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Capítulo 2

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:19 pm

O tempo que MiSoo estava passando com sua avó era muito precioso. As duas se divertiam bastante juntas, mesmo que a diferença de idade fosse grande. Felizmente a avó de MiSoo era uma senhora bastante jovial e alegre e, por isso, conseguia acompanhar um pouco a neta cheia de energia.

A garota ficava ainda mais feliz de poder tirar tantas risadas daquela mulher que era como uma mãe para ela, já que com a de sangue tinha uma relação complicada e um tanto distante.

MiSoo resolveu que iria fazer panquecas para a avó e começou a receita toda entusiasmada. Saltitando de um lado para o outro da cozinha para juntar os ingredientes. Terminou as panquecas e serviu a avó, mas ainda estava com bastante vontade de aproveitar a chance de cozinhar e começou a juntar um monte de ingredientes para poder assar cookies. Três sabores diferentes! Cookies de chocolate branco e framboesa, de chocolate e limão e chocolate com morango.

Era ótimo que a dispensa estava bem cheia e o forno deles era enorme, pois MiSoo acabou fazendo biscoitos para um batalhão! E se não fosse rápida na cozinha, provavelmente teria levado a manhã inteira. Pelo menos, enquanto cozinhava, podia continuar conversando com a halmoni, que também lhe ajudava com as receitas.

MiSoo tinha acompanhado a matriarca Kwon e comido um pouco de panquecas cobertas de geléia de morango com ela, mas não muito. Eram doces e não se sentia à vontade ainda para arriscar comer muito daquele tipo de comida. A imagem do espelho ainda lhe assombrava. Por isso deu a desculpa que não tinha muita fome e foi logo se ocupar com os cookies.

Depois de fazer tantos cookies ainda tinha vontade de correr e o celular já estava carregado. Com um pouco de pesar deixou a avó na casa - embora houvesse lhe convidado para correr também. MiSoo colocou as músicas mais agitadas de sua playlist para tocar e correu pelo condomínio, parando às vezes para alguns passos de dança, como costumava fazer em suas corridas, sem se importar muito se parecia uma doida. Só era um pouco estranho por não era o seu condomínio, onde já estava acostumada a correr daquele jeito excêntrico e à encontrar pessoas conhecidas no caminho, inclusive seus amigos. Embora a corrida não fosse tão animada ou pacífica como quando a fazia no condomínio da casa dos pais, MiSoo  sentia-se mais energética ao voltar para a casa da avó e também cada vez mais feliz com aquele domingo que passava ao lado de pessoas legais e que a tratavam muito bem. Muito melhor do que se estivesse na casa dos pais!!!

Logo que chegou na casa encontrou o tio e lhe deu bom dia repleta de animação, mas não ficou muito tempo ali com ele, pois precisava ir logo para seu banheiro tomar um banho depois de toda a corrida. Correr sem ter comido muito também lhe deixava cansada. Precisava de mais um banho revigorante!

Quando terminou escolheu uma roupa mais bonitinha para acompanhar o pessoal no brunch. Podia quase ouvir a mãe falando em sua cabeça que ela não podia usar roupas de ginástica nesse tipo de “evento”. Pois bem. Tinha se arrumado direitinho, secado o cabelo e o deixado solto, mas prendeu a franja para trás com uma de suas várias presilhas. A roupa era um vestidinho florido e uma camisa jeans amarrada na ponta sobre ele.


Referência.



MiSoo tinha passado bem longe do espelho de corpo inteiro. Ficou só com o que refletia seu rosto, no banheiro, para ajeitar o cabelo e o rosto. Não queria correr o risco de se sentir mal novamente com o reflexo e estragar seu ótimo humor.

MiSoo tinha adorado a ideia do brunch no jardim. Não tinha nada melhor do que comer e estar junto à natureza! E dessa vez iria sim tentar comer como uma pessoa normal! Estava alegre e parecia inatingível pelos seus problemas com o peso naquele momento. Agora podia até conversar com a prima, além da avó, mesmo que Ji-Eun estivesse meio sonolenta ainda.

Nem trocou muitas palavras com o primo. Ele nunca estava de muito bom humor, mas com a cara que fazia, provavelmente estava ainda pior dessa vez. Pelo mos não brigava com as pessoas.

MiSoo ficou um pouco triste ao saber que a prima teria q voltar já na quarta para a Europa. Tinha ficado tão pouco tempo e provavelmente só veria ela hoje mesmo. Com as aulas seria algo complicado. Enquanto aproveitou para conversar bastante com ela e ficou lhe perguntando, cheia de empolgação, sobre várias coisas da Europa e as diferenças para a Coréia. MiSoo era bastante interessada em conhecer outros países e peculiaridades sobre eles.

MiSoo também tinha ficado muito feliz em ver o tio aprovando suas receitas. Chegava até a ficar um pouco envergonhada com os elogios à comida. E o tipo era tãooo legal com ela. Bem que seu pai poderia ser assim… Menos rígido, mais amoroso.

Já era tarde e o brunch chegava ao fim. Só nesse momento MiSoo lembrou-se de que iria ligar para a EunBi, mas quando pegou o celular percebeu que tinha recebido algumas mensagens dela. Leu a mensagem quase sem acreditar que EunBi tinha pegado um metrô para casa àquela hora!

Ficou um pouco aflita com essa história, mas EunBi parecia bem, pela mensagem. Talvez não devesse se preocupar muito, apenas ficar curiosa com o que ela tinha a lhe contar, mas teria que esperar, para a tristeza de MiSoo.

Depois de ler toda a mensagem, MiSoo começou a escrever sua resposta, começando com dedos aflitos, mas ficando um pouco mais tranquila ao mandar a última frase.

”Oiii!!<3<3<3 Meu tempo com a halmoni foi ótimo! Melhor impossível!
Como assim você pegou o metrô para casa?? É perigoso!
Sinto muito por ter que lidar com essas reações da sua mãe…
Espero que ela não lhe importune por muito tempo. )=
MWOOO!??
O que aconteceuuuu!?!?!? Vou ter mesmo que espera isso tudo pra saber!?
DDDDDDDDD:
Foi algo ruim!? Foi algo booom!?!?
AIGOOO!!! >:
Não me mate de meeedo!
>:>:>:>:>:
ARASOO!! Eu espero até terminar minha “aula” para ligar! ç-ç
A BoMi muda por tanto tempo!? Aigo! O que será que aconteceu!
Eu não estou sabendo de nada! Não sei de nada também!
Vou tentar mandar uma mensagem para ela. ç-ç
Então depoooooooooois nos falamooooos!!!!
Beijooooos! xoxoxo Também te amo!! <3<3<3<3”



E assim que enviou aquele bolo de mensagens para EunBi, abriu a janela da BoMi e começou a escrever para ela também:

” YAAA!!!!! BOMI-YAHHH!!!!! CADÊ VOCÊ!!!!???? ESTÁ TUDO BEM!??
Não quer conversar?”



E mandou um monte de emojis, bichinhos e gif fofinhos para chamar a atenção da amiga. Esperava que ela não estivesse com problemas. Já bastava a EunBi! Será que suas amigas não poderiam ter um ótimo dia como MiSoo estava tendo???

Era uma pena que já estava na hora de ir embora. O tempo tinha voado e agora MiSoo quase se arrependia de ter pedido a ajuda com o poema. Teria que deixar a casa da avó e voltar para a dos pais… Mas precisava terminar o dever, não é mesmo? E também tinha praticamente obrigado Gyu-Sik a ir lhe acudir com o problema do poema. MiSoo ainda se sentia um pouco mal por ter feito isso, mas por enquanto ia deixar esse sentimento negativo de lado. Estava muito contente e agitada para se focar demais nessa questão.

A garot se despediu de todo mundo, se demorando nos abraços, principalmente da avó de a prima que não veria mais tão cedo. Agora estava pronta para retornar para casa e encarar a presença dos pais que..

Seria um milagre!?? Eles realmente estavam fora de casa!?? Tinham saído juntos e deixado MiSoo para ficar tranquilamente sozinha em casa!???

Seria um sonho????

Depois das ótimas horas que passou fora de casa, a ausência dos pais na residência Yeun parecia ser a cereja do bolo para a garota. Significava que ninguém lhe passaria algum sermão sabe-se lá por qual motivo ou lhe envergonharia na presença do amigo. Queria dizer que, desta vez, não tinha perdido completamente sua liberdade ao chegar em casa… Mas quem diria? Era tão raro esses momentos em que os pais resolviam sair.

MiSoo chegou a abraçar a governanta da casa, de tão feliz com a notícia!! Liberdade por um pouco mais de tempo!! E nem precisaria esconder AINDA a caixinha que tinha trazido com alguns dos cookies que tinha assado na casa da avó! De qualquer forma tinha trazido por impulso, talvez um pouquinho incentivada pela avó… E desde que a mãe lhe fizera entrar na dieta, MiSoo tinha um meeedo de trazer doces para a casa, temendo que a Sra. Yeun pudesse surtar com ela e lhe mandar não comer mais nada… Quando como fez para a ópera.

Os pensamentos ruins estavam afastados no momento. Tanto que nem ter que estudar no domingo lhe incomodava agora. Soava até razoável, embora agora se sentisse energética demais para sentar e resolver o dever de casa. A manhã e começo de tarde ótimos tinham sido suficientes para lhe dar energia extra, que seria ótima para correr mais, ou jogar tênis ou até dançar o resto do dia. Talvez nem tanto para escrever poemas...

MiSoo queria aproveitar todo o tempo que pudesse daquela companhia da avó, do tio e da prima, por isso mesmo recém tinha chegado em casa quando a campainha tocou. A garota já tinha avisado à governanta que iria atender ela mesma a porta.

Não teve tempo de trocar de roupa, mas provavelmente nem precisava, não é?

Quando abriu a porta ouviu o que o garoto tinha a dizer, passou os olhos do rosto dele para a bebida que ele lhe oferecia e de volta antes de fazer uma careta, como se estivesse seriamente pensando se tinha feito tal pedido.

- Hmmm… Lembro de ter pedido um professor… - ergueu uma das sobrancelhas - Mas… Eu aceito sua oferta de paz. - deu um sorriso um tanto petulante em resposta e pegou o smoothie da mão dele - Entre, vamos! - além de quase o puxar para dentro também.



MiSoo pediu para que ele a seguisse até a sala de estudos, mas andava meio apressada e quase saltitante. Subiu as escadas na mesma velocidade e abriu a porta da sala para que ele entrasse.

Os materiais de MiSoo já estavam prontos e bem arrumadinhos sobre a mesa. A garota gostava de organização, um traço que sempre contrasta com sua personalidade agitada a doidinha.

Enquanto indicava a mesa para que Gyu-Sik escolhesse um lugar para sentar, MiSoo começava a pensar em BoMi e como estava quieta. Bem incomum para ela. Pensou em perguntar ao irmão dela o que tinha acontecido, mas quando olhou na direção do smoothie de morango em sua mão teve uma ideia melhor. Iria perguntar depois. Agora já sabia o que fazer!

- Pode ficar à vontade aí! Eu já volto! - disse cheia de animação, antes de deixar o smoothie sobre a mesa e sair correndo pela casa.

Era visível que estava cheia de energia, elétrica, “ligada no 220”, o que não era incomum. Se Gyu prestasse atenção, provavelmente poderia ouvir ela correndo pelo corredor, voltando, descendo as escadas às pressas, subindo e volta e finalmente retornando à sala de estudos.

- Agora sim! - tinha retornado correndo, do mesmo modo com o qual saira da sala.

A garota carregava consigo uma caixinha rosa de papelão decorada por desenhos de várias margaridas.

- Isso é para você e para BoMi-Yah. - entregou a caixinha para ele com um grande sorriso fofo, que logo se tornou em um bico sério e implicante enquanto ela também se sentava junto à mesa - Mas é para dividir com ela! Se não dividir você vai se ver comigo e minha raquete!



MiSoo ameaçou brincando e o sorriso bobo logo voltou ao rosto da garota.

- Eu acabei de voltar da casa da halmoni e eu fiz um moooonte de cookies lá. - abriu os braços para mensurar a quantidade de biscoitos que tinha feito como se fosse uma criança animada - Aí eu trouxe esses aí para casa, mas a ommoni provavelmente não vai gostar muito deles, então prefiro dar de presente para vocês. Espero que gostem. - tinha um sorriso um pouco mais tímido agora, enquanto debruçava um cotovelo sobre a mesa e descia os olhos para o seu caderno florido sobre a mesa.

Também trazia consigo, preso à camisa jeans que vestia, um óculos de grau, só que MiSoo não precisava de tal objeto, sua visão era perfeita, ela só ver ela arremessando as coisas para se ter certeza, então o porquê dela estar carregando o objeto era um mistério.

MiSoo não estava com muita vontade de estudar. Queria fazer alguma outra coisa, só conversar já era bem melhor, mas tinha chamado ele para lhe ajudar com o poema e realmente necessitava da ajuda. Não sabia nem por onde começar.

A garota suspirou ao abrir o caderno, virando o rosto primeiro para o smoothie e depois observou o garoto rapidamente pelo canto dos olhos, já um pouquinho entediada, sem conseguir ficar quieta por muito tempo antes de começar a falar de novo:



- Vai mesmo me ajudar a entender como eu faço um poema? BoMi-yah disse que você é bom nisso. Você já fez o seu? Já? Posso ver? - jogava uma pergunta atrás da outra, sentindo-se um pouquinho ansiosa por estar parada ali e logo inflou as bochechas, fazendo um biquinho enquanto esperava que Gyu-Sik respondesse suas perguntas.



Apesar do elogio que recebeu dele ainda pairar sobre memória, ainda estava um pouco distante e MiSoo tentava se ater mais à tentativa de provar aos dois que a briguinha que tinha rolado aquele dia na cantina aconteceu há muito tempo atrás e já não importava mais. Estava tudo bem agora. Não estava?
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:20 pm

Jae-ki observou a reação de Eun-bi torcendo para que ela não tivesse desistido mesmo da ideia de ficar. Por sorte a bailarina voltou a se virar e até conseguiu arrancar risadas dela com o seu comentário bobo. Gostava do modo que ela entrava no jogo de suas palavras idiotas e até acrescentava as dela. Jae-ki reclamou rindo e brincando com mais comentários absurdos:

- Ya! Duvido que um vento me arrastasse, e se ele tentasse eu daria uma surra nele - Cruzou os braços tentando fazer um bico invocado, mas não dava direito porque estava rindo -  Não sou magro, sou forte, é diferente.  

Era verdade que Jae era bem magrinho, mas não iria admitir. Porém dava pra ver que ele não tinha se irritado de verdade, estava só fazendo graça mesmo. Pegou o celular que ela o entregou e guardou no bolso da calça. Depois de pedir a ajuda dela para comprar algo para Soo-ji, ficou preocupado quando perguntou se ela queria algo. Tinha saído tão espontâneo, mas não era costume seu fazer isso, ficou receoso imaginando que por ser rica Eun-bi não teria consciência do que poderia ser caro ou não. Então se fossem comprar mesmo teria que dar uma margem de preço para ela. Mas nem precisou porque Eun-bi recusou dizendo que não queria nada. Jae-ki ficou realmente surpreso com isso. Para ele o obvio seria que garotas aproveitassem para pedir até além do que foi oferecido, fazendo caretas fofas para serem atendidas. Mas com a bailarina tinha sido diferente. Guardou isso para si, mais uma vez ela o surpreendia sempre o deixando cada vez mais enfeitiçado, mais apaixonado e mais louco.

Jae-ki seguiu Eun-bi enquanto ela andava pelo corredor a procura de algo para Soo-ji. Sorriu quando ela mostrou as duas opções, parecia uma boa escolha. Escolheu o pacote de Hello Panda porque sua irmã parecia gostar mais de pandas.

- Uwa, que daora, Soo-ji adora pandas.

Ele foi até o caixa pagar junto com ela e não deixou de fazer um bico invocado para o antendente, conferiu bem o troco de sua compra já que o homem parecia ser aproveitador, deu um suspiro irritado só pelo seu jeito cabeça quente e saiu com a bailarina para as ruas, mas é claro que seguiu caminho oposto ao dos garotos da gangue.

Para Jae-ki não tinha como a noite ser mais perfeita. Gostou de estar conhecendo o distrito a noite, olhava ao redor curioso e interessado com toda a movimentação que tinha mesmo a essa hora. Mas o melhor não era isso, mas sim a companhia. Como sempre havia um vida que não podia participar, os restaurantes, as lojas cheias de produtos atrativos e caros, mas dessa vez não desejava estar ali dentro. Havia algo muito melhor do seu lado, Eun-bi conseguia ser para ele o que tinha de mais atrativo em todo caminho. Seu coração nem conseguia parar de saltar agitado.

Como quem cuida de algo muito caro e precioso, Jae-ki ficava sempre perto de Eun-bi, tomando cuidado caso ela se distraísse demais com o cenário e se afastasse. Olhava ao redor para ver se não tinha alguém os seguindo. Jae era bem esperto nisso porque estava acostumado a tomar conta de uma criança e a andar em alguns lugares mais perigosos, então era natural, só dobrou a atenção por estar com ela. Mas ninguém parecia focar nos dois e nem se importar com o que ela estava vestindo. Eram dois adolescentes livres naquela noite, ao menos até ela terminar. Riam e brincavam sobre várias coisas, não havia espaço para qualquer assunto sério. Sentiu um pouco do vento frio por causa da falta da jaqueta, mas nada congelante, estava bem e nem conseguia pensar em frio perto dela.

Quando passaram em frente a uma praça íncrivel, Eun-bi se animou e o puxou pela manga da blusa. Jae apenas se deixou ser conduzido e ficou meio atordoado com o pedido dela. Era sério que ela queria tirar foto com ele? Eun-bi queria guardar esse momento? Antes só tinha um desenho dela, mas agora teria uma foto deles juntos! Ela nem parecia se importar que alguma amiga pudesse ver. Apesar de ter ficado alguns segundos sem palavras, sorriu ao responder:

- Ye, Kure.

Pegou o celular do bolso enquanto ela se arrumava, mal teve tempo para abrir o ícone da camera porque seus olhos ficaram vendo como ela soltava o cabelo. Quando Eun-bi perguntou se ela estava bonita, Jae-ki sorriu e a olhando nos olhos respondeu provocando:


- Ani, não vou responder. Você sabe que está.

Riu também junto com ela, Jae não sabia ser tipo o galanteador que ficava bajulando as garotas ou fazendo cantadas marcantes e elogios bonitos para conquistá-las, mas quando os fazia eram bem sinceros, embora fosse bem raro. Era a primeira vez na verdade que sentia tanta coisa por uma garota. Nas fotos ele a acompanhou fazendo expressões engraçadas, mas algumas vezes posando direitinho também. Depois em casa veria qual ficou melhor e enviaria. Estava se sentindo orgulhoso porque agora ele tinha foto com a garota não só mais bonita da escola, mas também a mais maneira. Era assim que via ao menos.

Enquanto tirava as fotos havia um clima entre os dois, algo que Jae-ki não entendia bem, mas sentia bem forte. Por causa das fotos tinham ficado mais próximos e isso fazia o garoto sentir uma tensão entre eles, uma tensão boa e tão real que era quase como se fosse palpável. Sentia coisas que nem conseguiria descrever se pudesse, eram como se fogos de artificio estivessem estourando dentro do seu peito. "Quando eu enviar as fotos vou conseguir o número dela! Ahsaa!"

Jae-ki notou que o rosto dela parecia mais corado e quanto terminaram de tirar as fotos, só conseguiu olhar nos olhos dela, nem teve tempo de falar nada porque o celular tocou. Quando olhou o nome era a tal de Misoo. O garoto até ficou confuso na hora, porque sua mente ainda estava no momento daquelas fotos. Eun-bi de repente o encarou de um jeito estranho perguntando se ele tinha o número de MiSoo.

- Mwo?

Mas antes que pudesse responder, Eun-bi se deu conta que era o chip dela ainda no celular dele. Jae ficou observando a bailarina se afastar um pouco para falar com a amiga, então ficou de olho como um segurança para ela não correr nenhum risco.


"Aishh... O que essa garota quer com a Eun-bi a essa hora? Será que ela quer vir buscar a Eun-bi? " Mas bastou ouvir o que ela disse a amiga para ficar mais tranquilo. Eun-bi se aproximou novamente, dessa vez lembrando que precisavam ir pegar o metrô antes que o último passasse, ela também começava a pegar seu chip de volta.

- Espera! Deixa que eu tiro o seu chip! Sou mais rápido!

Ele praticamente tomou seu celular da mão dela, mas em vez de desmontar, montou de volta se ela tinha começado a abrir. Foi até os contatos dela e começou a salvar um número no chip dela:

- É rápido eu juro!

Em seguida virou a tela para ela e mostrou o contato "Jae" na lista dela, fez questão de escrever assim porque tinha achado fofo ela chamá-lo por esse apelido. Não demorou para começar tirar a capinha e devolver o chip dela, explicava enquanto isso:

- É só para caso você se irritar e querer sair de noite de novo...É muito perigoso sair sozinha pela noite... E para enviar as fotos também! Só que eu não tenho internet em casa, só vai dar pra mandar na segunda, eu acho... Aí é só você mandar qualquer coisa para eu te achar e enviar as fotos... E... Aigoo o metrô!!

Se lembrou novamente da hora, se eles perdessem o último trem iria ter que ir para casa a pé. Meio desesperado, pegou no pulso dela sem apertar, mas firme, e saiu correndo com ela em direção a estação:

- Aigoo... Não podemos perder! - Falava enquanto corria com ela.

Jae-ki não tinha muita noção ainda de quanto tempo levaria até a estação, por isso tinha que correr, mas até que estava adorando essa adrenalina, dois malucos correndo porque poderiam perder o trem. Eun-bi ainda tinha a opção de chamar a carona caso desse errado. Enquanto corria ele não conseguia deixar de rir, estava sendo mesmo uma noite incrível.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:20 pm

Hyemin abriu um sorriso largo e infantil, balançando a cabeça toda sem jeito, enquanto os olhinhos formavam dois arcos.

- Appa! - falou toda boba, envergonhada ainda mais pela brincadeira, que respondeu com uma mexida no nariz e uma risada.

Por mais que fizesse um gesto para que ele "parasse com isso", estava nítido o quanto a menina estava extremamente feliz por ser mimada daquele jeito. Piscou interessada e levantou-se também, procurando a raquete.

- Hora do segundo tempo!

A menina saltitou empolgada para a quadra e lá voltaria a ficar concentrada naquela atividade. Jogar com o pai a deixava muito mal acostumada, porque depois tinha que aguentar aquela lerdeza humana da Hayoung.

Hyemin jogou com todo o empenho, aplicando algumas das sugestões discretamente, quase não querendo dar o braço a torcer. Mal viu quando o horário deles acabou, nem tinha se preocupado em marcar os pontos.

- Waaaa! Não é justo, appa! - botou as mãos na cintura. - Meu último slice foi perfeito!

Batia os pés no chão em ansiedade, fazendo uma birra de brincadeira, quando foi erguida e começou a rir, fingindo que estava brigando com o pai, esperneando de leve, até que desistiu e ficou ali, com um sorriso.

- APPA. O senhor é um péssimo perdedor!!! Não pode resolver as coisas desse jeito e… Ah! - ria sem filtros, deixando-se girar naquela alegria paternal.

Aninhou-se no colo dele antes de ser colocada no chão, quando ajeitou o cabelo e o analisou com cuidado.

- Hmmm... O senhor está tentando me comprar com comida! Mas pera... a gente vai no Shunmi? - citou um restaurante famoso em um hotel de Gangnam. A partida já estava esquecida. O Sr. Seo podia ficar com a vitória. - Adorei! Vamos!

No momento não estava com preferências de comida, só queria mesmo um milkshake, mas geralmente topava com facilidade os restaurantes do pai, ainda mais quando ele falava com tanto gosto. Queria que ele se divertisse e comesse o que quisesse.

Hyemin foi tomar banho e demorou um bocado porque precisava secar o cabelo, que agora usaria solto, e refazer a maquiagem, que não precisava mais ser tão leve. Seus pensamentos eram tranquilos e focados em alegrias, como a partida de tênis, os clubes da escola, os restaurantes que gostava. Nada desagradável voltou para aquela cabecinha. Aparentemente o pai tinha feito uma boa escolha em deixá-la em paz naquele dia.

Finalizou a produção com toquinhos de batom no centro da boca e saiu de la bem patricinha casual, com uma saia plissada e look em tons pastel, além da pulseirinha da amizade e o colar da Tiffany.

Espiou o celular enquanto andava e viu que era melhor dar atenção às amigas no carro. Foi de encontro ao pai e o analisou esteticamente, meneando em aprovação.

Quando estavam a caminho do restaurante, a menina respondeu com emojis de estrelas, corações e unicórnios ao link do artigo e fez questão de colar lá novamente a foto que estava com seu noivo, ainda que isso lhe desse uma fisgadinha no peito. Ninguém precisava saber dos detalhes. Olhou com atenção aqueles rostos. Ah! Seu noivo era tão lindo. Aquele sorriso derretia qualquer uma. Estava arrependida de não ter sido mais forte e sorrido como Sunyoung. Suspirou. Os holofotes estavam todos em Misoo.

Revirou os olhos.

Abriu a janelinha de Jung Mi e mandou emojis de olhinhos curiosos com uma pergunta como quem não quer nada e o link.

”JungMi-Ya! Bom diiia.
Você viu as fotos da Ópera?”


Queria que ele visse como Misoo estava aparecida. Quem sabe ele se tocasse e fosse cuidar melhor da namorada.

Enfim, estava logo agradecendo Nana pela escolha do vestido e lamentando que não posaram juntas quando ela a chamou em privado. Achou que ia levar bronca por não terem feito uma selfie ou algo assim, mas ela parecia triste.

”Oi Nana!!
Tudo bem??
O que foi?????
Vamos sim, claro.
To morrendo de vontade de tomar milkshake. Vou comer com meu pai, depois eu te encontro. Vou estar em Gangnam, escolhe onde você quiser.
Que tal aquele lugar do meu aniversário?
Chuu~


Em seguida foi a vez de mandar mensagem para a melhor amiga.


“Oooooi
como foi o jantar? ta tudo bem?
Hoje joguei tênis com o appa!
Viu as fotos??
xoxo”


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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:21 pm


Não queria estar tão nervosa, mas era simplesmente impossível não ficar assim diante de Jung Mi e toda aquela capacidade que ele tinha de tirá-la do estado normal apenas com uma sutil encarada. Não adiantava mais negar o inegável. Sunny poderia muito bem lidar com as consequências mais para frente, porém... como tentou ao longo da semana - desde que tiveram aquela pequena e definitiva conversa nos degraus -, ignorá-lo não se revelou uma tarefa fácil. Porque, na verdade, tratava-se de algo inviável de acontecer. Afinal, quando a mente se distraía e ela, tarde demais, percebia a direção que o olhar mantinha foco... ele estava lá, lembrando-a de que se tornara uma espécie de vício, cujos sintomas cresciam dia após dia.

Ela o observou se sentar e a dificuldade de encontrar espaço para as pernas compridas. Discretamente sorriu, achando graça disso. Esse era um problema com que Sunny não precisava se preocupar.

Então, feito a menina, Jung Mi também tirou o boné, revelando o cabelo ainda mais desarrumado do que o dela e meio úmido devido ao suor. Os dedos não foram suficientes em ajeitar os fios bagunçados, mas caso perguntasse a opinião da acompanhante... Com certeza ela diria que estava perfeito dessa forma. Não que a imagem sempre polida e impecável a incomodasse, mas gostava de vê-lo assim... tão desalinhado. Isso o deixava mais próximo, mais alcançável, mais... mais pertinho de Sun-Hee.

Balançou a cabeça em gestos negativos, sorrindo – Faça como se sentir mais confortável – pendeu o rosto de leve para o lado – Eu não me importo...

Um elogio teria sido mais aprazível, só que não tinha coragem o bastante ainda para tal.

- Até porque... – apontou os dois indicadores para o topo da cabeça – Não estou muito diferente.

O que não passava de um baita exagero.

O cabelo liso não precisava de grandes arrumações, para a sorte de Sunny, que não era o tipo de garota que demorava horas e mais horas frente ao espelho. No momento, haviam poucas mechas fora do lugar... nada que afetasse a aparência macia das ondas negras, e estas literalmente escorriam sobre o ombro esquerdo, domadas pelo elástico.

Quando checou o celular, Sunny quase teve um infarto fulminante.

VINTE E DUAS LIGAÇÕES PERDIDAS!

2 seguido de 2.

22.

Estava... ferrada.


Por alto, explicou a situação a ele e procurava não se mostrar nervosa, mas o ultimato da titia provocou a união das sobrancelhas e um quilométrico bico. Quê??? Conforme lia a mensagem, escutava os gritos estrondosos da tia Yu-Mi machucando a audição, como se a mulher estivesse bem ali, puxando sua orelha e gritando as broncas. Ao ler o tempo estipulado para voltar, ela abriu a boca, não acreditando naquilo e diante da feiçãozinha emburrada, ficaria nítido para Jung que Sunny não concordava com o que a pessoa respondeu. Foi um show de caras e bocas, que mesclavam-se entre decepção, medinho e raiva. Não queria ir embora agora!!!!!! Não QUERIA e não IA! Não iaaaaa! Por que a titia agia e maneira tão máááááá? Ou será que eles assistiram de camarote a fuga? Estavam muito bravos? Ai, Jesus! Sunny já começava a digitar uma nova mensagem quando a do appa piscou no cantinho do visor.

Entreabriu os lábios, surpresa, mas também não-tão-surpresa.

Papai a deixou ficar, aaaaaaah.

Quase em seguida, recebeu outra SMS aborrecida da tia Yu-Mi... e concluiu que o pai arranjou uma briga feia com a mulher.

Drooooooga.

Tá bom... Depois pensava no que fazer para se desculpar com todo mundo.

Mandou uma resposta para o pai:

“Komawo, appa!
E miane por preocupá-los. Prometo que estarei logo aí e não vou fazer isso de novo.”


E outra para a tia:

“Não fique zangada com ele, titia! Por favor!
A culpa é minha!”


Algumas pontadas acertaram as laterais da testa, forçando-a a esfregar região, mas impediu o movimento ao se tocar que Jung-Mi a olhava com certa minúcia. Sunny começou a soltar uns “hehehe, ops... hehe” enquanto guardava o celular na bolsa, além de pedir desculpas pela breve ceninha.

Resolvida essa questão, ambos podiam finalmente se concentrar no encontro inusitado.

Prestes a mostrar alegria assim que ele confirmou que estava sozinho, alguma coisa que Sun-Hee não tinha como explicar podou o sentimento de satisfação. Ela o encarou no fundo dos olhos, procurando a informação que os lábios não disseram – se é que existia uma, de fato. Mas logo sorriu com o comentário baixo e, dessa vez, Sunny não ruborizou, pois achou muito doce da parte dele. No entanto, graças a empolgação ao iniciar o monólogo sobre a câmera, e dos livros, e das fotografias, ela acabou corando, vendo que falou demais. Depois de retirar a alça do pescoço e segurar o objeto, Jung finalizou o raciocínio de Sunny, aumentando o tom vermelho das bochechas – Isso! Edifícios! Eram... vários, e todos de lugares diferentes. Uma pequena viagem, não é?

Ela sorriu e o gesto escapava muito facilmente.

Naquele instante, Jung-Mi resolvia uma frequente dúvida... Ele sabia!

Sabia que ela bisbilhotava os livros!

Ora, mas era óbvio que espionava... Até já lhe deu um flagrante, embora tenha disfarçado na ocasião! Só de lembrar, sentiu o calor subir pela garganta e caso continuasse nesse ritmo, Jung pensaria que estava doente porque não parava de enrubescer – Eu... Eu adorei! – e pronta para se desculpar por meter o nariz aonde não foi chamada, Jung a surpreendeu, roubando novamente o seu fôlego e fala. Ela até tentou articular alguma resposta, porém só conseguia encará-lo com os olhos arregalados e a boca meio aberta e balbuciante. Tinha sim percebido, mas nem em mil anos adivinharia que Young fizera aquilo para chamar a atenção para as determinadas fotos. Foi tão atencioso e gentil... Tão... Tão incrivelmente cuidadoso...

- C-Combinam?

Foi a única palavra que saiu no meio torpor.

Por um centésimo de segundo...

Metade de um centésimo...

A bolsista concluiu a mais absurda das situações.

Que, talvez, e pensando de modo extremamente prepotente...

Jung Mi também tivesse a notado, apesar das conversas curtas e educadas que trocaram no balcão da biblioteca.

Ainda agia no automático, por isso não falou mais nada até aceitar a câmera que ele ofereceu e Sunny não imaginou o quão significativa era aquela atitude de Jung. Ele pegava um pedacinho do próprio mundo e o confiava em suas delicadas mãos. Todavia, antes de olhar as fotos, levou a atenção ao rosto do rapaz, demorando-se nos traços.

- Foi você.

Ela admitiu.

- Foi por sua causa que comecei a espionar os livros e, sem perceber, fiquei completamente apegada ao que via neles. Porque era tudo tão sensível e lindo... – Sunny suspirou e havia um brilho particular nas íris escuras diante das recordações – Era como acessar outra realidade pelos gostos de um desconhecido e... – fitou a câmera, passando as pontas dos dedos pela superfície – Um jeito indireto de te conhecer também.

Logo, apertou o botãozinho na extremidade, ligando-a conforme um sorriso travesso aparecia.

- Eu ia dizer que é a primeira vez que você me dá permissão para fuxicar, porém... de acordo com o que o senhor falou, conclui que já a tinha sem nem saber. A propósito...

Sunny encarou a imagem que surgiu na tela.

- É um prazer finalmente conhecê-lo... – reunindo coragem, voltou a olhá-lo e como se soprasse uma suave brisa, murmurou o nome dele de forma pausada e doce – Jung-Mi.


Havia sim muito a ser dito, explicado... Dúvidas que, mais adiante, poderiam machucá-los, mas agora, ela só sentia aquele calorzinho no coração junto de uma felicidade desprovida de limites. Se existisse a chance de eternizar aquele sonho, Sunny o faria, como invejava nas adoráveis fotos que passava, uma por uma, na câmera de Jung. Não entendia de macetes ou posições favoráveis, entretanto o talento que reconhecia nas imagens registradas... – Incrível... – comentou consigo mesma, mas ele escutaria e enxergaria a sincera admiração exposta no rostinho. A maneira que ele captou os principais pontos do evento, até as pessoas e suas expressões...

As flores de cerejeira e o tapete de um etéreo degradê rosa...

- São... São maravilhosas! Jung-Mi... Você...

Continuava olhando, encantada e não passava rápido, não. Parava e analisava os detalhes... pois cada pedacinho era especial.

Ele era especial...


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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:21 pm

"O homem sábio teme três coisas: Um mar sem vento, noite de lua cheia e a fúria de um homem gentil" a citação do mestre Baek sempre lhe vinha a mente nesses momentos onde sua fúria tomava seu juízo.

Poucas coisas podem tirar Won do sério, mas quando ele atinge esse ponto é impossível manter seu juízo.

Won nem percebeu que outros clientes viam a cena. A sra. Macchiato tinha uma língua afiada também, o desafiando mesmo diante do susto.

Diante daquela briga nem Bo-Mi, a pessoa mais atingida ali, era ouvida por Won ou sua mãe.

- É mesmo? Vai me dizer que um garoto como você é o juiz da moral e virtudes? Se não quer aceitar o meu presente, é problema seu. Imaginei que alguém da sua classe fosse se sentir feliz por receber esse valor. Deve ser mais do que ganhará o mês inteiro aqui. Tanto faz.

-Alguém de minha classe prefere dinheiro de forma honesta ao invés de sua...

As palavras foram interrompidas pela chegada de Hyosang. Ele não ia concluir com palavras agradáveis.
Won manteve a expressão séria.

- Estava muito bem até cruzar caminho com esse seu atendente ousado e encrenqueiro. - Olhou para Hyosang. - Só não peço para que o demita porque bem ou mal temos uma dívida, mas cuidado, Hyosang-shi...Ele afasta a clientela.

Won não esboçou nenhuma reação. Estava irritado demais para sequer arquear as sobrancelhas.

"Digo o mesmo pra você. Estava tudo bem até aparecer"

Sentiu a fúria subir ainda mais quando ela mandou a filha de calar.
"É Won-Bin, Macchiato"

Encarou a sra. Yoon enquanto ela olhasse em sua direção.
As duas saíram apressadamente, sem chance de conseguir falar qualquer coisa para Bo-Mi. Sem que medisse suas consequencias, tinha magoado ela também.

O silêncio tomou conta do local e da mente de Won. Sua mente levava alguns segundos para processar o que raios tinha acontecido e o que tinha feito.
Won permaneceu encarando o nada com os braços cruzados.

- Ela foi uma ignorante com ele, noona…Por favor, não brigue com ele…

- Eu sei. - Hyosang disse, por fim e encarou Won. - Você está bem?

-Eu não quero o dinheiro. Não quero nada. Só não queria que ela tivesse tratado a Bo-Mi daquele jeito, ela tava quase chorando... - o velho Won voltava aos poucos. Com isso respondia a pergunta: não, não estava bem.

-Droga...eu não sei o que deu em mim....me perdoe chefe, Ji-Hyun - disse com seriedade.

E pensar que ela é uma cliente frequente. Quantas vezes mais ia ter de ver aquela cara esnobe e arrogante? Ou pior, veria Bo-Mi mais vezes. Como ia encarar ela depois disso?

-Isso...não vai se repetir


Não sabia dizer se falava sobre sua atitude ou sobre outra coisa. Na mente de Won muitas coisas passavam: o que sentira antes da chegada da mulher e depois naquele conflito eram extremos tão grandes...

Estava um tanto atordoado, mas pegou um pano e tentou voltar a limpar as mesas.

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:22 pm

[JAE-KI]

07/04/2019 - DOMINGO.

- Aiish… - Eun-Bi fez uma careta meio emburrada quando Jae-Ki se negou a responder se ela estava bonita. Custava nada, ela tinha gostado de ouvir antes, ainda que ele tenha dito de modo indireto.


Porém, ela não ficou muito tempo nisso, focando-se mais nas fotos que começavam a tirar. Os dois conferiam as expressões pela selfie do celular e combinavam qual bobeira fariam ou se ficariam certinhos. Às vezes erravam e ela saía fazendo cara fofa enquanto ele fazia careta e noutras era o contrário. Ela saiu rindo em algumas porque estava falando da anterior. Nisso, cerca de quinze fotos tinham sido tiradas, mas nem metade sobreviveria à peneira porque algumas saíram desfocadas mesmo.

Todo aquele astral e clima que surgiu na fresca noite de primavera fez com que algo começasse a crescer ali. A risada gostosa foi substituída por uma encarada mais profunda - olho no olho porque estavam da mesma altura. As bochechas dela chegaram a corar um pouco e mesmo que isso não fosse visível por conta da iluminação precária, o jeito dela se remexer indicava que ela sentia sim uma tensão no olhar. Engoliu em seco e entreabriu os lábios para dizer algo quando o celular tocou com o nome de MiSoo.

Passada a confusão inicial, a bailarina se afastou para responder à amiga que deveria estar bem preocupada. A ligação não demorou muito e Eun-Bi se juntou à Jae-Ki com uma notícia triste para os dois - precisavam correr até o metrô. Não ficava muito longe de onde estavam, mas ele ainda teria que fazer transferência para outra linha até chegar em casa. Então, precisavam mesmo correr.

Antes disso, ele arrancou o celular da mão dela.

- Mwo?! - Ficou sem entender porque ele se dizia mais rápido para tirar o chip e ainda assim demorava uma eternidade. - Eu sou muito mais rápido que você, Tartaruga! O que você tá fazendo?!

Tentou olhar por cima do ombro dele e se surpreendeu quando viu o nome na tela. Chegou até a ficar um pouco vesguinha para ler o nome. Piscou algumas vezes e deixou um sorriso discreto brotar no canto dos lábios. Encarava Jae daquele jeito fofinho enquanto colocava o gorro na cabeça de novo, mas dessa vez mantendo o cabelo solto.

- Uhum...Mas eu posso ligar quando estiver calma também? Ou só quando estiver irritada? - Perguntou como quem não queria nada enquanto ajeitava o cabelo. Pegou o chip de volta e só enfiou na bolsa mesmo porque não teria tempo de abrir o celular ali no meio da rua.


Meneava positivamente até que arregalou os olhos com a menção do metrô. Ainda que ela tivesse acabado de falar do transporte, ela também tinha se esquecido. Soltou um “ahhh” quando ele a agarrou pelo pulso daquele jeito e começou a correr. Eun-Bi tropeçou um pouco no início, mais por conta do susto, mas logo estava correndo muito bem. O salto alto pareceu confortável como um tênis de corrida enquanto eles disparavam pelas ruas de Jung-Gu até a estação mais próxima.

No meio de toda aquela adrenalina, ela nem sentia dor, só corria e acabava rindo do desespero. Eun-Bi tinha um condicionamento físico excelente porque era mais versada para os esportes mesmo - o ballet exigia muito de seu condicionamento. Quando achava que a mão estava escorregando, ela deu um jeito de segurá-lo também e logo não era mais puxada, correndo ao lado dele.

Parecia até que estavam fugindo de alguma coisa ou alguém, como se fossem protagonistas de um Jurassic Park ou Godzilla da vida. Não demorou para que avistassem o metrô e começassem uma descida muito torta pelas escadas.

Jae estava tão distraído com tudo aquilo que nem percebeu o cadarço do tênis desamarrando e acabaria tropeçando nos últimos dois degraus. Seria um tombo feio por conta da velocidade deles, mas Eun-Bi reagiu rápido e o puxou para trás, tentando freiar no próprio sapato.

Apesar de ter evitado que Jae-Ki caísse de cara no chão, aquilo não evitou o tombo dos dois que caíriam de bunda e deslizariam pelo piso bem limpo da estação até a parede mais próxima. Não foi muito, menos de um metro de tobogã no chão, mas para eles que tinham passado por aquilo, parecia uma mistura de eternidade com um piscar de olhos.

O metrô ainda estava movimentado ainda que não muito, por conta do horário. A bagunça deles chamaria atenção, obviamente e olhares de pessoas mais conservadores. Meneavam a cabeça ou faziam cara feia, alguns acabavam rindo também.

Eun-Bi o encarou ofegante e então disse.

- Ai. - Antes de ter um acesso de riso pelo que tinha acabado de acontecer.

A risada às vezes vinha acompanhado de outro “ai”, mas ela nunca tinha achado tanta graça de cair daquele jeito.


[HYUN-HEE]

07/04/2019 - DOMINGO

O Secretário Lee tinha sua expressão neutra voltada na direção da janela enquanto ouvia os apitos dos aparelhos e a movimentação da cama. Sabia que seu “patrãozinho” estava acordando, então, já se preparava mentalmente para a quantidade de absurdos que aquela garoto diria em breve. Abaixou um pouco o olhar, vendo as árvores do pátio do hospital se mexendo. Estavam num dos últimos andares, na área mais “nobre” do hospital, dos quartos-suítes.

Sua mente voltava no tempo, nas outras vezes - inúmeras vezes - em que estivera num quarto de hospital antes. Nem todas tinham sido ruins, era verdade, algumas eram para festejar a melhora ou até mesmo celebrar a vida.

Lembrava-se da energia que o quarto tinha naquela época, dos balões e flores. Lembrava-se dos sorrisos e da alegria que havia ali. Era uma vida e mesmo ele tinha sido bem-vindo. Naquele dia tinha conhecido o futuro que jurou proteger.

Algumas promessas eram realmente estúpidas.

Fechou os olhos quando ouviu o garoto chamando por aquele apelido idiota. Virou a cabeça lentamente na direção da cama, vendo o aborrecido e petulante Hyun-Hee iniciando seu repertório matinal de besteiras. Cruzou os braços e piscou lentamente de novo. Mesmo que Hyun continuasse com aquele discurso, a presença do Secretário Lee nunca antes tinha sido tão...opressora.


- Não, na verdade, gostaria de um aumento. Bancar a babá de burro velho deveria valer o triplo. - Disse entre os dentes.

Quase não conseguiu esconder o sorriso de satisfação quando ele foi obrigado a se deitar de novo por conta da dor e dos curativos.

- Sua alta não deve demorar. - Foi direto. - Até o fim do dia deve estar em casa. E não, não será enviado para nenhum lugar. Seu avô não sabe...ainda. Caso tenha esquecido, seu avô não está bem de saúde e não achei conveniente ligar no meio da madrugada para informar que o neto dele teve uma overdose.

Disse com um gosto amargo.

- Sabe que isso é crime, não é? Não tem ideia do quanto está me devendo e ainda estou pensando no que exigirei depois de tudo o que aconteceu.

Tinha algumas ideias, sugestões...que talvez fossem ajudar Hyun-Hee, no fim das contas, mas ele queria mesmo era colocar sua própria ira para fora.
Ouviu o pedido do celular e aquilo não era de todo absurdo, caminhou até a mesa ao lado e entregou o aparelho carregado para Hyun. Como não queria ouvir a conversa dele, ele continuou seu trajeto até a porta. Informaria à enfermeira do quarto que o paciente estava acordado e iria atrás de algo para si também.

Hyun-Hee não fugiria dali, mesmo que quisesse.

O celular estava intacto e com a bateria cheia. Não havia mensagens porque estava muito cedo ou todos estavam muito loucos para começarem a trocar informações. Nas redes sociais, ele veria fotos “dos bastidores” da noite anterior. Jong-In foi marcado em muitas fotos do evento na Ópera - algumas com Da Won, Jimin, outras com a própria família e...a família Park do banco. Chaeyoung estava bem timida na foto, com um sorriso que não formava nem uma linha na boca e o pai estava ao seu lado. O pai de Jong-In e o próprio também estavam na foto.


Não significava nada oficial, mas para alguém cheio de paranoias, podia dizer muita coisa. O lado bom era que a menina estava marcada e isso levava até as redes sociais dela.

O perfil dela era aberto ao público e a última foto tinha sido uma selca com o pai à caminho da Ópera. O perfil dela tinha muitas fotos conceituais de vista, detalhes, natureza e dela mostrando o cabelo dela. Contudo, o perfil não tinha nem quatro meses. A primeira foto era numa praia com duas amigas - elas ficaram contra o sol, mostrando só os contornos, mas estavam vestidas com shorts e blusas. Na legenda havia um “Feliz aniversário pra gente. Felicidade é poder comemorar mais um ano com vocês”.


[WON-BIN]

07/04/2019 - DOMINGO
10:30 A.M. ~ 12 P.M..

Hyosang deu um longo suspiro, massageando a têmpora quando ouviu a resposta dele. Aquela era uma situação bastante...complicada. A cunhada de seu sócio não era a pessoa mais doce do mundo, mas era uma cliente fiel e sempre pagou, mesmo sendo parente do dono. Ela era soberba, sentia-se superior, dentre outras coisas, mas era a primeira vez que via um episódio tão...intenso.

Óbvio que a presença de Bo-Mi na história tinha alterado um pouco o cenário, mas mesmo assim...Hyosang conseguia sentir um pouco de dó de Won-Bin. Apesar de não ter ouvido a conversa toda, pôde reparar com perfeição na expressão dele.

- Tudo bem, Won...Eu entendi o que aconteceu. Lamento por isso também, espero que não se repita mesmo.

E nem falava isso por ele, mas pela situação chata que o garoto tinha passado. Ji-Hyun continuava bastante incomodada com tudo o que tinha visto. Conseguia até ter pena da garota também - embora sentisse inveja pela aparência perfeita dela. Como alguém conseguia ter a pele tão alva e uniforme? Esses ricos e seus produtos caros...Achava uma pena que ela fosse virar uma versão mais nova da mãe dela,no futuro.

Won-Bin voltou ao trabalho porque era a única forma de esvaziar a mente. Ou pelo menos parecia ser, afinal, era um pouco difícil de esquecer as nuances da expressão de Bo-Mi: da timidez e insegurança do início, das risadas contagiantes que deixavam os olhinhos mínimos até a fatídica expressão de tristeza com a postura da mãe.

O celular dele vibrou com uma mensagem do pai.

Vou buscá-lo no trabalho para almoçarmos e irmos para o hospital. Não tem nada em casa pra comer.


Era verdade, mas também parecia um modo de pai e filho se reaproximarem de novo. O pai também dormia pouco, então, provavelmente tinha cochilado no sofá e agora já estava tomando banho frio para despertar de vez e ir buscar Won no trabalho. O domingo tinha passado mais rápido do que ele imaginava e, ao meio dia em ponto, Hyosang o liberaria. Uma nova mensagem do pai avisou que estava na frente do condomínio.

Ji-Hyun se despediu dele de modo mais contido e empático por conta da situação. As gorjetas dele foram entregues, mas o dinheiro da Sra. Yoon ficou no caixa. Hyosang disse que guardaria ali até o próximo Yoon aparecer para resolver o que faria: se seria crédito, se tomaria vergonha na cara e levaria embora, enfim…

O dia ainda seria longo para Hyosang - e ela era uma espécie de workaholic, pois trabalhava de domingo a domingo, ainda que os horários fossem mais flexíveis no fim de semana. Sentia a responsabilidade era ainda maior por ser a “dona” e nunca relaxava.

Despediu-se de Won e continuou com aquela expressão um pouco mais chateada enquanto o via partir.

O pai estava jogando joguinho no celular enquanto esperava pelo filho. Usava óculos escuro e uma roupa casual: jeans e camisa com a manga dobrada. A camisa estava meio amassada, mas o cabelo curto e espertado estava molhado, indicando que tinha mesmo tomado o tal do banho frio antes de ir até o filho. Olhou para Won e abriu a porta para que ele entrasse.

- E aí? Teve um bom dia?


Perguntou enquanto o filho se acomodava e o ajudava também.

- O que quer comer hoje?

A vontade dele seria atendida e os dois procurariam pelo restaurante que fosse acessível aos bolsos dele - e que certamente não ficava naquele bairro. As músicas alternativas da playlist deles tocava no carro, mas eles ainda estavam muito silenciosos.

[SUNNY]

07/04/2019 - DOMINGO
11 A.M.

As mudanças nas expressões de Sun-Hee eram observadas com bastante atenção e silêncio por parte de Jung-Mi. Naquele momento, a menina nem sabia, mas era a paisagem viva que os olhos castanhos do rapaz captavam e registravam na própria memória. Perguntava-se em silêncio como era possível que alguém conseguisse carregar tantos traços perfeitos que se moldavam a cada nova surpresa que ela lia no celular. O rapaz mal piscou, quase como se estivesse se esquecendo disso, talvez tivesse receio de perder algum detalhe e, na vida dele, todos os detalhes eram importantes.

Tinha plenas convicções de que poderia passar o dia inteiro ali, observando os modos dela e, eventualmente, registrando na máquina. Porém, não ousava pegar o aparelho e fazer isso assim, logo na cara dela. Permaneceu imóvel até que, aparentemente, a conversa chegava a um fim ali.


Quando Sunny ergueu a cabeça para encará-lo, a postura dele ainda era muito séria e tensa, porém, não carregava nada de negativo no olhar. Os “hehehes” e “ops” dela, o fizeram repuxar os lábios de novo e se ajeitar na cadeira.

Meneava negativamente, dizendo que não precisava se desculpar por aquilo. E, então, Sunny começava o monólogo das fotos que Jung-Mi fez questão de completar quando ela pareceu hesitar na resposta. Sabia que ela sabia o que estava falando e tinha parado apenas por ter ficado com vergonha. Não era uma “cola” dele. Apesar do constrangimento dela, ele se sentiu, de certo modo, contente por ouvir tantos detalhes.

Demonstrava que alguém se importava.

Alguém...Diferente das pessoas que existiam em WangJo e gostavam dele pelo nome que carregava, não por seus gostos peculiares para fotografia, artes e música. Seus amigos eram generosos, era verdade, mas raramente falava sobre essas coisas com eles simplesmente porque não batia com o perfil. Sabia que se falasse disso com alguma das meninas do colégio, elas ouviriam apenas porque era um Park. Pelo menos a maioria delas, podia destacar duas que o escutariam ou fingiriam que sim.

Desviou o olhar por um instante quando ela corou daquele jeito. Não queria deixá-la mais embaraçada, apesar de achar a expressão dela muito bonita. Suspirou antes de revelar que marcava os livros para que ela visse e voltou a encará-la, com aquele típico sorriso torto enquanto ouvia a opinião dela.

Admitiu que paisagens naturais combinavam com ela e repetiu diante da pergunta.

- Certamente combinam. - Disse com bastante segurança e sem tirar os olhos dela dessa vez.

Retirou a alça da câmera do pescoço e ofereceu a peça para que ela visse as fotos do dia. Parou quando ela disse que tinha sido ele. Não entendeu por um momento, chegando a tombar a cabeça para o lado, numa visível expressão de dúvida. A resposta o pegou de um jeito...diferente. Pela primeira vez aquela expressão sempre séria e segura se desfez e revelou a face de um menino de 16 anos, pois era o que Jung-Mi era, no fim das contas. Sunny não tinha ideia do poder daquelas palavras sobre ele.


- Eu...Não pensei que...Alguém fosse pensar isso, um dia. - Murmurou e então pigarreou, pouco a pouco retomando sua postura. - Fico feliz por ter te mostrado, ainda que indiretamente, uma outra visão de mundo. Eu gosto de ler também, mas...os livros de fotografia me permitem criar. É meio que o caminho oposto dos livros de romance, biografia e afins.

Gesticulava com a mão direita enquanto comentava.

- Enquanto as palavras criam uma visão dependendo do que o autor quer que você veja, nas fotos...Eu vejo o que o fotógrafo viu, mas também posso ver meus próprios detalhes e criar minha própria história acerca daquele quadro. É um exercício bom para a mente, principalmente quando…- Deixou os ombros caírem um pouco. - Poucas coisas na sua realidade te fazem desejar ficar sempre nela.

Uniu os lábios formando uma linha fina e um pouco séria. Depois de absorver isso, ouviu seu nome através dos lábios de Sunny e precisou fitá-la de novo. Havia um misto de sensações ali.

Por um lado, achava que tinha errado por ter mentido seu nome, mas por outro...não imaginava que fosse vê-la de novo. E também nunca tinham se aproximado de verdade para que um nome fizesse diferença, no fim das contas. Precisava se desculpar, sabia disso, só não entendia o porquê. Ou fingia que não entendia. A mente é um pouco complicada.

- É um prazer conhecê-la também, Sun-Hee. - Respondeu. - Eu sinto muito pela confusão de nomes. Hm...Na verdade, eu não imaginava que fosse vê-la de novo porque com o retorno das aulas, eu não conseguiria voltar lá. Enfim, não esperava que ahm...você fosse uma das aprovadas, foi uma grande coincidência.

Ponderou por um instante, pesando suas palavras.

- Usei um nome diferente porque...Bom, era o meu novo lugar favorito e não queria ser Park Jung-Mi. Acho que foi por isso…

Uma garçonete se aproximou nesse instante, interrompendo a conversa deles e perguntando se eles já tinham decidido o que pedir. Jung-Mi tinha passado o olho rapidamente pelo cardápio, mas com o dia quente que estava fazendo, optou por uma limonada para se refrescar ao invés de café ou algum chá quente. Esperaria que Sunny também escolhesse o que beber também e se comeria alguma coisa. Ele não pediu nada, mas isso não impedia Sunny de escolher algo para si.

Depois que a garçonete se retirasse, Sunny voltaria a ter toda a atenção dele.

[HYEMIN]

07/04/2019 - DOMINGO
2:30 P.M

As trocas de mensagem foram bastante intensas. Depois que Hayoung colou a matéria elogiando Hyemin como sempre fazia, as outras também apareceram. Nana até puxou Hyemin no reservado para convidá-la para um sorvete, mas todas estavam on. Liam a matéria e mandavam emojis ainda que ninguém, além de Hayoung, estivesse super animado naquela manhã.

Ainda era muito cedo para os padrões das dondocas - no caso de Yewon. Yerin ainda tinha que se revezar entre a família e o celular, por isso tinha “permissão” para demorar mais. Já Nana tinha os próprios motivos para agir daquela forma.

Hayoung: Vocês formam um casal lindo mesmo, Min-Ah! Você ficou tão adulta que nem parece ter a idade que tem. Estava maravilhosa. Parabéns <3

Hayoung dizia toda fofinha no grupo. Já a mensagem de Jung-Mi só apareceu com os riscos de enviada, mas ainda não tinha sido lida pelo menino. A última vez que ele tinha sido visto online foi às 10h. Certamente responderia à amiga assim que lesse, embora não fosse compreender os motivos de Hyemin.

Na janela de Nana, a resposta vinha mais rápido.

Nana: Foi tudo bem sim = ) Pode ser lá sim, me dá um toque quando seu almoço terminar que vou lá te encontrar. Beijos.

Yerin também respondeu mais rápido no privado.

Yerin: Ooi. Foi tudo bem, me senti o Pinguim de Madagascar, acenando e sorrindo. hahaha. Mas tudo bem. Que bom que teve uma manhã legal. Vi as fotos sim, você e Nana estavam muito lindas =] Você ficou bem de vermelho, até que essa maluca tem bom gosto =p
Não conte para ela que te disse isso, se não ela vai querer se enfiar no meu guarda-roupas tambem u.u’
Volto hoje, já estou morrendo de saudades. Amanhã é o dia rosa? Podia ser verde-agua =( Comprei um conjunto verde-agua lindo =(


Indiretamente, Yerin pedia para que Hyemin mudasse a cor. Claro que Yerin era a líder, mas no fim, quem se importava mesmo com a cor era Hyemin, de modo que ela pedia para que a menina aceitasse a sugestão dela. Mas caso ela não quisesse...paciência, ela tinha outros acessórios rosa para usar mesmo.

O pai não comentou sobre o tempo que a filha ficava no celular, mas aproveitou o tempo para colocar uma música dele. Aquele tipo de música mais alternativa ou de trilha sonora - principalmente Jung Joon Young. Hyemin não gostava muito, mas já que tava distraída, nem podia reclamar dele! Ele não ia abrir mão da rádio dessa vez porque já tinha sofrido com Twice e I.O.I na ida.

O almoço foi delicioso como todo a manhã tinha sido. Conversaram sobre o tempero dos pratos e pensaram como poderiam melhorá-lo. Ao fim do almoço, o pai podia deixá-la onde ela queria - a menos que ela fosse para casa, trocar de roupa e afins. Se ficasse antes de ir pra casa, ele avisaria que mandaria o motorista até lá para ficar à disposição dela. Caso ela fosse para casa, podia chamar o motorista dali mesmo.

A sorveteria era bem charmosinha, com tons pastéis e todas aquelas fofurinhas de garota. Tinha sido ali que elas compraram um bolo de sorvete para Hyemin em Março, por conta do aniversário dela. Eun-Na chegou antes de Hyemin e tinha escolhido um lugar bem no cantinho. No início, Hyemin acharia que a amiga não tinha chegado ainda.

E levaria um susto quando visse Eun-Na.

De boné, óculos escuros e moletom, a morena acenou para amiga. Apesar do moletom, ela usava short jeans e um tenis de saltinho. Mesmo assim, estava longe de toda aquela elegância e charme que ela costumava exibir por aí.


- Min… - Disse num fio de voz e acenou um pouco envergonhada enquanto esperava Hyemin se aproximar da mesa escolhida. - Oi... Como você tá?

[DONG]

07/04/2019 - DOMINGO

Min-Ho apenas ajeitou seus óculos redondos quando ouviu a pergunta acerca da fanfic. Meia ajeitada de óculos já significava uma resposta inteira. Ha-Neul comentou que queria ler depois e levou um empurrão do emburrado garoto. Ninguém tinha respeito pelo hyung, aparentemente.

Após aquela jogatina, todos os comentários foram para cima de Kim. O novato do grupo parecia bem cansado mesmo, como se fosse difícil manter aquelas duas personalidades tão distintas dentro do mesmo corpo. Lamentou pelo ocorrido e percebeu que Dong era mesmo um cara muito legal. Apesar de ter sido verbalmente agredido em seu lar, ainda foi compreensivo e tentou dizer que a culpa era a falta de treino e não o rage interno que Kim carregava.

Quanto ao comentário sobre ator, Kim acabou rindo.

- Bom, vamos ver como me sairei nas aulas de teatro… - Disse um pouco aflito.

- E eu na de dança!

- Ainda não acredito que você fez isso. - Ui-Jin comentou.

- Pois fiz! Quero começar meu projeto idol, depois de ver se tenho habilidade, o resto é plástica!

“Paff”, Min-Ho bateu na própria teste enquanto Ui-Jin deu mais uma gargalhada asmática. Nessa hora, nem Kim aguentou e riu de novo. Aqueles caras eram inacreditáveis mesmo! Ha-Neul também riu de um jeito divertido e pegou mais uma guloseima para si.

- Fora que ficarei perto das meninas… - Mexeu as sobrancelhas. - Stella não faz dança, né? Que pena...Já pensou se fizesse?


- Aí até o Dong ia querer participar.

- E certeza que se a Hyemin fosse, você também ia querer, Ui-Jin. - Min-Ho provocou, sempre agressivo.

- Que?! - Kim Joo-Hyuk acabou falando um pouco mais alto, arqueando uma das sobrancelhas. A reação dele atraiu os olhares dos outros e Ui-Jin ficou feliz por ter escapado da zoação, por hora.


- O que o que? - Ha-Neul perguntou.

- Nada… - Kim pigarreou.

- Você ficou nervoso? - Ha-Neul chutava e olhava para os amigos, retomando a zoeira de novo.


- Hmmm... - Min-Ho levou a mão até o queixo.

- O pai dela é chefe da minha mãe, só isso.

- Aah… - Os três tentaram pensar qual era a relação disso e Kim olhou para Dong, quase pedindo socorro.

- Então…- Pigarreou. - Posso vir aqui da próxima vez com o meu char pronto para o RPG, né?

Mudou de assunto e, felizmente, um foi puxando o outro. Logo tinham se esquecido dos clubes e das garotas, mas não do colégio. E Dong finalmente entrava no tópico acerca do esboço de ideia que estava tendo. A pergunta sobre o diretor fez os meninos refletirem.

- Eu achei...diferente. Não esperava que a diretoria fosse se importar, finalmente, com isso. - Ha Neul foi sincero. - Nunca se importou antes.

- Audacioso. - Ui-Jin respondeu. - Comprou uma briga com os líderes e bom, eles pararam um pouco, né?

- Justo. É bom que entendam que existe limite.- Kim respondeu por si também. Afinal, ele também levou uma ovada naquele dia. - Vocês não estavam lá, sabe? Não viram...Eu cheguei um pouco tarde, mas as meninas estavam num paredão tomando todo tipo de coisa podre no corpo. Foi...Deprimente. E as duas meninas da nossa sala não eram as únicas. Tinha muito mais.

- A gente sabe… - Ha Neul disse. - A gente sabe desde sempre, mas a gente não faz nada. Bom, eu não faço porque tenho medo. Sou invisível na minha turma e tem gente realmente assustadora lá. Agora não tanto porque as meninas novas parecem legais, mas vocês acreditam que uma das meninas bolsistas já desistiu? Ela não voltou mais.

- Coitada. - Ui-Jin disse meio cabisbaixo.

- Pois é… - Kim suspirou. - É triste isso, mas pelo menos agora alguém está fazendo alguma coisa.

Dong lembraria que no dia da ovada, Stella também foi convidada por Eun-Na, a menina da classe deles. Na hora do convite, Stella parecia acuada e bem nervosa à ponto de chorar. Dong tinha ajudado a inventar uma desculpa, mas a canadense não teria ido de qualquer forma. Mas caso tivesse ido, ela teria sido mais uma das vítimas. E quem sabe não teriam feito ainda pior. Bastava se lembrar do que aconteceu no corredor, o tombo que ela levou por nada.


- Vou falar uma coisa… - Kim suspirou. - O Dong não é o único interessado em dar um jeito nisso. Tem um menino na nossa turma que me fez perguntas outro dia. Hwang Won-Bin, ele tava no corredor com você naquele dia… - No dia que Stella caiu. - O menino do gesso…

Tentou puxar uma característica marcante para quem fosse distraído. Como não era da turma, Ha-Neul só fez “aaah sei” depois de ouvir do gesso.

- Ele também parecia interessado em saber quem é quem. Talvez seja uma boa a gente conversar com ele amanhã e ver se ele já tem algo em mente, já conhece as pessoas.

- Tem um menino bem estranho andando com ele. - Min-Ho comentou.- Dois, na verdade, mas um parece normal. O outro chegou com o olho roxo um dia desses. Tem certeza que quer se envolver com essa gente? - Min-Ho perguntou.


- Seguranças são bem-vindos. - Ui-Jin disse.

Kim coçou a cabeça e olhou para Dong.


- Que tipo de coisa você tem em mente? Se quiser começar a levantar dados, podemos começar a traçar um plano e colocar em prática essa semana. Eu já tô dentro!


Os outros três ficaram calados porque eram mais medrosos, mas também porque queriam um plano mais articulados. Não era do feitio deles se jogarem de cabeça sem ter tudo muito bem calculado. Pelo menos agora Dong tinha o “Dr. Hyde” com ele.

[MISOO]

07/04/2019 - DOMINGO
4 P.M.

O sorrisinho de Gyu-Sik se desfez com a forma como MiSoo o encarou e meio que foi convertido numa bela de uma arqueada de sobrancelhas. Logo no início da resposta dela, ele deu meia volta, como se fosse embora, mas era só fazendo tipo mesmo. Tanto que ela conseguiu atraí-lo rapidamente depois de catar o smoothie daquele jeito.


- Não é uma oferta de paz, foi um dos pedid…!!!

Não conseguiu completar a frase porque ela o puxou daquele modo para dentro de casa. O garoto tropeçou um pouco, mas logo se ajeitou e se arrumou. Retirou os sapatos e colocou as pantufas da visita para andar pela casa. Ele ainda estava trocando de calçados enquanto ela seguia saltitante e feliz pela casa. Chegou a cerrar um pouco os olhos, sem entender toda aquela animação dela.

Percebia que a casa estava um tanto quanto silenciosa, mas não perguntou ainda a ela sobre os pais. MiSoo nem deixava pensar direito. Além de sua imagem perturbá-lo - e estar perturbando cada vez mais nos últimos meses - ela não parava quieta. Era difícil, para um garoto acompanhá-la, às vezes.
Chegou até a sala de estudos um pouco depois e escolheu a cadeira mais distante da porta. Colocou o smoothie dele na bancada e a mochila no chão.

Antes que conseguisse dizer qualquer coisa, a garota falava para que ele ficasse à vontade e saía correndo para fazer alguma coisa. Gyu-Sik não estava entendendo nada e pegou o celular, mas nem conseguiu se concentrar muito. MiSoo simplesmente não parava e corria de um lado para o outro. Só ouvia os passos dela pelo piso e ele desistiu o celular.


Não conseguia compreender.

Tudo bem que estavam numa situação bem atípica e ele também se sentia um pouco estranho por estar na casa dela, apenas com ela...casa vazia. Ainda mais depois do que tinha dito no dia anterior. Não tinha esquecido e ainda ficava envergonhado por não ter segurado a própria língua.

Será que ela estava com vergonha dele? Será que não queria mais estudar?

- Aish… - Suspirou, passando a mão pela nuca. Ela voltou e ele nem teve tempo de reparar em como as coisas dela estavam organizadas e bonitinhas na mesa.

Porém, olhou bem para a caixinha que ela depositou na frente dele. Levantou a tampa para ver o conteúdo, mas logo abaixou quando foi ameaçado daquela forma.

- Mas já tá me ameaçando? Pois saiba que não tenho medo da sua raquete. - Abriu a tampa e ficou admirado com os cookies que tinham ali. - Uwa...Estão muito bonitos. Foi você que fez?

Olhou realmente surpreso, mas nem foi por mal dessa vez. Logo MiSoo explicava que estava na casa da avó e fez vários biscoitos enquanto estava lá.

- Não sabia que você cozinhava assim. - Comentou enquanto pegava o de chocolate branco e framboesa. - Esse aqui é de que? - Perguntou apontando para o chocolate e limão enquanto mordia um pedaço do que escolheu e soltava o - Hmm...Bem bom. Parabéns, MiSoo. Já pensou em vender?

Perguntou de brincadeira, mas o comentário sobre o sabor nem era mentira. Fechou a caixa porque tinha prometido que ia levar para Bo-Mi sim. Já tinha nascido dividindo coisas com ela, afinal.

- Ela vai ficar muito feliz com seu presente. - Comentou. - Ela estava meio estranha quando voltou da rua, se fechou no quarto e enfim...Depois descobri o porquê.

Como estavam longe de começar qualquer coisa e ele ainda comia o cookie e bebia o smoothie, ele continuou.

- Parece que… - Algo o irritou, de repente e ele suspirou. Que droga! Para contar o que tinha acontecido, teria que dizer algo que não queria dizer, mas enfim. - Parece que o “seu heroi” Won-Bin está trabalhando no café e minha mãe foi...bom, daquele jeito que nossas mães sabem ser. Ela deu dinheiro pra ele como forma de pagamento por ele ter salvo a Bo-Mi. Mas daí ele não quis e ficou de crédito no café.

Revirou os olhos, meio impaciente com aquela atitude.

- Deplorável, eu sei. Nem precisa dizer… - Terminou de comer o cookie e bateu as mãos. - Vou reclamar com ela quando chegar em casa…

Depois da revolta, ele arqueou uma das sobrancelhas para os comentários dela.

- A Bo-Mi disse o que? - Deu uma risada meio nervosa. - A Bo-Mi mente, sabia? Eu sou péssimo com poemas...Sei fazer bons textos, mas poemas não. É difícil me expressar. - Disse meio cansado. - Eu só aceitei vir porque me pareceu uma condição para você me desculpar…


Olhou para ela.

- E eu realmente queria que você me desculpasse...Não queria ter te chateado naquele dia.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:23 pm

O comentário de Hayoung fez o coração da menina aquecer e ela deu um sorriso espontâneo para o celular. Ela? Adulta? Tinha conseguido, então? Encostou o telefone no rosto, como se estivesse acariciando-o e deu um sorrisinho aegyo, bem alheia às músicas do pai.

“Você acha mesmo???? Obrigadaaaaa, Pikapi ♥️
Foi tudo obra da Nana que escolheu o vestido!!!”


Hyemin ficou empolgada de novo. Se sua seguidora a achava linda e adulta, então ela devia estar mesmo incrível. Encheu-se de autoestima e ficou revendo as fotos. Até que não estava tão mal, né? O sorriso podia ter sido melhor, mas ela até que conseguiu ficar bonita, não? Poderia parecer timidez, quem sabe? Bem, estava tudo certo.
Ah, como adorava a amizade de Hayoung! Fazia muito bem a seu ego. Para Nana, mandou só um emoji empolgado, mas Yerin teve mais sua atenção.

“Você é um pinguinzinho muito fofo!



Vc achou meeeesmo?
Obrigada, Rinnnn
Eu fiquei meio com medo de usar aquela roupa, mas meio que deu certo
hahahahahah n deixa mesmo, ou ela vai colocar decote em tuuuudo.
Serioo? N tem problema! Vou avisar as meninas!
Pode ser verde-água! Adoro verde-água
Volta com cuidado


Inclusive verde-água pastel era a cor de sua saia no momento. Quão conectadas elas podiam estar?? Para a menina, aquilo era apenas um sinal curioso de grande amizade.

“Meninas!
Amanhã vamos trocar o rosa por verde-água!!
Além de ser super uma cor que combina com a primavera, se alguma aluna nova ridícula quiser nos copiar, não vai saber a cor! ♥️
Rin topou. Hayoung tb.
Bjo”


Hayoung sempre topava. Não tinha por que perguntar de verdade para ela. O resto era só para convencer Yewon, de quem tinha mais medo, principalmente porque estava devendo explicações.

Quando chegaram no restaurante, finalmente abandonou o telefone para almoçar. Dedicou sua atenção ao pai e aproveitou o momento com ele e os papos que adoravam sobre cozinha. Era um domingo ótimo. Ela praticamente tinha esquecido que existia uma mulher na vida dele (embora não soubesse quem era). Afinal, seu papai era todo dela  naquele dia, então a outra não devia mesmo ser uma ameaça.

Não quis voltar para casa daquela vez, pois estava maquiada direitinho e em trajes apresentáveis, principalmente para uma sorveteria, ainda mais sem querer combinando com o local. A menina curtiu a carona e se vingou da sessão chatice com uma surra de GFriend e Oh My Girl no carro. Deixou a mochila da HelloKitty com a raquete e o tênis e levou só uma bolsinha menor que coube ali dentro, com o essencial.

Quando pisou no local, estava procurando pela amiga, e até mandou uma mensagem para ela, mesmo estando quase de frente. HyeMin levou um susto ao vê-la tão acabada! Mal conseguiu esconder a expressão, pois embora estivesse de óculos escuros, sua boca estava aberta..

- Nana!!!! Moletom??? Seu guarda-roupa pegou fogo??? Aimeudeus, me conta!! - A menina puxou a cadeira decorada, colocou os óculos na cabeça e debruçou os cotovelos na mesa, observando-a de forma analítica, embora não fosse nada boa em perceber sozinha o que ela tinha. -  E esses óculos? Errou o delineador? Não tenho lenço demaquilante aqui, mas se quiser tem batom e corretivo de emergência!

Acenou para o garçom, já sabendo que queria um milkshake de cheesecake com topping de Kit Kat de chocolate rosa e chantilly, e tomaria a iniciativa de pedir o favorito da amiga também, ou pelo menos algo que já a tinha visto pedindo.

- Hm, então… Eu estou bem! O que foi? Você nem me respondeu no grupo… você ficou chateada por causa da Ópera? - colocou o rosto entre as mãos, fazendo um biquinho, toda amiga solícita e preocupada.




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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:23 pm

Sem se dar conta, MiSoo acabou calculando mal e puxando Gyu-Sik com um pouquinho mais de força do que esperava. Mas acabou não ligando muito, apenas deu uma risadinha com o tropeço dele.

- Não? Quer começar uma guerra então? E cuidado para não caiiiir~!

E disparou para a sala de estudos sem esperar por uma resposta. Estava contente com seu dia depois de tantos outros que tinham sido meio complicados. E também não era sempre que estava com a casa só para si e não precisava temer receber alguém.

Depois de deixá-lo na sala de estudos MiSoo já saia correndo para buscar a caixinha do que tinha sobrado dos cookies que assou na casa da avó. É verdade que talvez estivesse um pouquinho mais agitada do que o normal, mas também não seria algo que MiSoo se daria conta nesse momento.

Foi rápida em buscar a caixinha e entregá-la a Gyu Sik e também ao sentar-se ao lado dele, junto à mesa e ameaça-lo com a raquete caso não fizesse o que MiSoo pediu.

- Não tem medo? - apertou os olhos, fazendo uma careta e iria revidar com algo, mas o elogio aos seus cookies mudou completamente o foco dela - Mesmo? - agora sentia-se lisonjeada - Ye!

E começava a contar sobre ter ido visitar sua halmoni e ter feito os cookies lá.

Gyu Sik comentava que não sabia dessa habilidade da garota e MiSoo fazia um bico contrariado em resposta:

- Aish! Me conhece há quanto tempo? E nem sabe que eu cozinho! Mas a verdade é que não sei fazer de tudo. Cookies não são tão difíceis assim. - inclinou-se um pouco na direção de Gyu Sik e a caixa de cookies para ver o que ele apontava - Ah. Esses são de  limão. Chocolate e Limão.

- Komawoyo! - respondeu com entusiasmo ao elogio dele para o sabor do biscoito - Vender? - inclinou a cabeça para o lado, analisando a “sugestão” dele - Por quê? Quer comprar? Eu posso fazer mais um mooonte para você! - retrucou de modo descontraído - Mas posso trocar o açúcar pelo sal se não pagar. - riu e deu um tapinha bem leve no braço do garoto, em seguida pegando seu smoothie de morango para dar um pequeno gole.

- Uhm? A BoMi se trancou no quarto…? - a animação desapareceu um pouquinho de seu semblante e MiSoo ajeitou-se na cadeira, ficando um pouco mais quieta - Achei mesmo que deveria ter algo de errado com ela… Não mandou nenhuma mensagem no grupo hoje. Por quê?? - perguntou um tanto ansiosa com a situação.

Primeiro a EunBi na noite passada e agora BoMi… Começava até a se sentir um pouco culpada de estar tão alegre enquanto as amigas não deveriam estar passando por bons momentos.

- “Meu herói”…? - resmungou pensativa, demorando alguns instantes para compreender de onde vinha aquilo.



Tinha chamado Won Bin de herói e logo depois MiSoo e Gyu Sik tiveram a discussão que resultou em estarem ali agora, não? Mas deixou o pensamento de lado, por enquanto, para prestar atenção no que tinha acontecido com BoMi.

- Então ele trabalha no café… Uwa! - arregalou os olhos, surpresa - Eu nem sabia! - mas a surpresa logo deu lugar a indignação com o resto do relato - Aigo! Não acredito! - bufou - Por que elas tem que ser assim? - debruçou os cotovelos sobre a mesa, apoiando a cabeça sobre as mãos e aumentando o incômodo estampado no rosto - Sempre acham que o dinheiro resolve tudo… - resmungou e sua animação tinha desaparecido completamente agora.



EunBi e MiSoo realmente estavam certas de que tinha algo de errado com BoMi. Lembra-se ainda de como BoMi falava animada sobre o garoto que tinha lhe salvado de ser atropelada… Sem falar que MiSoo tinha perdido a conta de quantas vezes ela mencionou o ocorrido. Com certeza sua amiga tinha ficado bastante decepcionada… Talvez com vergonha? Como as mães delas poderiam ser assim? Ainda bem que MiSoo tinha pensado em dar os cookies para BoMi e Gyu Sik, talvez isso pudesse ajudar um pouco BoMi.

MiSoo concordou com a cabeça, com um olhar triste, quando Gyu Sik comentava o quão deplorável a situação era.

- Vai mesmo…? - questionou Gyu Sik sobre o que dizia acerca de reclamar com a mãe e um pequeno sorrisinho esperançoso surgia nos lábios da garota.

Não era bom ter um irmão se preocupava com a irmã o suficiente para ir confrontar a mãe? Aquilo deixava MiSoo feliz mesmo que o assunto não tivesse nada a ver com ela. Mas era de sua querida amiga que falavam! Queria que BoMi voltasse à seu estado normal logo!

MiSoo resolveu mudar o assunto para o poema, já que tinha obrigado Gyu Sik à  vir até sua casa para isso - e ainda sentia-se mal pelo que a fez agir assim - só que não estava com muita vontade de fazer o dever. Conversar era bem melhor… Os dois não costumavam conversar taaanto assim. Pelo menos não sem ninguém mais junto.

A garota começou a ficar meio ansiosa e a jogar várias perguntas uma atrás da outra com a temática do dever… Não era bem isso que deveriam fazer, mas… Já era um começo. Pelo menos para MiSoo.

Mwo!? Ela mentiu para mim!? - ficou boquiaberta ouvindo Gyu Sik desmentir o que BoMi tinha dito sobre ele ser bom escrevendo poemas - Mas por que ela fez isso!? Aishh! - curvou os lábios em decepção - Eu confiei nela… - dramatizou um pouco, mas acabou ficando meio séria depois que Gyu Sik trouxe o assunto ao qual não queria muito tocar…



A condição que tinha criado para aceitar as desculpas dele… Mas como não iriam tocar nesse assunto se ele estava ali justamente para cumprir com a condição!?
MiSoo deu um tapinha na própria testa. Era culpa dela de ter criado essa situação e agora precisarem falar sobre isso! Por que foi resolver estragar os planos dele em ir ao cinema com a namorada? Foi tão estúpido… E foi a BoMi que incentivou!

MiSoo franziu as sobrancelhas e começou a dar um grande gole no smoothie, ganhando algum tempo para tentar por os pensamentos no lugar para dizer algo sobre isso. Algo que não envolvesse o motivo de ter feito a condição.

Por fim, após um suspiro um pouco desanimado, começou:

- Eu acho que exagerei ao pedir essa condição para lhe desculpar. - baixou os olhos e coçou a nuca - Hmm… Mas se você houvesse sido tão legal quanto foi comigo ontem, eu já teria lhe desculpado faz tempo! Quero dizer, - apertou um pouco o copo do smoothie entre as duas mãos ao perceber que tinha falado algo que lhe fez sentir um tanto constrangida, era verdade, mas mencionou essa parte sem pensar direito - Sem condições bobas… - se enrolava um pouco - Não que eu não precise de ajuda! Porque eu precisooo!! Mas agora você me disse que também é péssimo com poemas… Aish… - se dobrou sobre a mesa, quase encostando a testa no tampo e pousou as mãos sobre a cabeça - Miane por ter lhe feito vir aqui e estragar seus planos de domingo! Eu compenso você, eu prometo!

MiSoo ergueu a cabeça, respirou fundo e voltou a encará-lo, com um pouco mais de determinação, tentando esconder a vergonha que sentia em falar sobre o assunto. Só que não tinha muito para onde escapar. Estavam só os dois ali e MiSoo também tinha feito algo errado.

- É claro que lhe desculpo! Na verdade acho que até entendo você. Quer dizer, não precisava ter falado daquele jeito comigo, e, por favor, não me compare mais a nenhum tipo de monstro. -  baixou os olhos que expunham a tristeza da garota ao relembrar como tinha sido chamada - Eu não pareço um, não é? - resmungou em meio à um beicinho melancólico, observando o smoothie ainda pela metade entre as mãos.



Começava a se sentir insegura com a própria aparência mais uma vez. Não era mais a criatura fantasiada de adulta da noite anterior.

- Eu também não fui muito legal depois disso… - continuava falando baixinho, como se nem quisesse que ele ouvisse.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:24 pm

Jae-ki estava curtindo tanto essa noite que não queria que ela acabasse, mas era sempre sim, quando as coisas eram boas, o tempo passava correndo. Ainda mal acreditava que tinha fotos com ela no celular! Nessa noite não existia o conceito de classe social para eles, perto dela Jae-ki não estava se sentindo como na escola, não lembrava que ela era muito mais rica que ele, só importava os dois ali. Era como se não existissem problemas enquanto estivesse nessa noite doida. Mas a parte ruim das coisas boas é que elas sempre tinham um fim. Embora Soo-ji estivesse mesmo certa quando falou que programas reprisavam, não dava para saber se esse programa iria reprisar ainda mais vezes. Eles precisavam voltar para casa. Jae-ki estava tão afoito para não terminar assim, que tomou o celular da mão dela para colocar o seu número. Queria tirar a sensação de que ela poderia sumir, não queria arriscar chegar na segunda-feira e tudo estar diferente. Se não conseguissem se falar, ao menos tinha garantido que a bailarina saberia como chamá-lo. Estava digitando tão concentrado que nem se importou por ela o xingar de tartaruga, só riu e mostrou o que tinha feito.

Depois de dizer que ela poderia ligar quando estivesse irritada, Eun-bi o pegou de surpresa com uma pergunta que o fez sorrir mais uma vez, dessa vez um sorriso que queria conter, mas não conseguia. Coçou a cabeça e respondeu ainda com aquele sorriso balançando o ombro como se fosse algo simples:

- Quando tiver calma? Pode... Por mim pode ligar quando quiser.

Música:


A distrações dos dois não durou muito e logo Jae-ki a estava puxando para correrem em direção ao metrô. Tinham perdido a noção do tempo. Juntos corriam como dois loucos e riam da situação. Apesar da correria, Jae-ki ainda conseguia prestar a atenção em sua mão que segurava o pulso Eun-bi, e ela também deu um jeito de segurar nele. Gostava de sentir a pele dela, era tão macia e delicada. Prestava tanta atenção nisso que nem notou o cadarço desamarrado e acabou tropeçando quase dando de cara no chão! Mas a bailarina fez como prometido e o "salvou" o puxando para trás. Só que acabaram caindo juntos de um jeito tão estranho e desajeitado, que não tinha como não ser engraçado, ainda mais quando viu a cara de Eun-bi rindo após um "ai".

Jae-ki nem teve tempo para perguntar se ela estava bem ou se tinha se machucado, porque também começou a ter um acesso de riso, mesmo seu traseiro doendo por causa da aterrissagem, a cena voltava na sua cabeça como se tivesse durado muito mais do que alguns segundos. E ver a bailarina rindo só o fazia rir mais.


Não reparava quem estava passando, se olhavam feio ou se riam deles, porque tinha esquecido todo o resto. Mas se tivesse notado, não iria ligar também. Tinha que tomar fôlego entre as risadas e tentava parar, mas estava um pouco difícil. Ouvir a risada de Eun-bi também era muito bom, nunca tinha visto ela rir tanto. Poderia ficar ouvindo ela rir por horas que não enjoaria.

- Vo... Você...  Tá bem? - Disse entre risadas - É você me salvou mesm...

Caiu na risada de novo, dessa vez nem saía som de tanto que ria. Respirou fundo algumas vezes e se levantou primeiro, massageou um pouco o quadril dolorido, embora fosse em outra área que doesse mais, não era nada também dolorido demais. Ainda com sorriso no rosto segurou o braço dela para ajudá-la a levantar, a puxaria quando visse que ela fosse dar o impulso pra levantar e diria junto:

- Subindo!

Em seguida se abaixaria para amarrar o cadarço do tênis, não deixava de rir algumas vezes. E quando voltava a encará-la era difícil segurar o riso, mas alguém ali tinha que ser racional. Tinham que comprar as passagens e ver qual metrô pegariam. Jae-ki a chamaria para seguir e enquanto ia até o caixa e pagava as passagens, tentava mudar de assunto para não ficar lembrando da cena engraçada, se não nunca ia parar de rir:

- Me manda um sms quando chegar na sua casa? Para eu saber que chegou bem, nada difícil, pode escrever só sei lá, só um cheguei tá bom já. É só que se não vou ficar preocupado até segunda. Ah e não aceito a jaqueta de volta hoje! Uma coisa era... - Foi só olhar Eun-bi que começou a rir mais um pouco, porque estava feliz e porque lembrava daquela cena e da risada fofa dela - Não me olha assim, que eu volto a rir! É sério agora... -Respirou fundo e continuou - - Já que não vai voltar de carona, tem que ir com a jaqueta, é por segurança. Melhor ficar bem coberta... Se acontecer alguma coisa ou te seguirem, me liga...

Em sua mente nem conseguia imaginar ela sozinha com aquele vestido de ombros de fora sem sentir algum tipo de ciúmes. Embora não soubesse ainda que era ciúmes,  só a simples possibilidade dela chamar atenção de um pervertido o perturbava. (porque todos os homens que olhassem para ela eram pervertidos para ele agora) E se acontecesse no metrô, ele não estaria com ela para defendê-la.

- E se você odeia minha jaqueta, é só devolver na segunda na hora que quiser, sei lá, se tu quiser no intervalo, depois da aula, você que sabe...

Foi quando mencionou sobre segunda que começou a ter alguma esperança, se ela tivesse que devolver a jaqueta ou o gorro, era uma boa desculpa para se falarem de novo. Mas no fundo sabia que ter esperança demais não era bom. Quantas vezes já tinha se machucado assim? Mas queria tanto poder ouvir a risada dela de novo, ter a atenção dela de novo, embora tivessem tido uma noite longa, ainda não parecia ser o bastante. Seu coração queria mais, tinha vontade até de planejar formas de fazê-la rir de novo. Não sabia até que ponto conseguiria ter a atenção dela, mas tinha a estranha vontade de querer tentar fazer parte dos dias dela. Mas apesar de toda diversão que estavam tendo, ele ainda estava preocupado com ela, Eun-bi parecia ser um pouco ingênua quanto aos perigos em que se metia, e os pais dela não pareciam ser tão protetores, pelo menos pela impressão que teve da omoni dela, e o aboji não dava para saber muito, porque estava viajando. Por isso Jae queria garantir que ela não saísse de noite por aí sozinha, embora apoiasse a atitude dela, não se perdoaria se algo acontecesse. Teria que fazer a bailarina prometer uma coisa, mas ainda faria um pouco de suspense só para ver a reação dela.

- Ahh, eu quero me prometa uma coisa! Mas te falo depois. Antes me diz uma coisa - Sorriu misterioso e perguntou em seguida - Hoje foi legal?  
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:24 pm

Won estava desnorteado demais até para perceber com surpresa como a chefe parecia mais compreensível agora. A sra. Macchiato deveria ser uma figura tão desagradável que até Hyosang entendia Won.


- Tudo bem, Won...Eu entendi o que aconteceu. Lamento por isso também, espero que não se repita mesmo.

Respirou fundo e assentiu com a cabeça.
”Obrigado chefe, Ji-Hyun…”

Tentou retornar ao serviço mas sem muito sucesso de se distrair. Revivia o que tinha acabado de acontecer em loop na sua mente, desde a conversa agradável até a hora que elas saíram apressadas.
Assim como o sorriso de Bo-Mi era uma visão impressa claramente em sua cabeça, a visão dela quase chorando também era impactante.

Quase tomou um susto quando sentiu o celular vibrar, tinha esquecido completamente do que iria fazer depois do trabalho.
Abriu o celular e leu a mensagem do pai.

-Ok pai, valeu

Queria ter respondido de forma mais animada mas não conseguiu. Era uma excelente oportunidade de se reaproximar do pai, pena que a mente estava em outro lugar...em outra pessoa para ser mais exato.


”Provavelmente ele tá vindo virado de mais uma noite. Vamos lá Won, pareça vivo”

Em pouco tempo já tinha chegado seu horário e seu pai lhe avisava que tinha chegado. Won se curvou educado para a chefe e fez um breve agradecimento para Ji-Hyun.

-Obrigado por hoje. Até segunda - claramente ainda estava chateado com a situação. Pegou suas coisas e foi em direção a saída mas antes se dirigiu a chefe - Eu vou ao médico hoje, espero poder tirar o gesso e usar talas nos dedos - não tinha sido perguntando sobre o braço mas achou relevante contar a chefe que em breve poderia fazer o trabalho por um.
Se despediu e saiu.

Encontrou o pai usando o celular pra jogar algo: seria aquele da cobrinha que seu pai dizia ser um clássico? Talvez algo mais novo.

”Muito bem Won, faça uma cara melhor. E eu posso finalmente perguntar pra ele…”

Entrou no carro e forçou um pequeno sorriso.


E aí? Teve um bom dia?

-Oi. Sim, tirando uma cliente meio chata, foi tudo bem - comentou, segurando maiores detalhes sobre a sra.Macchiato, afinal queria perguntar sobre os Yoon.

Mas como iria puxar esse assunto? Sabia que o pai não gostava de falar sobre casos em detalhes...

- O que quer comer hoje?

-Hmmm, que tal frango frito? - comentou se lembrando que ele e Kang não foram comer naquela ocasião - Se não se importar de a gente comer besteira hoje - era domingo afinal. Sorriu imaginando que o pai nem contestaria muito.

Aquele silêncio era esquisito, a distância entre os dois ainda se mantinha e isso incomoda Won. Sem saber como iniciar seu assunto sobre os Yoon Won faz perguntas triviais:

-Como foi no trabalho hoje?

Deixou o silêncio tomar forma novamente. A playlist alternativa do pai preenchia a lacuna da fala com a trilha sonora de um filme não muito velho.


”Aish e pra que eu quero saber mais dos Yoon? Não é como se eu conseguisse fazer algo pela Bo-Mi, como se...mas, mas isso é estranho. Tem algo aí, eu sinto isso”

-Pai...posso te fazer uma pergunta meio esquisita? - preparava o terreno - Esses dias eu ouvi uns rumores sobre uma família famosa da Wangjo, que já teve envolvimento com algo da polícia, e eu lembro uns anos atrás você comentar de um deles preso

Pressionou o punho direito sem que o pai visse.

-Quem são os Yoon? Você trabalhou no caso deles? - deixou a informação e a pergunta serem digeridas pelo pai.

”Se for da época que imagino ser, foi quando ele passou a trabalhar mais na burocracia pouco tempo depois. Droga, será que foi algo complicado demais pra me contar?”

Torcia para que o pai não se irritasse com a pergunta. Era momento de se reaproximar dele e não cavar velhos problemas…

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:24 pm

Hyun Hee tinha acordado na ousadia. O aspecto depressivo que o tinha feito babar infeliz atrás de Chaeyoung mesmo em uma boate tinha ido embora. Apesar de estar no hospital e fisicamente pior, nunca esteve melhor de humor naquela semana toda.

Percebeu que o Secretário estava nervoso, mas isso não o intimidava. Pelo contrário, o sorriso debochado não abandonava o rosto. Queria testá-lo até o limite, pois sabia que ele tinha um contrato e um protocolo a seguir. A única coisa que o fez diminuir aquela expressão atrevida foi a menção das drogas.

- Como é que é?

Overdose?

Mas nem tinha usado remédios. Quer dizer, não o suficiente para isso. Podia dizer que tinha se comportado muito melhor do que a vez nos EUA. Muito melhor. Olhou confuso, um pouco irritado. Tinha ouvido direito?

- Mas eu não usei nada. Eu não uso drogas. Só as que me obrigam. - fez um gesto indicando loucura.

Parou para pensar um pouco, revisando os passos que se lembrava da noite anterior e a resposta veio muito clara: Jongin.
Não era difícil de imaginar que o amigo poderia ter aprontado uma daquela. Pensando bem, ele não conseguia lembrar de mais da metade do que tinha acontecido. Nem sabia como tinha apanhado direito.  Soltou uma risada abafada e olhou com raiva o quarto do hospital. Era inacreditável o que aquele filho da puta podia fazer. Seu “amigo” estava saindo pior do que a encomenda. Balançou a cabeça negativamente.

- Está cobrando do cara errado.  - deu de ombros. - Vá em frente e deixe o neto do Patriarca Park ser preso. Tenho certeza de que ele vai ficar satisfeito com você.

Então pediu pelo celular. Não precisava ficar se explicando para a babá. Ele não representava nada em sua vida e desconfiava muito dele, mesmo tendo sido salvo por ele.

Quando pegou o celular, ficou feliz pelo menos que tivessem respeitado o protocolo e não tirado fotos… Pelo menos aparentemente - não duvidava que algum engraçadinho, também conhecido como Jongin, ou uma das novatas tivesse a ousadia.

Acabou descobrindo fotos da Ópera e passou por elas vagamente, até encontrar o objeto de sua recente obsessão. Tão linda e tão brava…
Deu um pequeno sorriso, mas ao lado dela estava aquele escroto. Foi quando tocou na foto para ampliá-la que notou as marcações e resolveu visitá-la.
Era tão bom vê-la tranquila daquele jeito sem jogar coisas nele. Ficou distraído observando as fotos de sua joaninha. Ela era mesmo muito tonta. E linda. Onde estavam as fotinhos na frente do espelho fazendo biquinho? Sabia que não encontraria nada assim ali. Até sorriu novamente por causa disso e quando reparou tinha visto o perfil todo. Que estranho… era um fake? Quem é que tinha um perfil há tão pouco tempo?

Bem… Ele mesmo não postava nada desde…  Bem, desde a última festa bomba dos EUA.  Antes de adicioná-la, seria legal excluir aquelas fotos, né?

Por quê? Era o que parte dele se perguntava, mas de repente se viu apagando uma ou outra exposição ridícula com fundos que mostravam a casa bagunçada ou uma gringa mais atirada. É, porque Chaeyoung não era do tipo que curtia isso. Tá, e daí? Bom, era só porque ele não se identificava mais com aquela vida de coreano louco nos EUA e porque essas fotos poderiam dar muito problema agora que ele estava na Coreia. Se aquela história de drogas viesse a público, sua paranóia dizia que aquelas imagens seriam usadas para trazer clamor popular contra ele. Afinal, até os astros do BIGBANG sofreram xingamentos por seus históricos nada ilibados. Por que um chaebol seria diferente? Feita uma limpeza razoável, sobravam poucas coisas, entre elas a memória de criança e coisas que o marcavam.


Por que é que tinha um perfil mesmo?

Bom, pra adicionar meninas. Tratou de enviar um convite para a Chaeyoung.

E se ela já estivesse com Jongin?

Dane-se. Aquele puto drogou ele.

E se ela estivesse brava?

Aqui que estava a graça.

Para não dizer que estava adicionando só ela, foi procurar o perfil de EunNa. Foi direto no perfil de Jimin para encontrar a garota marcada, já que foi ela que a levou na festa, mas não fez esforço para achá-la. Tinha outra coisa em mente.

Logo estava telefonando para Chaeyoung e, mesmo que ela tivesse gritado com ele no dia anterior, ele estava muito mais preocupado com o que Jongin podia ter feito com a menina. E, de verdade, tinha acordado como se fosse outra pessoa, sem os melindres da Ópera.

Como da outra vez, se ela atendesse, ele a ouviria primeiro, para analisar sua voz, antes de falar. Mas dessa vez, por um motivo diferente, então iniciaria o papo com um simples “Yoboseyo.”
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:25 pm

Jung-Mi tinha um jeito muito direto de encará-la, e imaginava que fosse uma característica. No entanto, a maneira que o Príncipe usava para tal não era desconfortável ou intimidadora... Ao contrário da reação que ele certamente causava nas outras meninas, Sunny não sentia vontade de abaixar a cabeça e esconder o rosto ruborizado e os risinhos. O olhar dele apenas a incitava a admirá-lo mais e era o que ela fazia, independente das bochechas aquecerem com bastante frequência. Até porque, precisava de coragem para dizer aquelas coisas e ela não se arrependia de nada. Queria que ele soubesse o que ficou escondido durante a época que aconteceram as trocas de livros.

Embora não parecesse, ela estava em estado de choque e torpor.

Nunca que iria imaginar a remota chance de encontrá-lo ali.

Em pleno festival.

Cheio de pessoas.

Era tão impossível de ocorrer que mal acreditava e os dois conversavam normalmente, sem problemas invadindo o espaço de ambos, porque... naquele momento... eles o compartilhavam.

Enfatizando o comentário anterior, Jung-Mi reafirmou que sim, as paisagens naturais realmente combinavam com ela e a certeza na frase atiçou um novo sorriso. A mente buscou as fotos do livro com que ele a presenteou, confirmando o que o rapaz disse e também mostrando o quanto estava certo na escolha. Sunny adorou o presente e constantemente o folheava, tanto pelas imagens em si quanto para lembrar do Young da biblioteca. Diante disso, não conteve o impulso de expor outras confissões e não restavam traços de timidez... Ela parecia segura do que dizia a ele, feito alguém que esperou tempo demais. E não mentia. O primeiro passo foi motivado por uma curiosidade acerca do “oppa” que transformou o Café Literário num refúgio frequente e pessoal. Entretanto, quando descobriu os gostos peculiares para um rapaz tão jovem, se viu seduzida por uma dimensão que não fugia complemente da sua. Afinal, ela mesma também tinha preferências destoantes. Fato era que os detalhes apenas aumentaram o já intenso interesse em descobrir quem ele era e a ajudaram a criar uma lista de suposições sobre o garoto. Porque, no fundo, para Sun-Hee não passaria dessa linha de limite.

Fantasias de uma imaginação fértil.  

Ela ficou surpresa ao perceber a quebra da “máscara” na frente dos seus olhos. Pouco a pouco, a expressão fechada dele tomava nuances mais... leves. Durou poucos segundos, mas foi suficiente para agradá-la. Não tinha como calcular o efeito de suas frases nele, todavia... Era observadora, menos do que Jung-Mi, talvez, o que não diminuía a capacidade de absorção. Por isso, quando viu a feição menos densa, Sunny sorriu.

Assim que ele começou as explicações, prestou toda a atenção, movendo a cabeça de modo positivo, concordando... até que a última frase a pegou desprevenida.

Estava se referindo a si mesmo?

Sunny não sabia como responder, apesar de não existir nada na postura de Jung que cobrasse uma réplica sobre o desabafo.

Abaixou o queixo na direção do colo, refletindo em cima das próprias escolhas e um rotineiro aperto no coração formigou a área, cuspindo na cara de Sunny. Pois, diferente de Jung-Mi, ela tinha formas distorcidas de distrações para lidar com a realidade.

- Sim... Você tem razão. Cada pessoa tem uma interpretação daquilo que o fotógrafo decidiu retratar... Ele nos dá o lápis, mas é a gente que preenche as linhas... – sussurrou – É uma ótima maneira de ocupar a mente.

As reticências marcariam uma continuação inexistente.

Ela voltou a encará-lo, novamente sorrindo.

- Komawo...

Após agradecê-lo, Sunny ligou a câmera, porém ainda não passou as imagens. Olhando para Jung-Mi, só então apresentou-se como se nunca tivessem se encontrado e não foi com a intenção de cobrar explicações sobre o falso nome, já que naquela altura das circunstâncias, não fazia tanta diferença. Claro que não gostou dele ter mentido, mas não foi isso que a incomodou - e magoou - realmente. Desde que ele virou o rosto no auditório, as circunstâncias entre os dois têm crescido exageradamente, e para pior, dando a impressão que o melhor seria se manterem afastados. E o ocorrido na escada, a indiferença e frieza de Jung-Mi, apenas alimentaram o pensamento de que era a única alternativa.

Quando ia falar, a garçonete surgiu para anotar os pedidos. Acabou escolhendo um refrigerante qualquer, nem tocando no cardápio. A moça não demorou mais do que três minutos até se retirar. Sun-Hee respirou fundo enquanto apoiava a câmera na mesa, mas não a entregou para Jung-Mi ou sequer sugeriu que estava satisfeita de olhar as fotos. Ainda não.

- Também pensei que não fosse vê-lo outra vez.

Encolheu os ombros, relaxando um pouco mais na cadeira.

- Acho que... não é justo que se desculpe. No fim, você não tinha obrigações comigo. Mas, sendo sincera, eu fiquei sentida quando me ignorou de propósito no auditório porque pensei que não desejasse contato ou que preferia fingir que já não tínhamos nos falado durante as férias. Porém... depois, você veio, me chamando para conversar... E... – Sunny não cedeu a vontade de desviar os olhos – Mas não apareceu...

As mãos ao redor da câmera a apertaram, ansiosas.

- E eu esperei.

Um bico brotou no canto dos lábios.

- Desde quarta-feira, imaginei todas as possibilidades possíveis que justificassem o tratamento, mas... Eu quem peço desculpas agora, Jung-Mi... Optei por me abster quando deveria ter feito algo muito mais simples...

Ela sorriu para aliviar a tensão.



- Que era questioná-lo o porquê.

Decidiu limpar a cabeça de todos os pensamentos que tivera até ali sobre a opção de Jung-Mi de - supostamente - evitá-la. Uma namorada, indiferença... ciúmes... A mente estava como uma folha em branco, aguardando a resposta do rapaz. Porém, antes de deixá-lo falar, ela engoliu em seco e o encarou de maneira mais minuciosa e dotada de afeto.

- Não importa o nome que você use ou o lugar que frequente. Isso não muda quem é... Felizmente ou não. Afinal, posso estar errada, mas olhando para você, aqui e agora, e lembrando do Young que ia no meu serviço, em busca de livros e um pouco de paz... Eu não vejo mais duas pessoas – Sunny sentiu receio de o ofender ou chateá-lo, mas prosseguiu – Às vezes, o problema não é mudarmos de nomes, mas conviver com o peso que há neles.

Devagar, umedeceu os lábios.

- Se me permite falar... acho que está equivocado – disse com bastante cuidado - Você não deixou de ser Park Jung-Mi, e sim se concedeu a oportunidade de ser. Caso a biblioteca tenha virado uma espécie de porto-seguro, volte. Volte a aparecer, nem que seja de vez em quando. Não sei quais foram as razões que o fizeram ter o desejo de trocar de identidade, mas eu ainda gostaria de conhecer o menino que tirou essas fotos, que alugava os livros e fazia aquelas marcações para mim... O menino que ofereceu o carro para que estranhos pudessem chegar em casa e manter o mínimo de dignidade...

Fez uma pausa para lembrar os pulmões de respirarem.

- O menino que está na minha frente. Por isso, não importa o nome dele... contando que seja o verdadeiro.


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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:25 pm

[JAE-KI]

07/04/2019 - DOMINGO.

Eun-Bi não costumava conter os risos, mas ela não se lembrava exatamente quando foi a última vez que teve um ataque de risos tão forte quanto aquele. Provavelmente foi na companhia de MiSoo, mas agora ela chegava a chorar e tossir entre as gargalhadas. Às vezes saía um som, mas na maior parte do tempo foi aquela muda, que dói o diafragma e a fazia tombar a cabeça para trás.

As pessoas que passavam pareciam não entender o que acontecia ali. Por que os jovens tinham que ser tão exagerados e barulhentos?! Mas eles não se importavam nem um pouco com isso e apenas libertavam a vontade que tinham de rir da cara do outro.

- E-eu...coff… - Tossiu e secou a lágrima. - Estou...pfff...ahahahahaaha - Voltou a rir, curvando o corpo para a frente.

Felizmente, Jae-Ki tomou as rédeas da situação e começou a se levantar. Eun-Bi deu um impulso, mas subiu mais rápido graças à ajuda dele. Enquanto ele amarrava os cadarços do tênis, ela secava as próprias lágrimas e fungava um pouco. Acompanhou Jae-Ki até o caixa para comprar a passagem, evitava olhar Jae-Ki para não rir de novo.

Mas isso foi impossível depois que ele voltou a falar com ela. Para evitar mais gargalhadas, ela colocou a mão na frente dos próprios olhos e escondeu os lábios para controlar a risada.

- Vou mandar. Meu telefone está sem bateria, mas quando conseguir o mínimo, eu mando uma mensagem sim. - Abriu um pouco os dedos para poder encará-lo e sorriu, mas sem a risada exagerada dessa vez. Tirou a mão dos olhos e o encarou de novo. - Tudo bem...Eu fico com o gorro e a jaqueta.- Desistiu de contrariá-lo, mas também se preocupava com o frio que ele passaria. Ponderou um pouco sobre a resposta dele e a expressão dela foi deveras misteriosa com aquele argumento. Só poderia devolver a jaqueta dele se odiasse? Interessante. A bailarina cruzou os braços e concordou com aquilo.

Os dois já tinham passado pela roleta, mas agora seguiriam para plataformas diferentes. Por isso, antes de descerem, ficavam naquele ponto em comum para a fatídica despedida. Arqueou uma das sobrancelhas diante do pedido dele e corou um pouco. Suspirou e então disse.

- Não foi legal...Foi perfeito. - Encolheu-se um pouco, encarando. - Você salvou minha noite, meu dia, minha semana. Eu quase nem lembro mais o porquê de ter chorado e...Foi muito bom poder...ter conversado com você de novo. Eu senti falta daqueles dias…

Admitiu engolindo em seco e abaixando um pouco o olhar.

- É uma pena que...O último trem ainda seja muito cedo. - Disse um pouco manhosa e voltou a encará-lo. - Passou muito rápido. - Fez um muxoxo de leve. - O que quer que eu prometa?

Esperaria que ele fizesse o pedido e, dependendo do que fosse, ela diria sim. Mas os dois não tinham mais tempo juntos. Assim como os sonhos são interrompidos quando despertamos, aquela noite também tinha seu desfecho graças ao horário. Eun-Bi agradeceu por tudo o que ele tinha feito e prometeu que o pagaria na segunda-feira. Depois disso, cada um se afastou para seu destino, visivelmente a contra-gosto.

A bailarina levou a mão até o peito, esfregando por cima da jaqueta depois que deu as costas para ele e desceu até a própria plataforma. Mesmo que estivesse em seu silêncio, a cabeça ainda guardava todos os sons. Os sorrisos bobos vinham com facilidade e o aperto só aumentava. Encolheu-se, agarrando ainda mais a jaqueta dele, quase como se pudesse abraçar o próprio.

Jae-Ki também tinha um longo caminho até sua casa.

Mal dava para acreditar que aquilo tinha sido real, mas as fotos estavam ali como provas disso. O celular dele ainda tinha uma boa bateria, cerca de 40%, o que era o suficiente para voltar para casa e esperar pela mensagem dela. Quando chegasse em casa, encontraria as luzes apagadas e todos dormiam tranquilamente. Pelo menos a halmoni e Soo-Ji, o pai não estava em casa, apenas para variar.

Eram cerca de 2 A.M quando a mensagem dela veio. Demorou um pouco e a ansiedade foi alta, mas ela precisava carregar o mínimo para enviar a mensagem para ele.

“Cheguei em casa há meia hora. Demorei por conta da bateria, miane se preocupei n.n A jaqueta me protegeu, viu? Tenha uma boa noite, Jae. Obrigada por tudo…”

[HYUN-HEE]

07/04/2019 DOMINGO
7:20a.m.


O Secretário Lee analisou com bastante atenção as expressões e respostas do garoto. Overdose era uma coisa bem séria - para não dizer extremamente séria. Contudo, pelo tempo que tinha com Hyun-Hee, sabia que o garoto não omitiria se tivesse feito um uso consciente daquilo. Não fazia do feitio dele fugir dos problemas e, apenas por essa característica bem peculiar dele, o “babá” acreditava.

- Se não foi você, certamente foi uma bebida adulterada que seus amigos lhe deram. Deveria selecionar melhor suas amizades, Sr. Park. E eu trabalho para o patriarca Hong, não me importo com os Park.

Disse bem irritado - talvez uma nota mais irritado do que o normal. Afinal, o patriarca Park, atualmente, era Ji-Moon, o tio de Hyun e não havia nenhum tipo de simpatia por parte do secretário para com aquele homem. Muito pelo contrário.

- Caso tenha cansado das respostas venenosas, toma aqui a droga do seu celular. Faça bom proveito.

Saiu do quarto, deixando o rapaz em paz.

Nem tinha batido a porta e Hyun já estava entretido com suas buscas nas redes sociais. O perfil do instagram da Joaninha era realmente recente, mas tinha muitas fotos. Era uma média de 1 por dia - por alto - mas de pouco tempo, de fato. Boa parte ainda tinha sido nos EUA, mas ela também já tinha fotos WangJo - mostrando o uniforme, animada para a primeira semana de aula. Compartilhando o fone com a amiga do 2º ano. Tirando fotos de um doce de um Café Literário que ela tinha ido essa semana. Enfim, era um pequeno resumo das atividades dela e do que ela gostava de fazer.

Também tinham muitas fotos mostrando os diferentes cabelos que ela tinha. Laranja, mecha ruiva, mecha roxa, loira….Mostrando o produto que tinha usado ou a peruca fora do cabelo. A menina realmente parecia gostar disso, apesar do cabelo dela ser castanho - e ter apliques ali. Mas que ela era viciada em cabelos, ele já sabia - tinha sido o que ele mais encontrara na mala dela.

O que ele não sabia era que ela gostava de tocar violão, por exemplo e tinha alguns vídeos curtos tocando ou mostrando os treinos. Não era tão habilidosa quanto Jung-Mi, por exemplo, mas ela parecia mesmo gostar de cantar e se envolver com aquela peça em específico.
Depois de analisar todo o perfil dela, Hyun resolve limpar o dele antes de adicioná-la e...às 7:20h de Domingo, liga para ela.

[...]

O quarto estava geladinho por conta do ar condicionado e bem escuro com o blackout que impedia que aquela luz invadisse o quarto logo cedo. O celular começou a tocar, o toque padrão dela: DUMB DUMB DUMB DUMB DUMB. Bem alto do lado dela. Chaeyoung sentou-se na cama com a mão no peito e caiu deitada quando a alma voltou para o corpo.

- !?!?!??!

Tateou com os olhos arregalados e uma dor de cabeça filha da mãe o aparelho. Nem ao menos olhou para o número, achando que fosse uma emergência ou coisa do tipo.

- Yoboseyo?! - A voz saiu rouca, mas ela estava em alerta devido ao susto que tomou. Ao ouvir a voz de Hyun-Hee, soltou um - Aish… não acredito…

Resmungou, deixando o corpo relaxar e colocou a mão na cabeça.

- Que susto… - Respirava meio ofegante enquanto levava a mão no peito. - Você sabe que horas são, Park Hyun-Hee? São…Deixa ver… - Afastou o celular. - AIGOO, são 7:20! Qual é o seu problema?

[WON-BIN]

07/04/2019 - DOMINGO
12 P.M..


O pai o encarou por cima dos óculos quando ouviu que houve uma cliente chata. Fez uma expressão de “que droga”, mas às vezes precisavam engolir certas coisas mesmo. Achava o emprego do filho um tanto quanto peculiar, pois sabia que Won-Bin era tímido demais para lidar com o público. Porém, admirava o esforço dele por trabalhar a própria timidez e sair da zona de conforto.

Ficou verdadeiramente aliviado quando ele disse que tinha mantido o emprego. Não porque precisassem do salário dele para bancar as coisas em casa, mas porque era importante que ele ganhasse gosto pelo trabalho e tivesse aquela sensação de recompensa. O lado ruim era que sempre haveria alguém mal educado para aborrecer.

- Entendo, acontece. Em algum momento você aprende a filtrar esse tipo de coisa.

Respondeu e começou a dar a partida enquanto esperava que ele decidisse o que comeriam. O pai seria a última pessoa a recusar comer besteira - adorava, apesar de manter um bom físico, mesmo trabalhando na área burocrática.

Por isso mesmo, logo estavam dirigindo para um distrito mais acessível a eles para acharem uma loja popular de frango frito. Deu de ombros quando ele perguntou sobre o trabalho.

- Estou quase em 2010. Tem muito arquivo para botar no sistema...O mesmo de sempre. - Comentou por alto. E não deu mais detalhes porque nada demais tinha acontecido mesmo.

Olhou para o rádio do carro quando a playlist começou e pareceu relaxar ao som daquela guitarra. Mexeu a cabeça de leve e batia o dedo no ritmo da bateria enquanto mantinha as mãos no volante. A música não estava alta demais, de modo que eles podiam conversar - mas não faziam, por enquanto. Até que ele parou num sinal e Won começou.

- Hm...Pode. - Franziu um pouco as sobrancelhas, achando aquele início curioso. Continuou com a cabeça virada para ele e os olhos dele podiam ser visto por trás da lente dos óculos escuros porque não eram completamente pretas. - É? Que família?

Até diminuiu mais o rádio. E então, veio aquele sobrenome. O pai ficou imóvel por um instante e nem percebeu que o sinal estava aberto. Ficou em choque com a menção daquele sobrenome. Um carro começou a buzinar e ele olhou para a frente, meio atônito, dando a partida de novo.

-… - Engoliu em seco e umedeceu os lábios. - Não trabalhei no caso deles, mas eu trabalhava com um deles. Sei que você não é muito ligado nisso, mas o Procurador Geral da Coréia se chama Yoon Hyu-Sik. E digamos que ele não chegou onde chegou apenas pela competência. Essa família não presta.

Disse num tom bem amargo e fechou a mão no volante.

- Há dois anos, Yoon Hyu-Sik foi responsável por fazer justiça contra o próprio pai, Congressista Yoon Woo-Jin. O cara era podre e ele fingiu limpar o nome da família, mas sabe o que dizem: um fruto não cai muito longe da árvore. Ele é podre igual e, por favor, Won-Bin, se tiver algum Yoon na sua escola, fique longe. Essa gente não fará bem nenhum a você.

Falar nesse sobrenome até causava um mal-estar no Policial Hwang. Fazia uma expressão de asco porque o ódio era grande demais.

- Estou falando sério. - Disse, de repente. - Não se envolva com essa gente. Mas qual rumor você ouviu?

[SUNNY]

07/04/2019 - DOMINGO
11 A.M.


O comentário de Sunny foi absorvido em silêncio por Jung-Mi. O rapaz apenas focou os olhos no rosto dela e pareceu satisfeito com aquela declaração. Abaixou um pouco os olhos, dando um discreto sorriso e não demorou para que a garçonete aparecesse para buscar pelos pedidos. Feito isso, Sunny retomou a conversa e Jung a encarou. Quando se encontraram há alguns minutos, ele sabia que ela tinha muito a dizer - principalmente pela forma como ela tinha disparado em sua direção.

Por isso mesmo...Ele gostaria de ouvir.

Ouvir mais do que falar e ele já tinha falado muito, por isso limitou-se a escutá-la. Sunny dizia ter ficado sentida no auditório e o rapaz tinha que concordar que imaginava que sim. Não sabia exatamente porque tinha agido daquele jeito. Estava muito confuso logo no primeiro dia. Seu irmão tinha retornado, havia gente de olho nele...Havia Sunny bem diante dele.

Teve pouco tempo para absorver tanta coisa e agora não desejava aprofundar-se tanto nesses temas com ela. Até porque, ele não tinha nada a dizer além de pedir desculpas. Não podia mudar o passado e, ainda que pudesse, não sabia se teria feito diferente, no fim das contas. Acreditava em seus motivos.

Ainda teve a promessa que ele não cumpriu, de ir até o café novamente. Não cumpriu depois de vê-la abraçando o namorado dela e reagir com algo até então desconhecido: ciúmes.

Sunny continuava, mas agora fazia uma análise um pouco arriscada...Talvez por desejar ser uma psiquiatra ela tenha analisado a psiquê de Jung-Mi, mas...Era pouco tempo para dizer algo assim. Apesar dela sentir que o conhecia há muito tempo, isso não era uma verdade. Ela conhecia apenas as partes boas dele, seus gostos, seus hobbies.

Mas e os defeitos?

Quando há uma conexão tão forte entre “medica e paciente”, a análise pode se transformar imprecisa. Pois Sunny só enxergava o que seu coração desejava ver. E, bom, ela desconhecia de verdade a história dele. Jung-Mi abaixou um pouco os olhos e meneou negativamente.

- Eu gostaria de voltar um dia, mas creio que não será mais como antes… - Respondeu. - Existe uma grande diferença entre Young e Jung-Mi...E ela começa pelo sobrenome. O meu sobrenome pesa sob meus ombros e eu tenho obrigações que me impedem de ser Young. Voltar até o Café seria ótimo, mas não a mesma coisa.

Olhou para Sunny.

- Porque agora você sabe quem eu sou e não me olharia mais como Young. E quando vamos a um refúgio, não queremos ser olhados por quem somos. Entende o que quero dizer?

Tombou um pouco a cabeça. Não era como se ele tivesse dupla personalidade ou coisa do tipo. Mas o simples fato dela agora saber que ele se chamava Park Jung-Mi, estudava em WangJo e era um chaebol, o limitava a ser livre e normal como Young era.

- Sinto muito por fazê-la esperar. Mas depois que te vi com o seu namorado, achei que estivesse entrando demais na sua vida e talvez ele não visse com bom tom. Não é a primeira vez que seu namorado me julga com o olhar e não quero problemas. - Disse abertamente e suspirou. - Por isso achei melhor não alimentar isso. Quanto à carona...Bom, não menti. Eu teria ajudado qualquer pessoa que visse num estado daquele, mas...Certamente fui ainda mais cuidadoso por ser...você.

Admitiu, finalmente. Calou-se quando a garçonete retornou com os pedidos e agradeceu de modo educado antes de voltar para Sun-Hee.

- Quanto ao auditório...bom, eu...Eu estava num dia um pouco complicado e também não esperava vê-la. Acho que só posso mesmo pedir desculpas pelo que aconteceu. Nunca foi minha intenção magoá-la com minhas palavras ou, bom, a ausência delas.

Abaixou um pouco a cabeça quando pediu desculpas e voltou a encará-la. Não sabia exatamente o que perguntar a ela, porque sentia que, no fim das contas, quem devia mais “explicações” era ele mesmo. Contudo, algumas ele não se sentia à vontade para falar.

[HYEMIN]

07/04/2019 - DOMINGO
2:30 P.M


Passado o almoço no restaurante japonês, pai e filha seguiram até a famosa sorveteria de Gangnam. Sung-Ki deixou Hyemin na porta e dali mesmo já ligou para o motorista, mandando que fosse até aquele endereço para ficar à disposição de Hyemin. Já ele, seguiria até a casa para tomar banho e, talvez, sair depois. Não estava com vontade de ficar em casa, gostaria de aproveitar o dia e na verdade tinha algumas dívidas sociais a cumprir.

Hyemin não precisava saber disso.

Quando a menina entrou, começou a procurar pela amiga que tinha pedido pelo encontro. Nana acenou para ela de modo discreto e com menos ânimo do que o normal. A expressão de Hyemin fez a amiga hesitar, recolhendo o braço e esperando que a menina se aproximasse.

Ficava um pouco sem graça com os comentários da amiga, mas não dizia nada. Escondeu os lábios, fazendo um beicinho e engoliu em seco algumas vezes.

- Hm...Não, não foi isso. - Disse baixinho, mas se calou com a chegada do garçom. Pediu um Bingsu de algodão doce para si e o observou se afastar.

As meninas ficaram sozinhas, finalmente e Nana se ajeitou na cadeira, ajeitando o cabelo de novo e falou.

- Então… - Engoliu em seco, estava começando a ficar nervosa. - Eu preciso...que você me ajude...a contar uma coisa para a Rin… - O queixo dela tremeu um pouco. - Porque...Eu acho que ela é a única pessoa que pode me ajudar.

Disse um pouco mais rápido, porém de modo claro. Passou a mão por debaixo dos óculos e fungou algumas vezes.

- Min, o que eu vou contar agora é muito sério e você tem que me jurar que a única pessoa que vai contar é a Rin. Ninguém mais pode saber ou eu estarei morta...Entende?

Podia parecer um exagero, mas Nana não duvidava nada disso. Assim que Min prometesse, ela começaria a contar.

- Ontem...Depois da Ópera… - Pigarreou. - Eu fui a uma festa adulta. - Falou baixinho. - Convidada por algumas pessoas da escola. - Corou. - Eu sei que é ilegal, eu sei que estava errada, mas...Em algum momento da festa, eu não me lembro de mais nada...Só...Que um dos oppas tentou me agarrar de verdade…

Começou a se encolher, sentindo vergonha.

- Ele… - Tossiu e eliminou as lágrimas de novo. - Ele me tocou...ele me agarrou, ele me machucou...E...Eu não acordei em casa, Min...Eu acordei...Num lugar estranho. Mas eu não me lembro de nada. - Soluçou. - Eu só sei que acordei com algumas marcas e...isso…

Abaixou os óculos escuros e no meio dos olhos muito vermelhos pelo choro, havia um hematoma roxo no olho direito. Era uma marca bem feia que demandaria muito corretivo para esconder, mas ela não estava com estrutura para fazê-lo.

- E se...E se...Ele fez alguma coisa comigo, Min? E se...ele tirou aquelas fotos? Meu Deus do céu, Min...eu tô desesperada!

[MISOO]

07/04/2019 - DOMINGO
4 P.M.


- Não, não tenho medo. - Gyu-Sik chegou a responder enquanto escolhia o cookie de chocolate branco. Ao experimentar e elogiar, só conseguiu menear a cabeça de novo porque a boca estava cheia.

O cookie estava perfeito, na medida certa. Difícil comer um só. Já perguntava o sabor do outro, mas no fim, ia provar um de cada mesmo.

- Eu sabia que você cozinhava, mas não sabia que sabia fazer cookies e afins. Pensei que fosse só o básico. Se bem que eu não sei o que é básico, não tenho habilidades culinárias… - Respondeu a encarando bem de perto porque ela se inclinou na direção dele e ele pegou o de chocolate com limão. - Então é fácil fazer, mas eu não saberia, entende?

Colocou o segundo na boca e analisou o sabor por um tempo. O limão quebrava um pouco o doce do chocolate e ele não aguentou, soltando outro suspiro de elogio. Ainda bem que não tinha comido muito antes de ir - só o smoothie que estava na metade. Assim podia degustar daquelas delícias que a tenista tinha feito.

- Pra que que eu vou comprar se você me dá uma caixa de graça? Mas é uma ideia empreendedora, MiSoo-shi. Eu tô falando sério.

Estava mesmo. Quem sabe ela não abria a própria marca ou coisa assim? Talento ela tinha, afinal de contas.

Passada a fase dos elogios aos dotes culinários de MiSoo, Gyu-Sik explicou a situação envolvendo sua irmã e o herói de MiSoo - ele ficava bem irritadinha de falar isso, mas era assim que MiSoo vinha tratando Won nos últimos tempos. Não soube dizer porque as mães deles agiam daquele modo. Eles três tinham crescido nesse meio e era difícil explicar porque certas coisas aconteciam.

- Vou. - Afirmou com convicção enquanto fechava a caixa de novo e a deixava de lado. Os cookies estavam mais do que aprovados, mas agora precisavam focar no que tinham ido fazer ali.

Gyu-Sik quis dar uma risada nervosa com o comentário de MiSoo sobre o poema. Bo-Mi era uma sacana mesmo. Porém, precisava agradecer a ela, se não fosse por isso, talvez eles continuassem tendo dificuldade em se reaproximarem de novo. O garoto apenas observou as expressões de MiSoo e sorria com as carinhas dramáticas dela.

Ela realmente não percebia…

Apoiou o queixo na mão e o cotovelo na mesa enquanto ouvia o discurso de MiSoo. Os olhos estavam atentos na expressão dela. MiSoo abaixou a cabeça e então a ergueu, dizendo que o recompensaria pelo domingo perdido. Não sabia o que ela estava dizendo, mas gostava de ouvir a voz dela e o quanto ela se expressava.

Diante da pergunta, ele apenas conseguiu menear negativamente.

- Não… - Disse e virou-se um pouco mais para ela. - Você não se parece com um monstro, longe disso. Quer dizer, você fica ameaçadora com a raquete na mão, ou melhor, com qualquer objeto na mão. Você é capaz de tacar até um vaso em alguém e isso é perigoso, sabe? - Disse brincando, chegando a dar uma risada. - Mas você é...linda. Sempre achei.

Falou um pouco mais baixo e quase se arrependeu disso. Franziu as sobrancelhas e desviou o olhar por um instante.

- Pena que eu fui idiota por não dizer isso antes. Precisei vê-la num vestido daqueles para não conseguir controlar as palavras. O problema foi que todo mundo também viu, então, sei lá...Virei mais um. Então...Eis aqui a verdade, Yeun MiSoo…

Não soube exatamente de onde encontrou tanta coragem para dizer isso - vai ver era o açúcar dos cookies que liberou a trava que ele tinha.

- Você é linda. Sempre foi. Seja correndo pelo condomínio, ameaçando alguém, fazendo draminha ou com maquiagem...É o que eu acho, pelo menos. Se é que a minha opinião importa...
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:26 pm

Fazia muito tempo que Jae-ki não ria tanto, depois de uma semana de difícil adaptação em Wangjo, rir com Eun-bi tinha sido o melhor remédio. Ele pagava a passagem enquanto tentava conversar com ela e parar de rir ao mesmo tempo. Sorriu ao ver a bailarina tapar os olhos, era tão fofa, como ela conseguia ser tão bonitinha? Ficou satisfeito ao ver que ela não foi contra usar sua jaqueta e ainda aceitou enviar o sms.

Enquanto caminhavam, Jae-ki não deixava de reparar em cada expressão que ela fazia. Infelizmente teriam que se despedir, mas ainda queria se certificar que ela ficaria segura. Como queria testar as expressões da bela Eun-bi, quis fazer um pouco de mistério e para enrolar perguntou se tinha sido legal. Era até uma dúvida que tinha fazia um tempo, queria saber se ela curtia ficar na companhia dele. Só que não esperava que a resposta seria tão boa, achou que talvez receberia um "ok", mas o que ela disse foi muito melhor. Tinha sido perfeito! Chegou a ficar um pouco boquiaberto enquanto escutava, ainda mais quando ouviu que Eun-bi sentia falta daqueles dias. Não era só ele então que tinha achado aqueles encontros marcantes. Havia doído tanto nos últimos lembrar de Min-Ah. Achou que não era nada para ela e que o tinha esquecido facilmente enquanto ele lutava para esquecê-la. Mas agora conseguia enxergar Min-Ah nela.

Eun-bi abaixou a cabeça um pouco manhosa lembrando que teriam que se despedir. Jae-ki também achava que passou rápido demais. Ela perguntou sobre a promessa que por causa da resposta dela, ele quase esqueceu. Soltou um suspiro sorrindo e respondeu a olhando nos olhos:

- Ah a promessa, quase esqueci...Mas é, foi mesmo perfeito... É bom saber que você não esqueceu daqueles dias, eu também senti falta...

Mordeu os lábios meio sem jeito, não costumava passar por situações assim e nem a receber tantos elogios. Não era como se estivesse tímido, só meio atrapalhado. Não sabia o que seria considerado certo para falar no momento, mas mesmo assim falava o que vinha com um sorriso:


- E você também me salvou! Eu podia ter machucado meu rosto, mas só doeu minha bunda - Riu um pouco em seguida lembrando na cena, mas já estava bem mais calmo -- Imagina só, levar pontos de novo no meu rosto, a ajumma da secretária ia cismar comigo...  

Se virou para ela agora com um olhar sério:

- A promessa... Eun-bi, é muito sério, quero que me prometa que nunca vai sair a noite sozinha, até com uma amiga é perigoso. É que eu estava lá, então foi de boa, mas sozinha é mesmo perigoso para uma garota, ainda mais cheia de joias. Ok? Promessa não pode ser quebrada.


Estalou os lábios meio desanimado ao ver que era hora de se separarem. Ficou surpreso e bem feliz quando ela o agradeceu por tudo e ainda prometeu que pagaria no dia seguinte. Eun-bi era mesmo incrível, se pudesse voltar no tempo, não teria sido tão precipitado. Agora que sabia sobre Taemin, que não eram namorados, tudo ficou mais leve, embora ainda tivesse muitas dúvidas a serem resolvidas, Jae-ki estava decidido a resolver essa equação. Na hora de se separarem, suspirou e suas últimas palavras foram ditas quando ela já tinha dado alguns passos para seu trem, então ele praticamente berrou:

- Se cuida!

Ele a ficou observando se afastar, até doía um pouco, teriam que voltar a realidade. Mas dessa vez tinha as fotos no celular, era uma pena que não poderia ir junto e nem esperar mais, por isso se virou para pegar o seu trem. O caminho para casa era longo, mas durante toda viagem ficou pensando em Eun-bi e naqueles últimos momentos, ria sozinho e olhava as fotos que os dois tinham tirado, só não fez mais vezes para economizar a bateria. Era mesmo como um sonho, foi divertido principalmente a parte que os dois correram juntos pela noite, tinha encostado a mão na pele dela. Essas cenas ficaram muito vivas na sua mente, podia revivê-las várias e várias vezes, nunca tinha se sentido assim. A essa hora da noite estava esfriando, mas nada tão forte. Saber que ela estava vestindo sua jaqueta o reconfortava, era como se parte dele estivesse com ela.

Quando chegou no seu bairro, caminhou até sua casa ainda com o sorriso estampado no rosto. Depois de passar no banheiro de fora, entrou e encontrou a halmoni e sua irmã dormindo. Infelizmente o aboji não estava. Jae suspirou, mas nada tiraria sua felicidade. Só que não dormiu logo, queria esperar pelo sms dela. Aproveitou o tempo para mandar um sms para Jong-Suk, devia isso a ele de qualquer forma:

"Cara, aconteceu algo muito louco hoje! Amanha te conto. Foi mal ter demorado, vou explicar amanhã!"


Depois enquanto esperava a mensagem dela, pegou uma folha de papel para fazer alguns rabiscos. Estava muito tarde para tomar banho. Ainda sorria sem parar enquanto desenhava e sua mente voava em tudo que tinha acontecido. Estava preocupado com a demora da mensagem, quando recebeu o sms dela, abriu rapidamente e ao ler o conteúdo suspirou sorrindo. Releu em seguida umas três vezes.


"Ela me deu boa noite e me chamou de Jae de novo... Ahssa..."  

Suspirou mais uma vez com o sorriso bobo. Levou o celular até o peito e suspirou olhando para o teto. Era estranho e nem se reconhecia. "Não tô normal.. Mas e daí? Foi incrível! " Ela continuava agradecendo e isso tocava fundo no coração dele. Dessa vez realmente parecia ter valor, não como dá vez que brigaram na escola. Será que devia responder? Não queria que ela dormisse preocupada também... Então era algo necessário, depois economizaria. "Domingo eu começo a economizar e ela vai me pagar o que eu gastei hoje..." Então enviou afoito uma mensagem de resposta:

"Valeu por avisar, agora tô tranquilo. Você também salvou minha noite, foi daora, ainda tô rindo. Dorme maneiro também e não esquece do que prometeu. B) "

Jae-ki colocou o celular para carregar. Já estava com os olhos pesados de sono, só tinha se segurado mesmo pela mensagem de Eun-bi. Escondeu o biscoito de Soo-ji com cuidado no armário do quarto para fazer surpresa pra ela de manhã. Ficava animado só de pensar em ver o sorriso da irmã. Em seguida trocou a roupa por uma mais leve. Dormir de jeans era bem ruim. Jogou as que usava no chão mesmo. Se deitou do lado da irmãzinha e assim que deitou já dormiu. Dessa vez com um sorriso bobo no rosto, com certeza deveria estar tendo bons sonhos.



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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:26 pm

- Mas olha só.. - Ficava inconformado com a reação de Min-Ho que nem fazia questão de esconder as sujeira que fazia nas tais fanfics, só deus sabe o que aquela mente afiada e rabugenta tecia naquelas paginas.

- Fique ciente de que irei ver algumas atuações do senhor, Mr. Hyde! - Dessa vez, se corrigiu falando certo. - Também acompanharei as danças do HaN, acredite, até ir comprar calça e figurino eu fui, então... já é algo que estou arrastado até o meu pescoço.

Fez um gesto na altura da garganta com a lateral da mão. - Se Stella fizesse dança, certamente seria ótima nisso, mas até acho uma boa ideia ela não ter feito. - Teceu um largo elogio para a meninas, mas no fundo estava aliviado pois assim não despertaria tanto a inveja das pessoas que almejavam ataca-la pela sua etnia dupla. - Se ela me pedisse para dançar, talvez eu o fizesse, não sei!

Torceu os labios para o lado pensativo como se ele realmente fosse refletir na possibilidade. Dong gostava de ser simpatico e ajudar os outros mas no fundo ele tinha alguns criterios mais rigosos, mais complexos do que seus amigos podem compreender no momento, era engraçado ver a cara do Ui-Ji quado Hyemon era citada, o mais perdido naquela conversa era Kim que ainda parecia não compreender direito aquelas provocações envolvendo o nome das meninas.

- Viu Ui-Jin? Kim tem bons contatos é a sua chance de fazer seu movimento. - Deu um leve toque no ombro do amigo rechonchudo e asmático, lhe entregando a bombinha antes que ele a procurasse para a tragada. Kyung concorda sobre o personagem do RPG, tendo genuína curiosidade sobre o que o novato naquilo realmente faria, com base no tema, uma das coisas mais legais de se jogar roleplay era justamente a criação da ficha, esperava que Kim tivesse uma boa experiencia com isso, para que talvez, se torne um costume no futuro. - Acho que existem certas questões morais e profissionais que devem ser consideradas... - Ajeitou os óculos um pouco mais para trás até a armação colar no rosto - O que o diretor fez foi ótimo, eu apoio, é bonito, deu segurança a quem não tinha e isso até inspirou a minha pessoa para tentar fazer alguma coisa a respeito desse assunto, talvez até mais pessoas.

Eles poderiam esperar pelo "mass"  - Só que ele não fez mais que sua obrigação, ele é pago para isso, é um grande profissional e quando a hora chegar isso também respinga em cima de nós. Os alunos estão lá para estudar e contribuir com a instituição. Então no final do dia, a ideia do diretor não é expulsar alunos baderneiros ou puni-los, por que se ele resolver fazer isso de forma extrema, tem muito mais a perder profissionalmente, por mais que moralmente seja agradável.

Dong tinha suas dúvidas quanto ao que os lideres de Wangjo realmente poderiam fazer ou não a respeito das pessoas que são vitimas de gente maldosa... ele se recorda de Eun-Na convidando Stella, e a tensão não havia parado só nesse episódio. - Eu me lembro dele! Won-Bin, ele estava apto a ajudar Stella, se eu não estivesse lá na hora, certamente esse rapaz teria intervido de maneira mais incisiva.

A ideia de conversar com Hwang era bem aceita pelo Kyung, até chegar na parte dos amigos que acompanhavam Won-Bin. - "Essa gente" Min-Ho? Já parou para pensar que eles podem ter sido provocados? Humilhados de alguma forma? Só que nem todo mundo, fica com medo, alguns reagem de forma mais enérgica.

Lembrou das palavras anteriores. - Vou dizer a vocês, ovadas é algo muito anos 80, anos 90. - Falou olhando para Kim e foi mexendo o rosto, passando um a um. - Prender em armário, banheiro, sujar cabelos... xingar, isso é coisa antiga, é ruim, mas é antigo. O cyberbullying é um pouco mais complicado, gravar videos, fazer montagens, criar memes pejorativos... perseguições e exposições nas redes sociais, isso é algo sem controle. Não tem diretor ou pai que de jeito nisso.

O bullying virtual era um pouco mais perpétuo do que o fisico, já que se você mudar de escola ou de lugar, os agressores ficam para trás, no ambito virtual, não.

- Não vamos ver isso como uma guerra, não quero machucar ninguém, mas conhecer os seus "inimigos" é algo válido. As menina possuem largas redes sociais, eu poderia traçar algumas informações e perfis, só pelo que elas postam, fotos de comida, o que marcam, o que vestem, com quem andam, que banda escutam, dá para analisar o pensamento só pela letra da musica que elas gostam.


Quando Dong começa a falar isso, soou um pouco assustador, já que ele estava se referindo a stalkear, praticamente.

- O rapazes não são muito diferentes, alguns são tão vaidosos quanto as meninas. Muito coreanos são viciados em pornografia, é só um deles ter algum gosto peculiar e ilegal que já conseguiremos descobrir e entender certas... violências. O mesmo vale para jogos online.
- Coçou o queixo enquanto pensava -

- Essas pessoas que fazem um monte de cirurgias, isso já diz muito sobre elas, muito. Se você não trabalha no ramo da tv ou música e faz, então algo provavelmente não esta nada certo. É uma pena que essas informações sejam um pouco sigilosas mas nada que um pouco de paciência não resolva.


Paciência leia se com, caçar registros. - Podemos minerar nos alunos algumas questões, mas na grande rede existe muito mais matéria para conhecer essas pessoas. Se não temos um plano bem articulado no momento, não adianta bater de frente, pois vocês já viram que fofocas correm lá bem rapidamente.

Em outras palavras, era o mesmo que pintar um grande alvo na cabeça, sem poder fazer nada em troca.



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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:27 pm

- Claro, Nana. Eu falo para ela. O que aconteceu? - parou de pressionar porque ouviu as fungadas.

Até então, Hyemin não estava entendendo ainda a magnitude do que a amiga contaria a seguir. A garota continuava com as mãos segurando o rosto, tentando mostrar uma aura descontraída para animá-la, ainda que começasse a ficar mais preocupada e se esforçasse para prestar muita atenção nela. O que poderia ser tão grave para deixá-la tão chateada? A menina só conseguia pensar em alguma regrinha quebrada do grupo, alguma coisa que Yerin tinha dito para ela não fazer, como confusão entre os outros grupos, como algo dito para Eunjoo que as tornaria alvos da escola.

O coração apertou quando ela começou a fazer aquele mistério todo. Parecia bem mais sério do que isso e a ansiedade de não saber se revirava dentro dela. Nunca tinha visto Eun Na daquele jeito, até tinha medo dela algumas vezes, então… o que podia ser?

-  Morta? - Seus olhos demonstraram preocupação, mas ela continuava naquela posição, só não sorria mais. -  Nana… o que... - olhou para os lados, tensa e depois a observou, assentindo. -  Está bem. Eu prometo. Só para a Yerin. - assentiu de novo, repetindo aquilo para si mesma.

Baixou o olhar, sentindo uma pequena culpa por causa dos segredos que às vezes deixava escapar, mas esse parecia ser muito diferente de todos. Queria mesmo se esforçar para não contar, como sua missão na escola. Tornou a observá-la, sem interrompê-la. Ela tinha ido a uma festa, com pessoas mais velhas, ok, com pessoas da escola, ok. Nossa, que ousada. Muito ousada, né? Mas Nana era aquele tipo de pessoa que fazia essas coisas. Era até legal. Só que ela mesma nunca faria isso, porque tinha bastante medo. Então o queixo caiu da menina caiu e ela ficou paralisada.




-  Quê?

Congelou naquela expressão, passando os olhos pela amiga urgentemente procurando respostas. Sentiu o peito comprimir e algo torcer ali dentro. Ela finalmente abandonou a aura anterior e esticou os braços para alcançar as mãos da amiga, que estava em frangalhos, querendo dar forças para que ela concluísse a história. Não sabia o que pensar, muito menos o que fazer além disso.




A partir daí, Hyemin só conseguia ouvir e imaginar a cena, passo a passo, ficando com os lábios entreabertos e olhos assustados, que foram se enchendo de lágrimas. Ela não era a pessoa que deveria chorar agora, então engoliu mais de uma vez, para tentar se segurar, mas mal podia imaginar como a amiga estava se sentindo. Ou melhor: estava vendo como aquilo doía e era completamente real. Era nojento, assustador, e ela não acreditava que estava ouvindo aquilo.

- Nana… - sussurrou, sem interrompê-la, mas o pior só estava por vir.

Quando EunNa contou que não acordou em casa, a menina dobrou os lábios, engolindo mais forte. Sua mente criativa só podia imaginar, ainda que não tivesse nem material na cabeça que a tornasse capaz de criar com vida uma cena horrível daquela.  Soluçou junto dela, oferecendo para segurar suas mãos, querendo apertá-las, quando ela mostrou o olho.

Hyemin soltou um suspiro alto e cobriu a boca, com as duas mãos, para cobrir mais o som e disfarçar o choque. A menina abaixou a cabeça e começou a chorar. O resto de suas preocupações, no momento, para ela pareciam o de menos. Podia ser sim muito pior com fotos e todo o resto, mas era muita informação, do tipo que ela nunca pensou que acontecia de verdade. Assentiu, querendo dizer que entendia.

- Nana….eu…   -  chorou com a boca ainda coberta, balançando o rosto, querendo parar para falar alguma coisa, mas no momento não conseguia. - Mianhae…Nana… eu não...

Sabia que tinha que dar apoio para a amiga, mas era tão triste e horrível o que tinha acontecido com ela que ela não conseguia simplesmente dar forças.

- Mianhae…Nana… Mianhae - repetiu, com a mão trêmula procurando um guardanapo e secando o canto dos olhos repetidas vezes. Ela ficou assim por mais uns dois minutos até que conseguiu respirar torto, parar de chorar, e deixar o papel de lado. Suspirando torto, ofereceu um limpo para a amiga, mesmo sem olhá-la, e esperou um pouco antes de falar.

- Tá…. eu.. Nós vamos… vamos dar um jeito… - aos poucos ergueu o rosto para olhá-la, com muita pena. - Vai ficar tudo bem, Nana… nós vamos… nós vamos passar por isso juntas. Eu, você… e a Yerin. Eu juro que eu não vou contar pra ninguém. Eu… Se eu ouvir alguma coisa eu… Nana, não tem foto nenhuma, tá? Não tem… - esticou o braço, para segurar as mãos dela, agora em definitivo. - Qualquer coisa, a Yerin vai dar um jeito. E vamos… vamos sumir com essa pessoa do mapa. Está bem? Confia na gente. Confia… nela. - apertou as mãos delas e respirou fundo.

- Você…. Você já..   - ficou sem jeito e não conseguiu completar com “foi ao médico”. Afinal, ela queria segredo e… bem, aquela possibilidade a deixava constrangida. Tinha que pensar o melhor. Mordeu o lábio. - Você tá com dor? Vamos pra minha casa. Cancelo o pedido. Faço lá mesmo alguma coisa pra gente. Pode dormir lá hoje. Você… Eu posso fazer sua maquiagem amanhã e ninguém vai perceber. Eu juro. E…. e…. - abaixou a cabeça e soltou um suspiro.

-  … Nana…  Isso é muito sério… Essa pessoa que fez isso… Não é a Yerin quem devia resolver isso, você sabe…. Porque… Foi uma coisa muito séria… Acho que... - Queria chamar a polícia, algum adulto responsável nesse caso e seus olhos diziam isso, mas ela não verbalizou. Suspirou de novo e abaixou o rosto. Tinha todos os motivos para não querer contar para ninguém. Ela não saberia qual seria a reação dos outros se soubessem. Imagina se contasse algo assim para seu pai? Nunca conseguiria. Nem mesmo tendo a ver com sua amiga, não com ela. Entendia as motivações dela. -  Vai ficar só entre a gente… Prometo. E… eu chamo a Yerin pra conversar... Ela... vai resolver isso.

Sabia que tinha que perguntar quem tinha sido, mas faltava um pouco de coragem. Era um assunto tão grave, que ela atacava as beiradas, não os detalhes do caso, como tinha aprendido a fazer em casa. Era muito difícil olhar a amiga daquele jeito e não poder fazer nada.

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:27 pm

MiSoo apenas reforçou a careta irritada e levemente ameaçadora em resposta à Gyu Sik que reafirmava não ter medo de suas ameaças. Mas em poucos instantes tudo estava bem outra vez porque ele tinha elogiado seus cookies. Às vezes era fácil assim deixar MiSoo feliz e abandonar o assunto anterior.

- Aish! Nem o básico! - reprovou com a cabeça, estalando a língua - Pois deveria aprender então! Aí você descobre se cookie é difícil ou não!! - mandou de brincadeira, ainda inclinada na direção de Gyu e após ter lhe respondido sobre o sabor do cookies.

Mais um elogio ao sabor do biscoito e o sorriso já voltava a iluminar o rosto da garota mais uma vez. Chegou a dar uma risadinha que cobriu com a mão ao ouvir ele suspirar com o próximo cookie. Gyu Sik deveria ter realmente gostado deles!

Gyu Sik perguntava à ela se já tinha pensado em vender os cookies, mas MiSoo respondia com outra pergunta acerca dele querer comprá-los, pergunta que, mais uma vez, tinha outra como resposta vinda do garoto. Ele dizia não precisar comprar pois tinha ganhando uma caixa de graça.

- Ohh! Está achando que é tão fácil assim? Então da próxima vez darei cookies só para a BoMi~! - mostrou a língua de modo implicante.

MiSoo riu com a conversa sobre vender cookies ser uma ideia empreendedora. A garota não entendia muito do assunto, mas achou graça da ideia.

- Aigo… Eu nem sei se conseguiria. - respondeu de modo meio tímido, pois nem saberia quem iria querer comprar cookies, nem mesmo onde poderia fazer isso.

A conversa agora se direcionava para BoMi e o que tinha acontecido no café. MiSoo achava deplorável o modo com que as mães deles agiam com pessoas as quais elas não julgavam merecer, possivelmente por causa de seu nível social. Ainda bem que nenhum dos três tinha puxado as mães no que dizia respeito as suas atitudes.

Pelo menos a atitude de Gyu de ir falar com a mãe sobre isso agradava MiSoo, que sorria e erguia os punhos em frente ao corpo em incentivo.

Agora era uma boa hora para começarem a resolver o problema do dever de casa. Só que Gyu Sik não era tão bom em escrever poemas como BoMi tinha feito MiSoo acreditar, para a decepção da garota, que nem tinha pensado direito por qual motivo sua amiga iria mentir assim. MiSoo sentia vergonha da situação. Ter obrigado o garoto a vir à sua casa lhe ajudar em algo que nem ele parecia saber fazer direito… A falha crítica de MiSoo era tudo o que lhe passava pela mente no momento enquanto o drama estampava seu rosto.

O garoto mudava o foco do assunto para seu pedido de desculpas e acabava deixando MiSoo um pouco mais retraída e sem saber exatamente o que dizer. Talvez o melhor fosse ser sincera sobre as próprias atitudes, mas ficava ansiosa demais em sequer pensar falar sobre o motivo de ter pedido para Gyu Sik estar ali com ela.

Por puro impulso, MiSoo já começava a falar um pouco mais do que queria e revelava que, se ele houvesse sido tão gentil como na noite anterior, ela já teria lhe desculpado faz tempo. A pequena confissão lhe deixou sem jeito, mas MiSoo continuou falando mesmo que começasse a ficar meio enrolada nas frases que formava.

Para voltar ao foco da conversa, MiSoo precisou parar para respirar fundo e recuperar um pouquinho de sua determinação.

Agora sim afirmava que estava desculpando seu amigo e pedia que não fizesse mais comparações do tipo, só que a lembrança do adjetivo que recebeu dele naquele momento acabou lhe fazendo sentir-se de novo insegura sobre sua imagem, pois acreditava que poderia ter algum fundo de verdade naquilo, não? Talvez, no fim, MiSoo ainda se parecesse com o que era antes da mãe lhe convencer a fazer o regime. Talvez o regime não adiantasse de nada… Ainda era a mesma…

Com o “não” de Gyu Sik, MiSoo voltou a erguer os rosto, que trazia uma mistura de aflição e esperança. Era um alívio ouví-lo negar que MiSoo poderia se parecer com um monstro.

Deu um sorrisinho quando ele continuou dizendo que ela estava longe de parecer um monstro, mas ficava ameaçadora de várias formas.

- Aish… Não é assim! - deu uma breve risada - Ontem eu não pensei direito antes de jogar aquele broche! - tinha vergonha só de lembrar que tinha mesmo feito isso e jogado o objeto logo naquele garoto, que, até aquele momento, parecia alguém ameaçador - É. Mas sou perigosa mesmo, melhor me temerem! - brincou, dando mais uma risada e voltando a beber do smoothie de morango.

Mas, em seguida, Gyu Sik reafirmava que a achava linda, mesmo que em um tom mais baixo de voz.

MiSoo só não esperava que ele lhe repetisse o elogio que lhe fizera na ópera. Na verdade a negação sobre não parecer com um monstro já tinha sido quase mais do que poderia esperar, já que tinha feito a pergunta sem pensar. Sentiu as bochechas esquentarem novamente e as sensações da noite passada também retornavam junto daquelas palavras. Só que agora parecia pior, pois só estavam os dois ali. Não tinha praticamente nada para mudar o foco da situação e assim diminuir um pouco o constrangimento que MiSoo sentia. Ela só conseguia baixar os olhos mais uma vez, sem saber o que fazer e começando a sentir um pouco da ansiedade ressurgir.

Mas… Agora não estava vestindo a roupa chamativa e apertada de ontem, nem os sapatos altos ou a maquiagem profissional. Estava quase normal… Mas espera! Gyu Sik disse que sempre lhe achou linda!? SEMPRE??

Enquanto MiSoo se dava conta da frase inteira que ele tinha dito, quase bebia o resto do smoothie de uma só vez, encolhendo-se na cadeira, agarrada ao copo e tentando processar o peso do que era dito, mas sem conseguir dizer nada antes que Gyu continuasse.

- … Dizer antes…? - a voz saia falha, insegura enquanto ela repetia a frase do garoto quase que para si mesma, mesmo que ele ainda estivesse falando, e continuava amassando o copo de plástico agora vazio.



Quanto mais ele continuava, mais MiSoo sentia o peito apertar e o rosto esquentar como se fosse pegar fogo agora. Não conseguia dizer nada. Nem sabia o que falar ou se deveria mesmo dizer algo. Não achava que “era mais um” como Gyu Sik tinha dito, tinha gostado bastante de seu elogio, mas as palavras também não estavam querendo sair no momento.

O garoto continuou e MiSoo arregalou os olhos, boquiaberta enquanto esmagava o copo de plástico entre as mãos e deixava o objeto amassado cair no chão quando percebeu que tinha o estragado. Por que estava dizendo tudo isso? Era tão bom ouvir suas palavras, mas...

O mais estranho era que aquelas palavras não pareciam ser apenas uma brincadeira dele, o tom era completamente diferente. Pareciam sinceras! MiSoo tinha vontade de chorar - e já sentia as lágrimas escorrerem pelas bochechas - sentia até um pouco de dificuldade de respirar… Ou tinha esquecido de respirar mesmo. MiSoo tinha vontade de…

E mais uma vez o corpo agia mais rápido do que a mente, que provavelmente nem tinha conseguido processar metade do que tinha sido dito ainda, e MiSoo jogou-se na direção de Gyu Sik para envolvê-lo em um abraço apertado, repleto de constrangimento e gratidão.

- Komawoyo!! - agradeceu em um tom choroso de voz.

Tudo bem que a halmoni dizia achar MiSoo bonita de qualquer jeito, mas aquela era uma situação completamente diferente! Tal elogio de sua avó já poderia ser esperado, mas Gyu Sik dizendo tudo isso… Era tão inesperado para a garota que ela nem sabia o que pensar mais, nem conseguia pensar, o que acabou dando espaço à mais um ato de impulsividade.

Mas o abraço não durou além do agradecimento. MiSoo se deu conta que tinha exagerado - e muito! - e se afastou, empurrando a própria cadeira para longe, com os passos que deu para trás.

- Mian!! - falou alto, cobrindo com as duas mãos o rosto já todo vermelho da vergonha que sentia, mais o choro que ainda umedecia seu rosto - Isso foi exagerado… - dizia novamente no tom fraco e vacilante - Digo, me achar… Hmm.. Linda… Sempre… Acabei de ser exagerada também… AIISHIIIII!! - não conseguia tirar as mãos do rosto e já se virava em outra direção, com vontade de sair dali.



A cabeça da tenista estava uma verdadeira confusão. Primeiro tinha recebido o elogio dos garotos na noite anterior e já tinha ficado surpresa, mas feliz, agora recebia esse que parecia sincero e que tinha achado muito bonito à ponto de sentir o peito apertar, mas… Será que era mesmo isso? Como alguém poderia achá-la linda quando quase todo mundo queria deixar bem claro e tirar sarro do peso que MiSoo tinha antes? Esperava que não estivesse, de alguma forma, brincando, pois não iria perdoá-lo nunca mais se fosse isso!
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:28 pm

 Apesar de intrometido e não confiar completamente nele, a babá tinha seus méritos. Tinha conseguido irritá-lo. Era quase um prêmio, já que o homem sempre tinha aquela postura autosuficiente e fria.
Visitar as fotos de Chaeyoung o fez gastar algum tempo e melhorou seu humor. Ele ria do jeito besta da menina tirando foto de várias bobeiras do dia a dia, o que a tornava muito normal, e ampliava algumas outras para apreciar a beleza dela.


Do outro lado da linha, Hyun Hee riu um pouco da reação da menina. Ouvi-la tratando-o daquele jeito, por mais masoquista que soasse, na verdade era reconfortante. Ela não estaria daquele jeito se Jongin tivesse sido… bem, Jongin.  Além do mais, lhe dava um prazer peculiar deixá-la irritadinha e estava feliz por ouvi-la ao telefone. Nem tinha planejado ligar tão cedo, mas agora tinha sido só um fator engraçado.

- Bom dia, preguiçosa. Limpe a baba do canto da boca primeiro antes de se preocupar em me xingar.  Mianhae. Da próxima vez posso acordar você como a Bela Adormecida. Você prefere? É só me avisar.  

Agora que a ouvia aparentemente bem, ele já não tinha mais tantos motivos para ligar para ela, mas era importante certificar-se de que sua alucinação era causada somente por causa dos tóxicos da noite anterior.

- Eu liguei para perguntar uma coisa importante, mesmo que você esteja toda nervosinha. - fez uma pequena pausa. - Gwenchanayo? (Você está bem?)  -  falou com a voz muito mais suave do que pretendia. - Mesmo? - fez questão de reforçar. Ele guardava as respostas e continuava coletando informações. - Ontem você foi pra casa? Era só isso. A propósito… por mais ingrata que você seja, eu mandei fazerem aquele broche para você, então nenhuma outra pessoa pode tê-lo. Estou pensando se devo devolvê-lo, depois de todo o problema que você me causou, mas não quero que fique usando para arremessar por aí de novo. A não ser que tenha sido um tipo de técnica de sedução de joaninhas. Você queria me dizer alguma coisa? Apenas não faça isso de novo.    

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:28 pm

Para surpresa de Won seu pai entendia como era "engolir alguns sapos" no trabalho. Apesar do último acontecimento pelo menos o saldo no geral foi positivo: mantinha o emprego e começava a perder a timidez.

- Entendo, acontece. Em algum momento você aprende a filtrar esse tipo de coisa.

Won assente com a cabeça.

"Quantas coisas meu pai já filtrou no trabalho?" sentia uma curiosidade maior em entender como era seu trabalho. Talvez começasse a entender porque seu pai as vezes chegava em casa tão cansado e aborrecido.

A caminho do frango frito, uma sugestão que não teve objeções, o pai falava sobre o serviço.

- Estou quase em 2010. Tem muito arquivo para botar no sistema...O mesmo de sempre. -

-Uma hora você vai acabar no nosso ano - disse tentando animar um pouco o pai. Perguntaria mais sobre o assunto mas tinha uma pergunta importante para fazer.


Tomou a coragem e fez a pergunta. A reação foi no mínimo...estranha. Seu pai tomou um susto diante da informação e ficou ali, parado.

-Pai? Pai! - disse e o carro atrás buzinou.

-… - Engoliu em seco e umedeceu os lábios. - Não trabalhei no caso deles, mas eu trabalhava com um deles. Sei que você não é muito ligado nisso, mas o Procurador Geral da Coréia se chama Yoon Hyu-Sik. E digamos que ele não chegou onde chegou apenas pela competência. Essa família não presta.

"Ué, um Yoon é preso e outro é o chefão da polícia?" achava aquilo estranho, a família da Bo-Mi estavam em dois extremos da justiça?


- Há dois anos, Yoon Hyu-Sik foi responsável por fazer justiça contra o próprio pai, Congressista Yoon Woo-Jin. O cara era podre e ele fingiu limpar o nome da família, mas sabe o que dizem: um fruto não cai muito longe da árvore. Ele é podre igual e, por favor, Won-Bin, se tiver algum Yoon na sua escola, fique longe. Essa gente não fará bem nenhum a você.

"Isso é muito estranho, essa história não faz sentido..." Won lutava contra aquelas afirmações, por convicção...ou porque não queria acreditar que Bo-Mi era um fruto dessa mesma árvore.

Mas se parasse pra pensar em como a mãe era...

Notou como seu pai mudou o semblante, era muito notável o mal-estar.

- Estou falando sério. - Disse, de repente. - Não se envolva com essa gente. Mas qual rumor você ouviu?

"Não pai. Por favor não me peça isso"

Pela segunda vez Won faria o que odiava: mentir ao pai.

-Mas como pode ter certeza que o cara é corrupto? Ele fez algo? Tipo nos filmes quando o policial corrupto desvia drogas, ou pega suborno? - não queria argumentar mas também não aceitaria aquilo sem mais detalhes do pai.

-Eu já atendi uma Yoon no café. Então uma colega comentou depois sobre esse caso antigo dos Yoon que apareceu na TV - verdades misturadas em mentiras.

-Por isso fiquei curioso, só isso fingiu não estar tão interessado na informação, mas Won sentia o estômago se revirar.

"Já são tantos obstáculos...agora mais esse"

-Pai...você sabe que eu não sou mais criança, né? Não precisa mais guardar os podres do seu trabalho pra me proteger, eu já sou grandinho pra entender que o mundo não é preto e branco - sorriu contido - 'Não existem pessoas preto e branco', lembra quando você me disse?

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:28 pm

[HYUN-HEE]

07/04/2019 DOMINGO
7:20 A.M.


- …. - Chaeyoung só conseguiu ficar em silêncio diante daquela reação de Hyun-Hee. Como é que ele conseguia ser assim? Sério, ela não conseguia compreender.

E por que ela passou a mão pelo canto da boca daquele jeito? Estava ficando doida?! Ela nem tinha babado! Esse garoto conseguia tirá-la do sério mesmo e já fazia seu cérebro trabalhar nas respostas afiadas antes mesmo dela acordar completamente.

- Até onde eu sei, a Bela Adormecida é despertada por um príncipe… - Disse num tom quase meigo, dando um risadinha abafada. - Não por um animal!! - A última parte foi mais áspera e de modo pejorativo porque não queria chamá-lo de tigre.

O felino acabaria caindo como um elogio e ela não estava afim de elogiá-lo naquele momento. Na verdade, tudo o que queria era tacar aquele telefone na parede, imaginando que fosse a cara de Hyun. Porém...Era mentira. A ligação foi irritante sim, mas uma surpresa que a deixou sem palavras por uma segunda vez.

- Mwo…? - Perguntou num tom mais amistoso, achando aquilo estranho. - Estaria melhor se ainda estivesse dormindo, mas...Estou bem… - Respondeu. - Mesmo.

Terminou num tom mais calmo. A voz dela ainda estava rouca, mas agora ela estava completamente despertada. Ou podia ser um sonho, quem sabe? Não sabia ao certo porque ela tinha episódios de sonambulismo, segundo sua família, então, ela não podia ter certeza de nada nessa hora.

- É claro…! Aish, como sou tonta. Eu ainda estou dormindo, né? - Pareceu aliviada e levou a mão até o peito. - Esse é o tipo de sonho que posso falar tudo o que eu realmente acho sem que saibam a verdade. Só que se fosse sonho mesmo, eu atravessaria o telefone para bater nessa sua cara engomadinha. Infelizmente, esse aqui é um pouco limitado, parece.

Olhou ao redor, vendo o quarto dela ainda muito escuro. Estava sonhando preto e branco? Em tons de filmes? Ok…

- Então, eu me arrependi por ter jogado o broche em você. Eu errei, queria ter acertado...na sua cabeça, não no menino. Porque você é uma pessoa muito irritante e...nossa, esse sonho está tão detalhado…Tô sentindo frio…

Ronronou, se encolhendo debaixo das cobertas.

- Queria sim dizer uma coisa sim. Você não deveria usar as pessoas, sabia? As pessoas não são descartáveis. Você me magoou quando ficou ligando pra mim e no dia seguinte nem olhou na minha cara. Eu já sei o suficiente sobre você, sei que se chama Park Hyun-Hee, sei que repetiu de ano porque morou nos EUA e sei que...bom, eu sei. Todo mundo sabe. Daí parece que você achou uma boa ideia se fazer de meu “amigo” pra não ficar sozinho naquele colégio enorme, mas bastou falar com seus amiguinhos de novo que me chutou. Eu não sabia que as relações escolares eram assim…

A voz dela embargou um pouco.

- Queria nunca ter pisado lá antes e continuado os estudos em casa. Porque aí eu não teria passado por essas chateações e não teria perdido meu broche original. Mas também conheci pessoas legais, verdadeiras, sabe? Que não tem vergonha de mim. Fica com o broche pra você ou dá para aquela sua ex maluca lá! Garota irritante, viu? Vocês se merecem!

Fez um beicinho e logo estalou a língua no céu da boca.

- Agora é a hora que você segue o script do sonho e diz “É, Chaeyoung, eu sou um idiota, me desculpe”.

[JAE-KI]

07/04/2019 - MANHÃ DE DOMINGO.

Aquela noite tinha sido tão especial para Jae-Ki que ela teve apenas um resultado: sonhos muito bons. Sua mente tinha material o suficiente para criar novos cenários e expressões no mundo que pertencia apenas a ele.

As horas passaram e ninguém foi incomodá-lo para acordar. A halmoni apenas foi até Jae-Ki para ver se ele tinha alguma coisa estranha na cara e, bom, ela de fato achou algo estranho: um sorriso e uma expressão tranquila. A velha senhora Song chegou a cerrar um pouco os olhos, quase sem acreditar naquilo que vinha.

Por que ele estava sorrindo daquele jeito? Quase não via o neto com aquela expressão quando acordado. Talvez estivesse sonhando com dinheiro ou algo assim. De todo modo, ela não viu motivos para acordá-lo, até porque nem estava com raiva dele. Não sabia que horas ele tinha colocado os pés em casa, mas já que estava com o rosto limpo e feliz, permitiu que ele dormisse.

Soo-Ji também não quis tirá-lo daquele estado de graça e seguiu a halmoni. A garotinha aproveitou aquelas horas da manhã de domingo para arrumar a casa enquanto a halmoni descansava um pouco. Mesmo sendo muito novinha, Soo-Ji fazia de tudo em casa: cozinhava, varria, lavava roupa, até passava com a ajuda de um banquinho. O lado bom era que a casa não era muito grande e ela conseguia fazer rápido até, o lado ruim era que seus bracinhos ficavam doloridos.

Não era como se ela tivesse muita alternativa também. E ela não gostava dever a bagunça acumulando. Gostava da casa limpinha...Assim seus “shows” ficavam mais bonitos.

Inclusive, naquela manhã, passava o comeback das Mermaid, mas elas também cantavam o primeiro sucesso. Soo-Ji correu para assistir à performance. Deixou a vassoura de lado e começou a imitar os passos da dança que já sabia. A avó estava descascando legumes e sorria para as gracinhas que a netinha fazia.



- Halmoniii, eu amo a Yuki!! Será que fico bonita com o cabelo curtinho? Aigooo, eu queria ser fofa como ela!

- Não fale besteira, Soo-Ji! Você já é fofa assim, deixa seu cabelo quieto! Meninas têm que ter cabelos loongos…

- Mas a Yuki não tem!

- Mas a Yuki podia botar aplique se enjoar do cabelo curto! Você não! Você ia ficar choramingando sem fazer seus penteados.

A garotinha fez um beicinho.

- É verdade. Queria ser uma “ma-mei-do”(mermaid). Halmoni, se eu virar uma idol, eu juro que vamos morar numa casa enorme e cheia de comida e coisas bonitas pra senhora.

- Uhum…

- É verdade! O que você ia querer na sua casa, halmoni? Eu ia querer sorvete ilimitado! E bichiinhos - Girou no mesmo lugar com os braços para cima.

- Não sei, Soo-Ji…

- Ah, eu sei! - Correu até a halmoni e parou nas costas dela, começando a passar as mãos de dedinhos pequenos pelas costas, fazendo uma massagem. - Uma maquina de massagem ou aquelas poltronas que ficam tremendo para a halmoni poder relaxar o dia todo.

- Hm...Isso até que parece bom. - Fechou os olhos e a menina deu uma risadinha logo atrás dela.

O falatório acabaria acordando Jae-Ki, mas assim que ele tomasse consciência de onde estava e quem era, finalmente veria o celular piscando. Agora apareciam as 3 chamadas perdidas da noite anterior e algumas mensagens. Jong-Suk respondeu

“Eu vi o “algo muito louco” que aconteceu. A garota era mor linda mesmo, mas a gente que não ia ficar de vela. Espero que tenha aproveitado essa noite. Bora treinar mais tarde? Daí você me explica direito quem era. Sem enrolação dessa vez”.


E, para a surpresa dele, Eun-Bi às 8h da manhã.

“Bom dia, Jae.
Salvei porque prometi que ia te salvar também hahaha...Espero que tenha um bom dia. Ainda estou rindo por conta de ontem também. Foi real, não foi? Não tenho as fotos para confirmar, mas amanhã você me manda.
Bom domingo =)”


E realmente tinha começado como um excelente domingo.

[WON-BIN]

07/04/2019 - DOMINGO
12 P.M.


Sang precisava de um momento para colocar a cabeça em ordem. Nem em mil anos achava que o filho tocaria naquele assunto. Para ele, era uma história enterrada - ou quase - e a última coisa que desejava era ver o filho metido naquilo. Sentiu que acabou falando demais porque sua raiva não deixou que o cérebro filtrasse as informações e fosse mais...neutro.

Não. Tudo o que pensava era “Afaste-se deles!”,“Não quero você perto dessa família!”. E, bom, Won-Bin era seu filho e essas respostas só trariam mais perguntas.

Precisava cortar a curiosidade do filho, mas não podia contar a história toda. Diferente de Won, o pai não omitia/mentia para se livrar de alguma coisa. Fazia para protegê-lo e via que precisava ser mais incisivo.

- Porque eu sei. Minha palavra deveria bastar pra você, não? - Sang o encarou. - Os filmes não são nada comparados à vida real, Won-Bin. Isso aqui deveria lembrá-lo disso, não?

Cutucou o gesso dele.

- Você atendeu uma Yoon...no café? É um condomínio fechado, você está trabalhando onde essa gente mora?

Puxou o ar, de repente porque parecia um pouco mais difícil de respirar. Engoliu em seco e respirou fundo mais uma vez, meneando negativamente.

- Eu sei que você não é mais uma criança, mas também não é nenhum adulto. Fora que sempre será meu filho e o meu dever de cuidado é independente da idade. Então, escute bem...As pessoas não são preto ou branco, mas isso não quer dizer que não farão mal a você, se puderem, se for melhor para elas. É por isso que eu quero você longe dessa família. Já estou aflito o suficiente de saber que você estuda com um deles.

Isso porque não sabia que eram gêmeos, muito menos que um dos gêmeos era uma menina.

- Você...vai procurar outro emprego. - Disse.

E então se viu diante de um momento bastante...complicado mesmo que para ele. A relação deles sempre foi baseada na confiança - que tinha sido quebrada no início daquela semana - e essa era a primeira vez que eles tinham uma conversa mais demorada, desde então. Porém, infelizmente, o tópico parecia que ia afastá-los ainda mais.

Assim como a cruel condição que o pai dava.

- Você só volta a treinar no dojo do mestre Baek se sair desse emprego até amanhã, Won. Você escolhe o que é mais importante para você: esse emprego ou o TKD.

Parecia quase que inacreditável ouvir aquilo, mas o policial Hwang não estava com expressão de quem brincava. Pior foi que ele tinha dito que seria pior se Won perdesse o emprego, o filho teve que se humilhar pela vaga e agora, ele agia assim. Os pais eram, realmente, inacreditáveis quando queriam.

[HYEMIN]

07/04/2019 - DOMINGO
2:30 P.M




Nana não pensou muito bem na hora de falar o que tinha acontecido ou pelo menos das coisas que se lembrava. Sabia que Hyemin tinha uma língua solta, mas ela era, sinceramente, a única pessoa que ela podia confiar de verdade naquele momento. Diante de sua situação, ela achava que valia a pena arriscar e colocar toda sua vida e reputação nas mãos dela.

Apesar do enorme nó que sentia na garganta, ela começou a despejar aquele volume de informações sobre a herdeira Seo. Hyemin se desculpava, mas na verdade, era Nana quem se sentia na obrigação de dizer isso.

Aquela incerteza, aquela dúvida, aquela sensação de sujeira...Ela se sentia culpada. Parecia que fora punida por ter desobedecido regras morais ou ido ilegalmente naquela festa. Era quase como se ela estivesse pedindo para que algo ruim lhe acontecesse. Pelo menos era esse tipo de coisa que se passava na cabeça dela no momento. Era culpa dela. Toda dela!

Criatura imunda! Suja!

Mas ao mesmo tempo, aquela dor a consumia desde o instante que tinha acordado naquele lugar estranho. Só tinha conseguido parar agora enquanto esperava por Hyemin. Teve sorte por ninguém estar em casa - e a mentira de que tinha dormido na casa da Jimin prevalecia. Não era como se seus pais se importassem, afinal. Nenhum dos dois ficaria procurando pela verdade ao telefone. Se aquela situação, então, viesse à publico, era capaz de dizerem que foi merecido e depois a expulsariam de casa.

Eles nunca entenderiam.

Depois que mostrou o olho para Hyemin, Nana chegou ao seu limite. Segurou as mãos de Hyemin e a amiga sentia como as mãos dela estavam frias e tremiam. Talvez aquele toque gentil e a sensação de que alguém se importava fosse tudo o que Nana precisasse nas últimas horas. E, por isso mesmo, ela desmoronou bem ali, chegando a soluçar um pouco mais alto.

Cobriu rapidamente a boca, para conter o soluço, mas já era tarde demais. O corpo dela seguia aqueles espasmos enquanto o queixo tremia. Não era um choro bonito, daqueles de dorama como elas estavam acostumadas a assistir. Era um choro de dor, de uma ferida que não aflingia apenas o corpo, mas também a alma, a mente e atormentava a sempre tão segura e falante Eun-Na. Ela curvou a cabeça e deitou sobre a mesa da sorveteria. Chegou até puxar o capuz do casaco para esconder a cabeça.

Queria fugir do mundo, sumir, desaparecer!

Era uma cena e tanta que elas protagonizavam, mas Hyemin não sentiu vergonha porque estava preocupada e solidária à amiga. A menina pedia desculpas enquanto enxugava as proprias lágrimas e deu tempo para que a amiga colocasse a mente no lugar.

Nana ergueu a cabeça e pegou o guardanapo, limpando o rosto da maneira como pôde. Continuou fungando algumas vezes e soluçando muito. Hyemin trazia uma resolução e pedia para que Nana confiasse nelas. A garota meneava positivamente, acatando a tudo aquilo. Porém, quando as perguntar acerca da dor vieram, ela engoliu em seco algumas vezes.

Umedeceu os lábios e, muito constrangida, ela meneou positivamente.

- Eu...posso…? - Perguntou com um beicinho. - Eu não quero ir para a escola amanhã. Eu estou horrível e estou com medo.

Passou o guardanapo por debaixo dos óculos de novo e tossiu. Arregalou os olhos por trás dos óculos e olhou para Hyemin.

- Ani! Jebal, Ani! Ninguém pode saber, Min. Ninguém! Eu não fui à polícia porque não iam acreditar em mim e, bom, eu estava errada também...Não pode! Tem que ser um segredo nosso e...Eu só preciso que a Yerin tente descobrir se tem algo mais. Porque...Eu não vou aguentar tamanha humilhação se aparecerem coisas minhas por aí. Ai, Min! Eu estou com tanta vergonha!

Tombou o corpo para a frente de novo, voltando a se esconder. Porém, a sugestão que ela tinha dado sobre ir embora com Nana, oferecendo a própria casa como refúgio seria acatada porque foi a melhor das ideias. Pelo menos para Nana.

Não imaginava que Hyemin fosse fazer além do que ela tinha pedido no início.

[DONG]

07/04/2019 - DOMINGO
4 P.M.


Os meninos ficaram em silêncio quando Dong começou a expor seu raciocínio. Min-Ho tinha aquela expressão rabugenta de sempre, mas isso significava que estava ouvindo com atenção. Ui-Jin tinha aspirado um pouco de sua bombinha depois da brincadeira de Hee-Kyung acerca de Kim ser um contato. Ha-Neul tinha uma postura um pouco mais despojada, parecia até um pouco ausente, mas estava bem atento. Já Kim o olhava como um “capitão”, esperando pelo plano que eles articulariam em breve.

O herdeiro Dong era muito preciso em toda sua análise e deixava os amigos um tanto quando impressionados.

Era verdade que o diretor tentava colocar um pouco de moralidade, mas não tinha intenção de expulsar os alunos baderneiros. Ele era, antes de qualquer coisa, um educador. Apesar de mostrar que ações geravam consequências, ele precisava ensinar ensinar moral àquelas crianças mimadas. Fora que, no que tange o financeiro, o colégio não queria perder alunos! Ainda mais agora que “sustentava” outros 15 alunos novos.

Precisava mostrar resultados, não perder o controle. Isso porque os meninos só viam pela perspectiva do Ensino Médio. Havia outros dois prédios: Ensino Fundamental e o Ensino Especializado. Dong e os amigos tinham vivido a fase do ensino fundamental e podia ser considerado um dos círculos do inferno - estava pior agora, então, não era nem legal imaginar como seria no prédio seguinte. E o diretor estava lidando com essas três situações.

Ha-Neul teve vontade de zoar falando que a “escola era tradicional, por isso tinha bullying do passado”, mas felizmente ele ficou quieto. O assunto era sério demais para que fizessem qualquer tipo de brincadeira.

Porém, ele se interessou muito na história de stalkear.

- Eu faço. - Esticou o braço. - Na verdade, eu já tenho trabalho adiantado, várias pastas na nuvem…- Tossiu, mas nem estava brincando quanto a isso.

Quanto à pornografia, os quatro ficaram quietos, olhando meio tensos sem saber exatamente o que dizer ou como piscar ou até mesmo respirar sem que isso virasse motivo para suspeita de gracinhas. Dong era bem abrangente em sua análise geral. Por fim, ele foi certo em dizer que era mais fácil procurar na grande rede do que no boca-a-boca. Diminuía as chances daquilo sair do controle e virar uma fofoca.

- Certo... - Kim disse, por fim. - Então vamos coletar dados, por enquanto. E através de duas fontes: ao vivo e na rede.

- Eu fico na rede, eu, eu, eu - HaN esticava o braço como se estivesse na sala de aula.

- Eu posso perguntar ao vivo. - Kim falou, cruzando os braços. - Veja bem, eu já sou suspeito, já tomei ovada e sou novo. Fora que as pessoas não sabem até onde somos amigos, não é? Então não chegariam rápido até vocês. Eu aguento. É só me dizer o que você quer...Quer falar com o Hwang? Podemos tentar na segunda, em algum horário.

- Eu também posso fazer isso. - Ui-Jin comentou.

- Mas você nem fala, Ui-Jin. - Ha-Neul replicou.

- Não, mas eu escuto. E sou muito bom em me fazer invisível.

Nesse instante, os meninos o encararam bem. Ahm...Ui-Jin não era a pessoa mais “discreta” do mundo. Ele chamava a atenção porque não era um menino pequeno e tinha um olhar um tanto quanto denso. HaN abriu e fechou a boca, fechando os olhos, Kim achou a iniciativa legal, mas Min-Ho meneou negativamente.

- Ninguém vai falar? Ok, eu falo. Você é gordo, Ui-Jin, como assim vai passar despercebido?

- Você tem alma de quem faz bullying, sabia?

- Eu sou sincero, é diferente.

- Sua sinceridade pode magoar as pessoas. Mas se acha que ser gordo prejudica, aí, Dong, o Min-Ho se candidata a coletar informações também.

- Eeeu?! Mas eu nem disse que concordava com tudo isso! Eu acho arriscado e acho que não vai dar certo. Não vai mudar nada.

- Pelo menos é uma forma de tentar. De fazer alguma coisa. - Kim disse já completamente envolvido com aquela ideia.

Min-Ho só meneava negativamente, discordando com tudo.

- De todo modo… - Ui-Jin retomou a palavra. - Eu posso ajudar com isso. As pessoas realmente não prestam muita atenção em mim e, bom, eu posso descobrir algumas coisas.

- Fora que você também tem uma excelente fonte, né Dong? - Han o encarou. - A sua prima…

A questão era se Dong estaria disposto a envolver a prima nisso também. Sabia que podia confiar nela, mas até que ponto? Hayoung estava no time das meninas que faziam mal às outras, mas também era uma vítima. Aquele talvez fosse um dos pequenos mini-problemas que Dong deveria encarar se quisesse mesmo seguir adiante com aquela história.

Porque para “ajudar” alguns, ele certamente “prejudicaria” outros. E, colocando em termos práticos, entre Stella, uma vítima, e Hayoung, uma agressora, qual pesaria mais no fim das contas?

[MISOO]

07/04/2019 - DOMINGO
4:10 P.M.




Gyu-Sik tinha começado a virar um pouco o rosto depois que a coragem inicial passou. O momento e, provavelmente, toda aquela energia e alegria que vieram com a quantidade de açúcar que ele consumiu, o fizeram falar demais. Falar coisas que não revelava para ninguém e guardava consigo há anos. A primeira coisa que tinha conseguido dizer foi na noite anterior.

E, no fundo, se arrependia um pouco.

Se arrependia por não ter dito antes. As palavras saíram de modo tão natural que agora ele se sentia bem bobo por ter segurado por tanto tempo. Porém, o silêncio dela e as reações fizeram com que ele se calasse pouco a pouco. Não era como se quisesse pressioná-la a alguma coisa.

Estava pronto a puxar o ar para mudar de assunto quando MiSoo o surpreendeu daquele modo. Os olhos dele se arregalaram um pouco quando a garota tombou em sua direção e o abraçou daquele modo. Foi rápido, durou apenas o tempo dela agradecer, mas para Gyu-Sik pareceu uma eternidade.

Não...Não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer.

O garoto não era muito dado a se expressar abertamente e sempre parecia muito sério ou muito “fora do mundo” por conta das expressões que fazia. Ali, ele arregalava os olhos e ficavam com os braços meio sem saber o que fazer. Nem teve tempo de abraçá-la e apertá-la como já tinha imaginado em fazer tantas e tantas vezes. Só conseguiu ficar com os olhos arregalados enquanto absorvia cada detalhe: o cheiro dela que agora também estava misturado com o aroma de morango, a textura do casaco, do cabelo que roçava um pouco em sua bochecha. Eram tanto detalhes e tão pouco tempo…
O contato acabou com MiSoo cobrindo a cara daquele jeito e pedindo desculpas.

O garoto só conseguia mexer a cabeça em negativo e então, do mesmo modo que tinha tomado coragem para dizer tudo o que sentia, ele também levou a mão até a dela. A mão dele estava quente - mesmo depois de segurar os smoothies gelados -, até um pouco suada por conta do nervoso. Mas ele fez questão de tocá-la de novo, tirando a mão do rosto dela de modo bem delicado.

- Ani...Não foi exagero. - Disse com bastante segurança enquanto a encarava. MiSoo perceberia que ele também estava corado com o que dizia. - Sempre achei mesmo. Desde sempre e nunca me importei com o que os outros falavam. Na verdade, me dava raiva.

Falava num tom grave, porém baixo. Era uma confissão, afinal.

- Você não precisa agradecer por eu dizer a verdade. - Tentou forçar um sorriso no canto dos lábios. - Eu que peço desculpas...Se a constrangi. E se você...quiser ficar sozinha, eu posso...ir.

Coçou a cabeça com a mão livre e desviou o olhar, mas não tinha soltado a mão dela ainda.

- Na verdade, eu acho que devia, não é…? - Pigarreou começando a ficar com vergonha de tudo também. A pele sempre tão branquela estava mais corada agora e era a vez dele de não conseguir encará-la.

A coragem estava quase no fim...
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