntou num tom gentil.

- Como se sente, haraboji?

A resposta veio num toque de mãos e um tapinha meio torto com a mão direita. Han Jae umedeceu os lábios e encarou Hyun.

- Está clinicamente estável, se recuperando bem para alguém de sua idade. Porém, ele está com problemas para falar e comer. O fisioterapeuta começará o trabalho amanhã pela manhã, para avaliar e ver quanto tempo mais será necessário manter isso.

Jung Mi prestou atenção nas palavras dele e voltou a atenção para o avô.

- Araso…O senhor precisa se esforçar, haraboji. Nós vamos ajudá-lo onde pudermos, não é hyeong? - Perguntou sem olhar para Hyun Hee. - Também gostaria que o senhor estivesse bem e recuperado para o festival do colégio. Ainda tem algum tempo para isso, mas faço questão que vá.

Era uma espécie de estímulo. O velho forçou um sorriso e sabia que festival era esse que ele estava falando - conhecia o cronograma do colégio por ter matriculado Hyun e também sabia que Jung Mi tocava violino.

Han Jae ficou surpreso com aquilo e encarou o garoto.

- Não precisa ficar. - Comentou. - Está tudo bem, seu avô não deu trabalho e as acomodações estão boas aqui. - Avaliou um pouco melhor o rosto dele. - Você está bem? Dormiu bem...se alimentou direito? - Não disse aonde para que o avô não ficasse aborrecido.

Contudo, Jung Mi compreendia e achou bastante peculiar aquela relação. Um segurança tão preocupado assim era curioso. Ia muito além do estado físico, quase como se estivesse preocupado com o emocional também. Olhou por um instante, mas quando encarou o avô de novo, também viu um olhar...diferente.

O avô parecia admirar a cena.

Jung Mi não entendeu nada, mas apenas absorveu aquilo, dando espaço para que Hyun Hee se aproximasse, quando quisesse. O avô não parecia irritado por vê-lo, muito pelo contrário. Parecia até um pouco mais feliz e aliviado.

Uma coisa que Hyun poderia reparar era que o quarto tinha recebido flores também. Havia um arranjo de flores em tons pastéis. Era pequeno, porém de muito bom gosto. Ficou exposto numa mesinha próxima à tv, de modo que o Sr. Hong pudesse vê-lo e se inspirar nele. Jung Mi também reparou e viu que havia um cartão também.

- Flores...O senhor ainda está em boa idade para receber flores, haraboji. - Jung Mi comentou num carinhoso. - São de quem?/color]

- Ahm...Da Srta. Park. - Han Jae tentou conter o sorriso e olhou de modo discreto para Hyun. - Ela voltou ontem depois que vocês foram embora e deixou comigo. Os médicos não viram problema.

- Hm… - Jung Mi olhou para o cartão, curioso.

- O Presidente gostou particularmente do cartão.

- Posso?

Caso Hyun não pegasse primeiro, Jung Mi o leria. Ele também esboçou um sorriso achando certa graça. Associou o nome à pessoa graças ao cartão e as coisas fizeram um pouco mais de sentido.

“Que as flores o inspirem na recuperação!!
Fighting, Haraboji!!!”


Ao lado, um desenho de uma joaninha com os braços erguidos e balões. Essa menina definitivamente tinha parafusos a menos na cabeça.
(C) Ross
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Jae ficou surpreso por Kang dar a ideia de tacar ovos, era até uma boa, pena que Won era certinho demais pra essas coisas. Além disso, Kang tinha razão quando disse que deveria se comportar se fosse trabalhar lá.

- É... Já não gosto da família dela, mas tá, trabalho é trabalho...

Ele não gostava de imaginar que trabalharia para a família que fez mal ao Won. Mas se abrisse mesmo essa oportunidade, teria que tomar cuidado. Jae-ki balançava a cabeça pra mostrar que concordava com os amigos no resto da conversa.

Só não achava que falar com Bo-mi tinha a ver com Eun-bi, mas era a decisão de Won. Ouviu o amigo dizendo que tinha reservas, lhe dava nervoso ver alguém largar o emprego assim, mas o entendia. Apesar do pai de Won ser policial, Jae achava que seria uma boa eles voltarem a se entender.

Achava o pai dele bem chato, mas dessa vez ele podia tá certo sobre a família da Bo-mi. Pele menos, se Won tivesse ouvido não passaria por isso agora. " Aigooo.. Tô ficando do lado de um policial? Tô louco... Só pode..." Mas não era loucura, talvez fosse a sensibilidade recente por perdido o emprego. Apesar de tudo, o pai de Won parecia se preocupar com ele, foi o que pareceu naquele dia no hospital, apesar de tá com raiva, o pai dele os levou no médico. Jae-ki sentia falta de ter alguém assim.

- É isso aí Won, tá mais que na hora de focar no treino! E vai ver seu velho tinha um motivo mesmo para odiar essa família, sei lá... Vai saber quando descobrir. Só acho que devia recuperar mesmo o que perdeu por causa dela.

Balançou a cabeça animado e completou:

- Você ainda tem muita coisa boa pra fazer. Quero te ver nas olimpíadas, cara.

Kang perguntou o que iam fazer, Jae-ki respondeu:

- Eu vou ver como a Soo-jiya tá. A halmoni tá doente, então não quero chegar de noite em casa, então não sei quanto tempo vou ficar, vou ver o que faço... Mas Won, você não é uma péssima companhia cara, pode ficar o quanto quiser. Eu acho que vai ser de boa falar com o seu pai, Won. Quando puder conta pra gente, e vê se no treino põe essa raiva pra fora. Agora vou lá ver elas, se cuida Won.

Passou a mão no ombro do amigo antes de entrar. Assim que abriu a porta, olhou ao redor e viu a irmã abraçando a bailarina. Ficou feliz por ver que não estavam chorando dessa vez. Olhou para baixo para ouvir o que a irmã tinha a dizer e sorriu por vê-la feliz. Ela nunca deixava de pensar nele, sempre fazia questão de dividir os doces.

- Uwa, você ganhou tudo isso? Daebak! Mas você pode comer sem mim, é um presente para a princesa.

Isso Jae-ki só falava mesmo para irmã, mas sabia que a menina iria insistir, era difícil não ceder a ela. Arregalou os olhos quando ouviu ela mencionando do Aladdin e falando o nome verdadeiro de Eun-bi. Jae lançou um olhar para a bailarina e sorriu ao vê-la fazer um V de vitória. Se sentiu aliviado por ver que isso tinha se resolvido, era como estar mais leve para ficar com Eun-bi. Parecia que isso realmente tinha ficado no passado agora. Voltou novamente o olhar pra irmã e disse:

Capítulo 5 - Página 18 3f6757c3e30bdc8a48fe916f02eddacb

- Mwo? Aladdin? - Pensando melhor, até que parecia mesmo em parte, por isso riu em seguida - Ahhh! Araso... Mas eu sou mais bonito...

Comentou para brincar com a irmã, em seguida continuou:

- Hum... Mas eu tô com ciume delas, quero um abraço também... - Abaixou e abriu os braços para irmã lhe dar um abraço - Vou te fazer um desenho da Jasmine hoje, você quer?

Lançou mais um olhar para as garotas, se sentia grato por elas terem tratado bem a sua irmã. Era verdade que ele mesmo gostaria de ter dado essas coisas, mas enquanto não podia, ficou feliz pela irmã ter seu suco. Sua visão sobre MiSoo também mudava, ainda não gostava muito dela, porém ela tinha sido legal com sua irmã.




— Ross



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Jae-ki
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Lee-Hi era o tipo de menina que nunca – nunca mesmo! – ficava feia. Ela tinha um rostinho todo perfeito e poderia muito bem se passar por uma artista, como ela gostava de comparar as herdeiras de WangJo. Se bem que, de fato, não fugia tanto da realidade, considerando que algumas garotas do colégio até apareceram numa revista famosa, e todas extremamente bonitas em vestido elegantes e belos penteados - inclusive a Princesinha Gremlin. Mas não tratava-se da questão ali... Enquanto observava as lágrimas da amiga, contendo o impulso de abraçá-la e dizer que tudo se resolveria, Sunny não deixou de imaginar que, sendo novidade, óbvio que ela chamaria atenções. Principalmente dos garotos.

Quando estendeu a mão, pegando a de Lee-Hi e, enfim, soltou a pergunta, Sun-Hee já refletia sobre algumas possibilidades. Mas cortou os pensamentos assim que a amiga aceitou o gesto afetuoso, apoiando-se nele para continuar a falar.

Apertou-a com um pouquinho mais de força, incentivando.

“Ele...”

Por que esse ele ainda não tinha um nome?

Mas Sunny nada disse, apenas se colocou no papel de ouvinte, assim como também ofereceria os ombros magros caso Lee-Hi desejasse – prometeu que não a desampararia, independente do que tivesse acontecido. Porém, em silêncio, escondia o medo daquilo que estava prestes a escutar... Medo da verdade. E conforme a menina avançava na história, mais temerosa Sunny se sentia em relação ao desfecho.

Ela sentiu a pressão dos dedos de Lee-Hi e com a mão livre, envolveu as já entrelaçadas e o sorriso camuflou o próprio rubor diante da revelação.

Um beijo...

O primeiro beijo dela!


Isso era... Sunny não estava certa de como poderia descrever.

Nem percebeu que parou de respirar quando Ha Yi fez aquela pausa e... quebrou o contato, recolhendo as mãos, ocupando-as com a xícara ainda quente por causa do chá. Sunny deu todo o espaço a ela, tombando as palmas nas pernas enquanto os olhos estudavam a feição da amiga. E então... lá estava. A verdade. Nua e crua. Limpa. Sem rodeios. Apenas o que... ocorreu nesse período. O motivo do humor instável, da crescente queda no rendimento, o comportamento arisco e afastado...

Tudo foi resumido numa única frase.

Não foi possível controlar o choque assim que as palavras formaram sentido em sua mente.

-  Você...

Assustada com o peso da revelação, Sunny cobriu a boca e arregalou os olhos.

O resto do discurso veio em câmera lenta, pois Sunny absorvia cada partícula, feito uma esponja, mas foi Lee-Hi referindo-se a si mesma de uma maneira tão baixa que ativou o gatilho contra aquela súbita inércia.

-  Você... Lee-Hi!!! Como você... Você...

Não queria magoá-la ainda mais, mas estava... furiosa! Ela praticamente saltou do banco e as mãos começavam a tremer devido à raiva. Nunca precisou lidar com uma situação parecida... Não tinha qualquer experiência... nada. E isso só tornava tudo mais frustrante e desesperador. Incapaz de se manter parada, Sunny iniciou uma caminhada que ia de um lado ao outro, coçando o centro da testa. Num rompante, voltou a se aproximar de Lee-Hi, tirando a caneca dela e a colocando na bancada para que pudesse sacudi-la sem correr o risco do líquido cair e queimá-la.

-  Nunca, nunca mais você se chamará assim de novo! Ouviu, Lee-Hi?! Prometa!!!

Devagar, diminuiu o toque, mas não a soltou.

-  Como você permitiu que chegasse a esse ponto? Como? Você foi tão... – ainda tinha a delicadeza de procurar um termo menos ofensivo –  tão tola... Tão...

Inocente? Claro que foi!

E estúpida também. Muito, muito, muito estúpida!

-  Obedecê-lo?!?! Ele, por acaso, se tornou o seu dono??? Valeu a pena se entregar a um menino que pensa ter o direito de colocar rédeas em você, hein? Por que não veio conversar comigo? Não diga vergonha... Sério??? Eu sou sua amiga! Eu quero o seu bem, e não esse idiota com quem se envolveu! Idiota sim, porque duvido que você estaria chorando se ele a tivesse tratado com o mínimo de dignidade, não é mesmo? Não estou certa? – Sunny não parava de vomitar e, de repente, a emoção que reteve durante a bronca, transbordou dos olhos apertadinhos por meio de lágrimas grossas –  Lee-Hi... Você... – e chorando, ela a envolveu num abraço trêmulo e nervoso, mas sincero o suficiente para Lee-Hi esquecer a sensação de estar “suja” –  Sua tonta... Eu não acredito que...

Permaneceu nessa troca por alguns minutos até se afastar de leve, enxugando o rosto com os punhos.

-  Quem? Quem é o menino? Ele é da sua sala?

No entanto, existiam questões mais importantes...

-  Chega disso. Chega de se martirizar assim, entendeu? Agora, não tem mais volta. Você já perdeu muito tempo. Só está cometendo um erro atrás do outro... Esse... Esse... garoto... não vai atrasá-la mais. Não vai! Você se recuperará nos estudos, no trabalho... Você irá parar de prejudicar sua saúde e... vou te ajudar. Eu vou te ajudar, amiga.

Apesar da maneira mais branda de falar, Sunny ainda estava zangada.

Muito zangada.

-  Vocês... tomaram todos os cuidados? Digo... Vocês dois...

Ela mordeu o lábio e corou, não conseguindo completar, mas Lee-Hi entenderia qual era a dúvida de Sunny.
SÁBADO - RESIDÊNCIA KIM

— Ross
Kim Sun-Hee
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LOJA DE CONVENIÊNCIAS: ANYTIME. 8 DE JUNHO. 3:50 P.M.


- Claro que fez. - Eun Bi insistiu, dando um pouco mais de carinho. - Você me inspira e me dá forças. Isso é muita coisa.

Recuou para pegar sua garrafa d’água. Estava com um pouco de sede mesmo depois de tanto falar, rir e brincar. Abriu e deu um gole razoável, mas logo se arrepende. Quando o líquido bateu no estômago praticamente vazio, doeu bastante e não conseguiu evitar uma cara de desconforto.

- Nossa.. - Levou a mão até a boca. - Que gelada. - Tossiu de leve, ponderando sobre o que ela tinha dito. - Não pensei ainda para onde vamos.

Olhou na direção de Jae Ki enquanto ele abraçava Soo Ji e deu um sorrisinho. Misoo perceberia que a amiga realmente gostava deles. Riu de leve com o comentário da amiga, concordando em partes. Queria mesmo ficar um tempinho à sós com o garoto, tinha gostado da sensação de proteção da noite anterior. A presença dele sempre mexia com ela - fosse para irritá-la ou para acalmá-la. Abraçou o braço da amiga de novo e fez uma gracinha.

- Tão crescidinhas, tão namoradinhas. Nah, nós não estamos namorando...ainda. - Comentou. - Mas mesmo assim, obrigada, amiga… - Não saiu de perto dela, embora caminhassem na direção dos irmãos Song. - São sementes de que? Eu nem sabia que vendia coisas de jardinagem aqui, tem coisas legais, é?

Interessou-se enquanto completavam o caminho.

[...]

Soo Ji fez um beicinho quando o irmão rejeitou. Já sabia como era: ele sempre recusava, mas no fim aceitava dividir as coisas com ela. Não parou de falar, contando tudo o que tinha acontecido do seu modo querido.

- Ung! Aladdin! A unnie disse que você tem o nariz dele. - Não se aguentou e começou a rir com gosto - Mas eu acho muito bonito, viu?

Jae Ki nem precisava pedir duas vezes pelo abraço da irmã. Soo Ji já estava agarrada às pernas dele e mal deu tempo dele se abaixar direito antes de se pendurar em seu pescoço. Fechou os olhos e apertou o carinho. Estava extremamente grata pelo irmão levá-la para um passeio como aquele.

Ultimamente vinha se sentindo muito sozinha. Eles ficavam juntos quando ensaiavam, mas nessas duas semanas - o tempo de provas - ele estava sempre ocupado e ela não queria incomodar. Agora, contudo, ela se sentia inserida no núcleo dos amigos dele de novo. Viu que as duas começavam a se aproximar de novo e começou a soltar o irmão.

Caminhou de modo tímido até Misoo para pegar seu suco porque ainda estava com muita sede, mas deixaria o docinho para casa.

Quando ela mexeu na bolsa, reparou no kit de jardinagem. Era uma menina curiosa, mas não intrometida como o irmão. Assim que pegasse o suco, apenas daria um sorriso grato antes de se curvar de levinho para agradecer.

- Bom, podemos ir? - Eun Bi incentivou e trocou um breve olhar com Jae Ki.

Do lado de fora havia Kang. O rapaz estava de pé, observando a direção que Won Bin tinha saído. Parecia bastante pensativo, como se alguma coisa que o amigo dissera, tivesse ficado em sua cabeça. Estava, inclusive, coçando a região conforme foi se virando e os olhos automaticamente bateram em Misoo.

Foi abaixando o braço e a encarou por mais tempo do que o normal. As palavras de Won estavam ecoando em seus ouvidos de novo, a ponto de ser quase indiscreto. A menina até podia achar que tinha algo estranho nela, mas Woo Jin piscou várias vezes e desviou o olhar.

Com sorte, Jae Ki e Eun Bi não reparariam porque estavam se encarando. Soo Ji estava mais próxima de Misoo por querer ajudá-la com as bolsas e a bailarina também estava com o passo atrasado para ficar mais um pouco com Jae Ki.

- Você vai ficar mais um pouco ou já está de saída? - Perguntou de modo tímido, com as bochechas corando de leve.

Nem passou pela cabeça dela perguntar sobre Won ou Bomi agora, porque já tinha uma noção de que as coisas tinham sido péssimas. No momento, Bibi preferia se focar no que fazia bem a ela e queria poder ficar um pouco com Jae Ki antes que ele fosse embora.

Woo Jin tinha desviado o olhar e catou o celular, disfarçando depois de ficar encarando Misoo por muito tempo. Infelizmente, sua mente tinha dado tela azul. Tinha nada a ver o que Won falou, né? Eles não tinham nada demais...Eram amigos...Ou começaram a ser amigos, né? Não tomou a iniciativa de se aproximar, dessa vez porque quando chegava com a cabeça bugada, ele geralmente falava besteira.

E não queria perder o apelido de sábio justo agora.
(C) Ross


WON BIN. 8 DE JUNHO - 5 P.M


Kang concordava com aquelas pequenas resoluções que Won apresentava para a vida. Até onde sabia, o garoto não passava por necessidades em casa. Não era como Jae Ki que, praticamente, carregava a família nas costas, tampouco como ele com uma casa cheia de gente e despesas elevadas. Sendo apenas ele e o pai policial, deveria ser mais tranquilo lidar com as contas.

Talvez o melhor fosse focar nos treinos de novo. Além de ser algo que ele gostava de fazer, também era uma forma de descarregar as energias.

Quando Jae Ki se levantou, Woo Jin apenas acompanhou com o olhar. Não sabia o que os amigos fariam agora, mas seu expediente tinha acabado! Como fez um acordo de folgar na segunda, ele também trabalharia no domingo. Estava um pouco cansado, mas nunca dizia “não” aos planos dos Dragões.

- Eu tô de boas. Agora eu vou esperar o Jae Ki já que você tá indo embora. - Comentou. - Toma um banho e faça uma maratona de filmes. Coma pizza ou algo gordo. A pizza é o nosso chocolate, né? - Refletiu. - Enfim, tome seu tempo. Como disse, eu acho normal ficar triste pelo que aconteceu, mas não se deixe abater para sempre, ok?

Deu uns tapinhas no ombro dele, passando confiança.

Levantou-se depois que Jae Ki se foi e o encarou curioso. Ouviu a pergunta sobre Misoo e, sem querer, olhou na direção da loja, procurando pela imagem dela. Eun Bi tinha acabado de agarrá-la e beijá-la. Deu um sorriso gentil e meneou positivamente.

- Eoh, ela é bem legal. - Concordou. - Achava que ela não curtia muito a gente, mas acho que foi uma questão de tempo. Ela me empurrou para o trem fantasma, foi uma experência horrorosa, porem divertida.

Admitiu, dando um sorriso ao se lembrar. Não comentou absolutamente nada sobre as incertezas que ela apresentou naquele momento. Parece que a lingua dele não era tão solta assim quando ouvia segredos de meninas - ela nao considerava algo secreto, mas ele achava que era sim.

O sorriso foi sumindo e ele cerrou os olhos com aquelas premissas levantadas por Won. Até que arregalou os olhos e abriu a boca.

- M-M-m-mwo!? Nada a ver!! - Disse chocado. - Esqueceu que ela namora?! E logo com quem namora?!?! Eu tenho amor à vida! Não, eu nunca vi desse modo. NÃO.

Fez até uma expressão engraçada, convencendo-se de que não era como ele via. Despediu-se de Won sem a mesma energia de antes porque ficou com uma questão a mais para pensar. Acenou para ele, mantendo-se de costas para a loja de conveniências. Foi vendo os passos de Won e lamentando a sorte que ele tinha.

[...]

O caminho para casa nunca tinha sido tão silencioso. Não era a primeira vez que Won abria mão da música para ter a companhia dos próprios pensamentos. Quando foi “expulso” do dojo, ele também se sentiu assim. Eram dores diferentes, mas igualmente profundas.

As ruas simplesmente passaram por ele de modo que ele quase não as via. O corpo sabia seguir sozinho para casa e foi assim que deu o sinal e desceu no ponto que ficava perto de casa. Não estava mais onde deveria agir como um fantasma, mas a sensação não o abandonava. Era uma expressão completamente oposta a que ele tivera naquela manhã.

Para completar, agora que estava sozinho - sem gente no ônibus ou a companhia dos amigos - ele perceberia que havia uma lembrança ainda presente daquela conversa: se ele abaixasse um pouco a cabeça, podia sentir que o perfume dela tinha ficado impregnado na camisa dele por conta da hora que deram o último abraço. O cheiro era agradável - não era de morango como os lábios dela - mas bastante doloroso também.

Diferente do que imaginava, as luzes já estavam acesas quando ele chegou em casa. A cozinha estava movimentada e o som de panelas indicava o desastre iminente. Por algum motivo, o pai tinha decidido cozinhar.

Ele era um péssimo cozinheiro - só era bom com comida pronta, mas um desastre com as panelas. Estava de costas para a porta, sem visão da expressão do filho, mas ciente da presença dele.

- Ya, você já chegou!? - Tinha calculado mal o horário. - Como foi o seu dia?

Iludido pelo início daquela manhã, ele achava que estava um passo mais próximo do filho do que antes. Por isso estava tentando o passo seguinte para iniciar um diálogo.
(C) Ross


SUNNY. 8 DE JUNHO. 5:35 P.M.


A partir do momento que deu continuidade às primeiras coisas que havia experimentado graças ao garoto sem nome, Lee Ha Yi não teve mais coragem de encarar Sunny. Muito embora ela fosse sua amiga, o que ela tinha feito foi muito errado - mal comparando, seria como se estivesse admitindo que havia matado alguém.

Sabia que Sunny tinha prometido apoiá-la e ajudá-la independente do motivo. Mas também carregava a certeza de que a amiga não sabia o quão profunda tinha sido a marca que Lee Hi adquira naqueles últimos meses. Será mesmo que ela receberia bem aquela história?

Conforme sentia que Sun Hee arregalava os olhos, a amiga se encolhia e fechava os próprios. Era difícil repassar, mentalmente, aquela situação. Transformá-las em palavras ditas era uma missão que beirava o impossível, mas absorvê-las era o real desafio. Sentiu-se mal por ter aceitado a ajuda da menina. Ela não merecia ter que ouvir ou lidar com aquele problema que não era dela.

- Sim, Sun Hee… - Não conseguiu chamá-la pelo apelido de sempre, devido ao teor da conversa. - Eu...eu...eu aceitei. Eu…quis.

Levou a mão até a boca ao falar a última palavra. Era mesmo uma vadia, pensou. Que tipo de garota admitia que realmente tivera desejos e aceitara passar por aquilo? Não dava nem para falar que foi um acidente ou uma vez só. Porque não foi! Recuou um pouco e também se levantou quando Sun Hee o fez.

Dessa vez, se obrigou a observar a reação dela apesar de não ter coragem de olhar para sua cara. Percebia como a mão dela tremia e o corpo não se continha em se manter fixa num lugar. As perninhas andavam de um lado para o outro, acelerando as batidas do coração de Lee Hi. Sem perceber, a garota ainda segurava a caneca com uma das mãos, mas a mesma logo foi retirada por Sun Hee.

Foi apenas o tempo de puxar a respiração antes de ser sacudida daquele modo. Fechou os olhos e grunhiu de levinho antes de voltar a chorar.

- E que outra palavra tem!? - Perguntou quando parou de ser sacudida e tentou controlar o choro. - Não existe! É a verdade!!

Respondeu ainda sentindo o toque da amiga, mas desaprovando. Sunny estava se sujando ao tocá-la daquele jeito. Queria muito conseguir rebater aqueles questionamentos, mas resumiu com a mais lógica conclusão de todas..

- Porque eu estav...estou apaixonada por ele!! - Soluçou. Por isso a pergunta de antes.

E se fosse Sunny?

Lee Ha Yi não sabia dos detalhes da conversa dela com Jung Mi, mas...ela também não tinha sido tola de acreditar em alguém? Tola de...esperar por esse alguém? Eram situações distintas, mas extremamente próximas.

A amiga se calou diante do rompante de fúria de Sunny. Sua vergonha só estava aumentando naquele momento porque a cada palavra dita, mais imbecil ela se achava. Acreditou nele porque se apaixonou pela ideia que tinha sobre ele. Queria viver aquele sonho para sempre, não queria que ninguém tentasse despertá-la. E era isso que as amigas, fatalmente, fariam.

O choro ficou ainda mais intenso porque agora que ouvia tudo de Sunny, ela se sentia um lixo ainda maior. Conseguiu se sustentar de pé, mas mal respirava - estava entupida por conta das lágrimas.

O abraço apenas piorou - ela começou a soltar o ar pela boca e o choro silencioso ficou alto. Apertou o abraço e tentou dizer algo como.

- Mi...mi...mianeee… - Mas o pedido de desculpas mal saíam porque viravam um gemido de dor enquanto ela explodia e se agarrava à amiga.

Afastou-se, mas não conseguiu encarar a garota. A pergunta sobre o nome, apenas foi respondida com um menear negativamente. Não queria dizer o nome. Sabia que sua amiga ficaria louca e ela não queria piorar ainda mais a situação. Sunny também parecia ter mudado seu foco de atenção. Uma onda de gratidão começou a se formar em Lee Hi, bem como uma luz de esperança naquela escuridão.

Contudo, antes que conseguisse pensar em responder, Sunny veio com uma pergunta que foi ainda pior do que a que ela fizera antes, perguntando o nome da pessoa.

Ha Yi travou, parando o choro na mesma hora. Começou a mexer a cabeça como se fosse bastante óbvio.

- A…- Começou a passar a mão pelo rosto, secando as lágrimas. Foram necessários algumas vezes porque não paravam de escorrer. - Uri… (nós…). - Travou a expressão.

Permaneceu assim por um tempo que parecia eterno até que o pânico surgiu em seus olhos. Foi tateando, em busca da cadeira e a puxou novamente para se sentar. Sentia sua pressão despencando de um jeito que não estava mais dando conta de si mesmo.

- Sunny...Não...Não pode ser. Não...Não.
(C) Ross
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- Isso é um pouco injusto…    - reclamou bem baixinho, desanimada.

Achava injusto porque ficaria esperando seu príncipe na torre do castelo, até o dia que ele resolvesse gostar dela, o que poderia nunca acontecer então. Na situação anterior, Miwoo já era “obrigado” a ficar com ela, então tudo estaria certo, bastava que se acertassem aos pouquinhos. Mas pelo que o pai falava agora, não era bem assim, talvez o acordo fosse desfeito e ela ficaria nessa incerteza por anos e anos. Não queria casar agora, mas não podiam construir o relacionamento? Mas se não existia nada certo, era muito esperar que Wang Miwoo se apaixonasse por ela agora com aquela diferença de idade toda.

Isso a fez achá-lo uma pessoa ainda melhor, porque o noivo estava fazendo um esforço,  mesmo não tendo obrigação nenhuma com ela por não ser diretamente seu noivo. Era natural que ele fosse educado e gentil com ela, como uma irmã mais nova. Será que estava passando vergonha por deixar seus sentimentos tão claros?Na ligação de mais cedo, ele parecia muito mais do que apenas gentil. Ele estava encantador. Será que só estava sendo educado? A sogra a tratava já como uma pretendente certa e a tia também. Mas não era o caso do próprio pai.

Enquanto ela achava que isso era a maior certeza de sua vida, que teria um companheiro para não deixá-la sozinha, mas agora lidava com a realidade mais básica de todas que era o livre arbítrio real das duas partes.  Quando recebeu essa notícia, era muito nova e tratava isso como um fato de sua vida, como se fosse a história de uma princesa da Disney, esperando pelo príncipe fortão aparecer e concluir sua história, mas agora sentia que estava mesmo apaixonada por Wang Miwoo, muito além do acordo. Era uma adolescente com hormônios também, apesar de alguns acharem que ela era só uma menininha. Queria ficar com ele como namorada, não porque ele era seu futuro pretendente. Não queria um marido frio que saía com ela nos eventos, mas um namorado. Alguém para cozinhar pratos favoritos, para ir ao Aquário, restaurante, parque…

Gostava de Miwoo desse jeito.

Sorriu para o pai quando ele tentou amenizar a situação. Gostava de ser alvo de ciúme paterno daquele jeito, fazia com que se sentisse especial e querida. Perguntou então sobre os pretendentes possíveis e riu mais quando ele disse que estava sofrendo só com aquele.

Franziu a testa de leve.  Era só pedir então que ele poderia “trocar” seu noivo? Isso a preocupou porque significava que Miwoo poderia fazer a mesma coisa a qualquer momento, mesmo com ele dizendo que não sabia se ele tinha outras pretendentes. Será que… Tinha alguém mais fácil? Ficou um pouco triste. Não queria alguém mais fácil, queria ele. Mas e se ele não quisesse? Bem, ela entenderia perfeitamente se fosse o caso. O mundo deles só se encontrava na questão do dinheiro. Era tão ruim sentir que estava separada por um abismo de diferenças! Logo ela, herdeira da segunda família mais poderosa da Coreia, com dificuldades para encontrar um amor. Que ironia. No fundo, era só uma adolescente normal, com inseguranças normais e querendo alguém para andar de mãos dadas no Natal.


- Eu acho que ainda não, appa...  - respondeu, sobre novos pretendentes, mas aquela nova possibilidade tinha sido criada agora.

Queria tentar mais um pouco, afinal, só estava começando. Não tinha sido absolutamente perfeito, mas estava começando e bem bom, né? Não podia mudar o que sentia por Wang Miwoo assim, da noite para o dia, e podia dizer que estava muito apaixonada, mas se não eram obrigados a ficar juntos, então talvez descobrissem que “não era para ser” e, apesar de sofrer um bocado, ela deixaria que o noivo fosse feliz sem ela. Era isso que era amor, não é? Esperava que o próximo encontro fosse ótimo e mediria se poderia de verdade se tornar mais do que uma colegial admiradora.

Hyemin concordou com a mudança de assunto. O pai não tinha como saber de toda a fantasia que ela carregou por anos após uma simples conversa na cozinha, mas para ela, mais uma vez aquele papo curto tinha surtido efeitos.

- Aigoooo. Appa!!! Não dorme. Eu comprei para a tarde! Não sabia se appa vinha cedo e não queria que perdêssemos o filme. Maaas podemos passear em Gangnam enquanto isso, que taaal? - abriu um sorrisão. - Ontem fui em um lugar de churrasco coreano ótimo. Está com saudade de comida coreana? Podemos ir lá mais tarde - comemorou, mudando completamente o tom da conversa.

Ainda tinha um pequeno assunto a tratar com ele, mas, por enquanto, deixaria que um novo momento surgisse naquele dia mesmo, talvez depois do filme ou quem sabe de volta para casa? Hyemin não era uma  boa planejadora, mas não queria deixar passar o dia, ou sabia que poderia esquecer. Só não o fazia agora porque estava andando com o celular o tempo todo, caso a amiga lhe enviasse emojis de gato.

Residência Seo

— Ross
Seo Hyemin
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Assentiu para as palavras de Jae-ki, queria que o amigo não ficasse preocupado mas realmente não iria ser uma boa ficar perto delas por hoje.

Ainda teve um momento para falar um pouco mais com Kang que pedia que não se abatesse.

”Mais fácil falar do que fazer”

Pizza até que não cairia mal hoje.

Também teve chance de falar um pouco sobre o que tinha visto ontem sobre Kang e Misoo...era um tanto curiosa a reação dele.

”Ele tá sorrindo e lembrando do trem-fantasma ao mesmo tempo” sabia como o amigo era medroso.

Foi quando disse de forma mais incisiva sobre os dois,

- M-M-m-mwo!? Nada a ver!! - Disse chocado. - Esqueceu que ela namora?! E logo com quem namora?!?! Eu tenho amor à vida! Não, eu nunca vi desse modo. NÃO.

-Calma calma Kang. O que eu quis dizer é o que eu percebi. Ela é legal e eu apoio caso algo aconteça - disse oferecendo a mesma aceitação que os amigos davam a ele - Você nunca sabe o futuro e sinceramente eu acho você melhor que o outro cara - disse de forma sincera. Realmente ela namorava mas parecia um namoro tão estranho, não entendia porque alguém tão explosiva quanto Misoo ia ficar com um cara frio daqueles.

Enfim Kang entraria na loja, um tanto pensativo com o que Won tinha dito.

”Espero não ter bugado ele muito” pensou. Torcia pelo amigo e queria recompensá-lo por ontem mesmo que as coisas tenham dado errado no final.

Era hora de levantar e encarar a volta pra casa.

O caminho parecia mais longo, talvez o cansaço por conta de toda a discussão o tivesse deixado mais exausto. Cada pedalada parecia mais pesada que o normal, ou talvez o peso fosse em seu peito.

Sozinho ele ainda sentia aquele aroma na camiseta. Parecia que as rodas da bicicleta tinham ficado quadradas.
Sabia que seria uma das últimas vezes que colocaria os pés naquele lugar e a distância apenas cimentavam aquele sentimento de despedida. Ainda iria no dia seguinte para oficialmente pedir a demissão e depois disso...nunca mais, pelo menos até que algo mudasse naquela situação.

Mas seria inútil ter esperança de que a situação mudaria se só Won quisesse lutar por esta mudança. No fim se sentia exausto de qualquer maneira.

Por sorte segunda não tinha o clube que Bomi também fazia parte. Ignorar ela na sala de aula talvez fosse mais fácil mas no clube de música ia ser mais tenso se tivesse de fazer exercícios vocais juntos ou algo do tipo.

Chegou em casa e para sua surpresa as luzes estavam ligadas.

”Som de panelas, as luzes da cozinha estão ligadas. Oh não, oh não…”

Era seu pai tentando cozinhar. Da última vez ele teve de jogar um balde de água no fogão. Foram dias tirando gordura da parede.

- Ya, você já chegou!? - Tinha calculado mal o horário. - Como foi o seu dia?

Pensou por um instante em como responder isso. Depois do choque de ver que esta seria mais uma sessão de cozinha do caos Won foi preenchido por um sentimento de nostalgia que lhe apertava o peito.
Nostalgia de tempos que eram solitários mas simples.

Não queria cortar o clima pra cima do pai, mas também não queria mentir: foi mentindo que todos os seus problemas começaram.

-Oi pai. Oh não, me diga que está fazendo miojo. Eu acho que ainda tem pedaços da massa daquele dia no teto - disse brincando e se aproximando da cozinha. Tentava soar bem mas o pai o conhecia muito bem para perceber que não havia a empolgação da manhã em sua voz, na verdade ele soava bem diferente do normal até mesmo nos outros dias.

O brilho que Won tinha se apagou e ele não sabia se o recuperaria algum dia, mas forçava um sorriso como quem tenta manter uma fogueira acesa no meio do inverno.

-Eu tinha uma expectativa pro meu dia hoje e não foi muito bem. Na verdade deu tudo bem errado hoje - disse chegando no fogão e olhando o que o pai estava fazendo. Iria ficar ao lado do pai e começar a ajudar a fazer as coisas como cortar legumes ou algo do tipo. Faziam literalmente anos que não cozinhavam juntos.

-E muito errado mesmo. Eu acho que...eu acho que você tinha razão. Meu lugar não é lá, não mais - disse sem olhar para o pai. Sentia aquele sentimento horrível de ter errado o café novamente e não ia aguentar ficar olhando para ele.

Tinha imaginado que seria horrível admitir que o pai tinha razão mas nesse caso...ele realmente acreditava nisso.

Wangjo

— Ross
Won-Bin
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- Não estão, é?  E o que estão esperando? Quer que eu dê um corretivo nele para assumir logo?

Brincou com cara de brava, mas não queria mesmo que Jaeki ficasse enganando sua amiga. Talvez para ele fosse normal essa coisa de “conhecer melhor”. Até onde que ele queria “conhecer melhor” para depois dizer que não queria? Não suportava essas coisas em cima do muro. Por isso que, foi difícil, mas decidiu logo fingir o tal do namoro, numa forma de resolver o problema de todo mundo de uma vez, mas não cogitava virarem um casal de verdade. Também era por isso que sentia-se mal na presença de Gyu Sik, que a tratava de um jeito muito esquisito, que não era de amigo como antes, mas também não dizia com todas as letras o que pensava. O mesmo problema enfrentava com Bomi, mas essa ela estava dando uma colher de chá pelos acontecimentos.

- São ervinhas e temperos. Chamam de “mini jardim” de apartamento. Já que não posso participar do clube, pelo menos ninguém pode me impedir de ter meu jardim, não é? - sorriu, empolgada de verdade com aquilo. -  É, enquanto fiquei rodando aqui dentro eu descobri várias coisas que eu não sei para que servem. Já tinha visto as luvas de jardinagem, mas lojas de conveniência nunca deixam de me impressionar!    

Misoo deu o espaço para que o triozinho se entendessem, ficando um pouco de fora enquanto Jaeki falava. Parecia que teria que aturá-lo por bastante tempo --- e nem era namorado!!!!  Essa informação era boa por um lado, porque quem sabe ainda havia esperança que ela não fizesse aquela besteira?

- A princesa dos jardins comprou seu kit - mostrou para Sooji a sacola e deu um sorriso. -  De uma próxima vez deixo você brincar com isso se quiser. Bem, agora tenho algum trabalho para fazer com isso. - piscou para Eunbi. - Então podem ir - em seguida deu uma olhada séria para Jaeki, como quem diz "Juízo!"

Reparou que Kang não parava de olhar para ela, o que a deixou bem desconfortável. Fingiu que não tinha percebido a princípio, mexendo no cabelo, ajeitando a roupa… O que estava estranho nela? Geralmente quando olhavam assim era para xingá-la depois. Aquilo foi incomodando até a hora que ela resolveu olhá-lo de volta e perguntar bem honestamente:

- Ya. Que foi? Tá tudo bem? - Era um misto de surpresa com vergonha, mas só porque eram amigos. A maior parte dela queria bater nele por ficar olhando daquele jeito. Qual era o problema dele?

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Yeun Misoo
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Hyun logo quis saber por que o avô não falava e lançou um olhar ao secretário assim que o irmão se aproximou da cama. Estava com medo que ele ficasse assim para sempre.

- Entendo…

Jung Mi agia tão normalmente que chegava a lhe impressionar, quase como se o ensinasse a ser um neto. Que saudades tinha de seu irmãozinho. Observou o dongsaeng com algum orgulho. Era esse talento social que lhe faltava às vezes. Sorriu de leve.

- É verdade, haraboji. Jung Mi é um dos melhores da sala. Além disso, ele se dá muito bem na Natação, é um líder no Grêmio e… Vai se apresentar com o violino para o Clube de Música? - chutou, demonstrando que, apesar de longe e amigo do ‘bolsista’, ele estava bem de olho no irmão mais novo também. - O senhor lembra como ele é talentoso, não lembra? - sorriu pela nostalgia. Queria fazer um elo ali.

Ao ouvir os questionamentos do secretário, diferentemente do que aconteceria caso estivesse com outro tipo de humor, o garoto apenas assentiu às perguntas.

- Eoh. Eoh. Está tudo bem. - parecia dividir algum segredo com ele, que era sua condição de saúde. - Então tudo bem. Lembre-se que se ficar doente não vai poder me seguir - deu um sorriso suave, mantendo um respiro do Hyun de sempre. Havia uma excelente relação ali.

Quando notou que Jung Mi lhe deu espaço, ele se aproximou também e encostou a mão no apoio da maca, observando o avô com culpa. Não conseguiu pedir desculpas na frente de todos ali, mas seu olhar dizia tudo. Estava bastante envergonhado. Queria prometer tudo de novo para ele, agora acordado. Sentia que a relação deles tinha mudado para sempre e para melhor. Ficou concentrado nisso até que chamaram sua atenção para o vaso.

- É mesmo? Sr. Hong arrasando corações? - brincou com o irmão e ficou muito surpreso ao saber de onde eram aquelas flores. - O quê… ela voltou…?

Ela teve consideração até aquele ponto? Sentiu um calorzinho no coração e ficou um pouco atônito, permitindo que o irmão lesse. Ele espiou o desenho e começou a rir.

- Aigo.. Aquela garota… - sorriu feito bobo. Algo muito inédito sem a presença física da menina ali. Certamente falaria com ela mais tarde. - Chaeyoun-ah tem um jeito particular de se expressar. - olhou o avô. Não disse nada, mas será que agora ele entendia o quanto ela era especial? Será que podiam dar um basta naquela questão só de interesse? Esperava que sim. Mas não começaria esse assunto. Não depois daquele susto.
Humor: depressivo /--+++

— Ross

Park Hyun Hee
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Jae-ki abriu a boca em formato de "o" quando ouviu a irmã comparando seu nariz com o do Aladdin. Mas logo formou um sorriso, não aguentava fazer uma expressão séria quando via a irmã rindo. Se ela estava feliz, então tudo bem, mesmo que estivessem falando do seu nariz. Deu um beijo na bochecha dela quando disse que achava seu nariz bonito.

Capítulo 5 - Página 18 ZznkvEf

- Tudo bem, sua unnie também acha bonito.

Fez um bico de brincadeira, depois sorriu para irmã. Olhou para Eun-bi e piscou para provocar:

Capítulo 5 - Página 18 FGMmUCN

Não esqueceu de quando ela falou que gostava do seu nariz. Recebeu o abraço gostoso da irmã, ela era tudo pra ele. Deixou depois ela ir até MiSoo pegar o suco. Jae-ki se levantou, acenou positivo para a pergunta da bailarina.

Sentiu o olhar de MiSoo sobre ele, essa garota... O que ela queria com esses olhares? Bom, pelo menos a tenista falava o que pensava, não era como Bo-mi que se fazia boazinha sempre. Ás vezes era melhor ter por perto alguém chata, mas que não mentia seus sentimentos, do que uma gentil o tempo todo, mas que não se sabia o que ela pensava.

Capítulo 5 - Página 18 Tumblr_inline_pb3pycG28i1vk002f_540

Quando saíram, Won já tinha ido embora. Jae-ki se aproximou da bailarina e pegou na mão dela, não queria ficar longe dela. Ouviu a pergunta dela e notou as bochechas dela corarem.

- Hummm... Dá pra ficar mais um pouco, ainda tá cedo - Olhou para o céu um instante - Só não pode chover, mas acho que não chove não.

Jae-ki queria ao menos poder dar um beijo nela antes de ir, mas não sabia como faria isso. Falou baixo perto do ouvido dela:

- Foi legal você ter resolvido as coisas com Soo-jiya.

Para Jae-ki isso realmente importava, exigia que fossem honestos com ela. Mas agora ele só estava tentando imaginar se teria algum lugar pra beijar Eun-bi longe da sua irmã, mas ainda perto para não deixá-la sozinha tanto tempo. Ele olhou para Kang e teve uma ideia. Estranhou ver MiSoo perguntando ao amigo se tava tudo bem.

- Ya, Kang, você fica um pouco com a Soo-jiya, é rapidinho, quero falar uma coisa com Eun-bi antes da gente ir embora. Vou só lá atrás da loja...

Olhou para Eun-bi pra ver se ela aceitava também. Na verdade Jae-ki não queria só "Falar". Depois foi a vez de conversar com a irmã:

- Soo-jiya, fica com o Kang um pouco? Mostra o que você já sabe dançar. O Kang também faz aula de dança, lembra? E aproveita o tempo, porque não vamos demorar muito. Temosq que voltar pra halmoni, então se quiser falar mais alguma coisa pra eles ou perguntar, é sua chance.

Se o amigo concordasse e a bailarina não tivesse nada pra discordar, Jae-ki ainda avisaria ao amigo, perto do ouvido:

- Não deixa ela sair sozinha com a MiSoo, fiquem onde eu possa eu ouvir um grito.

Ele confiava mais em Kang, tudo bem que MiSoo tinha sido legal, mas esses ricos podem ser bem irresponsáveis, não tinham muita noção do perigo, ao menos essa era sua visão. Também não sabia se MiSoo tinha experiência com crianças, mas Kang tinha um irmão pequeno.



— Ross



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Jae-ki
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LOJA DE CONVENIÊNCIAS: ANYTIME. 8 DE JUNHO. 3:50 P.M.


Eun Bi deu uma risada nervosa quando Misoo perguntou se queria que desse um corretivo nele. Não, não queria! Sabia que a amiga era bem capaz de tirar satisfações com ele e a verdade era que a bailarina gostava de como as coisas estavam seguindo. Parecia que, pela primeira vez, eles estavam agindo como adolescentes normais.

E não dois galos de ringue.

Felizmente, o assunto “jardinagem” chamou mais atenção da tenista. De braços dados, a bailarina espiava o que ela tinha ali. Quando ouviu o comentário sobre a loja de conveniências, achou um pouco curioso. Não prestou muita atenção na amiga na noite anterior, mas lembrava com quem ela tinha voltado.

- Ah é? Que interessante… - Comentou de um jeito esquisito, mas não explicou o porquê daquele tom. Apenas sorriu e se aproximou dos Song novamente.

Soo Ji se aproximou de Misoo para pegar sua sacolinha e sorriu.

- Komawo, unnie! Aqui sua canetinha! - Entregou para ela e a outra daria para Eun Bi. Quando viu que a bailarina estava se aproximando do irmão, decidiu entregar depois e continuar perto de Misoo. - Eu adoraria! São coisinhas de plantas, não é? Espero que cresçam e fiquem lindas!!

Foi o comentário mais alto que saiu quando saíram da loja. Kang virou-se para encará-los e foi então que as coisas pareceram um pouco estranha entre eles. O garoto a encarou por um bom tempo, sem nenhuma discrição. Não era como os olhares julgadores do colégio ou dos outros garotos. Ele só parecia bastante confuso com as coisas que ouviu de Won e agora, pela primeira vez, estava reparando nela.

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Estava começando a abaixar o olhar quando ouviu o chamado dela. Encarou novamente, arregalando os olhos também.

- Na...na… - A expressão de surpresa e vergonha de Misoo bugou a mente dele. Já era a segunda vez em menos de meia hora, assim ele pifaria logo em breve. Deixou os ombros caírem e meneou negativamente. - Não é nada.

Resmungou, por fim e abaixou o olhar, voltando a atenção para o celular. Misoo podia associar à conversa que tivera com Won. Talvez ele só estivesse triste com as notícias que seu amigo lhe dera. Woo Jin era muito empático e amigo dos meninos, parecia razoável que ficasse triste.

[...]

As bochechas de Eun Bi permaneceram coradas após a pergunta que ela fizera. Sorriu ao ouvir que ele poderia ficar mais um pouco.

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- Que bom. Não parece que vai chover, mas pode fazer um pouco de frio, então, é bom não abusar. - Suspirou e fez um carinho com o polegar na mão dele.

Estava prestes a desviar o olhar enquanto pensava numa alternativa para ficarem um tempinho juntos quando ouviu a voz dele um pouco mais perto da dela. Sentiu um arrepio percorrendo pelas costas e chegou a se mexer de leve, indicando que tinha ficado nervosa com a aproximação. Olhou para ele assim, tão de perto e teve vontade de agarrá-lo ali mesmo na frente de todo mundo. Ainda bem que ainda era inibida nesse sentido, seria um tanto quanto vergonhoso.

- Eu também fiquei. Foi mais fácil do que imaginei…

Mas Soo Ji tinha deixado seu recado e ela teria aquilo em mente. Estava pensando nisso quando ouviu o comentário dele direcionado a Kang. O garoto tinha acabado de abaixar a cabeça para mexer no celular, mas logo ergueu de novo. Conseguiu olhar além de Misoo e concordou.

- Eoh. Pode deixar…

Eun Bi nem encarou Jae Ki porque tinha entendido muito bem o recado e provavelmente estragaria a versão “inocente” daquela conversa. Soo Ji ouviu as instruções, meneando positivamente para o irmão.

- Ung, ta bem! Oppa, oppa!! - Deu uma corridinha até Kang, sacudindo a sacola com suas coisas. - Você também dança é?

- Aaah, eu tento. - Disse rindo. - Qual música você quer dançar?

- Love Scenario!

- Quero só ver se você sabe mesmo. Olha que eu sei os passo!!

- Unnie!! Unnie!! - Chamou pro Misoo. - Você também faz dança?

- Faz! - Kang disse na mesma hora. - Mas eu duvido muito que ela vá querer dançar com a gente. - Comentou meio que provocando. - Se bem que… - Cerrou os olhos. - Você está me devendo um pouco de vergonha alheia, não é mesmo?

Capítulo 5 - Página 18 0vrcoxp

- Por que vergonha alheia? A gente dança mal? - Fez um beicinho. - Mas você nem viu ainda como eu danço.

- Mas eu sei como eu danço mal. - Riu. - E aí? Vai aceitar o desafio?

- Vem, unnie!! - Soo Ji logo procurou por um lugar na calçada.

Kang deu uma risadinha para Misoo, duvidando muito que ela topasse fazer aquilo. Ainda mais porque morava por ali. De todo modo, eles podiam errar os passos porque estavam ali como dançarinos assistentes de Soo Ji que queria mostrar toda sua “desenvoltura”. Kang deu play e começou a bater palmas.

- Gaja, gaja! No ritmo! um dois, um dois, um dois tres


[...]

Kang não tinha entendido muito bem as instruções de Jae Ki, mas a verdade é que ele pouco ouviria por conta da música. Eun Bi deu um sorrisinho para eles e evitou encarar a amiga enquanto saía de mãos dadas com o garoto.

Seguiram o caminho de pedrinhas e pequeno jardim que fazia todo o condomínio ter aquele ar natural. Como Soo Ji havia dito, era um dos lugares mais bonitos que eles já tinham ido. Deram a volta pela lateral da loja - andando um bom trecho, até que chegaram aos fundos.

Não havia nenhuma residência por ali que pudesse ver o que acontecia - na verdade, era o limite do condominio, então havia algumas árvores antes do muro que separava aquele mundo do lado de fora.

Eun Bi suspirou e o olhou com certa expectativa.

Capítulo 5 - Página 18 CghnD1d

- Então! - Iniciou enquanto parava de andar. - Deu tudo certo, não temos mais pendências sobre o que aconteceu nas férias não é?

Ficou mexendo na garrafinha d’água com a mão que estava livre.

- Você não vai mais ficar chateado comigo por isso? Você vai parar de me cobrar sobre isso? Você já esqueceu a Minah? Porque agora só tem Bibi...E você vai ter que aturá-la por um bom tempo...tipo para sempre.
(C) Ross


WON BIN. 8 DE JUNHO - 5 P.M


Song Choi estava provando o ponto da massa de arroz do Tteokbokki quando Won comentou sobre o episódio do miojo. O homem engasgou um pouco, precisando bater de leve no peito para recuperar a respiração. Olhou para o filho achando graça daquele episódio em específico.

- Foi um acidente! Eu estava fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, a água subiu e… - Olhou para Won e cruzou os braços. - Você não sabe cozinhar um ovo e vem me criticar com minhas massas?! Aishh…

Fez uma cara até que meio engraçada, mas parou no instante em que analisou melhor o rosto do filho. Como estava distraído com a massa, ele custou, à princípio, para perceber que havia algo de errado no tom de voz do filho. Precisou olhar para ele e ver que aquela...luz...havia se apagado. Desligou o fogo na mesma hora e virou-se para ele.

- O que aconteceu? - Perguntou sem nenhum rodeio.

Sentia como se uma mão apertasse seu coração naquele momento. Podia ter seus desentendimentos nessa fase rebelde de Won, mas isso não significava que estava bem em ver o filho infeliz. Observou a aproximação dele em silêncio e tinha a impressão de que suas batidas podiam ser ouvidas. Foi virando de leve para acompanhá-lo.

Won logo perceberia que o pai estava fazendo Tteokbokki, o prato favorito dele e uma das poucas coisas que ele sabia fazer direito. Talvez a única, justamente porque o filho gostava tanto. Quando viu aquela janela de oportunidade naquela manhã, ele decidiu que queria colocar um fim naquela briga. Foi à um custo muito grande que percebeu que seu filho era teimoso como ele e não queria continuar com aquilo.

Contudo, não precisou dar o primeiro passo porque Won vinha com aquela noticia. Ao invés de ficar satisfeito por ter razão, ele sentiu ainda mais pesar. Deu um longo suspiro e então, deixou o pano de prato de lado e começou a puxar o filho pelo braço.

Há quanto tempo eles estavam se devendo aquele abraço?

Song Choi sentia muita falta daquele companheirismo que entendimento mútuo que tinham. Apertou o abraço e Won poderia se sentir protegido. Talvez até cogitasse que tinha sido injusto. Porque o pai não estava dando sermão, nem nada disso. Ele simplesmente abraçou o filho porque sentia que era o que ele precisava naquele momento.

- Não fico feliz por ouvir isso. - Disse. - Porque significa que você está machucado. - Amparou o abraço e continuou - Eu bem que gostaria de te proteger de tudo, mas não posso, ainda mais quando você assume seus próprios riscos. Você já é um homem, Won, com responsabilidades e tudo mais. - Suspirou. - Mas você sempre pode contar comigo, meu filho.

Foi dizendo sem encará-lo, enquanto ainda o amparava.

- Estava fazendo esse Tteokbokki para a gente jantar, mas o que acha de pedirmos alguma coisa e fazermos uma maratona de filmes? Ou sei lá, outra coisa, se você quiser.
(C) Ross


HYEMIN. 9 DE JUNHO. 1:10 P.M


A mudança de assunto veio em muita boa hora. Sung Ki tentava se esforçar, mas a verdade era que para certos assuntos, lhe faltava a delicadeza feminina. Ele não sabia lidar muito bem com o crescimento de sua filha. Tudo passou tão rápido que ele quase se arrependia das escolhas que fizera.

Podia ter ficado mais tempo com ela, abdicado mais do trabalho para acompanhar melhor a evolução dela. Não apenas isso, podia passar mais tempo com ela também. E com qualidade.

Contudo, a empresa precisava dele. Nos últimos tempos, descobriu tantos furos que temia que não tivesse mais como garantir o futuro de Hyemin se tivesse feito diferente. Infelizmente, não dava para basear a vida em hipóteses. Os “E se” sempre existiriam, por isso era melhor tentar lidar com o presente, aprender com o passado para fazer diferente com o futuro. O tempo era algo que nunca pararia pela vontade deles. Apesar de poderosos, eles eram limitados. E Hyemin não pararia de crescer só porque ele queria.

Precisava, portanto, dar o seu melhor.

- Estou brincando, prometo que não vou dormir! - Já se sentia descansado.

Terminou de tomar o café da manhã e olhou o relógio vendo que horas eram.

- Hm...Cheongdam-dong? Apgujeong-dong? Bom, considerando que estou devendo uma blusinha, acho que podemos passear para comprar UMA blusinha. - Mostrou o indicador, como se ela tivesse direito a apenas uma mesmo. Já estava rindo da cara dela. - Mas se você me jurar que esse churrasco é gostoso, pode ser que a quantidade aumente. Agora estou com fome. Sinto que tenho um buraco negro no lugar do estômago. Vou virar um velho gordo e sedentário.

O pai de Hyemin era vaidoso e sempre fazia um drama quando falava de seu futuro. A paixão pelos esportes dividia o coração dele junto da culinária. Tinha feito parte do clube de natação e também era um bom jogador de tênis, como a filha bem sabia.

- Aigo...Que futuro triste. - O drama continuou. Estava esperando que a filha fizesse um carinho em seu ego e dissesse que era o pai mais bonito do mundo. - Bom, você está pronta? Eu só vou tomar uma ducha, ta? Quando cheguei, fui direto para a cozinha.

Começou a se levantar para se arrumar. Se ficasse em casa, era capaz de acabar dormindo mesmo, por isso ele preferia sair logo com a filha. Apesar do pai não se ligar muito em marcas femininas, ele tinha bom gosto para escolher as combinações - tudo dica que Hyemin dava e ele meio que decorava. Era melhor com ternos e eventos de gala, mas para o dia a dia, as dicas eram preciosas demais.

Desceu as escadas para esperar pela filha no primeiro andar. Gastou um tempinho arrumando os pulsos de sua camisa - apesar do dia nublado, ele escolheu uma calça branca de alfaiataria, cinto caramelo e uma blusa listrada branca e azul de manga comprida.

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Sorriu para a filha quando ela apareceu e logo tratou de pegar a chave do carro. Era o ritual de sempre - um carro esportivo para passear com a filha. Sem motoristas ou formalidades. A diferença foi que o carro da vez tinha uma mala um pouco maior porque, como pretendiam demorar e ela queria gastar, precisaria de espaço para as sacolas.


Aquele, provavelmente, era o bairro favorito de Hyemin. As melhores marcas estavam aglomeradas ali e parecia-se muito com uma Paris coreana. O carro tinha ficado num edifício garagem porque era um pouco incômodo andar de carro nas ruas tão estreitas.

O Paraíso alcançava a Terra e Hyemin encontrava seu parque de diversões. Sung Ki a acompanhava, achando bastante graça dos modos da filha. Ele gostava de perfumes e cremes de barbear, mas de vestuário, deixava que a filha escolhesse tudo. Gostava, contudo, de relógios e óculos - tinha uma coleção em casa. Tanto que assim que encontrou um modelo que gostou, prontamente comprou e saiu vestido com ele.

Fez algumas poses de modelo para a filha, segurando o celular,  numa brincadeira deles- parecia espontanea, mas repetiram dez vezes até ficarem com a foto ideal.

Capítulo 5 - Página 18 Daniel-daniel-henney-20672491-333-500

As sacolas já estavam se acumulando quando fizeram a primeira pausa antes do almoço para tomar um sorvete italiano - um gelato. Sentou-se para poder apreciar sua combinação de avelã com chocolate belga meio amargo. Ainda teria espaço para o churrasco, mas ele não via problemas em colocar o doce na frente do sal. Doces foram feitos para qualquer momento do dia.
(C) Ross
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