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Capítulo 2

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:29 pm

Pouco a pouco, e bem lentamente, o pequeno sorriso sumia conforme escutava a resposta de Jung-Mi, e o gesto amável deu espaço para discretas linhas entre as sobrancelhas finas. Sentia-se confusa e um tanto apreensiva com o que ele dizia. Quando voltou a encará-la, e assim se manteve durante as próximas palavras, receberia um olharzinho meio “perdido” dela junto do esforço de tentar entendê-lo em meio as frases que mais levantavam dúvidas do que explicavam qualquer coisa. No entanto, ficou nítido que ele carregava um enorme fardo e que este era causado por conta do sobrenome. Aquilo a entristeceu, fazendo com que desviasse o rosto e prendesse, por alguns segundos, a atenção na câmera de Jung-Mi.

Tentava imaginar como seria uma vida nesses moldes... Uma vida que não te permite ser quem realmente deseja. Que simplesmente te limita numa jaula.

E ela sequer conhecia a carga que havia no sobrenome Park...

Apesar disso, em certos pontos, continuava a discordar de Jung, e provável que só estivesse sendo teimosa. Por mais que ele diga que não tem como ser Young, ou que agora que Sun-Hee descobriu a verdadeira identidade dele não o veria mais como antes... Sunny não acreditava nisso. Sim, era pouquíssimo tempo para se ter certezas sobre as qualidades e defeitos de alguém, mas não é que confiasse na existência de uma pessoa perfeita. Não era exatamente a questão que estava em sua mente.

Entendia o que Jung-Mi falava, mas não concordava 100% com ele.

Sunny balançou a cabeça.

- Acho que sim...

Limitou-se a dizer, de início, porém o rostinho contraído em conjunto com o bico que retornou aos lábios mostraria a Jung-Mi que algo ainda não se encaixava na concepção da bolsista. Entretanto, logo ela sorria de novo ao fitá-lo – Eu insisto para que volte... Talvez, seja como conhecer o mesmo lugar pela segunda vez... Uma nova experiência... – ponderou – E, quem sabe, até descubra que nada mudou – ela soltou o último comentário com certa inocência.

Por ora, era melhor não se aprofundar num aspecto tão íntimo da vida de Jung-Mi... Afinal, não calculava até que ponto isso o incomodava ou não. Além do mais, precisava absorver o que ele revelou. Tinha vontade de acrescentar que... não o via mais como duas criaturas diferentes. Jung-Mi ou Young... Para Sunny, eles eram os mesmos. Mas Jung-Mi acabou de afirmar que, na verdade, não. Não eram.

E... agora?

Estava diante de quem, então?


Enquanto refletia, ele citava outro aspecto mencionado pela própria Sunny. Kim. Ela arregalou os olhos assim que ouviu o termo “namorado” e precisou pressionar as pontas dos dedos sobre a boca para conter o riso. Porque ao mesmo tempo em que queria apertar a garganta do amigo, também sentia uma imensa vontade de rir ao ver que ele estava parcialmente correto. Jung-Mi, de fato, concluiu que ela e Kim namoravam... Nossa. Devido ao seu relacionamento fraternal com Joo-Hyuk, lhe soava um absurdo que terceiros pensassem que ambos tinham algo a mais do que apenas amizade. Suspirou antes de desfazer o equívoco, todavia... Jung acabava de admitir que ela... era... especial? Ok, sem exageros, Sunny! Mas... Corando, a menina abaixou a cabeça para esconder o rosto e o sorriso que a frase provocou. A garçonete escolheu esse momento para trazer os pedidos. Agradeceu gentilmente e após a saída da moça, Jung-Mi prosseguiu com as explicações e quando terminou, Sunny não falou nada de imediato.

...

- Eu e o Kim não somos... namorados.

Ela o fitou de modo sereno.

- Nós nos conhecemos há anos, e desde então, ele se tornou alguém muito especial para mim. É o meu melhor amigo e o mesmo sobrenome foi motivo para várias brincadeiras... Dizíamos às pessoas que éramos parentes, e é assim que o vejo... – sorriu – Como se ele fosse meu irmão. E... Bem... De vez em quandosempre...é extremamente protetor. Sinto muito pelos olhares atravessados. Não o leve a mal... O Kim não é um garoto ruim. Só não quer me ver triste ou ferida...

Não citou o detalhe de que Kim o viu conversando de uma forma “curiosa” com a tal Hyemin, a Nojentinha mimimi. Não precisava entrar em maiores detalhes, né? E começava a imaginar que... nesse caso... Kim sentiu ciúmes do antigo conflito ao invés de irritação com a possível chance de Jung-Mi estar brincando com seus sentimentos.

Aquele orelhudo... Mais escorregadio do que manteiga!!!

- Estamos enfrentando uma situação complicada e que gera muita desconfiança. Acho que isso o deixou mais... arisco. Mas, tudo vai se resolver – falou de maneira positiva - E sobre aquele episódio horrível... – Sunny mordeu o interior das bochechas – Obrigada... de novo. Você não tem ideia do quanto foi... importante o que fez pela gente.

Sunny abriu a latinha de refrigerante e despejou o conteúdo no copo até enchê-lo na metade.

- Não se desculpe mais, Jung-Mi. Não passou de uma série de desentendimentos. Porém... Caso queira mesmo reparar tamanha descortesia... – por um instante, ele poderia pensar que Sunny falava sério, mesmo depois de tudo que ouviu – Existe um jeitinho.

Secou as mãos no short e pegou a câmera, apertando o botão algumas vezes antes de entregá-la a ele. Quando segurasse o objeto, Jung-Mi veria a foto em que captou as flores de cerejeira no ângulo digno de um quadro - Se não for pedir demais ou algo muito pessoal... Poderia, por favor, revelar essa foto e me dá-la? Er... Desculpe se estou sendo inconveniente... – pegou o copo e começou a bebericar a bebida, aproveitando para molhar a garganta também – Parece que as pétalas estão se mexendo... É uma das minhas favoritas.

Mas não forçaria a barra. Caso ele não estivesse confortável, Sunny iria entender.

Então... Ela viu a necessidade de uma pergunta em especial e, dessa vez, olhava para os lados, meio alheia, porém inteiramente consciente.

- Na escada... Uma garota o convidou para conversar. MiSoo... – recordava-se vagamente do nome, mas a animação dela era bastante contagiante – E percebi que... Ahn... havia certa intimidade... entre vocês...

Tossiu de leve.

- Ela é muito bonita...

Sun-Hee comentou com um beicinho, ainda evitando encará-lo.

Estava fazendo algo que não gostava.

Rodeio.

Aqui, ali, cá e lá...  

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:29 pm

Hyun Hee deu uma bela gargalhada quando foi chamado de animal. A atitude belicosa da menina o instigava bastante, mas ele tinha coisas mais importantes para perguntar, antes de atacá-la.

Ela estava bem.

Estava muito agradecido por ser meio louco paranóico e ter imaginado coisas. Sorriu com aquela informação. Se alguém o visse daquele jeito, seria difícil explicar por que se importava tanto com uma garota que mal conhecia. Ele mesmo não entendia por que saber que ela estava bem tinha sido tão reconfortante. Talvez, se tivesse que se esforçar para isso, chegaria à conclusão de que ela era alegre e enérgica demais para sofrer um trauma que arrancasse isso dela ou a tornasse como o resto das garotas da escola. Bem, pelo menos era a desculpa que ele usava.

- Mwo?

Fez uma careta ao descobrir que o objetivo dela era acertar sua cabeça e teve que segurar a risada quando ela disse que aquilo era um sonho e parecia levar aquilo a sério mesmo!
Colocou o punho na frente da boca dobrada e se esforçou muito para não gargalhar da menina que começava uma série de revelações.
Como é que ela nem percebia que aquilo não era um sonho? Ela estava falando sério? Mas de repente Chaeyoung resolveu continuar a conversa com um tom sério, revelando coisas mais transparentes de seu coração, o que o pegou desarmado.

Usava as pessoas? Bem, sim. Estava usando os amigos e as garotas ali em volta, bem como todo o resto para compor o teatro de sua vida, mas ela não era parte disso, era? Ficou muito surpreso de entender o motivo pelo qual a menina estava tão irritada com ele! Então ela só estava chateada? Aish, como era complicada a cabeça daquela garota. Quem era louco o bastante para agir com raiva quando estava triste? Bem… ele mesmo.

Sua expressão virou contemplativa e ele olhou as cobertas, prestando atenção em tudo que ela dizia. Então ela não o estava simplesmente afrontando, mas simplesmente exibindo aquele lado frágil da menina que chorou pelo broche e magoada com ele. Sentiu um pouco de vergonha por ouvi-la falar o que sabia sobre ele e até abaixou um pouco a cabeça, distraindo os dedos cutucando o curativo das costelas. Não era uma novidade que todo mundo soubesse sobre as desgraças de sua vida, mas de certa forma tinha a ilusão de que podia ser uma pessoa diferente na presença dela.
Então ela sabia de seu segredo de ser um lixo fracassado que matou os pais e voltou drogadinho sem amigos. Que lindo. Muito boa essa reputação. Estalou a língua, aborrecido, e suspirou. Chaeyoung tinha entendido tudo errado! A ironia era que tinha se afastado dela para protegê-la, mas a tinha empurrado para o outro lá e corria o risco sério de perder seu contato. Balançou a cabeça negativamente. Como é que ela tinha imaginado TANTA coisa? Eram tantas suposições que a menina tinha feito que ele tinha dificuldade de saber por onde começar a explicar, mas sentia como se não tivesse que fazer isso, já que ela tinha chegado às conclusões sozinha.

Sentiu um pequeno peso quando ela mencionou o broche original com aquela voz de choro. Respirou no telefone como se fosse dizer algo, mas não conseguiu. Ele não poderia dizer que foi ele quem destruiu o objeto, ainda mais porque agora nem sabia onde estava. Se fosse devolvê-lo, teria que ser reconstruído. Era uma pena que seu broche caro não pudesse substituir aquele pedaço de latão velho, mas era por isso mesmo que aquela garota era interessante.

Aish, porque tudo ela tinha que ficar lembrando da ex e brigando com ele? Que droga de garota complicada. Estava triste ou nervosa? Era difícil lidar com os dois ao mesmo tempo. Fechou os olhos, compreensivo. Podia agir assim já que ninguém estava olhando.

- Ya. Chaeyoun-Ah. - respirou fundo, falando baixo. - “Me desculpe.” - disse de forma um pouco lida, como um ator ruim. Então riu baixo. - Me desculpe, mas isso não é um sonho.

Sorriu, achando a menina muito boba. Tá vendo por que ele precisava cuidar dela? Porque ela era tonta assim. Além do mais, ela tinha estudado em casa então não conhecia como estudantes eram horríveis naquela escola…

- Você é uma joaninha tonta. Eu não queria afastar você de mim…. Mas te afastar deles - mandou a verdade de uma vez. - Chaeyoun-Ah, você pode achar que eu sou o maior idiota da escola, mas as piores pessoas são aquelas que parecem boazinhas. Você entende o que estou dizendo? Eu ando naquele meio e falo com aquelas pessoas porque não existe outra forma de sobreviver ali dentro. O que teria acontecido se eu não tivesse aparecido quando Moon Eunjoo resolveu te atacar? Você acha que depois de mordê-la as coisas seriam fáceis pra você? Você acha que se você virar uma pária na escola, as pessoas vão tratá-la bem? O que aconteceu com as garotas no ginásio é só um pedaço do que acontece ali dentro. A tarântula pareceu normal para você? Quem faz isso? E não. - ele fez questão de impedi-la de falar qualquer coisa, imaginando que ela pudesse querer interrompê-lo. - Não é questão de coragem. Há coisas que acontecem lá dentro que podem destruir você. Dinheiro, influência e uma mente ativa. O que pode ir contra essas pessoas? Por mais que você seja filha de um poderoso, há coisas que o dinheiro não pode proteger. Então você não pode andar ali como se fosse o País das Maravilhas, porque não é. Os meus amigos não gostam de mim de verdade. Eles seriam capazes… - riu amargo, pois tinha um exemplo muito real preso a suas veias agora. - Seriam capazes de tentar me matar. E essas mesmas pessoas seriam capazes de fazer pior com você. Se você fala comigo, você vira disputa. As pessoas estão vendo. Elas vão querer saber. Vão só querer. Não pode se envolver com pessoas que estejam na disputa ou você passa a fazer parte dela, você entende?

Mordeu o lábio, irritadiço e suspirou.

- Porque você é tão idiota que é capaz de confiar em mim, acha que eu confio que você não vai cair na conversa de outra pessoa? Eu mesmo só sei parte do que eu sou capaz de fazer, então… Você compreende? Aish… eu não devia falar isso tão abertamente com você, mas é assim que as coisas são. Isso realmente não é um sonho.
Não era completamente verdadeiro com ela, porque tinha recaídas e fantasias de que seus amigos e namorada antigos ainda estavam lá. De fato, queria voltar à normalidade, mas aquela análise mais profunda ele não era capaz de entregar agora. Os fatores variavam demais conforme ele estava se sentindo e não era como se de repente ele fosse parar de falar com seus amigos. Não podia, a regra social não permitia e ele também não queria ir contra todos naquele momento.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:30 pm

Hyemin tinha uma sensação ruim de impotência quando via pessoas importantes sofrendo perto dela. Geralmente, era ela a manteiga derretida que precisava de conforto e consolo, então era muito ruim ver pessoas que ela considerava tão fortes e melhores do que ela precisando de ajuda. A menina não era a melhor de conselhos, não entendia direito as coisas da vida, também não era estrategistas e inteligente, ou pelo menos assim se considerava. Tudo que ela achava que podia fazer era ser bobinha e carinhosa, dando todo amor que pudesse e se esforçando em qualquer coisa que achasse que era boa, como cozinhar, costurar e maquiar.  

Quando a amiga enterrou o rosto na mesa, ela só observou, permitindo uma expressão mais abalada aparecer. Porque por mais que chorasse, não queria ter que ser a consolada quando era a outra pessoa que precisava de ajuda, mas a dor da amiga batia nela também. Não tinha palavras para ajudá-la. Nunca tinha passado por coisas assim e as coisas pelas quais tinha passado nem estavam resolvidas em sua cabeça. Então como confortar alguém?

Pelo menos, a oferta de ficar em sua casa foi aceita, o que a inspirou um pouco. Mordeu o lábio, preocupada com o fato de ela não querer ir para a escola. Isso certamente chamaria a atenção, mas podia culpá-la ou sugerir que não fosse?

- Eu entendo… Você pode ficar em casa o quanto quiser, Nana. Vou pedir para cuidarem bem de você. A minha governanta é bem fofinha - sorriu de leve, ainda com pena de olhá-la daquele jeito.

Abaixou a cabeça com a constatação de que a amiga não queria ir à polícia. Ela tinha razão. Se fosse ao contrário, ela mesma não contaria para ninguém. Não saberia nem se teria forças para contar para as amigas. Talvez esconderia até de Yerin, como tinha feito com tantos outros problemas com medo de que a amiga a julgasse fraca. Assentiu e tornou-a olhá-la, mais séria.

- Não vai aparecer nada. - disse com uma certeza que ela não tinha. - Nós vamos proteger você, Nana. Se alguém da escola quiser te fazer mal, vamos fazer essa pessoa sair da escola. E…  não sei. Eu tenho um ranking. Meu pai é rico. Todo mundo conhece a HGT. Eu tenho um nome. Eu não sei o que posso fazer com isso, mas você é minha amiga. Não podem mexer com você!

Achava. Não tinha tanta certeza, mas as pessoas da TV usavam isso, não é? Então podia aprender com a tia como fazer para ameaçar os outros por causa da empresa do pai. Podia fazer isso? Só de pensar já ficava com o coração acelerado, mas era em nome de uma amiga! Ela faria qualquer coisa para ajudá-la.

- Fica aqui, eu vou pagar a conta e chamar o motorista. Tá bem?

Levantou-se, fez um carinho no braço da amiga e foi até o caixa, pagando a conta, pedindo para levar os doces para viagem se já estivessem prontos e acionou seu motorista. Depois voltou para a mesa e deixou a amiga quietinha até que pudessem ir, quando deu um toque em seu braço e ofereceu o dela, para andarem até o carro. Hyemin botou os óculos escuros e ficou com eles o caminho todo, fingindo que estavam em um tipo de tendência de moda, não que ela tivesse algum problema.

- A gente vai pra casa - pediu ao motorista e deixou a amiga quieta do outro lado e a espiou de canto de olho.

Ela estava precisando de músicas motivacionais. Então colocou uma sessão de músicas motivacionais e calmas para mandar mensagens indiretas para sua amiga e também tentar acalmá-la na viagem.




Enquanto isso, em uma sintonia diferente, a própria estava um pouco melancólica pensando a respeito. Não conversou ou mexeu no celular. Encostou-se à porta e ficou pensativa. Era muito triste o que tinha acontecido com ela. Será que poderia ter feito algo se fosse mais esperta? Não pensou que a amiga teria se metido em uma festa assim, mas de qualquer forma, era culpa dela? Ela disse que a festa adulta tinha pessoas da escola… Quem será que estava lá? Alguém que ela conhecia? Sabia que estava cercada por pessoas que eram meio assustadoras às vezes, mas assim? Talvez tivesse sido algum amigo de fora de alguém da escola, sei lá. Mas por que ninguém cuidou dela? Ela não tinha ido sozinha, tinha? Se as amigas estivessem juntas naquele lugar, isso não teria acontecido.
Fez um biquinho enquanto arquitetava mentalmente como trataria a amiga em casa. Seria um dia de paz, spa, comidinhas e doramas. É. Isso animava qualquer um, não? “It’s Okay” do BTOB estava terminando quando o carro chegou em casa. Ela desceu com a amiga, sorriu para ela, fingindo que era só uma saída normal e entraram em casa. Pediu para que a amiga aguardasse um minuto ali na frente correu para o quarto, no caminho pedindo para que arrumassem o quarto para receber a amiga e voltando com uma pantufa especial. Não tinha como ficar triste com unicórnios que brilhavam no escuro nos pés, não é?




Deu um grande sorriso ao oferecê-los e a levou para a cozinha para comerem a sobremesa do lugar, finalmente.

- Quer água? Alguma coisa? Que tal uma sessão de cinema? Papai tem sempre as TVs mais novas aqui em casa. Vou deixar você escolher. A gente puxa o sofá e fica lá. Quer que eu faça pipoca? Tem de chocolate. Tem aquele reality show de KPOP também... Ah! Se quiser tomar banho também pode, eu preparo para você. Hoje é o dia especial da Nana.

Sorria como se nada tivesse acontecido, esforçando-se para tentar animá-la, como tinha feito com Yerin no dia que tiveram que limpar a quadra. Achava que, se falasse sem parar e desse coisas para que ela pudesse pensar, isso funcionaria como funcionava com ela e ela ficaria distraída da tristeza.

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:30 pm

Jae-ki sempre dormia muito bem, insônia nunca foi seu problema, porém essa noite realmente tinha dormido com os anjos, ou melhor, sonhado com uma anjinha. Acordou ouvindo a conversa de Soo-ji e halmoni, estava tão confortável. Com os olhos ainda meio fechados e os cabelos desgrenhados, acordou meio confuso. As lembranças da noite, os sonhos... Tinha mesmo acontecido? Estava com o rosto inchado de tanto dormir, principalmente os olhos.


Se espreguiçou deitado mesmo e sorrindo, estava com um ótimo humor! Era um ótimo dia, era domingo, não tinha que trabalhar e nem ir escola, e o melhor tinha uma estranha alegria no peito. Percebeu que a irmã tava vendo algo com aquele tal grupo das Mermaid, reconheceu pela música que vinha da TV da sala, e como ela mencionava sobre isso sempre, não tinha como não lembrar. Mas estava com muita preguiça para levantar ainda. Elas pareciam falar algo sobre casa, Soo-ji falava de sorvete e bichinhos. " O biscoito da Soo-ji... Ela vai gostar..." Rolou para o lado e viu seu celular piscando, ainda deitado foi verificar a viu as chamadas perdidas, provavelmente dos seus amigos na noite anterior. "Uwa, aquilo aconteceu mesmo! "


Abriu a mensagem do Jong-Suk e sorriu sozinho ao ler porque se lembrava do que tinha acontecido. Tinha sido mesmo louco para ele. Devia ao amigo uma resposta e seria bom treinar, havia muitas coisas que queria falar ao hyung, mas antes de respondê-lo quis ler a outra mensagem. Estava surpreso por ver que era de Eun-bi. Leu afoito e suspirou sorrindo. Ela estava lhe desejando bom dia! Precisou reler mais uma vez para acreditar. O dia estava começando muito bem, nem se lembrava mais das coisas que o tinham deixado de mau humor, pelo menos não agora. Se sentia renovado e animado para fazer qualquer coisa. Eun-bi não tinha esquecido dele e ainda falava sobre segunda-feira. Ela foi tão carinhosa de lhe desejar um bom domingo, e ainda se lembrava do quanto tinham se divertido ontem. Além disso, nunca nenhuma garota tinha falado assim com ele, querendo protegê-lo. Eun-bi era interessante e muito diferente, porque falava como se fosse forte, e até que acabou mesmo o salvando de uma queda mais dolorida. Cada vez mais Jae se sentia fascinado por ela. Agora nem parecia tão ruim voltar as aulas. Abriu as fotos deles da galeria e ficou olhando com um sorriso bobo. Será que conversariam amanhã? Será que ela devolveria sua jaqueta? Ela o chamaria só de Jae na frente das amigas? O que aconteceria agora? Todas essas perguntas passavam sobre sua mente agora, mas não se sentia preocupado, só ansioso e animado.

Mas não responderia ao sms dela porque tinha que economizar pra usar em emergências. Não queria deixar ela sem resposta, mas também não podia ficar trocando tantas mensagens. Porém se fosse até a Toca com o hyung, poderia usar o wifi de lá! Já para Jong-Suk o responderia agora mesmo, com um sms a cobrar. Fazer o que? O hyung sabia como ele era. Não queria que os seus amigos se aproximassem da bailarina, mas devia explicações ao Jong-Suk e confiava que este não ia aprontar nada, além disso poderia pedir até alguns conselhos. Mas para Eun-bi não podia mandar as coisas a cobrar, não mesmo. O que ela iria pensar dele? Ainda deitado, digitou a mensagem para o amigo:

"Ih qual foi Hyung? Eu vi vocês olhando, depois eu que não sei disfarçar...  Mas eu sei, eu vacilei... Meu celular tava sem chip, te explico hoje. Umas seis ou cinco da tarde tá maneiro para mim. Vai ser na Toca? Só você?  Sabe como os outros são, vão me zoar eternamente."

Embora tivesse falado da zoação, Jae-ki já estava acostumado. Só que queria mesmo falar com Jong-Suk primeiro, os outros eram precipitados e não queria ninguém botando o olho na Eun-bi. Se espreguiçou mais uma vez esticando os braços para cima. Será que devia falar da Eun-bi para Soo-ji? A bailarina tinha sido muito legal ontem, podia ter ido embora mais cedo, mas em vez disso pegou metrô com ele. Também tinha até contado algo da família dela. Por isso devia confiar nela também e não achava mais que Eun-bi zombava deles. Sua irmã ficaria tão feliz de ver as fotos. Jae-ki lançou um olhar para porta sorrindo ao imaginar como seria quando contasse para a irmã a surpresa.


Se levantou finalmente, pegou o biscoito que comprou pra irmã do armário, onde tinha escondido, e colocou dentro da camisa na parte das costas. Depois foi para a sala com um braço atrás segurando a surpresa. Estava com um sorriso enorme quando gritou empolgado:

- Soo-jiyah!! Halmoni! Aigoo, vocês acordaram cedo!

Sentou do lado da irmã, estava de ótimo humor e a abraçou apertado com o braço livre. Tentava esconder a surpresa.

- Pode escolher do que vamos brincar hoje, faço o que você quiser! Você escolhe! Qualquer coisa. É eu sei que já percebeu, mas não pode olhar ainda. É uma surpresa para você! E dessa vez não foi eu que escolhi, foi uma princesa misteriosa.... Uma que eu acho que você conhece...

Jae-ki falou enfaticamente como se contasse mesmo uma história, só que dessa vez estava muito mais animado. Em seguida tirou o pacote da camisa e entregou para Soo-ji esperando a reação dela. Torcia para que ela gostasse dos biscoitos de panda.  Nesse momento percebeu a vassoura ali por perto, sabia que a irmã preocupava-se em arrumar a casa, mas não gostava de ver ela se cansando. Não se importaria se a casa ficasse suja, tudo iria sujar mesmo de qualquer forma. Também começava a sentir como se tivesse um buraco no estômago, estava com fome e só esperaria a irmã ver o presente para ir procurar algum arroz ou algo para comer.


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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:31 pm

Mas o que estava pensando quando resolveu abraçar Gyu Sik? Ele não era uma de suas amigas. Era um garoto! Ainda bem que não tinha ninguém ali para presenciar sua atitude além dos dois. A situação poderia ser ainda mais embaraçosa do que MiSoo já tinha acreditado deixar após ter agido sem pensar.

O melhor que fazia era se desculpar e se afastar o mais rápido possível! Só que o rubor no rosto e as lágrimas que ainda se formavam nos olhos só ajudavam a deixar MiSoo ainda mais envergonhada. Não queria que o garoto ficasse lhe olhando enquanto ela estava desse jeito ridículo. Parecia tão frágil e boba assim… E agora nem conseguia se expressar direito. Nem conversar ou dar um agradecimento decente por receber tantos elogios! Sempre gostou de falar bastante, mas agora que precisava dizer algo descente estava com medo de que mais palavras do que queria saíssem de sua boca.

MiSoo tentava controlar, pelo menos, o impulso de sair correndo dali. Queria poder controlar a vergonha do momento, mas ficando ali simplesmente não conseguia. Só de olhar para ele quase podia ouvir sua voz lhe dizendo o quanto lhe achava linda ecoando em sua cabeça. Era difícil agir como um ser humano normal assim.

É verdade que achou exagerado quando ele afirmava que sempre a achou bonita. Era difícil demais acreditar nisso quando a própria MiSoo tinha uma visão tão degradada de si mesma. Por isso acabou deixando essa parte do que achava escapar por entre seus lábios.

Não conseguia mais olhar para ele e a cabeça ainda não parava para processar direito a situação, por isso mesmo só notou que Gyu Sik estava à sua frente quando sentiu o toque quente de sua mão envolvendo a dela. MiSoo chegou a apresentar um pouco de resistência por alguns instantes, mas acabou relaxando os músculos e deixou que Gyu abaixasse uma das mãos que lhe cobria o rosto.

O garoto lhe respondia com segurança sobre não estar exagerando no que dizia.

- Ani…? - ergueu os olhos vermelhos pelo choro até o rosto dele, percebendo a coloração presente nas bochechas do garoto - Com raiva? Imagine eu… Eu até revidava. - o nervosismo lhe fazia desviar um pouco do assunto - Mesmo que ficasse com medo as vezes… Que nem ontem… - imediatamente lembrou-se de como Gyu Sik tinha se colocado entre ela e Hyun Hee depois que MiSoo jogou o broche no ex-ruivo e ficou calada.

Podia até chamá-lo de herói também, já que ele tinha dando um fim àquela loucura e obstruído o olhar assustador do garoto mais velho.  Naquele instante, MiSoo tinha achado o gesto tão incrível quanto o de Won Bin ao segurar Taemin… Mas nem tinha agradecido, apenas implicado um pouco com ele e agora também não parecia a hora certa.

Ele continuou dizendo que MiSoo não precisava agradecer e se desculpando por constrangê-la.

- Aish! Gyu Sik! Olha como eu fico assim! - franziu as sobrancelhas e deu um tapinha no ombro do garoto - Parece que estou sempre chorando! - mas não respondeu se queria ou não que ele fosse embora, na verdade tentava quase que desesperadamente normalizar a situação, mas a tentativa não lhe ajudou em nada, o cérebro continuava… “congelado” depois de beber o smoothie de uma só vez e ouvir tudo o que o garoto lhe dizia.

Além disso ele ainda segurava a mão de MiSoo, que não tentou livrar-se do toque, não era algo ruim, só era algo novo e estranho mesmo. A garota respirou fundo e, mais uma vez, enxugou o rosto com a mão livre, enquanto tentava achar algo para dizer. Nunca estivera nesta situação antes. Nem sabia denominar que tipo de situação era. Sob pressão era muito difícil de se chegar em alguma resposta. MiSoo não queria ser impulsiva mais uma vez. Nos poucos momentos que adquiria coragem para levantar os olhos até seu rosto, MiSoo podia ver o garoto também estava ruborizado e até desviando olhar, praticamente como ela estava. Não era só MiSoo que estava morrendo de vergonha! E ela tinha certeza que era culpa do abraço que lhe deu sem pensar!

- Hajima...Eu… Não esperava ouvir isso… De ninguém. Eu… - tudo o que conseguia pensar era em agradecer Gyu por tudo o que lhe dizia, só que já tinha feito isso e ele já tinha dito que nem precisava!!!

Não podia negar que gostou de ouvir a voz dele enquanto confessava sobre o que achava da sua aparência.

- Aigo! Estou morrendo de vergonha agora! - virou o rosto para longe, cobrindo-o de novo com a mão livre - Nem consigo falar! - soltou a própria mão da dele e se afastou um pouco, não era fácil ficar tão desconsertada e tão próxima dele ao mesmo tempo!

Mas, de repente, talvez por causa da maior distância entre eles, a cabeça da garota voltava a funcionar, mesmo que precariamente e MiSoo começou a achar que estava entendendo o motivo que o levou a lhe dizer tudo aquilo.

Do jeito como que falou…

Ela poderia até acreditar que, como acontecia em alguns dos filmes que assistia, seu amigo a via assim porque na verdade sentia por ela algo que iria além da amizade - não de um modo fraternal, como MiSoo sempre acreditou -  e a possibilidade fez quase o cérebro de MiSoo pifar, mas não estavam protagonizando filme algum e a verdade era que Gyu Sik tinha uma namorada. A garota até esteve presente na ópera na noite anterior! A ex-colega deles, Sooyeon... E provavelmente não teria gostado de saber que MiSoo tinha acabado de abraçá-lo…

Bom, não importava o que ela achava.

MiSoo começou a achar que a resposta só poderia ser uma, afinal. Gyu Sik dizia tudo isso para que MiSoo pudesse realmente acreditar que se arrependia do que tinha dia no refeitório e que queria muito ser desculpado… Era uma atitude super exagerada para o caso, tanto que tinha deixado os dois bem constrangidos, mas…

Era a única explicação possível!

Mas com o clima totalmente constrangedor que havia se instaurado entre eles, ia ser difícil fazer ou falar qualquer outra coisa à respeito. Talvez Gyu Sik estivesse certo em ir embora… Mesmo que a tenista não quisesse manda-lo embora como ele dizia.

Mesmo assim...

MiSoo respirou bem fundo, ajeitando a postura e tentando soar um pouco mais coerente do que nas últimas frases. Até chegou a forçar um sorriso, não era muito convincente.

- Ani! Tudo bem! Digo, se quiser ir. Está até difícil pensar agora, depois de tudo o que disse. Aish! Foi muito… Fofo! Eu gostei! Mesmo! Nem precisava dizer tudo isso! - riu, mas de nervoso, totalmente sem jeito - Nem sabia que você podia fazer tantos elogios… - baixou a cabeça, embaraçada por ter dito isso em voz alta - Enfim… Acho que… - olhou na direção do próprio caderno sobre a mesa - De qualquer modo vai ser difícil fazer esse poema agora… Mas… Ahn... Não tem problema…

Não saberia mais o que dizer. Imaginava que agora só conseguiria manter uma conversa decente depois que pudesse respirar um pouco e absorver tantos comentários incríveis - mas mesmo assim exagerados - dele. Talvez ficar sozinha fosse mesmo uma boa ideia...
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:31 pm

Won-Bin desenterrava velhos fantasmas de seu pai.

- Porque eu sei. Minha palavra deveria bastar pra você, não? - Sang o encarou. - Os filmes não são nada comparados à vida real, Won-Bin. Isso aqui deveria lembrá-lo disso, não?

Won não gostou dessa frase. Parecia um tanto cruel falar dessa maneira sabendo que ele mesmo havia influenciado o filho com esses gostos e essas fantasias quando era criança.

- Você atendeu uma Yoon...no café? É um condomínio fechado, você está trabalhando onde essa gente mora?

-Muita gente vai naquele café mesmo não morando lá. Eu vi uns cantores de kpop por lá, não é grande coisa - tentou retrucar, mas sabia que estava dando murro em ponta de faca.

- Eu sei que você não é mais uma criança, mas também não é nenhum adulto. Fora que sempre será meu filho e o meu dever de cuidado é independente da idade. Então, escute bem...As pessoas não são preto ou branco, mas isso não quer dizer que não farão mal a você, se puderem, se for melhor para elas. É por isso que eu quero você longe dessa família. Já estou aflito o suficiente de saber que você estuda com um deles.

Won fechou a cara diante daquelas palavras. Seu pai não costumava agir assim, o que está acontecendo!?

"Pera aí...como ele sabe que tem Yoon estudando na minha escola?" aquele detalhe, provavelmente um deslize do pai, criava uma onda de dúvidas e indagações que lhe afogavam a alma.

O que seu pai estava fazendo? Vigiando quem estudava em sua escola? Que tipo de trama sinistra é essa em que seu pai precisava se transformar para que pudesse protege-lo?

- Você...vai procurar outro emprego

Aquilo foi como um soco no estômago. Todo esse esforço, toda a força que tirou sabe-se lá de onde para persistir e continuar no emprego pra jogar fora assim?

- Você só volta a treinar no dojo do mestre Baek se sair desse emprego até amanhã, Won. Você escolhe o que é mais importante para você: esse emprego ou o TKD.

Won encarou o caminho a frente, sem olhar para o pai disse.

-Então é isso? Você vai me chantagear, como se eu fosse um batedor de carteira que você oferece um acordo pra falar sobre o mafioso? - era um exemplo de filmes, mas colocado na berlinda desse jeito era como Won se sentia.

-Como você sabe que tem um Yoon na minha escola? Eles não divulgam os nomes dos alunos assim, publicamente. Você tá investigando a minha escola, não...então o que está fazendo? - Won entendia como seu pai se sentira naquela noite da briga, era assim o gosto da confiança quebrada - Você trava quando eu falo de uma Yoon no café e é isso? Eu abandono tudo pra correr de algo que eu nem sei o que é? Ou de pessoas que você diz serem más. Só existem pessoas más ali? Não tem ninguém ruim no seu trabalho também, na esquina, no bairro?

Won se vira para olhar o pai nos olhos.

-E você sabe meu sonho de lutar nas olimpíadas. Você me incentivou a treinar, a ir atrás dos meus sonhos, a ser um homem de palavra que cumpre o que promete - sentia os olhos marejando - Eu quebrei minha palavra pela primeira e última vez. Não vou fazer isso de novo, eu prometi à minha chefe que não ia abandonar o barco

Quem era aquele homem diante dele? O que tinha acontecido com seu pai? Ou sempre fora assim mas nunca tinha encontrando razões para agir daquela maneira?

-Até semana passada os únicos amigos que eu tinha eram você e o mestre Baek... - se virou, olhando pra frente - De que adianta, você não vai me ouvir, não vai entender o que eu falo. Não vai entender o que é estar sozinho a maior parte do tempo.

Respirou fundo, lutando pra não acabar perdendo o controle das emoções.

-Faça o que quiser, eu não vou abandonar o emprego e quebrar minha palavra - encerrou, resoluto.


Já não tinha mais fome.


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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:31 pm

07/04/2019 - DOMINGO
Período da tarde


Dong queria se mostrar surpreso pela reação do amigo HaN em dizer abertamente aquelas informações; ele já stalkeava. Além disso tinha material farto e detalhes que poderiam ser usados ou consultados, e até mais, pois o próprio sabia de coisas da outra turma também, matavam 2 coelhos com uma cajadada. Se essa ideia fosse mesmo para frente, Dong começaria por baixo, com os pequenos.. caso tudo ocorresse bem, ele poderia até mesmo envolver os profissionais que trabalham lá, já que alguns deveriam ser envolvidos nesse tipo assunto; é sempre delicado trabalhar diariamente com belas jovens na puberdade.... e visto que o objetivo é todo desse projeto é em prol da educação e moralidade, isso acabaria respingando nos lecionadores, inevitavelmente. - Toda ajuda é bem vinda mas não é algo que devemos ser delegado a uma só pessoa. Lembrem que muitos não vão gostar nada dessa ideia e isso quer dizer, que os que ajudarem, serão alvos evidentes.




Hee Kyung menciona sobre os alvos de maneira bem serena em sua fala, como se o que fossem fazer não lhe preocupasse tanto, pelo menos não com o que fariam com ele, pessoalmente.  Isso poderia ser fruto de sua falta de experiencia em provar desse doce veneno chamado de bullying e ter algumas regalias, blindagens, graças ao nome de sua família . A parte da pornografia foi quase constrangedora por que Dong percebe alguns ali se segurando para não darem "tocs" óbvios de seus vícios guardados em algum canto do PC ou dos seus smarts. Kyung talvez não pudesse falar muita coisa pois na sala onde eles estavam havia uma pequena estatueta de uma personagem de moba, de longos cabelo azuis, decote evidente e farto, além de seu característico instrumento: a harpa. - Kim chegou no ponto, não da para acreditarmos em tudo que se vê na rede, por isso a parte ao vivo é igualmente  importante e necessária, por mais que alguns de nós sejamos retraídos.

Won-Bin entrou novamente no assunto mostrando a insistência de Kim em coloca-lo nesse esquema, era quase como se tivesse nascido uma  confiança nele, depois daquela atitude no corredor.

- Ele pareceu interessado em dar um jeito nessas pessoas que gostam de se dar bem em cima das outras, de humilha-las, eu só não sei por que estava machucado, devemos ser sutis ao abordar esse tema, parece simples e um pouco redundante, mas é mais complexo, como uma partida de xadrez. Um movimento errado e você perde peças, e nesse caso não seriam apenas elas e sim uma rejeição tão discriminatória que poderíamos ser expulso, se na pratica, isso der errado. - Enquanto falava isso poderia tomar um efeito dramático, e eles poderiam ver Dong alinhando salgadinhos de presunto de diferentes formatos como se fossem peças, que representavam eles. Uma delas era uma bolinha enorme, e todos poderiam encarar Ui-Jin nesse momento.



- Por muito tempo dizem que geeks e nerds são invisíveis... é incrivel que alguém tenha pensado em usar isso como uma habilidade ao nosso favor... Ui-Jin se propôs a ser como Hades, que que dizer "o invisível", um deus totalmente importante e indispensável mas que muitos subestimam. - Quase bateu palmas, sujas de salgadinho, impressionado com a atitude de Jin. A conversa levantada por Min-Ho foi um pouco desagradável, Dong queria trincar os dentes mas não seria prudente alimentar uma reação violenta, visto que chamar alguém de gordo, falar de sua aparência em geral, já magoava ou deixava as pessoas tensas por si só. - Entendo vocês. Min-Ho é um amigo preocupado temendo pela segurança do seu estimado Ui-Jin, pensando que ele atraia atenção de alguma forma indesejada. Entendemos sua preocupação, amigo.



Colocou a mão de leve no ombro do rabugente, só que isso sujaria de salgado, claro.



- Você não vai ser obrigado, amigo. Ninguem aqui vai, eu só estou compartilhando um pensamento, que pode acabar dando certo ou não, como acabou de dizer. A ultima coisa que almejo é que se metam em problemas por causa das minhas ideias malucas, não pude nem proteger a Stella-shi, como poderia proteger Min-Ho, Ui-Jin efetivamente? Não sou musculoso, bombado ou sei artes marciais, e modéstia a parte, não disponho de tanto dinheiro feito alguns estimam.

Menciona isso já que havia outras familias a frente da dele.


- No seu club vai ser muito fácil de conseguir informações Ui-Jin, e certamente não recebera dicriminações lá. - Por que apesar de tudo o fator da discriminação era algo profundamente enraizado na cultura deles. Dong ainda estava calculando em como eles podem ser bem sucedidos e nessa hora ele descobre que estava longe de chegar em algo concreto, pois Ha Neul, acaba de mencionar a prima, e talvez em todos soubessem, do fraco que Kyung tem com ela.  

Talvez, o seu calcanhar.



Teria que envolve-la... E a forma como ele decidisse isso poderia moldar a historia de como esse plano iria ocorrer. - Você sabe por que a figura feminina da justiça utiliza uma venda, HaN? Seuss olhos vendados tem o objetivo de evitar privilégio na aplicação da lei na sociedade. Quero evitar que toda essa ideia se torne um ciclo infinito, onde agressor acaba virando vitima sendo prejudicado por isso, ou que a vitima tenha poder e informações, para se tornar um agressor depois. Deve haver equilíbrio entre a balança e a espada, entendem o que eu falo?
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:32 pm

[HYUN-HEE]

07/04/2019  DOMINGO
7:25 A.M.


- Muito bem… - Chaeyoung parecia sorrir ao dizer isso, como se ele tivesse seguido bem o script do sonho dela.

E, de fato, estava. Ainda permanecia deitada de lado em sua aconchegante cama, debaixo da coberta, pois fazia frio, como ela tinha dito. O celular continuava apoiado em seu ouvido, sendo mantido pelos dedinhos que se arriscavam a sair das cobertas. Sua expressão mudou quando ouviu a resposta dele sobre aquilo não ser um sonho.

- Mwo?! - Arqueou uma das sobrancelhas.- Não é possivel!

Na cabeça dela não era, pelo menos. Só que ela não continuou retrucando porque Hyun-Hee conseguiu tomar completamente o momento com suas palavras. Podia parecer que não havia mais alguém do outro lado da linha, mas a respiração fina de Chaeyoung ainda podia ser ouvida, bem como foi nítido para Hyun as vezes que ela mexeu a boca para tentar responder, mas acabou se calando. O beicinho seguinte também era visível.

A garota olhou para a outra mão livre, analisando seus dedos finos. Piscou lentamente e suspirou, levantando-se para se sentar na cama. Os olhos não se focaram em nada porque ela projetava o rosto de Hyun e as expressões que ele provavelmente fazia ao dizer aqueles absurdos que dizia.

Franziu as sobrancelhas sentindo pena dele e um pouco de si mesma. Abaixou o olhar e respondeu, por fim.

- Ani. Eu não entendo. - Falou um pouco mais baixo. - Por que você tem que fingir algo que não é para sobreviver ali? Isso só alimenta um sistema falido, de pessoas vazias. O que adianta fingir ser feliz, popular, se no fim do dia você termina sozinho e triste?

Não estava falando dele, especificamente, mas estava tentando analisar a tela como um tempo.

- Eu já percebi que aquele colégio não é normal, mas eu não sou o tipo de pessoa que se acovarda ou tem medo desse tipo de coisa. Não vim a esse mundo para ser mais uma e aceitar isso. Sabe o que teria acontecido com a Eun-Joo se ela tivesse revidado, eu ia mordê-la de novo! Ou tomaria uns tapas para ver se a cabeça volta pro lugar! O broche era meu, não dela! E você não é de nenhuma das duas, nem de ninguém. Você não é um objeto, sabe? Um acessório para ser exibido. Nenhuma pessoa é!

Começava a ficar cada vez mais inconformada com aquela realidade.

- Mas sabe? Se você acha mais saudável ficar com essa gente que seria capaz de te matar, eu só posso sentir pena de você, Park Hyun-Hee. Se você não quer falar comigo, tudo bem também, só não fique me incomodando em horários inoportunos ou quando você quer. Eu não gosto de amizades escondidas, eu não gosto de metades.

Trincou os dentes e engoliu em seco, abaixando a cabeça e mexendo na ponta de seu edredon. Começou a tatear o móvel à procura do controle do ar condicionado e o desligou antes de começar a se movimentar.

- Eu não confiei em você porque sou tonta, mas porque precisava. Queria minha mala de volta e você queria a sua. Pedi para que você não abrisse e você abriu mesmo assim. Mas e daí? Eu também abri a sua, mesmo que sem querer. Então estamos quites… - Deu de ombros enquanto procurava as pantufas e colocava. - O resto foi consequência. Eu nem sei porque você me deu uma jóia, sem me conhecer. Talvez o tonto tenha sido você, não eu. Mas eu também já devolvi, então faça bom proveito.

Começava a andar pelo quarto, mas parou por um instante.

- Enfim, Park Hyun-Hee...Eu cheguei bem ontem. Eu estava bem até agora. Espero que você também esteja. E boa sorte amanhã na escola. Porque se eu sou a Alice, você deve ser o Peter Pan na Terra do Nunca. Cuidado com o Gancho.

[JAE-KI]

07/04/2019 - DOMINGO.
10:30


Quando Jae-Ki saiu do quarto encontrou um cena um pouco rara: a halmoni estava contendo uma risada - e o rosto dela ficava estranho quando ela sorria, quase como se fosse um esforço enorme mover os músculos daquele modo. Porém, ela ria com Soo-Ji que continuava fazendo “massagens” nas costas dela junto de algumas cosquinhas. Essas, a halmoni respondia com uns tapinhas leves na mão da menina que dava gritinhos divertidos.

O garoto atraiu a atenção das duas assim que saiu. Ele parecia muito bem disposto, apesar da bagunça que estava aquele cabelo e as roupas que ele usava. Soo-Ji logo saiu de trás da avó e correu até ele.

- OPPA!!!! - Abriu os braços e pulou na cintura dele para abraçá-lo.

- Cedo? Você ao menos sabe que horas são?! - A avó desfez o sorriso e voltou com a cara emburrada. Já eram 10:30 a.m. Isso era tarde para os parâmetros deles. - Hunf! Sempre desleixado...Aiish

A velha continuou resmungando e voltou para a cozinha para limpar o balcão onde faria o almoço.

- O que é isso que você tem nas costas?? - Soo-Ji perguntou assim que abraçou e sentiu que havia algo ali. - Não, não, eu quero saber o que é!!

Negava, por horas, as brincadeiras e dava pulinhos no mesmo lugar querendo saber o que tinha ali. Encheu as bochechas de ar, fazendo um beicinho grande quando ele falou que ela não podia olhar ainda. Porém, logo soltou o ar e levou as duas mãos até o rosto ao escutar que tinha sido uma princesa misteriosa que tinha escolhido. Os olhos ficaram enormes, brilhando como se fosse um desenho.

- Verdade?!?! A Min-Ah?! Ela escolheu meu presente? Você a viu? Quando? Onde? Por que não me levou?? Ela vai visitar a gente? Você vai vê-la de novo? Oppa!! Você viu a princesa de novo!! A princesa bailarina!!!

- Como é? - A avó perguntou sem entender absolutamente nada.

Soo-Ji continuou dando pulinhos no mesmo lugar e olhou para a avó.

- A Princesa, halmoni! A princesa que me deu o enfeite de ballet e que deu gelo em gel para o oppa! Ela é TÃO LINDA! Eles vão casar!! Eu seeei

Bateu palmas várias vezes e deu um gritinho quando viu o biscoito.

- PANDA!!!!! - Agarrou o pacote e fez um beiço enorme, “chorando” de emoção enquanto agarrava o pacote. - Eu adoro pandas!! Como ela adivinhou?? Que lindos!! Deve ser tão gostoso, mas dá pena de comer!!!

A euforia de Soo-Ji era tamanha que nem daria para perceber de início o choque que estava na cara da avó. Até que Soo-Ji parou um pouco e a avó se aproximou da dupla. Foi então que ela agarrou a orelha de Jae-Ki e falou.

- Fica aí, Soo-Ji, coma seu biscoito, o seu oppa vai ter uma conversinha comigo…

- Halmoni!! Hajima!! Não machuca ele!!

- Quer que puxe a sua orelha também??

- A-a-ani…Oppa…

- Ele aguenta! Está com sorte que não é a colher de madeira!

E arrastou Jae-Ki pela orelha até o quarto de novo. Fechou a porta, empurrando com força e “largou” o neto na direção do futton bagunçado. Cruzou os braços e o encarou seriamente.

- Que história é essa de princesa? Você está maluco, Jae-Ki? Como tem tempo de pensar em namoros ou casamento vivendo do jeito que vivemos? Quer destruir sua vida? Seu futuro? O de Soo-Ji? O dessa tal de Min-Ah? - Meneou negativamente. - Você estava indo bem, até eu preciso admitir isso, passou para o colégio bom. Não, o melhor. Estava chegando na hora, não voltou de olho roxo ontem...mas agora isso? Está querendo perder o caminho de novo? Uma namorada?!?

A avó estava realmente preocupada com certas coisas, mas talvez não estivesse encontrando as melhores palavras para explicar exatamente o que era.

- Um namoro agora vai tirar seu foco dos estudos! Pior, pode alimentar certas vontades de sua idade e destruir pra sempre a sua vida! Toma juízo, Jae-Ki! Não alimente essa história e, principalmente, não faça a Soo-Ji alimentar! Sabe como ela é, vai criar expectativas e nós dois sabemos como a nossa realidade é dura. Não me decepcione, você também!

[SUNNY]

07/04/2019 - DOMINGO
11:00 ~ 12 P.M


A insistência de Sunny não passou despercebida por Jung-Mi e ele apenas forçou os lábios uma última vez. Compreendia a postura dela. Era um pouco difícil alguém de fora entender o que ele queria dizer, pois era mais uma questão de estar na pele dele. Viver o que ele viveu...Sobreviver como ele sobrevivia.

Sunny se via, então, diante de uma pergunta bastante curiosa e que talvez fosse a grande questão ali: então na frente de quem ela estava?

Uma mistura dos dois, talvez. Pois Jung-Mi não sentia o peso do sobrenome ali, em meio aos turistas e em sua solidão contemplativa. Podia ser, novamente “Young”, pelo menos até o momento que cruzou com Sunny. Agora era um pouco dos dois, mas não sentia desconforto e até mesmo falava abertamente - coisa que, geralmente, não fazia. Talvez fosse o lugar, o momento, ou quem sabe a pessoa. Porque Sunny teve uma atitude inesperada ao agarrá-lo em meio ao festival e correr sem rumo, ação que desencadeou uma série de outras ações que culminavam naquele momento.

Jung-Mi optou por não permanecer nesse assunto. Não dizia que ela estava errada em sua postura, mas também não concordava de todo com aquilo. Como não queria quebrar o momento, preferiu mudar de assunto. O assunto seguinte talvez não fosse melhor, porém, ele podia se explicar e, mais uma vez, se desculpar pelo que tinha feito. Também aproveitou para citar Kim.

E então, ele viu um atitude estranha de Sunny.

Ela tentava conter...uma risada? O que era aquilo?

Olhou para ela com certa desconfiança, tentando compreender onde estava a graça naquilo. A garçonete interrompeu seu raciocínio, entregando os pedidos. Jung-Mi agradeceu, mas logo voltou para Sunny. Chegou a abrir os lábios e então foi surpreendido com a frase dela.

Sete palavras ditas numa oração só que...deixaram Jung-Mi com os lábios entreabertos, quase de queixo caído.

- Não?

Perguntou bem baixinho e Sunny explicou que eram amigos de muitos anos, não namorados. Jung-Mi foi fechando a boca e arqueando suavemente uma das sobrancelhas. Chegou a mexer um pouco no canudo de seu copo e resmungou um.

- Araso…

Não eram namorados, mas eram amigos bem, bem próximos, não é? Um amigo protetor daqueles, de longa data...Será que havia sentimentos por parte dele e Sunny não percebia? Agora algumas perguntas inconvenientes ficavam na cabeça de Jung-Mi. E, bom, ele sinceramente não sabia como lidar. Sentimentos, num geral, eram coisas que ele estava reaprendendo a lidar.

Por dois anos ele aprendeu a não sentir. Só transmitia através da música e das fotos, mas nunca partia dele, sem nenhum objeto para canalizar as coisas boas, ruins, tristes ou felizes que guardava dentro de si. Depois da conversa com Misoo, no entanto, uma chave tinha sido ligada e agora as coisas vinham de modo tão intenso que...era como se estivesse constantemente lutando e sempre cansado.

Complicado.

- Hm… - Mas também não podia negar que tinha sentido certa euforia? Alegria? Com aquela revelação. Era bom saber que eles não eram namorados.

Significava que...O que?

O que ele estava pensando?

Deu um gole em sua bebida e meneou negativamente.

- Não precisa agradecer por isso. E peço para que não desista do colégio ou de ser quem você é por conta daquele episódio. Foi lamentável sim, mas...No que eu puder fazer, não acontecerá de novo.

Encarou Sunny por alguns instantes, tentando passar confiança.

Depois de tantas desculpas, Sunny revelava que havia um jeitinho mais fácil de acabar com aqueles problemas entre os dois. Jung esticou-se um pouco para a frente, vendo a foto que ela indicava. O rosto dele pareceu se iluminar por um instante diante da escolha dela. O rapaz desviou o olho da câmera e voltou na direção de Sunny ainda com aquela expressão tão contente quanto misteriosa.

- Não está. Farei para você e entregarei essa semana… - Disse enquanto voltava para o seu lugar. - Prometo. De verdade.

Fez uma sutil brincadeira, ainda com um sorriso no canto dos lábios e então tiveram alguns instantes de silêncio. Jung aproveitou para beber um pouco de seu pedido. Não se lembrava da última vez que tinha falado tanto ou sentido tanta sede depois de um longo discurso. Estava terminando um gole quando ouviu a respeito de MiSoo.

Dessa vez, foi ele quem precisou conter um sorriso. Apenas por implicância, repetiu o mesmo gesto dela - só que foi o punho fechado, como se estivesse tossindo.

Quando ela comentou, ele meneou positivamente.

- Sim, ela é linda… - Confirmou. - Uma pessoa muito linda por dentro e por fora. Estudo com a MiSoo-shi há alguns anos também, mas nos tornamos próximos durante as férias. Posso dizer que ela é um amiga por quem tenho muito apreço. Acho que consegue me entender, não é?

E chegou a mover um pouco a sobrancelha, mas conteve o sorriso.

Abaixou um pouco o olhar e deixou que ela absorvesse aquela informação e lidasse com o que ele disse. Ou o que não disse. Como, por exemplo, ser solteiro. Ou talvez o pequeno ciúme que ela pudesse sentir por conta daquela “amizade”.

O tempo ao lado dele foi capaz de trazer muita coisa para Sunny, mas a verdade é que ainda havia tanto para saber que o tempo deixava a sensação de que tinha sido rápido demais. Não demoraria para que a tia voltasse a liga, cerca de cinco minutos antes do “tempo limite”. Era o sinal de que deveria estar no tal restaurante chinês para almoçar com a família, porque era uma passeio da família - Tia Yumi certamente queria frizar isso.

De todo modo, Jung-Mi não deixaria que ela fosse sozinha. Pagaria a conta e se ofereceria para ir com ela até o restaurante onde, então, cada um tomaria seu próprio rumo no festival.

[WON-BIN]

07/04/2019 - DOMINGO
12 P.M.



Sang nem ao menos respondeu quando o filho tentou melhorar a situação ao dizer que muita gente ia ao café mesmo que não morasse lá. Sua mente já tinha filtrado a pior possibilidade e agora temia que seu filho acabasse envolvido com aquela gente tão odiosa.

Não houve tempo para que ele medisse suas palavras. Já teve a idade de Won-Bin e sabia como era ter 16 anos, todas as descobertas, a impulsividade. Sabia muito bem que aquele não era o melhor modo de tentar agir com o seu filho. Won nunca tinha dado motivos para que o pai fosse mais incisivo ou demonstrasse esse seu lado mais punitivo. Porém, Sang também não esperava aquela resposta vinda do garoto. Na mesa hora, achou por bem parar o carro ou algo pior poderia acontecer.

A primeira pergunta retórica dele já fez o sangue do pai fever. Abusado. Quando foi ele que ficou tão respondão? O que ele sabia da vida real? Da rotina de uma delegacia? Ele só conhecia a versão dos filmes e não da vida real!

Apertou as mãos no volante e trincou o maxilar com força. Won podia perceber que estava mexendo em vespeiro ao provocar o pai. A perguntar sobre o Yoon, ele conseguiu dizer apenas:

- Eu sei porque…

A mandíbula travou de novo e, por um instante, ele lembrou-se com detalhes da cena.

Spoiler:
- Hwang, o chefe quer falar com você.

Um dos policiais da época falou depois que Sang retornou para sua cabine, após uma batida na rua. O clima na delegacia especializada não estava dos melhores. Ele não sabia em quem confiar ali desde que descobriu erros nas provas e no local do crime. Antes ele era o policial modelo, aquele que ascenderia a detetive, quem sabe um dia Chefe da Polícia.

Porém, desde que passou a contestar um caso em específico, ele não era mais visto dessa forma. Começou a perguntar demais, querer provar demais. E seus rivais da época estavam se fazendo com isso.

O perfeitinho começava a cair no conceito do chefe.

Estava um pouco aflito quando entrou na cabine do chefe.

- Che…- O tratamento parou no instante em que viu que o Chefe não estava sozinho, mas acompanhado de um promotor. Um promotor em específico.

Geralmente Promotoria e Polícia atuavam juntas, à serviço do Estado. Mas Hwang nunca tinha engolido esse cara. Ele era esnobe, filho de político e os casos mais famosos e complexos, que atraíam a imprensa e afins sempre caíam no colo dele, como mágica. Era um homem de prestígio, mas pouco caráter, segundo o policial.

- Promotor Yoon. - Cumprimentou o homem em questão e voltou-se para o chefe. - Policial Hwang se apresentando.

- Ótimo. Vou pegar um café e deixá-los à sós…

- Não vou demorar. - Yoon Hyu-Sik disse de modo bastante tranquilo enquanto, para a surpresa de Sang-Choi, ele tomava o lugar do Chefe.

Sang-Choi engoliu em seco, revirando os olhos. Agora entendia porque as janelas já estavam meio vendadas e coisas do tipo. Yoon Hyu-Sik deu um sorriso para Sang-Choi.

- Sente-se, por favor. Serei breve, mas não tem porque manter tanta formalidade.

Hwang respirou fundo e sentou-se de frente para o promotor, mas sem nenhum modo, bastante largado e com um olhar petulante.

- Eu sei que você não gosta de mim e eu também não vim pedir por sua simpatia. Porém, eu devo reconhecer seus esforços e sou do tipo que prefere deixar as coisas bem claras antes que algo...ahm...aconteça.

- Você é do tipo que deixa as coisas claras? Que interessante…

- Gosto da petulância, daria um excelente delegado, se tivesse feito Direito. É uma pena que você seja apenas um policial assistente.

- Com muito orgulho e honra.

- Uhum. E é até aqui que a seu orgulho vai te levar, Hwang. Escute bem...Não se meta nesse caso. É pequeno, não fará diferença para a sua carreira.

- Por que eu deveria parar?

- Porque já foi encerrado. Já está tudo provado.

- Mas é mentira.

- E o que é verdade, Hwang? Eu te darei uma verdade bem convincente...você tem um filho.

Nessa mesma hora, Hwang arrastou um pouco a cadeira e levantou-se, batendo as duas mãos na mesa, fazendo alguns porta-lapis e afins sacudirem, dando um suave pulo. Yoon nem ao menos se moveu, apenas observando.

- Não ouse, seu verme!

- Olha...acalme-se, você nem me deixou completar. Eu também sou pai...de gêmeos. Tenho duas crianças que tem mais ou menos a idade do seu filho. Eu penso no futuro deles, no futuro que desejo para eles. Você também deveria pensar...no seu futuro com seu filho, não acha? Mexer nisso só trará consequências para você. E eu não estou te dando esse aviso como uma ameaça. É um conselho de um rival que até gosta das implicâncias.

Hwang quase afundava a madeira da mesa. Yoon observou com cautela aquilo e arqueou uma das sobrancelhas.

- Sempre admirei sua honestidade. É uma pena que você não saiba usá-la. - Mexeu numa pasta e jogou na direção dele. Era um registro completo sobre a vida dele. - Seu filho...Só tem você, Hwang. É um caso muito pequeno para você colocar seu filho em risco.

- Quanto mais você fala, mais eu tenho vontade de te matar.

- Hahaha...Você é muito honrado para isso. Mas eu não. Cuidado. Isso aí nem era meu - Indicou a pasta. - Eu recebi, por acaso…

Levantou-se, ajeitando o terno.

- E achei por bem te avisar. Cuidado, Hwang. Quem avisa, amigo é…

Soltou o ar com força, como se tivesse esquecido de respirar durante todo aquele tempo. Começou a respirar de modo ofegante e quando encarou o filho estava com os olhos vermelhos e o rosto também, como um todo. Talvez ele realmente tenha ficado tempo demais sem respirar.

- Escuta aqui, Hwang Won-Bin. Talvez eu não tenha sido muito claro nos últimos 16 anos, mas eu sou seu pai. Eu sou responsável por você e sei o que é o melhor para você. Se você...Acha...Que uma semana nesse colégio vale mais do que uma vida inteira, significa que eu não te conheço mais.

Disse com certo pesar.

- Por isso talvez eu tenha que te lembrar quem eu sou. Quer manter sua palavra com sua chefe? Tudo bem. Mas saiba que estará quebrando a promessa que fez à sua mãe, a mim, ao seu mestre. Você não vai voltar para aquele dojo ou qualquer dojo enquanto estiver nesse emprego, cercado por essa gente.

Ligou o carro de novo.

- Você acha que sabe demais da vida, mas você entende é de filme, Won-Bin. Deixa que eu te mostro um pouco de realidade daqui pra frente. Porque parece que eu te poupei demais, mesmo.

Deu a partida e aumentou a música porque não queria mais ouvir a voz do moleque. Como Won perceberia, eles não estavam mais indo comer frango e sim indo para o hospital. Tinha prometido que veria o braço dele, mas não tinha mais vontade de confraternizar ou comer algo com Won. Podiam comer qualquer porcaria em casa.

E se Won achava que sabia o que era ser sozinho…

Agora ele saberia de verdade, porque o pai estava se fechando de um jeito nunca visto antes. [/color]

[HYEMIN]

07/04/2019 - DOMINGO
2:30 - 5 P.M


Nana não encontrava palavras para agradecer por tudo o que Hyemin estava fazendo. Apesar dela ter sido o primeiro - ou talvez o segundo, mas que levava ao primeiro - nome que ela pensou quando a cabeça começou a ter um pouco de ordem, vê-la em ação era ainda mais tocante.

Ah se ela soubesse…

A vergonha de Nana ia aumentando progressivamente porque se lembrava das vezes que, junto de Yewon, riu do jeitinho de Hyemin. Como ela era tonta com o noivado e essas coisas. Como ela podia ser cega ou chatinha com alguns assuntos. E agora, olha onde ela estava. Sentia-se tão...pequena e tão grata que enquanto segurava a mão dela, prometia que nunca mais faria uma virgula contra ela.

Não depois do que estava vivendo.

Hyemin merecia tudo o que havia de melhor - e talvez isso não incluísse o noivo dela, devido as histórias que conhecia. Mas também não seria aquela que frustraria os planos da menina ou seus sonhos. Não, seria sua segunda protetora - porque Yerin era implacável - e não permitiria que ninguém a machucasse. Nem que passasse pelo mesmo que ela vinha passando.

Aceitou todos os comandos dela e seguiu em silêncio, mas de braços dados. No carro, ela ouvia as musicas, apesar de uma aparente ausência. Vez ou outra, ela passava a mão por debaixo dos óculos, secando as lágrimas enquanto a cabeça ficava apoiada no vidro do carro. Seu doce estava derretendo um pouco, mas chegaria ainda bom até a casa de Hyemin.

Quando chegou, tirou os sapatos, mas esperou como ela tinha pedido. Não imaginava porque, mas assim que viu as pantufas de unicornio com luzes, ela levou a mão até a boca e deu o primeiro sorriso do dia.

Colocou o acessório, fazendo certa gracinha ao exibi-lo para Hyemin e seguiu a menina até a cozinha. Ela dava uma leva de opções sobre o que poderiam fazer e Nana ponderou. Chegou à conclusão que queria o mais simples: queria se sentir uma criança de novo. Livre daquela realidade  e agarrada à inocência.

- Vamos...assistir aos clássicos da Disney? - Perguntou num fiozinho de voz. - Quero ver...Cinderella...Ou A Pequena Sereia.

Ou os dois.

As duas seguiriam até a sala de vídeo e, caso olhasse o celular, Hyemin veria mensagens: de Jung-Mi e de Yerin.

Jung-Mi: Não tinha visto ainda. Mas o que houve com você? Não parecia à vontade.

Tinha percebido que havia algo de estranho nas fotos dela, justamente porque tinha olhar de fotógrafo e por algum tempo, captou os sorriso dela. Aquele não era o sorriso normal de Hyemin. Ele foi bem sincero no que disse e não comentou sobre MiSoo ou as fotos de Hyun-Hee.

Já Yerin..

Yerin: Vou voltar mais cedo, eu me enganei ou meu pai mudou de ideia - provavelmente mudou de ideia. Chegarei às 8h na Coréia.

Não era um horário muito ruim para chamá-la, caso Hyemin quisesse. E a garota sabia que se chamasse, Yerin iria, por mais cansada que estivesse. Nana ficava encolhida no sofá, com as pernas esticadas, pegando um pouquinho de pipoca enquanto os olhos estavam focados na TV.

[DONG]

07/04/2019 - DOMINGO
5 P.M.


- Na verdade…- Kim comentou. - Ele me perguntou sobre a história da ovada. Acho que acabou falando comigo porque eu tava sem uniforme também, mesmo sem ser bolsista. E, bom, ele pareceu interessado em saber para se proteger também, bem como os amigos. Os três devem ser.

As duas pessoas que andavam com Won-Bin e o próprio. Não era como se Kim tivesse criado um vínculo de amizade com ele, só o respeitava por ele ter se preocupado em saber e se solidariezado.

- Não sei porque estava machucado, mas não era o único.

Os meninos não sabiam que ele estava envolvido na história do lago também. Como não testemunharam a cena, só sabiam que Jae-Ki, Eun-Bi e Taemin estavam envolvidos de fato - porque os três não participaram das aulas de terça-feira. Mas Won-Bin e MiSoo, teoricamente, só tinham chegado atrasados para a aula de inglês. Dessa vez, não teve vídeo também, só fotos do momento.

Enfim, era uma história que estava correndo, mas ainda faltavam detalhes, por isso ninguém chegou a comentar também.

- Você tem toda razão. - Kim concordou sobre os movimentos de xadrez.

Dong, então, voltou a atenção para o que Ui-Jin tinha dito. As mãos dele estavam sujas de salgadinho e ele aplaudia o amigo por conta de sua atitude. Porém, Ui-Jin comentou.

- Desse Panteão, eu gosto do Zeus e..

- HAUAHAHAHAHAHAHAAHA - HaN já deu mor risadão e tombou para o lado, batendo nas almofadas, sem se aguentar. - Ai, céus...ai…

Min-Ho fechou os olhos e Kim massageou a têmpora, também escondendo a risada.

- Não tô entendendo a risada...Não daria um bom Zeus?

- Claro, claro… - Min-Ho respondeu. - Daria sim.

- Gente, para de me zoar…

Ha-Neul ainda estava morrendo de rir e Kim soltava uns “miane” entre alguns risinhos. Min-Ho olhou para Dong tocando em seu ombro daquela forma e bateu na mão dele, afastando. O garoto cheio de “tocs” e perfeccionismo fez uma cara infeliz e correu até um guardanapo para limpar a própria roupa.

- Precisamente. Você tem boa vontade, mas somos muito limitados. Não temos influência nenhuma! Nem proteção. Somos ignorados, invisíveis, esquecidos e isso é ótimo porque podemos ficar em paz. Só vez ou outra que me obrigam a fazero dever, mas até aí...é um preço baixo a pagar.

- Quem te obriga a fazer o dever de casa? - Kim sondou.

- Ji-Ran. - Resmungou. - E a namorada dele também, a Mi-Ran.

- Hm...Então você conhece um pouco deles, não é?

- Você acha mesmo que eu conheço alguma coisa? Só me dão os trabalhos e eu evito que ele me bata ou faça algo comigo.

- Não adianta, Kim, o Min-Ho é peso morto. Só está aqui para reclamar mesmo.

- Estou colocando um pouco de bom senso. - Tirou os óculos e começou a limpar, seus olhos eram minúsculos sem a lente.

- Pera aí...Mas como foi que eu nunca vi os dois te importunando na escola? - Ui-Jin sondou.

- Porque meu pai é amigo do pai da Mi-Ran. Exercito e Aeronautica? Alô?

- Então você tem como se aproximar deles…- Ui-Jin falou

- Olha, eu já disse que não faço!

- Nem por xp?

- Nem por xp.

Dois segundos de silêncio.

- XP aonde?

- Podemos conversar depois sobre isso… - Ui-Jin forçou um sorrisinho.

- Hunf, não me enrole, Ui-Jin.

- Enfim, mas você sabe que tem uma excelente fonte, não é Dong? - HaN perguntava por conta de Hayoung e isso pareceu mexer com o amigo.

Os outros observavam a reação de Dong e logo veio todo aquele papo filosófico de justiça. Kim parecia levar à sério, mas os outros três não levavam muito não.

- Tá, mas e daí? Na hora de fazer justiça, você vai fechar os olhos mesmo? Porque você sabe que ela apronta, né?

- Do que estão falando? - Kim perguntou, sem entender.

- Dong Hayoung. - Min-Ho e Ui-Jin responderam na mesma hora. - É a prima dele, a menina que vive colada na Hyemin. - Ui-Jin completou. - Ela entrou pro grupo dela no fim do ano passado.

- A menina que brigou com a Stella por conta das ovadas? - Kim fez uma pergunta retórica e meneou positivamente, lembrando-se do rosto dela em outras situações. - Ela estava me filmando nessa semana…

Comentou e logo os meninos olharam cheio de interrogações na testa.

- Como assim?! - Ha-Neul perguntou.

- Quer dizer, não sei se filmando ou tirando fotos, mas...Ela estava fazendo alguma coisa para a Hyemin. - Ponderou.

- Iih… - Ha-Neul olhou para Dong. - Boa coisa não devia ser.

- Não sei. Ela não me parece má pessoa, só...está do lado errado. Quem sabe não toma consciência?

Os outros três não eram tão otimistas quanto Kim porque, diferente dele, conheciam a peça. Só que Dong conhecia muito mais.

[MISOO]

07/04/2019 - DOMINGO
4:20 P.M.


A situação não era inusitada e complicada apenas para MiSoo. Gyu-Sik também não sabia muito bem o que estava fazendo ou porque resolveu se atropelar e falar tudo aquilo. Talvez a imagem impactante dela na noite anterior tenha ajudado ou dado a coragem necessária para que ele dissesse logo o que achava! Porém, era um pouco difícil se manter seguro quando a destinatária dos elogios se mostrava tão...descrente.

Isso o enfraqueceu um pouco, diminuindo a impulsividade dele até que se mostrasse nula. Quando ela soltou a mão dele daquele jeito, realmente pensou que talvez o melhor fosse ir embora logo.

Mas ele não sabia se as pernas o obedeceriam direito. Estava se sentindo estranho...Provavelmente era a adrenalina que o deixava um pouco tonto depois que começava a passar. Seu peito também estava disparado e respirar parecia difícil, ainda que ele não deixasse isso muito evidente.

Engoliu em seco e pigarreou pronto para dizer que iria embora, então, sem problemas. Mas a encarou de novo.

E ela disse que tinha achado fofo! Ele começou a esboçar um sorriso fofo, mas revirou os olhos com a constatação seguinte. Acabou rindo, abaixando a cabeça.

- Aparentemente você não sabe muitas coisas de mim, Misoo-shi. - Murmurou, num tom tranquilo, mas aquilo era uma verdade também. MiSoo sabia quase nada. - É, eu acho que vai ser um pouco difícil, mas a gente podia tentar, não é?

Do que ele estava falando exatamente?

Bem que queria que fosse sobre outra coisa, mas falava do poema.

Como estavam muito confusos e exaltados, ele umedeceu os lábios e engoliu em seco algumas vezes enquanto meneava negativamente.

- Ahm...Posso perguntar uma coisa meio fora de hora? - Mordiscou o lábio internamente. - Onde é o banheiro desse andar?

Sorriu um pouco sem graça, mas depois que ela desse as instruções, sairia, carregando o celular de modo discreto. Até que tinha sido uma boa ideia por parte dele. Afinal, Gyu dava o espaço e tempo que ela precisava enquanto ele também ia respirar um pouco depois de tudo aquilo. O garoto precisava lavar a cara e se xingar no espelho.

O que diabos estava pensando?!?!

Não pretendia demorar muito, no máximo três minutos.

Mas esse tempo foi o suficiente para que a paz da casa chegasse a um fim. MiSoo estava tão distraída com os próprios pensamentos e toda a situação que nem ouviu o carro dos pais chegando ou mesmo o barulho deles. Fato era que quando a mãe ficou ciente que o filho da amiga estava ali, ela prontamente seguiu até a sala de estudos.

Hyo-Jin estava radiante, como sempre. Ela era uma mulher inegavelmente bonita - usava um vestido tubinho branco e o cabelo solto, estava muito bem maquiada e com joias exaltando sua beleza. A porta estava aberta, mas ela bateu mesmo assim, achando que atrairia a atenção dos dois. Porém, MiSoo estava sozinha e num cenário...deplorável.

O copo do smoothie dela estava no chão, super amassado e a mesa ainda tinha os cookies na caixa, meio aberta e o smoothie de Gyu-Sik pela metade.

- Ol….Eu não acredito nisso! - Fechou os olhos, trincando o maxilar com força. - Minha paciência com você já estava no limite desde ontem, Yeun MiSoo! Daí eu chego em casa e sou obrigada a me deparar com isso?! Qual é o seu problema? Mal coube no vestido ontem, mal cumpriu a dieta e já resolveu abusar de tudo?!

Hyo-Jin entrada na sala já colocando as mãos no quadril.

Não havia sinal do pai dela, provavelmente porque ele foi para o escritório ou coisa assim e Gyu-Sik estava na distância do corredor, mas sem sinais também.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:33 pm

De todas os resultados possíveis naquela conversa aquele tinha sido o pior. Se Won soubesse que teria esse tipo de reação do pai era muito melhor ter ficado sem saber nada.

Seu pai esquivou da pergunta, não revelando porque e como ele citava sobre Yoons na Wangjo.

Se essa pergunta tivesse sido feita num outro dia, numa outra hora, talvez Won pudesse estar menos estressado para não retrucar seu pai ou seu pai não estaria cansado por ter virado a noite.

O pai tinha se perdido brevemente numa memória e com a respiração mais pesada respondeu seu filho.

- Escuta aqui, Hwang Won-Bin. Talvez eu não tenha sido muito claro nos últimos 16 anos, mas eu sou seu pai. Eu sou responsável por você e sei o que é o melhor para você. Se você...Acha...Que uma semana nesse colégio vale mais do que uma vida inteira, significa que eu não te conheço mais.

-É meu pai é? Acho que eu esqueci, já que nunca tá em casa mesmo - Won disse entre os dentes, o pensamento tinha tomado voz sem que quisesse. Mas estava chateado demais para tentar reverter ou retirar o que disse.

- Por isso talvez eu tenha que te lembrar quem eu sou. Quer manter sua palavra com sua chefe? Tudo bem. Mas saiba que estará quebrando a promessa que fez à sua mãe, a mim, ao seu mestre. Você não vai voltar para aquele dojo ou qualquer dojo enquanto estiver nesse emprego, cercado por essa gente.

Won achava que podia manter alguma compostura, mas a citação da mãe tinha sido a gota d'água. Fechou o punho direito e nem percebeu algumas lágrimas caindo.

-Minha mãe? Como você ousa falar da minha mãe!? - era como se um buraco negro estivesse no peito de Won-Bin. Por que até seu pai agora fazia isso com ele? Que tipo de compensação cruel o universo lhe dava por ter tido momentos tão bons anteriormente? - Por que você acha que ela me incentivava, hein? Por que acha que eu quis ganhar aquele maldito troféu?

Aquela memórias dolorosas...

-Lutar é a única coisa que eu sei fazer, era a única coisa que eu podia fazer parte, a única coisa que me fazia ser só mais um que ninguém liga. Sim, você me poupou, me poupou até de você mesmo. Quando ela morreu você se enfiou em tanto trabalho que nem percebeu que seu filho virou um esquisitão que não consegue falar com as pessoas por que a única companhia que tinha era uma TV ou uma babá vizinha

As palavras se derramavam, sem controle.

-É eu não sei de nada, eu sou só um moleque, mas minha mãe mesmo disse que eu devia lutar pra ser quem eu queria. E eu não quero ser como você

"E se você não irá me contar sobre os Yoon, eu mesmo descobrirei sozinho"


Fechou a cara. Não queria ir comer com o pai, afinal, iriam logo ao hospital e terminariam logo com isso. Won já imaginava estar sozinho novamente naquele dia, o pai com certeza iria fazer outra coisa para ficar longe.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:33 pm

[WON-BIN]

07/04/2019 - DOMINGO
12 P.M.






- Como é que é?!

Sang teve que tirar as mãos do volante e fechar o punho com força - quase machucando a própria carne por conta da pressão das unhas contra a própria pele. Won-Bin estava testando limites nunca antes imaginado.

- Você acha que eu estive ausente porque eu QUIS? Ou será que foi porque eu PRECISAVA? Você tem dimensão das coisas que está me dizendo, Hwang Won-Bin?

O garoto não parava, principalmente quando a mãe foi citada. As palavras ferozes do garoto conseguiam machucar mais do que um tiro à queima roupa ou uma sessão de tortura. O pai estava mentalmente exausto depois de tanto trabalhar; psicologicamente abalado por conta de tudo o que teve que passar nos últimos anos sem a esposa; fisicamente cansado porque não tinha mais vinte e poucos anos.

E, no “fim do dia”, ainda tinha que lidar com a ingratidão daquele menino.

As coisas aconteceram mais rápido do que um piscar de olhos. Quando Won disse que não queria ser alguém como o “ele”, o mal jeito/má posição não importou, simplesmente aconteceu. Todos os limites do respeito e do companheirismo que os dois tinham criado foi desfeito ali: pela primeira vez na vida, Won-Bin apanhou do pai.

A pesada mão do policial - a mesma mão que atualmente só sentia o peso da caneta e exercitava os dedos no teclado do computador da delegacia - voou até o rosto de Won. Os dois estavam sentados lado a lado, então o impacto não seria 100% preciso na bochecha. Porém, era forte e podia machucar o nariz, queixo ou altura do olho, não importa, pegou em algum lugar.

Um segundo após foi o equivalente a infinitas horas enquanto as lembranças mais doces e familiares que eles tinham começavam a ser quebradas: uma a uma.

Os olhos do pai também estavam bem vermelhos: de sono, de raiva, de tristeza, de decepção.

- E nesses anos todos lutando, você continua sem aprender absolutamente nada! - Sang disse com a lágrima escorrendo pelo rosto enquanto praticamente espumava de tanta raiva e a saliva se acumulava. - Nada!! Se você estivesse no meu lugar, teria feito exatamente a mesma coisa ou PIOR, já que você não sou eu!

Rosnou.

- Você é um egoísta mimado! Acha que foi o único que sofreu? O único sozinho?? O único que ainda sofre?? - Fungou. - Tanto sacrifício, tantos anos para receber isso em troca. Aquele tiro deveria ter sido meu, não dela.

Declarou por fim e precisou respirar fundo antes de ligar o carro e dar a partida. Felizmente, Won não teria como pular do carro porque as portas estavam bem trancadas - e ficava do lado do motorista. O pai colocou os óculos escuros e acelerou fazendo um som irritante com o pneu.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:33 pm

Não era só Won que perdera o controle. Sang também deixara que as emoções tomassem sua mente.

Won aguardava, desafiante, o resultado de suas duras palavras.

- Você acha que eu estive ausente porque eu QUIS? Ou será que foi porque eu PRECISAVA? Você tem dimensão das coisas que está me dizendo, Hwang Won-Bin?

Era a primeira vez que falava com completa sinceridade sobre aquilo. A tristeza de estar sozinho era suportável no passado.
Ja tivera suas discussões com o pai, mas nunca uma tão séria.

E nunca esperaria uma reação daquelas.

Se tivesse sido qualquer outra pessoa, até mesmo seus amigos, levantando a mão daquele jeito para bate-lo...Won teria revidado, teria se defendido.
Mas Won nem mesmo computou mentalmente a possibilidade de que seu pai lhe daria um tapa, o primeiro que recebera dele.

Won-Bin já tinha levado socos mais fortes, chutes no rosto, até quebrado os dedos, mas nenhum tinha doido tanto quanto agora.
Ficou em choque, completamente congelado naquele segundo que parecia durar séculos.


Não haviam forças nem para chorar, apenas encarar a frente do carro.

- E nesses anos todos lutando, você continua sem aprender absolutamente nada! - Sang disse com a lágrima escorrendo pelo rosto enquanto praticamente espumava de tanta raiva e a saliva se acumulava. - Nada!! Se você estivesse no meu lugar, teria feito exatamente a mesma coisa ou PIOR, já que você não sou eu!

Nem notou a lágrima do pai. Não havia como resgatar aquela amizade dos dois...que conserto existe pra uma ponte queimada?

- Você é um egoísta mimado! Acha que foi o único que sofreu? O único sozinho?? O único que ainda sofre??

”Então é isso? Seu sofrimento é maior e por isso tem o direito de julgar o que eu acho…”

- Tanto sacrifício, tantos anos para receber isso em troca. Aquele tiro deveria ter sido meu, não dela.

-Eu concordo - disse sem pensar na besteira que falava. Como podia desejar aquela noite terrível para qualquer outra pessoa, quanto mais seu próprio pai...mas Won estava tão cego pelas emoções como ele.

-Talvez sem mim seria tudo bem mais fácil pra você. Sem sacrificios, sem que eu fosse seu fardo. Se os Yoon são maus, pelo menos eles são uma família… - palavras das quais Won se arrependeria de dizer.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:34 pm

Depois de terminarem de comer seus doces embalados, que já nem tinham mais tanta graça assim após as notícias, levou a amiga para a sala de vídeo e criou todo o clima confortável, ligando ar condicionado, puxando o descanso de pé do sofá, apagando a luz e acendendo os spots de luz que criavam aquele aspecto cineminha. Pegou também duas mantinhas de microfibra que ficavam guardadas na cômoda da TV (que, embora suspensa, ainda tinha um móvel ali embaixo), para criar o clima com praticidade.

Apesar das circunstâncias, a menina adorava ser anfitriã e proporcionar aquelas coisas para suas amigas. Deu o controle da smart TV que já possuía os aplicativos de filme instalados para Nana e ela pôde selecionar sua preferência daquela seleção já açucarada do perfil de Hyemin.

Enquanto o filme começava, ela saiu para fazer pipoca e fez questão de escolher potinhos especiais com a temática Disney e encheu de bebidas copinhos charmosos de bichinhos que eram a cara dela. Era até um pouco irônico como ela tinha tantas coisas dos parques da Disney em casa, quando na verdade não gostava muito de pisar lá (mesmo que dissesse que sim). Talvez fosse uma tentativa de amar tanto aquilo que o sentimento original se transformaria em outra coisa.





É claro que foi uma empregada que a ajudou a levar tudo isso, mas agora que estava tudo ajeitado, finalmente podiam ver o filme… Ou quase. Muito incomodava Hyemin aquele olho roxo de Nana. Ela teria que ficar com óculos escuros ali dentro? Aí não daria para ver nada. E se o pai aparecesse? Então a menina pediu licença e foi para o quarto, de onde voltou com uma necessáire. Normalmente, pediria que a amiga a acompanhasse até o quarto, para não sujar o sofá e essas coisas, mas como estava mimando a amiga, então foi até ela mesmo. Não queria reviver o assunto, mas era verdade que seria ruim se as pessoas ficassem olhando para aquilo.

- Nana, olha aqui para mim

Pediu para que ela fechasse os olhos e usaria todo seu conhecimento de maquiagem para fazer uma misturinha campeã naquele rosto. Quem sabe assim ela mudasse de ideia para irem para a escola no dia seguinte? Usou toda a concentração na técnica, mas mesmo assim ficou com os olhos marejados de olhar para aquele rostinho estragado. Quando terminaram, deixou a maletinha de maquiagem e jogou uma almofada para que ela abraçasse.

-  Já comeu o molho de cheddar? O de chocolate é belga - disfarçou, para chamar a atenção de novo para os potinhos de pipoca e sua respectiva disposição de molhinhos diferentes. - Eu gostei tanto do filme com gente que fizeram da Cinderella!

Depois disso, ela se aninharia no sofá também e ficaria quieta. Era uma saída um pouco diferente e bastante desconfortável, mas só de não ter mais a amiga desesperada, já estava um pouco melhor.

Em algum momento, viu o celular brilhando e o pegou discretamente, deitada do outro lado do sofá. Fez um biquinho com a resposta de Jung Mi e sentiu um pequeno mal estar, mas estava com tanto problema já que não conseguiu focar tanto na Ópera desastrosa. Suspirou. Então ele tinha percebido? Estava tão nítido assim? Aparentemente algumas pessoas eram mais espertas que outras mesmo.

“Mwo?
Você achou?
É que nunca usei vestido assim. Hahahaha ^^””””
Foi a Nana que escolheu.”


Com aquele desvio de assunto, ela até esqueceu que o objetivo daquelas fotos era mostrar Misoo, mas talvez a mensagem já tivesse sido entregue e ele fosse resolver discretamente com a menina.

Em seguida, tinha a mensagem de Yerin, que ela sentiu alívio e ansiedade ao mesmo tempo. Alívio porque logo queria resolver isso. Ansiedade porque nem sabia direito como faria para conversar com ela, mas era sua missão especial! Como as pessoas gostavam de  lhe dar tarefas sociais difíceis, hm!?

”Que bom! Estou mesmo com saudades!
(...)
Ahn… Yerin?
Preciso falar com você.
É meio que urgente.
Se você não estiver muito cansada depois da viagem, pode vir aqui em casa?
Aconteceu uma coisa muito séria
Não é comigo.
Tá tudo bem.
Viaja tranquila, eu já cuidei das coisas.
Mas precisamos de você.
Não vem brava, tá?
Não quero te falar por mensagem.
Não fica brava.
Não posso mesmo te falar por aqui.
Te amo. Beijinhos. ”


Hyemin já imaginava como faria aquela reunião ali em casa. Nana estava com muita vergonha, então chamaria Yerin para falarem a sós, enquanto, sei lá, deixava a amiga tomando banho ou em outro quarto. Talvez as duas pudessem dormir lá. Mas talvez Rin ficasse com muita raiva e não quisesse. Bem, quarto tinha para elas, mas ela preferia enfiar as amigas no próprio, para ficarem juntinhas.

- Hmm...Chamei a Rin para vir aqui em casa também. Você pode ficar no meu quarto enquanto eu converso com ela. Tá? Vai ser mais tarde.


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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:35 pm

O sorriso de Gyu Sik tinha servido para atenuar um pouco o nervosismo de MiSoo, que ficou ainda menos ansiosa ao perceber que ele tinha achado graça da opinião que a tenista deixou escapar sem pensar. Era mais fácil de lidar com a situação quando ela adquiria aquele tom mais familiar.

MiSoo ouviu as respostas de Gyu Sik onde dizia que ela não sabia muito sobre ele e também que parecia ter desistido de ir embora, mas resolveu responder por partes, pois a cabeça ainda estava se acostumando ao novo tom da interação entre os dois e também precisava dizer algo sobre seu comentário.

- E como vou saber se você não fala nada?? - cruzou os braços fazendo o biquinho característico.

Era ótimo poder voltar à normalidade. Sem MiSoo se sentir constrangida demais para fazer qualquer coisa. Pelo menos assim poderia deixar o que tinha acabado de acontecer um pouquinho de lado. Tudo graças ao tom da conversa que começava a se normalizar e, consequentemente, puxar a atenção da tenista para outras coisas.

-  Bom, você falou um pouco hoje… Viu? - sorriu de modo meio implicante, embora ainda sentisse os efeitos da insegurança de antes quando olhava diretamente para o garoto - Quando fala eu fico sabendo! - evitou mencionar mais uma vez que achava que ele tinha exagerado muito, pois talvez fosse parte daquilo que MiSoo não sabia ainda sobre o garoto.

Talvez Gyu Sik fosse exagerado mesmo, afinal.

-  Porque não é justo lhe conhecer faz taaantos anos e você vir me dizer que não sei muito sobre você, Gyu Sik-Ah!... Shi!... Ahn... Aish… - deu um tapinha de leve sobre a própria testa - Quer saber? Será que dá para começar por sermos menos formais? - disse com determinação que sumiu instantes depois - Digo… Não seria melhor?

MiSoo uniu as mãos em frente ao corpo de modo meio tímido, se segurando pra não fazer ou falar mais nada impulsivo demais. Logo ela se lembrou de que ele tinha lhe dito também que poderiam ainda tentar fazer o poema.



- E… Aish! Achei que ia mesmo embora sem me ajudar! Eu ia ter que fazer sozinha! Que bom que vai ficar! - deu um pulinho, já um pouquinho mais alegre - Eu prometo que tento me concentrar! - e teria sido uma boa ideia dar ênfase no “tentar” - Vou ser a melhor aluna, já que o professor foi tão fofo! - disse com determinação, mesmo que a intenção é que soasse como uma brincadeira e ainda ficou um pouco sem jeito depois da brincadeira meio impulsiva que nçao conseguiu segurar.

Se MiSoo não parasse para pensar muito, talvez desse até para ficar tudo bem ali com a presença de Gyu Sik! O único problema era que escrever um poema exigia que se parasse e se pensasse em algo… Quase uma armadilha!!

A pergunta seguinte tirou MiSoo de um breve conflito interno que havia se instaurado em sua mente, lhe fazendo sobressaltar.

- Ah? Ye. Claro. - e responde sobre a localização do banheiro - Fica à esquerda, na terceira porta. - respondeu o sorriso dele com outro ainda meio tímido, mesmo se esforçando para agir normalmente.

Quando Gyu Sik saiu da sala de estudos, MiSoo deixou o corpo cair sobre a cadeira deixou escapar um alto suspiro, em seguida apoiando a testa sobre seu caderno em cima da mesa.

Estava tão nervosa…

Já começava até a sentir fome. Poderia até beber a metade do smoothie que Gyu Sik tinha deixado ali. Nos cookies não iria mexer, tinham sido um presente.

Não, não ia comer nada daquilo.

Mas tudo o que Gyu Sik falou do que achava sobre MiSoo ainda se repetia várias vezes na mente da garota. Era como a cena de um filme em loop. As palavras tinham mexido muito com ela. Era impossível negar. Tinha até chorado diante delas!

Um garoto lhe dizendo tudo isso… Seu amigo… O que deveria pensar sobre isso?

Foi tão bonito… Mas… MiSoo não conseguia se ver tão linda quanto ele afirmava ser.

Sentia como se tivessem colocado hélio dentro do seu cérebro, que parecia que, daqui a pouco, iria sair flutuando de dentro da cabeça. Os pensamentos se passavam de forma rápida e as vezes se tornavam incoerentes. Além disso o peito ainda parecia meio apertado, atrapalhando um pouco a respiração. Era mesmo uma reação super esquisita para MiSoo.

Será que a namorada dele ouvia coisas tão bonitas também? Provavelmente sim…

Pensando assim parecia até errado ter recebido os elogios dele…

MiSoo não teve muito tempo para pensar mais do que isso. Sua mãe logo aparecia na porta da sala - e MiSoo nem tinha lhe ouvido entrar em casa!

- Aishh!! Ommoni!! - exclamou alto ao tomar um susto com a mãe que aparecia do nada na porta da sala.

Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, a mãe começava a reclamar sobre os doces que estavam espalhados pela mesa e inclusive o copo amassado no chão que MiSoo até já tinha se esquecido que tinha deixado cair.

- Não é assim, ommoni…! - respondia com a voz repleta de culpa, lembrando-se que tinha bebido o smoothie e comido decentemente na casa da avó, inclusive alguns dos cookies que tinha feito.

MiSoo ficava de pé e se curvava

- Mian hamnida!! E… O smoothie era light! - já se entregava, pois sabia que nem adiantava tentar mentir.

Era péssima.

- Mas… Eu não vou precisar usar o vestido de novo… Eu… Não comi tanto assim! Não estou abusando… - os olhos lacrimejavam agora com mais facilidade, pois recém tinha chorado - Eu… Eu resolvo… Foi só uma recaída. - mantinha a cabeça baixa e não olhava na direção da mãe.

MiSoo poderia até estar bastante nervosa, mas até então se sentia muito bem. Isso até sua mãe chegar e começar a estragar tudo com seu chilique por causa da comida que havia sobre a mesa.

Era exatamente por esses episódios que não gostava de trazer seus amigos para casa. Sempre temia que a mãe viesse reclamar e dizer todas essas coisas na frente deles. Agora também sentia um embrulho no estômago só de ter que ouvir o sermão da mãe e, ao mesmo tempo, sentir-se culpada por ter comido doces. Ouvi-la usar aquele tom de voz normalmente deixava MiSoo se sentindo um lixo.

Sob aquela voz era a pior pessoa do mundo. Os elogios que recebera de Gyu Sik tinham, definitivamente, desaparecido de seus pensamentos agora.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:35 pm

Hyun Hee suspirou. Não tinha como aquela garota que estou em casa entender o que se passava ali dentro. Mesmo sendo herdeira também, quem sabe se tivesse irmãos ela pudesse entender melhor. Será que não tinha nenhum primo interesseiro ou algo do tipo para compreendê-lo? Era inútil explicar. Só precisava deixá-la vivenciar aquilo tudo, mas ele não se arrependia de sua tentativa de protegê-la.

Se estava infeliz de qualquer jeito, melhor que fosse com algum poder na escola ou criando um ambiente no qual fossem criados menos problemas possíveis. Pelo menos era o que o eu de ontem pensava sobre isso, já que não tinha energia para gastar. O de hoje, que acordou após uma bomba de efeitos químicos, já não estava tão acovardado e ouvia aquelas palavras quase como uma provocação.

Deixar em aberto aquela disputa? Mostrar claramente que estava para bater de frente com Jongin sem medo? Era arriscado. Mas não foi arriscado ir à festa? A forma como a menina não conseguia compreendê-lo o frustrava e o irritava um pouco. Então ela queria expor amizade, é? Não gostava de metade, mas certamente não estava preparada para conhecê-lo por inteiro. Ninguém estaria.

- É isso que você quer? - perguntou irritado e muito sério, mas deixou que ela continuasse.

Então ok.

Ela o ofendeu um pouco com a história da joia. É. Não tinha por que ter dado joia para ela, exceto pelo fato de que ele quem a quebrou. Quase queria cuspir isso de volta nela para fazê-la sofrer um pouco e odiá-lo, mas engoliu a vontade, respirando forte. Por que é que se preocupava com aquela garota tão cheia de si mesmo?

Já não aguentava mais aquele papinho. Tinha sido “tão legal” de se preocupar com ela! E, de novo, ela estava sendo uma ingrata maluca. Ele até tentou explicar as coisas, mas não estava dando certo. Não devolveria porcaria de broche nenhum então!

Abriu a boca para falar algo, mas ficou encostando a língua por dentro da bochecha, como se saboreasse e engolisse as respostas mais agressivas que tinha. Não estava pensando direito quando simplesmente desligou na cara dela e jogou o celular de qualquer jeito no sofá onde antes estava sua babá.

- Aaaaaishhhh - resmungou. Agora estava com raiva, sentindo-se muito trouxa de ter se preocupado com ela e não entendendo direito por que estava com tanta raiva.

Olhou o acesso do braço e revirou os olhos. Estava de saco cheio daquilo. Desfez o curativo que prendia a agulha no braço e puxou a ‘borboletinha’, mexendo o corpo e levantando-se com um resmungo. Estava pronto para ir embora.

- YA. Secretário Lee. Já cansei disso aqui. Vamos para casa.

Por que ela desdenhava tanto de seu broche? Estava muito aborrecido por seu gesto ser tão descartável assim. Talvez devesse ter dado a porcaria da joaninha para Eunjoo.

E deixar a amizade aberta? Nem eram amigos! Como ela se atrevia a usar suas ligações por necessidade para ela daquele jeito? Não ia ligar mais também. Proteger? Não ia ligar para escondê-la do amigo. Faça bom proveito, Jongin. Bufou. Filhodaputa. Por que a simples ideia o deixava mais puto? Passou a mão na cara, irritadiço e acabou que guardou o celular de novo. Tinha mais uma questão pendente.

A moto. Será que ainda estava naquele lugar? Queria poder sair dirigindo do hospital, mas era óbvio que isso não aconteceria. AISHHHH QUE DIA MAIS ...
Não acertava nem quando estava tentando! Garota complicada. E ainda assim, continuava preocupado com a desgraçada.

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:35 pm

Jae-ki sorriu ao ver aquela cena realmente rara, a halmoni estava rindo e era por causa da Soo-ji. O dia realmente tinha começado bem e ele sentia que nada podia estragar o seu humor. Tudo parecia mais bonito, nem mesmo o cenário de sua casa humilde estragava seus sentimentos. Recebeu o terno abraço da irmã e ouviu da avó que já era dez e meia! Realmente tinha dormido um pouco além do que costumava, mas não importava, tinha sido uma noite ótima e o futton estava mesmo confortável. Logo já estava mostrando a surpresa para a irmã, sorriu ao ver ela dando tantos pulinhos, eram tantas perguntas de uma vez que Jae nem conseguiu responder. A halmoni ficou confusa, o garoto nem ia responder, mas a irmã estava tão empolgada que respondeu ainda pulando contando praticamente tudo o que tinha acontecido de forma bem resumida. Nessa hora até Jae-ki arregalou os olhos, mas rindo, até ele ficou surpreso pelo o quanto Soo-ji tinha se empolgado. Casar? Ela devia estar vendo mesmo muitos desenhos de princesa. Mas no fundo sentiu um estranho desejo. Não seria perfeito se os três pudessem voltar a andar juntos como nos dias que iam na praça?

Logo revelou o pacote de biscoito e ficou mesmo muito satisfeito ao ver que a irmã tinha adorado. A estratégia de contar que foi uma princesa tinha realmente feito efeito, só não sabia que seria tanto. Jae-ki observava a euforia da irmã com um sorriso largo e bobo no rosto, a garotinha não era a única ali a estar sonhando. Só que ela sonhava bem mais longe. O único problema era que Soo-ji ainda achava que o nome de Eun-bi era Min-Ah, mas ele não planejava contar tudo de qualquer forma. Já ia responder a irmã quando de repente sua orelha foi agarrada pela mão pesada da sua nada delicada halmoni.

- Ya! Ai.. Ai.. Ai!
- Reclamou enquanto era puxado.

A velha sabia pegar sua orelha de uma forma que não soltava mais e doía! Para uma idosa ela tinha mesmo muita força, Jae sabia muito bem disso. Quando o soltou para dentro do quarto, ele logo colocou a mão sobre a orelha vermelha a massageando. Fez uma careta de menino invocado e reclamou:

- Aishh... O que eu fiz?

Enquanto ouvia a halmoni ficou surpreso ao perceber sobre o que seria o sermão dessa vez. Sua avó estava mesmo zangada com história da Min-Ah, só que as palavras dela geralmente eram sempre um pouco cruéis porque eram muito realistas. Seu bico invocado foi se desfazendo quando a ouviu admitir que ele estava indo bem. Receber elogios da sua avó era mesmo raro, e Jae sabia que esse era o jeito dela falar isso. Ela percebia o quanto ele vinha se esforçando, isso era importante pra ele. Geralmente não se sentia apoiado nas coisas que fazia, mas dessa vez até a halmoni reconhecia que ele estava fazendo algo bom. Jae-ki até ficou sério enquanto a ouvia em vez de ignorar como das últimas vezes.

Só que era estranho ouvir a avó falando dessas coisas de namorar. Apesar de ser avó, para Jae-ki, ela não tinha cara de que tinha namorado um dia. Fez uma careta estranha ao ouvir ela falar de "certas vontades?" Sua halmoni estava mesmo falando do que ele pensou que ela estava? Não, devia ser outra coisa, ao menos Jae esperava muito que fosse outra coisa. Sua halmoni ainda tocava no seu ponto fraco, Soo-ji. Não, ele não queria destruir a vida da irmã, nem magoá-la! Será que estava sendo precipitado em querer mostrar aquelas fotos para a irmã? Não tinha imaginado que ela fosse ficar tão empolgada, nem que ela e sua avó fossem aumentar tanto as coisas.

- Ani! - Respondeu a halmoni - Aish, eu não tô namorando nem nada disso! Foi a Soo-jiya que falou de casamento. Aigoo... Eu nem penso nisso... Ela anda ouvindo muitas histórias, eles deviam inventar mais princesas que não se casam.

Jae-ki suspirou, não se sentia aberto pra falar dessas coisas com a avó. Claro que continuaria negando seus sentimentos para os outros, mas era verdade que não namorava ninguém. Na verdade nem tinha parado para pensar nisso, talvez tivesse até evitando por medo de pensar. Só que agora a halmoni tinha tocado nesse assunto o lembrando do porquê não podia namorar como os outros garotos. Era tudo tão injusto, era sempre o dinheiro o limitando. Ele não era tão burro, apesar de ter se deixado levar na noite anterior. Sabia muito bem da situação deles. Não precisava estar ouvindo essas coisas, precisava? De qualquer forma tinha visto a avó sorrir, ouvido praticamente elogios dela, não queria preocupá-la. A avó tinha até falado sobre decepcioná-la, provavelmente falava do que o aboji fez. Odiava ser comparado com o pai e não queria ser como ele que tinha estragado tudo. Então respondeu tratando o assunto como se fosse bem mais simples do que realmente era:


- Halmoni, eu sei, eu sou Jae-ki tá? E não sou idiota... Eu sei porque você tá falando isso, não posso ter uma namorada porque não tenho dinheiro,não é? Tá com medo de eu gastar tudo com uma garota? Vou repetir, não tem namorada nenhuma nem nada disso... E mesmo se tivesse algo assim, não sou do tipo que tira dinheiro da minha família pra outras coisas.  Aishh... Sabe que eu me importo com Soo-jiya mais que tudo. Eu faço tudo por vocês, não vou deixar ninguém estragar meus planos. Sei o que é mais importante e tô me esforçando nos estudos, não vou perder o foco... Relaxa halmoni, só achei que seria legal Soo-ji ter uma amiga. Não vou deixar qualquer pessoa se aproximar dela. Essa garota foi mesmo legal com ela e queria até ensinar passos de dança sem cobrar nada... Eu sei o que tô fazendo e já vou explicar a Soo que não vou me casar só porque falei com uma garota. E não, não vou trazer ninguém aqui nem nada disso, fica tranquila.

Riu em seguida tentando mostrar que não era nada demais, embora por dentro sentisse que seus sonhos começavam a ser esmagados antes de existirem. Por causa dessa conversa teve que pensar em coisas que não queria pensar tão cedo. Era uma droga ser lembrado de como era pobre, logo agora que tinha esquecido e que tudo parecia tão bom, até sua casa humilde parecia mais confortável, queria ter passado o domingo sorrindo, mas tinham lhe jogado um balde de água fria. Para ele o único problema de namorar era por causa do dinheiro, talvez não alcançasse direito o que a halmoni queria dizer. Achava que podia namorar se encontrasse uma garota legal que não se importasse de não ganhar nada comprado. Embora a ideia soasse bem impossível até na sua mente, por isso não queria pensar, só queria curtir os momentos. Tinha gostado muito da companhia de Eun-bi, que mal faria ficar mais tempo perto dela? Sabia que não podia ir muito longe, uma hora seria limitado como sempre, mas queria tanto ver até onde poderia se aproximar dela. Mas não era nenhum louco para fazer uma besteira como sua avó tinha citado.  

Não admitiria, mas a conversa com halmoni tinha sido importante. Descobriu que a vó estava feliz com o que ele fazia. Além disso, agora começaria com certeza a segunda-feria mais cuidadoso, um pouco desconfiado, e não tão bobo quanto estava se sentindo. Também tomaria mais cuidado ao contar para Soo-ji. Havia desistido da ideia de mostrar as fotos para irmã, esperaria mais um pouco. Precisava ver como Eun-bi reagiria com ele na frente dos colegas ricos. Uma coisa era fora de Wangjo, e se ela mentisse de novo? Até acreditava que a bailarina era uma garota boa, mas sabia que ela talvez não tivesse noção do quanto poderia fazer mal a Soo-ji se não pensasse nas coisas que fazia. Eun-bi não vivia como eles, eram realidade bem distantes, ás vezes até amigos nem entendiam, assim Won e Kang não tinham entendido porque ele não podia ir no passeio. Por isso, infelizmente teria que esperar antes de pensar em juntar sua irmã de novo com ela, precisava ver como a bailarina reagiria a algumas coisas, precisava dar um tempo para saber se não mentiria mais pra ele.

Olhou mais uma vez para halmoni, queria recuperar o dia animado e fugir dessa conversa estranha, nunca falava de garotas com a vó. Então disse antes de dar passos em direção a porta:

- Halmoni, vamos curtir hoje! Nem precisa arrumar nada , só fazer a comida porque a minha não é legal e eu tô morrendo fome... Mas pode deixar que eu lavo a louça e se quiser arrumo alguma coisa...  Vou lá falar com a Soo-ji, sabe que eu sou bom com ela...

Iria se arrepender dessa proposta, mas se tivesse que arrumar algo, faria do seu jeito,arrumaria igual sua cara. O que valia era a intenção não é? Se a halmoni não tivesse mais nada a dizer, voltaria para sala para conversar com sua irmã. Tinha que desfazer um pouco da empolgação dela, mas de um jeito que não a entristecesse. Jae-ki já até imaginava como faria isso. Não podia ser precipitado.

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:36 pm

A feição desconfiada e surpresa de Jung-Mi antes dela revelar que, na verdade, não namorava Kim, apenas lhe dava mais vontade de rir. Não do garoto, mas sim da situação. Incrível como algumas coisas, depois que passam, realmente tornam-se mais leves de lidar e relembrar. Se for comparar com o sentimento infeliz de dias atrás... Parecia tão longe agora, como se tivesse acontecido ano passado. E a surpresa estampada no rosto a sua frente deixava claro o suficiente o tamanho da confusão que a atitude carinhosa em Kim gerou entre ela e Jung. Mas nem chegou a vê-lo na ocasião do abraço e, mesmo assim, nunca que Sunny enxergaria maldade no abraço fraternal, mas o amigo estava certo ao dizer que as outras pessoas poderiam interpretar de maneira diferente, como foi o caso.

O “não” sussurrado aumentou o sorrisinho de Sunny.

- Não, não somos.

E começou a explicar.

A amizade com Kim era um dos bens mais precisos que Sun-Hee possuía na vida. Os dois dividiram tantas situações juntos... Joo-Hyuk a conhecia como ninguém, embora houvessem pedaços de si que não ousava compartilhar. Nem com ele, ou com os familiares... São pedaços que ficavam escondidos dentro de sua cabeça. Fragmentos que não deveriam ser divididos. A questão era que Kim também fazia parte da família de Sunny e ela o amava como ama os próprios irmãos. Por isso não se importava de enfiar os bedelhos nos problemas dele, independente de chateá-lo ou não, e em troca, Kim fazia o mesmo.

Continuou a observar as reações de Jung-Mi...

Um hábito antigo.

Mas dessa vez não precisava disfarçar.

Podia encará-lo sem medo de ser vista ou julgada.

Ele estava pensativo e as emoções modificavam-se no rosto livre de imperfeições. Sunny apoiou os cotovelos na mesa e ainda sorria. Então, notando que não haveria novas manifestações e considerando também que o tópico estava encerrado, ela prosseguiu. Diante da resposta, balançou a cabeça de um jeito igualmente confiante. Porque aquilo fugia de qualquer cogitação! Sabia que a intenção daquelas meninas era expulsar os bolsistas e que apesar da calmaria... quase absorvia o cheiro da tempestade, mas... não funcionou, e nem funcionaria, com Sunny. Primeiro, ela carregava um gênio teimoso e determinado demais para permitir que os outros pisassem nela, e segundo... alguns problemas simplesmente se neutralizam perante maiores.

Desde...

Desde muito tempo que a menina prefere entulhá-los dentro de uma caixa jogada no armário.

Enquanto não fosse aberta, tudo ficaria ok.

- Não desistirei, eu juro...

O olhar encorajador fortaleceu os pensamentos da bolsista.

- Eles terão que aprender a nos respeitar. Não precisam gostar da gente, mas pelo menos aceitar a nossa presença será o bastante – suspirou e logo assentiu – Obrigada pelo apoio... Já faz mais do que muitos.

As carinhas tristes e desesperadas das novatas que sofreram a agressão permaneciam bem vivas na mente dela, e imaginava que sentir-se acolhidas por estudantes que não compactuavam com a violência desses ideais e ações era um bálsamo. Por sorte, Sunny recebeu esse tipo de carinho e conheceu pessoas boas, divertidas e gentis. Pessoas que tornavam insignificante o ódio distribuído no primeiro dia de aula.

Mais uma vez, havia a quebra no assunto para dar abertura ao próximo.

Um mais leve.

Ela mostrou a foto enquanto um sorriso ocupava toda a face e imitou Jung-Mi, também se inclinando, mas longe de invadir o espaço pessoal do rapaz. Conforme ele olhava a foto que Sunny escolheu, a garota aproveitava para bisbilhotar a expressão exposta, tentando descobrir se o pedido o aborreceu ou não. O receio ruiu quando identificou um brilho particular suavizar os traços rígidos... Aháááááá. Ele gostou! Gostou, não gostou? Claro que sim, olha carinha! Ahhhhhh! Um calorzinho aqueceu o peito e sentiu vontade de bater palmas animadas, mas se conteve para não chamar a atenção dos clientes e acabar constrangendo-o. Assim que o olhar de Jung-Mi saiu da câmera e focou seu rosto, além de alegria, Sunny enxergou... Hm? Pendeu a cabeça para o lado, procurando compreender o significado da feição... indecifrável? Ela coçou o cantinho da têmpora e correspondeu o sorriso, porém um cadinho mais cuidadosa, mas que não demorou a crescer com a confirmação.

O tom misterioso recebeu um breve estreitar dos olhos puxados, porém não havia sinais de raiva ou desconfiança... Ela entrava na brincadeirinha, embora não soubesse exatamente sobre o quê.

- Pois estarei esperando, Jung-Mi...

E piscou para ele.

Aproveitou o silêncio e comentou a respeito de outro “detalhe” que causou tantos estragos no seu humor, só que diferente dos anteriores, Sun-Hee encontrou mais dificuldades em se abrir acerca de um possível relacionamento amoroso de Jung-Mi com MiSoo. No entanto, apesar de não ter sido direta, Jung captou a dúvida que a afligia e... o que era isso??? Mesmo que não tenha executado o gesto, Sunny notou a sombra de um sorriso aparecer rapidamente sobre os lábios, o que contribuiu no aumento do beicinho, além de fazê-la cruzar os braços. Não estava chateada, mas não queria que ele visse o rubor retornar bruscamente. Quando ele iniciou a explicação, Sunny o encarou para não transmitir uma impressão errada.

A última frase foi uma espécie de “touché!”

Ela arregalou enquanto balbuciava.

- S-Siiim... Eu... Eu consigo!

Feito uma covarde, se escondeu atrás do copo, bebendo consecutivos goles do refrigerante, quase engasgando. Mas o risinho contornava a borda da louça, e mesmo com o olhar baixo, Jung-Mi seria capaz de perceber a onda de alegria no momento que a ficha caiu.

Não eram namorados.

Amigos!

Espera... Se aproximaram durante as férias? Mas... Mas... Mas...

Não, Sunny. Ele disse só amigos. Seria hipócrita em desconfiar, já que ambos tinham semelhanças nos casos, não é?

Não conseguia evitar...

Não conseguia evitar aquele apertinho no coração. E era tão egoísta ficar assim. Todavia, ao descer o copo vazio e colocá-lo na mesa, exibiu uma feição mais suave e relaxada. Porque a conversa foi... maravilhosa. Mas, uma hora ou outra, precisariam interrompê-la. E o instante desmontou quando o celular de Sunny vibrou na bolsa. Rapidamente pegou o aparelho e não disfarçou a decepção ao ver quem era e, no automático, checou a hora.

Teriam que encerrar por ali.

Aquele era o seu "meia-noite".

- É a minha tia.

Atendeu a mulher, falando baixinho, cheia de dedos e a respondia com falas curtas e pausadas... “Sim, titia”, “Tá bom”, “Estou indo...”, “Aham, entendiiiii”... Jung-Mi acompanharia novamente a sessão de caras e bocas de Sunny. No fim da ligação, ela encarou o garoto e soprou um suspiro desanimado – Preciso ir...

Mas não queria.

Quando ela estava prestes a pegar a carteira, Jung-Mi se ofereceu para pagar a conta e Sunny decidiu aceitar a gentileza e a companhia até o restaurante chinês, agradecendo. Ao saírem do lugar, a diferença de temperatura agiu na pele de Sunny, aquecendo de uma maneira agradável e preferiu não recolocar o boné, mas mantê-lo entre as mãos e permitir que o sol corasse o rosto sempre tão pálido. O cabelo continuava a escorrer pelo o ombro, e devido a textura lisa, o elástico já estava quase na metade, não sendo mais um sustento seguro. Caminhavam lado a lado, e não interagiam... Sun-Hee curtia esses minutos finais na presença de Jung-Mi, sem saber se teriam a oportunidade de repetir o passeio. Por isso, apreciava cada segundinho e mesmo que não trocassem palavras, ela descobriu algo interessante.

Aquela quietude não a deixava nervosa ou angustiada...

Era serena, agradável... uma sensação que tanto lhe faltava no dia a dia.

Arriscava, vez ou outra, algumas olhadinhas na direção dele, mas a manobra era extensa devido aos centímetros de altura que os afastavam.

Enfim, já próximos do restaurante, Sunny mordiscou o lábio com certa força e acabou diminuindo a velocidade dos passos – Chegamos – murmurou. Aos poucos, encerraram os movimentos e Sunny se colocou na frente do garoto, inclinando a cabeça, mas os raios de sol atrapalhavam a visão, fazendo-a apertar ainda mais os olhos e enrugar o nariz de levinho – Jung-Mi...

Conversaram por uma hora e meia, mas na mente de Sun-Hee, foi pouquíssimo tempo. Não achava justo desejar mais.

- Obrigada... Eu... – hesitou em continuar, porém buscou coragem, ajeitando os ombros de maneira mais presente e decidida. Tinha que falar... - Eu gostei de passar esse tempo com você e também a oportunidade de esclarecermos algumas coisinhas, né? Que a titia não me escute, mas... – respirou fundo e sorriu de um jeito criminosoNão me sinto culpada pela escapulida. Escapulida? – balançou as mãos – Claro que não... – até olhou por cima do ombro para ver se a tia Yu-Mi não estava bufando no seu cangote – Sssssshhhhiu, fuga não... Coincidência! Soa melhor... – riu baixinho - Então...

Chega de enrolar ou a titia ia mesmo cumprir a promessa de armar um escândalo.

- Até... amanhã, Jung-Mi... Tire muitas fotos e, por favor, tome cuidado quando for embora.

Depois da despedida, seguiria até a entrada do restaurante como quem vai para a guilhotina.

E daí?

Já perdeu a cabeça mesmo.

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:36 pm

As risadas se alastram quando o assunto se resumiu em deuses gregos, Dong ficou até surpreso por Jin se declarar o próprio Zeus! Que era um ser extremamente mulherengo e manipulador. A principio não combinava muito com o perfil do amigo mas se analisarem melhor, entenderão semelhanças. - Zeus era o rei do olimpo, e você é o rei da mesa (dos jogos) até que faz sentido, só falta agora arrumar uma Hera bem ciumenta para te perseguir hahaha.

- Evitou de zoar muito pois sabia que renderia esse papo de deuses, ainda bem que Min-Ho e toda sua rabugentisse estava presente na sala para cortar a maioria dos temas mais cômicos que eles fossem levantar. - Fazer o dever pelos outros me soa complicado, quer dizer, Wangjo é um lugar de ensino elevado, da elite, não é uma escola publica da vida que valentões te pedem deveres. Não existe nexo em fazer o dever de alguém lá, tecnicamente.

Ou seja, se você não merece estar lá em nível, então não deveria estar ali para principio de conversa. Claro que na teoria era fácil dizer isso, na pratica, os aproveitadores sempre cairiam em cima dos nerds. - Ainda assim, se Min-Ho esta sendo ameaçado podemos usar isso ao nosso favor, geralmente quem abusa não espera revide de seus alvos... mas não gosto de pensar que isso colocaria ele em perigo, ainda não sei do que esse pessoal é capaz.

Dong não queria que seu amigo fosse machucado, especialmente por não conseguir disfarçar bem que não concordava com a ideia desse plano... até Jin tentar suborna-lo, já que persuasão não funcionava, talvez barganha ajudasse. Nessa hora HaN abordava sobre a carismática e bela prima de Hee Kyung, que inclusive arregalava de leve os olhos por trás dos oculos, ao aber que ela estava participando de tudo aquilo, mesmo que fosse coagida ou não... era algo repreensivel, errado, algo que Dong não aceitava.

- É difícil... não vou fechar os olhos, a metáfora de Temis passa longe disto. Hayoung não é mais uma criança, ela sabe bem o que é certo e o que é errado, conhece o que magoa, o que machuca, ah ela conhece bem. - Levou o indicador até a ponta do lábio, refletindo. - Se você anda com pessoas de má índole, isso mostra um pouco sobre sua personalidade, talvez ela possa ser um pouco ingenua mas... - fez uma breve pausa escolhendo a melhor frase -

- Há uma linha tênue entre carência, ingenuidade e maldade... Não existe ingenuidade quando se está praticando uma maldade. Prejudicar um membro da minha família vai ser algo grave, mas se essa ideia toda foi minha, vocês podem apostar irei sustenta-la.

Se o avô de Dong soubesse que a menina fazia ou praticava algo ruim assim, ele nem queria pensar o que o velho faria com os pais dela, era um assunto bem delicado, especialmente quando falamos de muitoooo dinheiro.

Ele não queria que todo mundo fosse expulso, e sim, que existissem regras mais duras para evitar certas condutas desnecessárias.

É uma utopia achar que é possivel anular bullying ou maus tratos de um meio social; ainda mai na Coreia do Sul.

Com base nessa conversa, as palavras de Kim soaram realmente, muito mais otimistas que as dos demais.
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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:37 pm

[HYUN-HEE]

07/04/2019  DOMINGO
7:30 ~ 12:30

A voz de Chaeyoung foi interrompida após a brusca reação de Hyun-Hee. A menina ficou um tempo com o celular no ouvido e formou um biquinho infeliz quando percebeu que ele havia desligado. Afastou o aparelho do ouvido, vendo o fundo da tela e, não soube porque, ela começou a ficar turva.

Aish, o que estava acontecendo com ela?


Passou a mão pelo rosto, impedindo que as lágrimas rolassem, mas o seu peito doía. Não sabia porque Hyun provocava aquele tipo de reação nela. Geralmente não era agressiva assim, mas também nunca tinha lidado com alguém como ele. De todo modo, aquele gesto foi semelhante a um tapa doído e ela deu uns tapinhas de leve na própria cabeça antes de abrir as janelas e ver a manhã de domingo. Ficou longe daquela droga de celular porque estava infeliz demais para olhá-lo de novo.

Esperava que as horas passassem voando para ver suas novas amigas.

[...]

O Secretário Lee retornou para o quarto junto da enfermeira que trouxe o café da manhã dele. Para o segurança da família, apenas café gelado. Olhou para a expressão de Hyun, vendo uma certa alteração no modo dele depois de usar o celular. Não comentou sobre isso, mas respondeu a outras questões enquanto ele comia.

- Farão novos exames e terá a alta antes do almoço, creio eu. Quanto a sua moto, já mandei que fosse levada para a casa. As chaves, contudo, estão comigo e não devolverei a você.

Não era o avô dele.

E, bom, agora Hyun tinha um “segredo” compartilhado com o Secretário Lee. Certamente, cedo ou tarde o avô saberia da situação, mas depois dele ter passado mal durante a semana, o Secretário estava tentando poupá-lo de emoções fortes.

A expressão dele não se alteraria diante de eventuais chiliques do menino. Muito calmamente, ele pegou o controle da tv e ligou, colocando no canal mais irritante que achou - um documentário sobre arroz. Para piorar, ele ainda fazia uma expressão hiper concentrada, como se estivesse mesmo entendendo tudo o que era dito. Hyun logo descobriu o lado sádico e ignorante do secretário.


(adoro documentarios)

Era isso o que acontecia quando você provoca as pessoas até certo ponto. Chega uma hora que o revide é certo.

Pelo menos Hyun tinha o próprio celular.

[...]

Como prometido, Hyun teve alta por volta das 12:30 daquela tarde de domingo. Os dois caminhavam lado a lado, sem muito contato ou muita conversa. Hyun seria levado até o carro onde repousaria até a residência de sua família. Ainda sentiria dores na altura da costela - não estavam quebradas, mas estavam roxas e bastante doloridas mesmo. Respirar era um pouco incômodo e tocar na região - abraços ou toques - seria uma tortura para ele.

Quando chegaram em casa, descobriram que o patriarca da família tinha ido almoçar com amigos no country club. A governanta informou, inclusive, o sobrenome Park, então, era bem capaz do avô dele estar na companhia das mesmas pessoas que encontrou na Ópera, no dia anterior.

- Certo...O que gostaria de comer, Sr. Park? Posso cozinhar para você. - O Secretário Lee comentou, de modo generoso depois de torturá-lo por horas com documentário sobre arroz.


O celular de Hyun vibrou nesse instante. Era uma mensagem de Jong-In.

“O que aconteceu ontem à noite?
Acordei com uma estrangeira, mas antes disso não te vi mais na festa. Teve uma noite boa? Wink



E uma notificação: a joaninha, por algum motivo, tinha aceitado a amizade dele na rede social. A última atualização era uma foto dela andando num parque com bicicleta de cestinha.

“Bem bloggueirinha fingindo que pedalo com uma mão só :B
a rodinha tá escondida 8DD ~”



[JAE-KI]

07/04/2019 - DOMINGO.
10:30

Jae-Ki era um bom neto, Seo-Hee admitia para si mesma. Às vezes pensava que cobrava demais dele, mas ela tinha um grande medo dentro de si: pela lei natural da vida, muito em breve, o garoto estaria completamente sozinho, cuidando de Soo-Ji, nem uma halmoni ou podendo contar com um aboji. Não tinha como se preparar para isso de modo doce ou sutil, por isso ela sempre mostrava a realidade como era!

Sentia um pouco de pena do menino, tão novo e já com tantas responsabilidades. Mas se não fosse agora, quando seria? Pelo menos Jae estaria preparado para seguir em frente.




Apesar da expressão séria que lançava para ele após proferir aquelas duras palavras, sentia o peito apertando com a carinha que ele fazia e as respostas. Cruzou os braços, não permitindo que nada fosse percebido por ele e meneou negativamente.

- Meu medo não é esse. É você ficar cego e trazer mais despesas para casa. Os jovens de hoje em dia estão muito acelerados e inconsequentes. É por isso que me preocupo. Mas já que você me dá a sua palavra que não tem nenhuma namorada...Acredito em você.

Respirou fundo, quase aliviada.

Mas não era burra!

Já teve 16 anos também e agora entendia porque ele estava com aquele sorrisinho tranquilo enquanto dormia. Verdade que ele dormia feito uma pedra, quase sempre, mas não com uma expressão tão...calma. Continuou ouvindo os argumentos dele, mas logo se cansou porque também ficava constrangida com aquilo!

- Hunf! Então você vai lavar a louça e ir no fim da feira pegar os feios. A feira acaba às 3 P.M, então, não se atrase. Não tive muito lucro essa semana, mas preciso dos ingredientes e de comida pra casa.

O fim da feira sempre tinha os restos, os alimentos que ainda era ótimos, porém, feios ou amassados e as pessoas dispensavam. O preço caía pela metade, às vezes mais. Era aí que a halmoni geralmente fazia suas compras ou pedia para Jae-Ki ir. Soo-Ji gostava de ir porque falava com as pessoas - era bastante popular por conta do jeitinho dela. E isso a deixava absurdamente parecida com uma certa pessoa.

Até alguns trejeitos lembravam as carinhas que a mãe deles costumava fazer ao importunar os outros com o jeito tagarela dela. E as duas nem tinham convivido o suficiente para terem essas semelhanças.

Quando Jae-Ki saiu do quarto com a halmoni, Soo-Ji estava fazendo um biquinho, mas logo sorriu e mostrou o pacote ainda fechado para ele. Tinha amado o presente, mas queria dividir com o irmão. Combinaram de comer uma parte agora e o fim depois do almoço. Os dois assistiram televisão juntos e ela fez um resumo de sua semana.

- Eu gosto da escola. - Disse. - Vai ter eleição para representante de turma e falaram meu nome. Você acha que eu devia ir? Eu nem sou mais a mais inteligente, mas disseram que eu sou cara de pau - Ponderou. - Mas no bom sentido porque eu falo sem vergonha, parece.

Franziu um pouco as sobrancelhas, fazendo um beicinho.

- Mas eu só falo porque fico vendendo com a halmoni e às vezes os clientes acham que são espertos. Mas o meu oppa me ensinou a contar, então, eu sou mais esperta do que eles! - Cutucou a propria cabeça, dando uma risadinha logo depois.

[...]

3 P.M.


A conversa era bem agradável e foi assim até a hora do almoço. Depois disso, passou a ser um pouco mais corrido porque Jae-Ki tinha prometido lavar a louça e ir à freira! Soo-Ji o ajudou a secar tudo e pediu para acompanhar.

De certo modo, as coisas ficavam mais divertidas assim.

Os dois andavam de mãos dadas enquanto ela puxava um carrinho de feira com sacolas recicláveis. A mãozinha dela estava fechada na dele e ela ponderava. Durante as últimas horas, ela não tinha comentado sobre a conversa dos dois, mas é claro que Soo-Ji ouviu tudo. As paredes não eram grossas! E eles não falavam baixo.

- Oppa… - Disse fazendo um beicinho e o encarou.


- Eu não quero que você fique se sacrificando por mim. Eu quero que você seja feliz. Porque aí...eu também serei feliz, vendo você feliz.


Dava muita ênfase à frase para que ele entendesse bem o que ela queria.

- Dinheiro não é tudo quando você é feliz.

Apoiou a lateral do rostinho no braço dele enquanto caminhavam.

[WON-BIN]

07/04/2019 - DOMINGO
12 P.M.

Pai e filho estavam em estado de choque após aquela reação violenta por parte de Sang-Choi. Nem mesmo ele acreditava no que tinha acabado de fazer depois de atingir o filho daquele jeito. Mas a raiva falava mais alto e os dois continuaram se ofendendo e se afastavam cada vez mais.

O carro partiu na direção do hospital para que Won-Bin avaliasse o seu gesso. Apenas o ruído do motor servia como trilha sonora e Sang apertava o volante com mais força do que precisava - os dedos estavam mais brancos na ponta.

Chegaram rapidamente no hospital e conseguiram falar com o ortopedista. Won-Bin foi levado para a avaliação, mas foi sozinho. O pai ficou do lado de fora, mesmo podendo acompanhar tudo.

- Bom, você vai precisar trocar essas talas semanalmente. Pode fazer isso em casa ou num posto próximo, enfim. Sua cicatrização é muito boa e acho que se seguir bem as ordens, vai se recuperar antes dos dois meses.

Foram as recomendações que ele recebeu e logo se livrou daquele gesso. O braço travou um pouco, acostumado a ficar muitos dias na mesma posição, mas ele se sentiria melhor agora, sem aquele peso. Os dedos ganharam proteção com dois pedaços de palito de sorvete - mal comparando - e forma imobilizados de novo. Caso ele sentisse dor, o médico receitaria novos analgésicos para ele.

Menos de duas horas depois, eles estavam livres do hospital e voltavam para casa. A chance de comerem fora foi abortada porque não havia clima para isso. O pai tampouco perguntou a Won como tinha sido a consulta - falou com o médico no corredor enquanto o menino se arrumava. Quando chegou em casa, o pai pegou um pote de ramen e colocou água para levar ao microondas.

Logo pegou o ramen, uma cerveja e seguiu para o quarto, sem se preocupar com o que Won faria da vida depois.

Estava exausto!

Mas Won ainda estava de castigo, no fim das contas.

O celular dele tinha algumas notificações  - como o pedido de amizade de Bo-Mi e sua foto fofinha de perfil, bem como Kang perturbando no grupo dos dragões, mostrando os tombos espetaculares que o irmão tombou. Não fazia ideia do que o amigo estava passando naquele instante.

[SUNNY]

07/04/2019 - DOMINGO
12h ~ 3h P.M.

A conversa dos dois tinha sido bastante esclarecedora, de fato. Não apenas por conta dos pequenos mal entendidos que eles tinham fabricado, mas porque eles puderam, finalmente, passar um tempo juntos. Não houve influências externas - fosse dos lugares onde estudavam e trabalhavam ou das pessoas que o cercavam. Naquele inesperado encontro só tinham eles dois.

E bastava.

Jung-Mi ainda se sentia um pouco tenso por conta da história do sobrenome, mas parte de si estava mais aliviada em saber que não fazia diferença para Sunny. E que ela conseguia conversar com ele dando a opinião, sendo ela mesma, sem temer que alguma coisa fosse contrariá-lo ou desagradá-lo. Eles até mesmo discordaram!

Uma hora e meia foi muito pouco. No caso, tinha passado muito rápido. Não foi apenas Sunny que teve essa sensação, no fim das contas.

O rapaz permitiu que ela falasse com a tia ao telefone e precisou conter o riso diante das expressões dela. Era bom saber que a família da garota parecia se preocupar com ela. Não sabia mais o que era isso: ter uma família, mas ficava feliz quando via esse tipo de relação sendo desenvolvida diante dele.

Após pagar a conta, os dois partiram. O rapaz se prontificou a acompanhá-la e isso não era apenas o gesto de um cavalheiro: havia algo mais por trás disso. Queria ficar ao lado dela até o último instante, aproveitando cada segundo.

Caminharam lado a lado, aparentemente, mas Jung ficava meio passo atrás, aproveitando para olhar o modo como o elastico escorregava pelo cabelo negro dela. Já estava na metade de tão fino que aqueles fios eram. Além disso, o penteado também revelava parte do pescoço dela e Jung gostava da postura que ela tinha. Sua vontade era puxar o elastico e esconder a visão dos outros, mas se conteve.

Algumas vezes, os olhares se encontraram e eles sorriam meio constrangidos com isso. O garoto desviava o olhar, vendo a paisagem, mas como um ímã, o olhar era puxado na direção dela de novo.

E assim seguiram.

Ao chegarem próximo ao restaurante chinês, Sunny parou para falar algumas coisas com Jung.

- Eu também gostei. - Disse com um sorrisinho no canto dos lábios e as mãos nos bolsos. - Foi...A melhor parte do passeio. - Admitiu daquele modo aparentemente tranquilo dele. - E eu não me sinto culpado por ter ajudado na fuga.


O sorriso aumentou um pouquinho, chegando a formar uma linha para cima.

- Até amanhã…

Murmurou, mas quando ela se virou daquela forma, após pedir por muitas fotos, algo impulsionou a ação seguinte dele. Sunny tinha dado um passo quando ouviu a voz dele de novo.

- Sun-Hee! - Chamou com certa urgência.

E assim que ela se virasse, fotos em sequência foram tiradas - quase como um frame de cada movimento dela enquanto se virava para encará-lo e todas com aquela precisão de câmera profissional. Após tirar a sequencia de fotos que viriam com a reação dela, ele abaixaria a câmera dando um sorrisinho enigmatico.

- Acho que as melhores fotos acabaram de ser tiradas.


Ainda com aquele sorrisinho, ele acenou para ela e deu as costas para partir, se misturando à multidão. A porta do restaurante foi aberta, fazendo um barulho que Sunny quase nem escutou. Porém, o som seguinte foi claro:

- KIM SUN-HEEE!!!

Era como se a Terra tremesse e o terremoto Yu-Mi se aproximasse. A tia a puxou pela orelha, sem muito cuidado ou paciência e a arrastou para dentro do restaurante.

[...]

3 P.M.


Tirando o incômodo na orelha, o passeio tinha sido maravilhoso. A tia estava brava, mas o pai tranquilo por ela ter cumprido com sua palavra e logo essa fuga foi deixada de lado. Os Kim compraram lembrancinhas, tiraram fotos, comeram bastante e, às 3 P.M. retornaram para Seul.

Estavam todos exaustos e não chegaram a conversar muito no ônibus. O único mais acordado era Yi-Hoo que sentou ao lado de Sunny. A tia estava muito brava e ficou com Jun-Pyo. O irmão mais velho logo a cutucou para ver se ela contaria alguma coisa sobre a pessoa que encontrou. Porque para ter saído daquele jeito, tinha que ser alguém muito importante...para ela. E o irmão era curioso, queria saber o que estava acontecendo e até aonde a irmã tinha controle da situação.

O celular dela estaria cheio de mensagens do grupo das meninas. Chaeyoung estava comentando sobre o passeio que ela fez mais cedo com Hye-Won, a filha do diretor. Disse que tomou um tombo da bicicleta e que tava com um ralado no joelho, que preferia andar de patins. As meninas estavam rindo muito porque Chae era mesmo engraçada nas tiradas que dava. Porém, queria confirmar sobre o encontro de mais tarde. Segundo ela, só precisava de um band-aid da Hello Kitty e tava tudo certo.

Stella tinha confirmado presença e Lee-Hi também. Chae perguntou se podia chamar Hye-Won também. Não tinha falado com ela mais cedo sobre o passeio e não diria, caso as meninas não quisessem.

A reunião delas seria às 7 P.M.

[DONG]

07/04/2019 - DOMINGO
5 P.M.

- Caraca, Dong, onde você vive? - HaN perguntou assim que ouviu o discurso sobre o dever de casa. - Percebe-se que você é bem blindado mesmo.


- Eu sempre soube. - Min-Ho replicou, dando um longo suspiro e meneando negativamente.

Kim levou a mão no queixo, encarando a situação e Ui-Jin deu de ombros porque concordava com os outros. HaN, então, se aprumou e começou a falar, era o hyung deles, então, quando falava sério, tinha prioridade.

- Veja bem. Nossa escola sempre foi assim, eu sou um ano mais velho, então posso dizer que tenho um pouco mais de experiência. Você é um rank 1, então as pessoas não enchem muito o seu saco. Mas você acha mesmo que na nossa escola só tem gente brilhante? Claro que não!

Ui-Jin e Min-Ho deram uma risada abafada diante disso.

- Nossa escola é considerada a melhor porque pagamos caro por ela. Mas nem todas as pessoas que estão lá são inteligentes. Na verdade, todas as pessoas que estudam lá são ricas e a próxima geração que comandará a Coréia.

- No caso, era assim, agora tem bolsistas que são pobres e…- Min-Ho olhou Kim. - Calma, eu quis dizer que são pobres comparados aos herdeiros.

- Eu não sou herdeiro, nem bolsista, mas entendo o que quer dizer. - Kim respondeu meio que à contra-gosto.

- É, po! E nós somos o que? Nerds! - HaN bateu no peito, orgulhoso do título. - Acredito que até o mais burro do nosso colégio pode ser considerado acima da média em outras instituições porque nossos professores são muito bons e as provas são puxadas, maaas…

- Abusos sempre existiram e sempre vão existir. Ainda mais entre rankings diferentes. Mi-Ran e eu somos do mesmo patamar porque nossos pais são militares, mas o namorado extra-oficial dela bateria em mim porque ele é mais rico do que eu. E assim vai. - Min-Ho revirou os olhos.

- Não é porque é WangJo que se diferencia de outras escolas. Na verdade, vi ações bem primitivas...Yerin estava o demônio naquela ovada. - HaN disse de modo suspeito. - Parece sabe, uma succubus e…

- Hyung!! - Ui-Jin o olhou chocado.

- Com todo o respeito, desculpa, Kim, mas ela tava...Ai meu coração. - Respirou fundo, levando a mão no peito.

- Tsc… - Min-Ho fez uma careta.

Os garotos permitiram que Dong continuasse com suas explicações e concordaram que seria perigoso sim, por isso precisavam agir com cautela. Permaneceram em silêncio enquanto ouviam falar da prima daquele jeito. Min-Ho fez um gesto de #teamHayoung enquanto Dong não olhava. O garoto parecia bem convicto sobre o que dizia e agiria conforme sua ética.

Mas uma coisa era a teoria...A prática podia ser bem, bem diferente.

Após essas afirmações, o assunto pareceu ficar ainda mais sério. A ideia dele era bastante audaciosa, ousada...queria quebrar um ciclo vicioso de violência colegial. Era como mexer num vespeiro, de certo modo. Dong sabia dos riscos e os amigos desconfiavam, mas Kim ainda estava bastante seguro do que queria.

Ha-Neul prometeu que mexeria nas pastas dele para levantar os dados. Ui-Jin se comprometeu em contar tudo o que ouvisse - apesar da “brincadeira” dele estar acima do peso, era verdade a história dele ser invisível. Já tinha escutado muita coisa que deveria ser segredo. Min-Ho era o único que não se comprometia.

- Tudo bem, então, vamos supor que essa ideia vá para frente. Só temos representantes masculinos aqui...Posso dar uma sugestão?


- Não. - Min-Ho disse.

- Então, como eu dizia… - Ignorou o menino. - Precisamos de uma fonte feminina que seja igualmente discreta… - HaN começou a circular a mesa onde eles lanchavam. Ao falar discreta, parou atrás de Ui-Jin - porém ousada… - Tocou no ombro de Kim. - Que tenha sabedoria… - Olhou para Dong. - Além de ser linda. - Bateu nos próprios ombros, dando um longo suspiro de olhos fechados.

Min-Ho escondeu a cara e Ui-Jin se engasgou com o refrigerante. Kim escondia a risada.

- O que acham...de Han So-Na?


- Meu Deus. - Min-Ho ficou em choque.

- Você não pode estar falando sério! A musa?! - Ui-Jin ficou em estado de graça.

- Quem é? - Kim olhou para Dong.

- Ela...é a estrela máxima de todos os planos celestiais. Uma escultura feita do mais fino material dessa Terra... A nerd, musa inspiradora, paixão de minha vida, a 10/10, a mãe dos meus filhos, meu 5º casamento…


- Como ele consegue falar tanta besteira por segundo? - Min-Ho respirou fundo.

- Han Sona! Vamos chamá-la, Dong! Ela vai me olhar com desprezo e dizer “não, sai daqui”, mas e daí? A gente tenta, talvez ela goste...Talvez ela esteja aqui na proxima reunião. Deixa ela ser a ranger rosa! A ranger que ela quiser!! Vamos, vamos! A gente não confia na Hayoung, mas a Sona...é uma musa gente como a gente!

[MISOO]

07/04/2019 - DOMINGO
4:20 P.M.

- Miane… - Gyu-Sik disse meio sem jeito quando foi acusado de não falar nada. Deu um sorrisinho meio constrangido enquanto pedia desculpas e coçava a nuca. Terminou encarando MiSoo de modo mais gentil.

Ao ouvir a voz dela chamando por seu nome daquele modo mais informal, ele arregalou um pouco os olhos, fazendo um pequeno “o” com a boca. Foi sorrindo um pouco sem graça e abaixou a cabeça, meneando positivamente, concordando que deveriam ser menos formais. Pigarreou e então disse.

- Concordo...MiSoo-shi.


Experimentou aquela sonoridade de modo mais consciente do que na vez anterior, e gostou de como a palavra ficou em sua voz. Sorriu satisfeito e achou fofinho o jeito que ela prometia se concentrar nos estudos. Não era como se ele fosse conseguir se concentrar agora, muito embora se sentisse bem mais inspirado depois de tudo o que ouviu.

Porém, achou melhor dar um tempo e ir até o banheiro para lavar a cara. Eles estavam envergonhados demais e, talvez, tomar um pouco de ar fosse melhor.

O que Gyu-Sik não imaginava era que deixaria MiSoo exposta naqueles cinco minutos de ausência.

A mãe tinha chegado com bom humor, pronta para cumprimentar o filho de sua amiga, mas quando chegou no quarto e se deparou com aquele depósito de guloseimas e a filha sozinha, o ódio subiu fácil e ela estava pronta para atacar a menina. Nem mesmo o modo como MiSoo se comportava - parecendo um filhote encolhido - foi o bastante para aplacar a voz da mulher que crescia para cima dela.

- Você tem mesmo coragem de me dizer isso?! Além de uma esfomeada é mentira! Ontem foi mesmo uma ilusão, afinal. - Disse com raiva. - Você quase parecia minha filha, sabia?! Que tola que eu fui…Olha isso, olha isso!

Apontava para os smoothies - o do chão e da mesa - fora os biscoitos. Estava com tanta raiva que nem percebia os pertences que estavam ali. Gyu-Sik estava no corredor e tinha acompanhado a briga a partir do momento que a mãe de MiSoo entrara no quarto. Ouvir a voz da garota vacilando daquele jeito quase o tirou do sério, mas ele só se meteu depois da última ofensa.


- A culpa é minha, Sra. Yeun. - Chamou pelo sobrenome do marido dela.

Hyo-Jin virou-se rapidamente para a porta, deparando-se com o menino que a encarava seriamente. Sentiu um arrepio percorrendo a coluna diante do olhar frio de Gyu. Porém, mesmo contra a vontade, ele se curvou, pedindo desculpas por MiSoo.

- MiSoo-shi é muito disciplinada com sua alimentação, mas eu pensei que um smoothie não faria mal nesse calor enquanto estudamos. - Continuou falando, ainda curvando. - Os cookies são para minha irmã. Não são da Misoo-shi.

Repetia e dava ênfase no tratamento.

- Pois pensou errado, Gyu. - A mulher disse. - Você tem uma impressão muito boa de minha filha e é gentil, mas ela não pode comer besteiras. Que isso não se repita, por favor.

A voz para ele era muito mais suave do que o modo agressivo que falava com MiSoo.

- Mian Hanmida...Eu não sabia. E não vai se repetir.

- Muito bem. - Hyo-Jin olhou aquele quadro e o encarou de novo. - Ia perguntar se estava tudo bem, mas diante dessa cena, vou deixá-los estudando em paz. Minha filha também precisa de ajuda em relação a isso, se não o pai a impede de modelar.

Suspirou, meio frustrada.

- Boa sorte com o trabalho. - Passou por Gyu, batendo de levinho no ombro dela e passando direto, sem nem olhar para trás, para a própria filha.

Gyu-Sik respirou fundo e engoliu em seco, controlando-se para não perder o bom senso enquanto se mantinha meio curvado e Hyo-Jin passava por ele. O ombro dele estava bastante tenso quando ela o tocou. E foi assim, quase que mecanicamente, que ele se ergueu e ficou parado feito um soldado na porta do quarto. Não disse nada enquanto ouvia os passos da mulher se afastando.


Piscou lentamente com os olhos vermelhos de raiva até que a imagem de MiSoo foi transformando o sentimento em outra coisa...Precisava protegê-la.

Por isso, antes que MiSoo conseguisse dizer qualquer coisa, ele levou o dedo indicador até os lábios, fazendo um “shh” e a puxou para os próprios braços. Como era mais alto, ele meio que cobriu o corpo dela e a abraçou de modo extremamente protetor, apoiando a mão na cabeça dela enquanto a deixava se acalmar ali.

Não precisava dizer nada.

Ele sentia.

Assim como ela poderia sentir daquela vez o quanto ele se importava com ela. Aquilo, definitivamente, não era indiferença.

[HYEMIN]

07/04/2019 - DOMINGO
5h ~ 8:45h P.M.

Hyemin era uma pessoa realmente especial. Para quem a olhasse de fora, pensaria que se tratava apenas de uma patricinha mimada e extremamente avoada. Porém, uma vez que a pessoa tivesse a atenção e um lugar cativo no coração dela, a garota demonstrava um lado extremamente protetor e carinhoso.

Sem dúvidas era a melhor anfitriã que alguém poderia querer. E a razão parecia bastante simples, no fim das contas: A mansão dos sonhos era solitária. Apesar de ter tudo o que uma jovem poderia desejar, Hyemin não tinha o principal, uma companhia. Por isso ela ficava tão feliz em receber pessoas e cativá-las daquele jeito.

Nana já tinha visitado a amiga outras vezes - muitas vezes - mas nunca numa situação como aquela. Cada gesto da herdeira era contado e registrado na mente de Nana. O seu momento permitia que ela ficasse mais atenta a isso e uma enorme gratidão surgia dentro dela. Aceitou todos os cuidados  - porque precisava daqueles mimos - e acompanhou as ordens ou pedidos de Hyemin para que fechasse os olhos ou mudasse o ângulo para esconder aquilo.

Houve sucesso em esconder o roxo do olho, mas assim que Nana olhou no espelho, conferindo o resultado, sentiu os olhos marejando.

Parte de si ficava feliz por conseguir esconder aquilo. Porém, outra parte sentia que não havia como esconder ou esquecer. Não era tão simples assim. Ela se sentia...vazia, suja, vulnerável. Nunca tinha sido sentido assim antes, porque era uma pessoa muito confiante e segura. Talvez por isso mesmo estivesse sendo ainda mais difícil.

Mesmo assim, ela agradeceu a Hyemin e deitou a cabeça na coxa dela. Era instintivo, ela precisava de um colo e procurou por aquela que estava disposta a ser presente. E foi assim, encolhida no sofá, protegida e recebendo colo, que a maratona Disney começou. A amiga experimentava o que era oferecido, mas não estava lá com muita fome, de modo que só beliscou mesmo.

- Eu também adorei aquele filme. Só o sapato que podia ser melhor...E talvez o vestido acinzentado… - Comentou apenas dois pontos que havia incomodado um pouco uma amante de moda, mas todo o resto do figurino tinha sido impecável aos olhos da menina.

Na troca de filmes, Hyemin recebeu algumas respostas de suas mensagens.

Jung-Mi logo devolveu: Hm, você estava bonita sim, mas o sorriso...bom, se você diz que estava tudo bem, eu acredito. Os flashes podem incomodar um pouco mesmo.

O garoto tinha percebido algo estranho no sorriso dela e apenas reforçou. Já Yerin voltou como uma resposta mais incisiva por conta da mensagem nada tranquilizadora que Hyemin havia enviado.

Yerin: Claro que irei, mas como quer que eu fique tranquila se aconteceu alguma coisa? O que foi? Me fala logo antes que eu fique mais nervosa.
Eu não tô brava!! Mas me fala o que.
Foi seu pai? Sua tia?
Hyemin???
Mas que droga!! Agora to irritada!!
Seguirei para aí assim que possível.


Nana se mostrou um pouco nervosa e até mesmo ansiosa por saber que Yerin iria até lá. Não imaginava que tivesse que encará-la tão rápido, apesar de querer muito a ajuda dela. Mordeu o lábio internamente e meneou positivamente, agradecendo pelos cuidados de Min.

[...]

8:45 P.M.

As horas se passaram de um jeito incômodo. Ao mesmo tempo em que parecia rápido, estava devagar. Os filmes pareciam demorar mais do que o normal para atingirem seus ápices. As duas meninas conheciam bem aquelas histórias, mas não conseguiam prestar atenção, imersas demais nos próprios pensamentos.

Pelo menos Nana não tinha chorado de novo.

Às 8:05h da noite, Hyemin recebeu uma mensagem de Yerin dizendo que tinha chegado na Coréia e estava à caminho - claro que demoraria mais do que o normal, porque ainda precisava se livrar das perguntas do pai. Mas quando a rainha do primeiro ano queria alguma coisa, ninguém era capaz de parar sua determinação.


Por isso mesmo, quarenta minutos depois, a campainha da residência tocou. A governanta atendeu a porta, recepcionando a jovem. Yerin estava com uma expressão aflita, mas nunca deixava passar muito: O cabelo estava preso num coque desleixado e usava uma calça comprida preta, uma camisa listrada em preto e branco, de mangas compridas e tecido fino. Nos braços estava a jaqueta de couro que tinha usado no avião.

Colocou a pantufa e foi em busca de Hyemin.

O coração estava na boca e deu para perceber que ela só respirou quando viu que a amiga aparecia bem. Não tinha ignorado as fotos e, assim como Jung-Mi, também tinha percebido “algo diferente”. Diferente dele, contudo, ela não comentou. Mas alimentou um nervosismo durante as últimas horas.

- Min-Ah…


Tomou fôlego, largando a jaqueta e acelerou até Hyemin, a abraçando forte.

- Eu fiquei tão preocupada que até esqueci seus presentes. O que aconteceu, me fala? O que era tão urgente?

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:37 pm

- Senhores, é difícil para minha pessoa acreditar às vezes, então, não drenem este pequeno raio de crença que surgiu ou então terão de perdoar o meu ceticismo. - Respondeu a eles quando ouviu a historia de ser blindado. Dong trabalhava mais com números e provas do que vivencia, e na maioria das vezes ele realmente ficava imerso apenas em estudar, devida sua concentração elevada e vida privilegiada.

- Quando mencionei isto, falei do ponto de vista ético; não tenho interesse na forma radical ou extrema, até por que não iremos viver neste lugar para sempre. Tem gente  que nunca foi assaltada na rua, e também faz algo a respeito da criminalidade. O que acham?

Disse o exemplo logo depois de Ha Neul falar, não iria corta-lo ou atropelar o amigo mais experiente em sua fala, coberta de razão.


- A minha questão é que deveria ser diferente, se Wangjo se equivale a uma escola publica qualquer em termos de massa, ela não tem nada de especial, é só um antro para a elite largar seus filhos mimados para dizer que eles tem alguma formação ou aprendizado.

Kyung estava de acordo com o que Min-Ho dizia, ele só tinha uma crença um pouco diferente, não gostava de ser taxado de coisas que ele não era, mesmo que fossem nerds, ainda assim eram dedicados.



- Para mim é especial, é importante para meu avo, para meu pais... - Logo, para si. - Noto que para vocês também, se não, nem estariam cogitando em me ajudar...

Alias, Min-Ho não cogitou, mas tudo bem.

A imagem de Yerin como succubus inevitavelmente veio na mente de Dong, quando descrita de maneira tão vivida, chegando a ir além e visualizar um chicote de torturadora em mãos. A principio ele não entendeu bem o que diabos ovadas tinham haver com uma entidade que absorve energia sexual ao dormir, mass... por alguma razão este pensamento lhe deu um profundo calafrio na nuca que desceu pelos ombros, passando por ambos os braço até chegarem nas mãos, que ficaram meio inquietas.

- E-err.. melhor não misturarmos as mitologias, senhores.

Pigarreou tentando focar os pensamentos onde deviam!

As vezes Dong virava o rosto rapido, tentando pegar os gestos que Min-Ho fazia; podia ver o seu reflexo pela tv.

- Se isso for para frente, vai chegar nas mãos do diretor, ele terá de saber sobre o que estamos fazendo, sejam masculinos ou femininos os integrantes.

Dong não era ingenuo de achar que poderia extinguir uma coisa cultural, mas envolver uma garota nisso seria ligeiramente mais delicado. A indicação do amigo lhe pegou de surpresa e ele arregalou um pouco os olhos castanhos escuros, pois a ideia era ótima.


- Han Sona... ela parece esperta e bem na dela, verdade, não lembro de te-la visto com as outras meninas...hummm, mas vamos imaginar que ela diga não, o que irá dizer? Se a ideia ficar exposta sem ter um alicerce, pode acabar antes de começar.

Apesar do tom comico posto pelo amigo, Dong ainda mantinha uma postura mais séria e concentrada, imaginando que tipo de consequências isso teria, afinal, se chamam Sona, teriam que chamar por exemplo, a própria Stella e a Sunny depois.

- Você não vai usar isso como pretexto para se aproximar dela, vai HaN-shi? Não acha ruim? - Arqueou uma das sobrancelhas desconfiado, levantando essa questão para os demais que certamente olhariam ele do mesmo modo. - Uma garota nerd e tão vistosa, no meio de tantos rapazes solteiros...

Ele até olhou para Kim de canto como se estivesse sugerindo "cuidado ai com o galã!"

Naquele tabuleiro de xadrez improvisado, com salgadinhos... Kyung escolhe na embalagem uma peça salgada que era bem esbelta, esguia e bem feita, e coloca ali encaixada perto das outras, seria esta, a Rainha?

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Re: Capítulo 2

Mensagem por The Crown RPG em Sex Fev 02, 2018 6:37 pm

Jae-ki suspirou mais uma vez ao ouvir a resposta da halmoni sobre essa conversa. "Eu não sou inconsequente...Acelerados? Aishh lá vem ela falar essas coisas... " O garoto ficou aliviado ao ouvir que a avó acreditava nele e que estava terminando esse papo esquisito. De fato não tinha nenhuma namorada mesmo, embora tivesse omitido muitos dos seus sentimentos. Gostava mais de Eun-bi do que poderia, mas namoro era um assunto do qual ele não queria tocar ainda. Infelizmente tinha sido forçado a pensar agora. Porém Jae só negava mesmo, só quis deixar de uma forma que halmoni não ficavasse com minhocas na cabeça. Não havia porque ela se preocupar, não é? Ao menos Jae esperava que não, mesmo sem ter certeza. Apesar de tudo, ele ficou feliz por ver sua vó admitir que ele fez algo certo na vida. Era difícil provar para ela que ele estava certo, dessa vez tinha finalmente conseguido, pelo menos sobre a escola. Acabou oferecendo pra ajudar e quando ela concordou bateu uma preguiça, mas ele tinha que fazer mesmo. Que tipo de neto seria se deixasse a velha fazer tudo sozinha? Apesar de não concordar com a halmoni algumas vezes, mesmo ela estando certa várias dessas vezes, Jae-ki sabia retribuir o sacrifício dela.

Pelo menos tudo seria bem cedo e daria para aproveitar bem o domingo. Curtiu a manhã e a hora do almoço junto com irmã. Gostava de ouvir tudo que ela falava e era um irmão muito orgulhoso. Queria que Soo-ji tivesse comido o biscoito sozinha, mas sabia que a garotinha não ficaria tranquila se não dividissem. Não mostrou as fotos de Eun-bi como havia decido mais cedo. Estava assistindo TV com a irmã sentado no sofá de uma forma bem largada, um pé em cima do estofado, outro do chão. Quando falavam de escola, Jae-ki sorria e sempre era muito participativo. Ficou um pouco preocupado por teram chamado a irmã de cara de pau, mas logo que ouviu o resto do relato se tranquilizou. Gostava de tudo nela, até o seu jeito mais falante, já tinha ouvido elogios das professoras dela a respeito disso. Soo-ji era sempre muito comunicativa e para Jae, ela parecia bem avançada para sua idade.  

- Se você quiser ser representante, você aceita, mas se achar chato, não. Tem que fazer o que você quer. Eu acho que você seria a melhor representante de turma. Isso aí, você é mais esperta que os clientes. Tem que falar mesmo, faz muito bem, tem que por moral. Por isso te querem como representante. Se precisar de alguma coisa para eleição me fala - Suspirou sorrindo - Você ainda vai crescer Soo-jiya, e aí vai ser muito inteligente, por que vou te ensinar muita coisa. E mesmo que você não seja representante de turma ou a mais inteligente, ainda vai ser sempre a melhor pra mim.

Jae-ki passava esse momento de forma agradável com a irmã, não tinha como se aborrecer assim. Porém ainda havia aquela preocupação no coração. Tentava afastar esses pensamentos, mas parecia que de repente só tinha casais na TV, e sempre que vinha um no comercial de doramas, lembrava dela. Sentiu também a cabeça coçar um pouco, talvez estivesse precisando de um banho. O vapor da gordura dos frangos fritos deixava seus cabelos sujos mais rápido. Porém iria se sujar na feira mesmo, então tomaria banho depois de chegar. Após o almoço cumpriu com o combinado e teve até ajuda da Soo-ji para secar louça. Os dois juntos formavam uma boa equipe.

Apesar de ter que ir na feira, não parecia ruim já que Soo-ji iria também. Seria como um passeio, gostava de andar com ela e também de vê-la interagindo com os vendedores, dava até mais sorte com ela na hora de cobrarem os preços. Era uma cena bem comum os dois andando de mãos dadas. Faziam isso desde que ela aprendeu a andar sozinha. Mas era inegável que esse jeitinho falante dela o lembrava muito o de sua mãe. Ela sempre parecia saber o que dizer, mesmo tão nova. Cada vez que Soo-ji crescia, ficava mais parecida com ela. Porém Jae se convencia de que a irmã era muito melhor que sua omma.

Só que no meio do caminho, Soo-ji assustou um pouco ao irmão quando falou que não o queria se sacrificando por ela. A garotinha não era boba e sempre acabava sentindo o que estava acontecendo. Jae ficou até ficou sem palavras, mas foi o próximo comentário sobre dinheiro que fez seu coração doer. Não queria que a irmã se preocupasse com essas coisas e nem que achasse que era um sacrifício fazer as coisas por ela. Será que ela tava falando isso por causa de Eun-bi? Mordeu os lábios preocupado.


- Soo-jiya...

Sentiu a irmã apoiando na lateral no seu braço. Soo-ji ainda tinha uma visão boa do mundo, mas Jae-ki já não acreditava em muitas coisas. Ele sabia que sem dinheiro não dava para fazer nada, nem cuidar direito do que o fazia feliz, fora que sem dinheiro, só acumulava muitas dívidas. Porém Jae queria que as pessoas acreditassem no que irmã tinha acabado de falar, principalmente uma garota chamada Eun-bi. Mas infelizmente tinha aprendido que maioria das pessoas não acreditavam nisso, embora falassem na TV. No fim era o dinheiro que sempre mandava em tudo, era o que dizia quais pessoas deviam desprezadas e quais deviam ser bem tratadas. Ele não sabia bem o que dizer, a irmã o tinha pego de um jeito desprevenido, mas a respondeu preocupado:


- Soo-jiya, é você que me faz feliz. Ou melhor, você é o que mais me faz feliz no mundo inteiro. As coisas que eu faço por você não é nenhum sacrífico.

Parou de caminhar e se abaixou na frente dela, gostava de conversar na mesma altura que a irmã.

- Por que tá falando essas coisas? Olha, eu sei que ando preocupado, mas é só para mim ficar tranquilo depois... Essa escola vai melhorar as coisas pra gente e aí não vou ficar mais tão preocupado depois que me formar nela e não vou ter que pensar muito em dinheiro quando tiver meu novo emprego.

Jae hesitou um pouco antes de continuar:

- Se é por causa daquela garota... Já conversamos, ela tem a vida dela e muitas coisas pra fazer... Não sei se ela vai ter tempo para nós, mas não tem haver com você. Não tem culpa de nada, tá? Se não pode se encontrar com ela, é por outro motivo, não você. Eu juro, não é por sua causa... E vamos torcer pras pessoas aprenderem o que você falou sobre dinheiro. Mas agora temos que prestar atenção na feira, porque a halmoni precisa dessas coisas e não quero que ela puxe minha orelha de novo.

Ele riu em seguida e piscou para ela:

- Na verdade nem doí, eu só reclamo para halmoni achar que é forte, mas é segredo isso hein!

Em seguida a abraçou antes de se levantar para continuar o caminho. Na verdade o puxão de orelha doía sim, halmoni era forte nas mãos. Talvez de anos fazendo comida e martelando carne, quem sabe?  Mas de qualquer forma não era nada demais também. Ele só reclamava mais de coisas simples como beliscões e puxões por manha de menino rebelde quando chamavam sua atenção. Jae não sabia se tinha sido convincente com a irmã, de tarde quando fosse treinar com Jong-Suk, pretendia perguntar a ele o que achava sobre isso.
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