Elysium Fields

O Elysium Fields foi fundado em Fevereiro de 2018, com o intuito de ser um jogo entre amigos, mas cresceu para se tornar não um único jogo RPG, mas vários. Desta forma, pode encontrar um jogo para jogar, ou narrar o seu próprio jogo, com as suas regras. A maioria dos nossos jogos são guiados por um narrador, que começa a história, desenvolve, e dá um fim à mesma. Os jogadores são os seus personagens principais.
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A skin foi totalmente criada pela Ross (Ji Yeon), para uso exclusivo no Elysium Fields. A designer agradece à Persephone (Hae Shin) e à Luxi (Joo Ri) pela paciência para a aturar, a Flerex pelos códigos de cores e campos de perfil que tornaram tudo mais fácil e a FontAwesome pelos ícones. Os gráficos para imagens foram obtidas do Google e editadas pela Ross. As tramas são criações originais e de responsabilidade de seus respectivos narradores. O blog Dorama Resenhas é nosso parceiro-irmão e todo seu conteúdo é feito por suas escritoras através de uma pesquisa séria de fontes confiáveis, além da exposição de opiniões próprias. Plágio é crime. Não copie dos nossos conteúdos originais. Se for tomar inspiração, por favor mencione.
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Monólogos: Diários e Treinos
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  • Podem postar até três vezes na mesma semana. Caso poste mais, apenas os tres primeiros serão avaliados.
  • Em diários e treinos, o requisito “ação” será a importancia daquela memória do diário; ou o esforço e a necessidade de elevar aquele treino.
  • Apenas os personagens escrevem aqui. Não tem npc ou outro PJ
  • Não são obrigatórias
  • Os npcs e personagens podem aparecer nas lembranças dos diários e, se quiser combinar algo, pode procurar pela narração.



GWAENHI SAENGGAKNANEUN URI


Certa vez ouvi alguém dizer que escrever é a melhor maneira de organizar sua mente. Eu nem ao menos sou boa com escrita, contudo... Ultimamente alguns pensamentos, sentimentos e memórias tem me causado confusão, em especial agora que o nervosismo do debut passou, e eu estou conseguindo pensar em outras coisas. Então resolvi começar este diário para sistematizar as ideias de alguma maneira, tentar perceber onde tudo começou a mudar, e como isto aconteceu.

Eu devia ter cerca de 13 anos, minha agenda era tão intensa que não tinha muito tempo livre, sequer ia à escola, o que “evitava contatos inúteis”, como diria o meu pai, já que tudo era ensinado em casa e eu só conhecia pessoas fora do cotidiano que ele acreditava ser uma boa influência para mim. Naquele dia eu estava voltando da aula de dança, que ficava próxima da casa dos meus pais e permitia que eu fosse a pé todos os dias. Eu estava repassando alguns passos aprendidos no caminho de casa, e acabei tomando um rumo diferente, para ter mais tempo de treinar antes de encontrar meu pai, já que ele sempre pedia que eu mostrasse a ele a aula inteira, para saber o que havia aprendido.

Era uma tarde confortável de outono, eu nunca havia ido por aquela rua, então comecei a observar os prédios ao redor, mesmo concentrada nos passos. Notei que havia um clube, ou algo do tipo, que tinha a as portas abertas, e pareceu um ótimo lugar para parar e treinar os passos sem ter pessoas me olhando como se fosse maluca. Eu estava passando por um corredor ao lado de um grande campo de grama, mas estava distraída demais, fazendo um passo aqui e outro ali, que nem percebi estar em um local que não deveria.

-CUIDADO! – gritou alguma menina, segundos antes de uma flecha atravessar o meu caminho e para na parede logo à minha frente. Tudo aconteceu tão rápido que eu fiquei em estado de choque, sem me mexer por alguns segundos. – O que está fazendo? Não devia estar aí, é perigoso! – dizia a mesma menina, que havia corrido até mim e agora pegava a flecha e colocava em uma aljava nas suas costas. Agora que olhava ao meu redor, notava que o corredor onde eu estava ficava atrás de grandes alvos de madeira.

-Se você prestasse mais atenção antes de mirar, não teria perigo nenhum! – um garoto mais velho gritava ao fundo, deixando a menina com o rosto vermelho de vergonha.

-Ela me distraiu! – gritou ela de volta. Depois, com um sorriso e a voz mais suave, voltou a falar comigo. – Você está bem?

-Sim, estou... Desculpe. – respondi, meio sem jeito. Sempre fui tímida demais para falar com estranhos.

-Ah, não ligue pra isso, você está bem, é o que importa... Eu conheço você? Seu rosto não parece estranho...

-Hm, não, acredito que não.


-Ah, tudo bem então. Quer treinar conosco?


Foi assim que conheci os irmãos Sook e Moon, filhos de um casal dono de um pequeno comércio local. Ele, quatro anos mais velho, na época com 17 anos, começou a praticar tiro-ao-alvo porque precisava de algum esporte, por ser muito agressivo, achando no arco-e-flecha um escape excelente, mostrando-se um verdadeiro prodígio. Apesar de jovem, era bastante sério e calado, dando um ar de misterioso a ele e, embora tivesse pouca paciência, uma personalidade forte e uma expressão rabugenta, era bastante protetor e gentil com aqueles que gostava, e ainda tem um dos sorrisos mais lindos que eu já vi. Ela, um ano mais jovem do que eu e na época com 12 anos, começou o esporte por admirar o irmão mais velho. Agitada, falante e muito sonhadora, é uma das melhores pessoas que conheci até hoje, sempre muito verdadeira no que faz ou diz. Hoje, mais do que nunca, percebo o quanto a amizade deles foi, e é, importante para mim.

Até hoje eu não sei como consegui convencer meu pai a me deixar fazer algumas aulas de tiro-ao-alvo, ainda que eu tivesse algo na manga que poderia dobrá-lo: ele queria muito que eu aprendesse a tocar piano. Sendo assim, acrescentei mais duas atividades à minha agenda, que já não era muito vazia, e duas vezes por semana encontrava os irmãos Bing no clube e, em algumas ocasiões, também fora dele. O Starbucks perto da minha casa era nosso ponto preferido. Descobri que Sook havia quase sido expulso da escola por brigar com um colega, há alguns anos atrás, antes de começar a praticar o esporte. Ele tinha banda de rock com uns amigos da escola, na qual tocava baixo, e também sendo um ótimo compositor, embora não tocasse nenhuma de suas músicas para o pequeno público que tinham nos shows. Moon era muito popular na escola, e muito mais amigável que o irmão. Não era um prodígio, mas os anos de treino e dedicação a fizeram tão boa quanto o irmão no tiro-ao-alvo. Tinha uma paixote aguda por Hyung, o vocalista da banda de Sook, mas ele era mais velho, e tudo não passava de um amor platônico. Algumas vezes os amigos dos dois nos acompanhavam no Starbucks, mas eu sempre preferi sairmos apenas os 3.

Apesar de não ter muita paciência, Sook era um ótimo instrutor, e ajudava o professor de tiro-ao-alvo com os alunos que não tinham muita prática, eu inclusa. Nunca me senti muito confortável quando ele vinha até mim e me ensinava a pegar direito no arco (especialmente quando ele se aproximava por trás e tocava na minha mão para ajeitar a posição), tendo que se abaixar um pouco, pois tinha quase 30cm a mais que eu (ele mede 1,80m!). Sook era bastante popular, apesar do seu jeito marrento, e Moon me dizia que ele tinha muitas admiradoras por causa da banda. Honestamente, eu nunca vi ele com ninguém além dos amigos, mas acredito que seja verdade.

-Você olha, mas não vê, Pixie. – era como ele me chamava, pegando um dos apelidos que minha tia Joo Lee havia me dado quando pequena. Significava “pequena fada”, e todos concordavam que combinava comigo.

Apesar de próxima de Sook, era com Moon que eu conversava mais e trocava muitas mensagens ao longo do dia. Ela me contava como era a escola e estar com tantas pessoas em uma sala de aula, e eu dizia a ela um pouco da minha rotina e dos contatos que tinha com o mundo dos idols por causa do meu pai. Ela sempre adorava minhas histórias, e acredito que teria sido uma idol muito melhor do que eu, já que é bastante extrovertida, e realmente gosta de atenção. Eu não teria me importado de estar na pele dela, pra ser sincera. Mas são só sonhos distantes, que não vale a pena pensar.

-Quando você for famosa, promete me chamar para ver você no Starry Night? – sonhava ela, bebericando seu chocolate quente, olhando distraída para Hyung, que conversava com Sook sobre a banda.

É tão estranho não os ter por perto agora. Já se passam vários meses desde que nos despedimos e... Não consigo achar uma brecha na minha agenda para vê-los. Sei que Sook está bastante atarefado com os treinos para as olimpíadas em 2020, e Moon também tem tido treinos intensos para seguir o irmão, além das aulas na escola. Eu os vejo vez ou outra em alguns vídeos, e até troco mensagens com Moon mas... Não falo com Sook desde aquela noite...

Há uma lenda japonesa chamada Akai Ito, ou fio vermelho do destino, que diz que pessoas são conectadas por um fio vermelho invisível aos olhos, e que o destino sempre tratará de fazer com que se encontrem. Ou foi apenas o acaso, coincidência. Eu realmente não sei o que pensar.
Nang Eun Kyung
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GWAENHI SAENGGAKNANEUN URI

Eu estava saindo da aula de piano quando olhei no meu celular e percebi que haviam 13 chamadas não atendidas, 12 de Moon e uma de Sook. É claro que meu coração disparou no mesmo instante. Algo bom não deveria ser, ou teriam deixado alguma mensagem, o que não era o caso. Apreensiva, liguei para Moon 3 vezes antes de finalmente desistir e tentar com Sook. Ele atendeu no segundo toque.

-Sookie! Aconteceu alguma coisa? – eu saía apressada da sala de piano, pois já havia outro aluno esperando para iniciar sua aula depois de mim. Na pressa, acabei derrubando meu casaco, minha bolsa e tudo o que eu tinha nas mãos pelo caminho. Contudo, antes que conseguisse juntar qualquer coisa, Sookie me respondeu.

-Nossa mãe... Está entrando na sala de cirurgia do Hospital de Seul. Ela desmaiou na loja e meu pai a trouxe para cá. Descobriram um tumor no cérebro. – sua voz estava tão distante que parecia um robô repetindo palavras do outro lado da linha. Eu fiquei sem saber o que falar. Eu conhecia a mãe deles das vezes que fui até a casa da família, e ela sempre me tratou como uma segunda filha. Era gentil e dedicada no cuidado com os filhos, tudo o que minha própria mãe nunca fora. Uma mãe de verdade.

-Eu estou indo praí agora. – ele murmurou um “ok” e, logo que desligou o telefone, já estava ligando para minha mãe. Ela passava quase o dia inteiro fazendo qualquer coisa para o meu pai, ou mesmo no salão cuidando da pele, dos cabelos, das unhas... Todo santo dia. Seu celular sempre estava a tiracolo, de forma que ela não demorou a atender. - Mãe? – forcei uma voz fraca e sofrida. Ela nem falava direito comigo, nunca perceberia que estava fingindo. – Eu não estou me sentindo muito bem, estou com muita dor de cabeça... Preciso ir ao hospital...

-O que? Por causa de uma dor de cabeça? Vá logo, não precisava nem ter me ligado pra avisar. – era óbvio que eu tinha feito aquilo propositalmente, meu pai jamais teria acreditado em uma mentira tão estúpida e, além disso, ele estava viajando, seria difícil me atender. Desculpa dada, eu logo estava dentro de um taxi, partindo para o hospital onde Sook estava com a mãe.

Não demorei muito para acha-lo, ele tinha me enviado a localização de onde estava por mensagem. Eu corria, meio sem jeito, segurando meu casaco e minha bolsa, com o coração palpitando de preocupação. Logo que cheguei no corredor onde estavam as portas para as áreas de cirurgia, avistei ele, sentado com a cabeça baixa. Tentando recuperar o fôlego, e agora sem precisar correr, me aproximei dele. Seu pai e Moon não estavam ali, o que achei estranho. Assim que percebeu minha presença, ele abriu os olhos e olhos na minha direção.

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-Pixie... – ele respirou fundo e pareceu segurar a respiração por alguns segundos, seus olhos marejados de um jeito que eu nunca tinha imaginado vê-lo. Eu não sabia o que falar, por isso larguei minhas coisas na cadeira ao lado e o abracei. Mesmo sentado, sua cabeça alcançava meu peito. Eu escutei um soluçar abafado na minha blusa, e seus braços me apertaram com força. Apesar de próximos, nunca tivemos muito contato físico, e eu acho que aquela foi a primeira vez que nos abraçamos por tanto tempo.

Sookie estava completamente abalado e vulnerável, parecia ter segurado o choro por muito tempo e, ainda assim, não tirou o rosto da minha blusa até ter suas lágrimas terem secado completamente, o que levou muitos minutos. Eu não tinha o que fazer, apenas passava a mão nos seus cabelos, sentindo-me a pior amiga do mundo. Meu melhor amigo estava sofrendo por causa da mãe, e eu sequer sabia o que dizer para fazê-lo se sentir melhor. Tudo o que conseguia era ficar ao seu lado.

-Desculpe por isso.
– disse ele, escorando a cabeça para trás, os olhos inchados. Coloquei meu casaco para o lado e sentei na cadeira onde estava, sem tirar os olhos de Sook. Agora que ele parecia mais calmo, eu também começava a pensar um pouco melhor. Era tão estranho vê-lo daquela maneira... Hoje, só de lembrar daquele longo abraço de consolo, eu fico vermelha de vergonha. Na época, pareceu a coisa certa a fazer.

-Já tem notícias da cirurgia? E onde estão Moon e seu pai? – perguntei.

-Moon teve crise de ansiedade e precisou ser medicada. Meu pai a levou para casa, enquanto mamãe faz a cirurgia. Devemos ter notícias a qualquer momento. – ele se equivocou no tempo, foram várias horas até que uma enfermeira pediu para que ele fosse até uma sala ao lado. Como eu não fazia parte da família, só restou esperar no corredor. Quando voltou, estava com alguns papéis na mão, e olhava para baixo.

A cirurgia havia sido um sucesso, mas o tumor havia causado danos que causou sequelas irreversíveis em Bing Cho. A partir daquele dia, a mulher ativa e amorosa que conhecíamos tornou-se uma pessoa que não consegue levantar um copo de água sozinha. Sempre está na cadeira de rodas. Não reage a nada que acontece ao seu redor. A família sabe que ela sente, que ela pensa, que ela tem emoções, contudo já não consegue expressar nada, e toda a vida do pai, Dak-Ho, voltou-se para cuidar de sua esposa. Fechou o comércio local e endividou-se nos cuidados e tratamentos de Cho. Eu vi aquela linda família desmoronar em apenas alguns meses, e sei que os apoiei da melhor maneira que pude. Moon e Sook jamais desconfiariam que a boa quantidade de dinheiro que “apareceu” em sua caixa de correio na verdade havia sido eu, vendendo algumas coisas da minha casa sem que meus pais percebessem, e tinha colocado o dinheiro ali em segredo, já que eles não aceitavam minha ajuda direta. Sei que eles fariam o mesmo por mim.

Até então, minha relação com Sook havia sido muito amigável, mas distante como deveria ser a amizade de um rapaz e uma garota com 4 anos de diferença. Ele era, nada mais, do que um sunbae e o oppa de minha melhor amiga. Desde aquele dia fatídico, ficamos muito mais próximos e conheci o verdadeiro Sook, gentil, amoroso e muito sensível. Não demonstrava seus sentimentos mais profundos para ninguém. Mas eu estive com ele quando recebeu o convite para ingressar na equipe olímpica de Tiro com Arco, e também o acompanhei para dar a notícia ao pai (muito orgulhoso, é claro) e à mãe (cuja única reação foi uma lágrima escorrendo no canto do olho). Segurei sua cabeça mais uma vez ao chorar no quarto por alívio e, ao mesmo tempo, tristeza. Era o grande sonho da mãe que o filho seguisse seu sonho no esporte. E, por mais que ainda estivesse viva, ela não podia comemorar, não conseguia...

Sook foi o responsável por trazer alguma estabilidade financeira à família depois da cirurgia da mãe. O patrocínio que recebeu para participar das competições era utilizado não para pagar os custos (já que ele sempre trocava tudo por algo mais barato e economizar), mas para as despesas da casa. Deixou a escola técnica para se dedicar totalmente ao esporte, e foi a melhor coisa que poderia fazer. Quando foi ao Rio de Janeiro, há 2 anos, competir nas Olimpíadas, eu estava sozinha em casa, debaixo das cobertas acompanhando tudo online, já que o horário de lá era quase o inverso da Coreia. Não só ganhou a medalha de ouro com a equipe, como também nas competições individuais, não só dando seguimento com a tradição da Coreia do Sul em conquistar o ouro na modalidade, mas garantindo assim que o país ganhasse TODAS as competições de Arquearia.

Quando retornou do Brasil (com várias admiradoras internacionais, inclusive aquelas bonitas brasileiras), devo admitir que senti uma pontadinha de ciúmes. Tenho certeza de que, se não seguisse o caminho do meu pai para seu uma idol, talvez eu estivesse ao lado dele e de Moon, nas competições. Ao mesmo tempo, fica muito feliz por eles, toda a família merecia aquela felicidade. É claro que eu os acompanhei até o aeroporto e, quando ele chegou (ovacionado por muitas pessoas que aguardavam a equipe), eu aguardei pacientemente que ele abraçasse a família e também o abracei.

São os pequenos detalhes que fazem meu peito apertar. Sook sempre foi mais alto do que eu cerca de 30cm, algo que não é muito difícil se você souber a minha estatura. O abraço dele sempre foi um dos melhores do mundo, eu sumo em meio ao seu corpo, e ele beija o topo da minha cabeça, como um verdadeiro oppa (penso eu, já que nunca tive irmãos). Quando andamos lado a lado, ele usava meu ombro como uma espécie de escora, para me lembrar do quão baixa eu sou. Ficava cantarolando música de rock ocidental, e me pede ajuda com algumas palavras em inglês e, agora, também do português, embora eu não saiba nem dizer “olá” nessa última língua. Mostrava suas composições e tenta treinar canto no banheiro (eu o escutava vez ou outra e, embora sua voz seja bonita, ele tem vergonha de cantar - e pouca técnica). Carregava meu equipamento até o clube de arquearia, reclamando de dor nas costas e dizendo que minha preguiça o vai matar, embora seja ele que insistia em levar tudo. Abria aquele belo sorriso por qualquer motivo desde que voltou do Rio. Levava a mãe para passear no parque todos os domingos. Falava “Pixie, Pixie” cada vez que tinha oportunidade. Seus cabelos, agora louros, caem no rosto toda vez que ele toca baixo, e eu fico imaginando se é assim que os roqueiros ocidentais também são. Brigava comigo quando eu baixo a cabeça para decisões do meu pai as quais não concordo. Dizia que tenho que ser dona da minha própria vida. Que ele e Moon sempre estarão ao meu lado, para me apoiar, e tem certeza que minha tia Joo Lee faria o mesmo. Ele tem razão.

Pouco depois das Olimpíadas, eu me mudei para a casa do BubbleGum, em Seul. Mesmo que os tenha visto poucas vezes desde então, sempre sabia que teria um ou outro final e semana livre por mês. Agora quase perdi a conta de quantos meses fazem desde que nos despedimos, depois de um show da banda de Sook em específico, o único que fui até hoje. É essa noite que me deixa intrigada… Ah, eu sinto tanta saudade…
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GWAENHI SAENGGAKNANEUN URI

Naquele dia eu encontrei com Sook na nossa mesa habitual do Starbucks. Ele estava sentado, sozinho, mexendo no celular fones nos ouvidos, e não viu quando entrei. Como notei sua mesa vazia, fui até o balcão pedir um Frapuccino de chocolate para mim e um Cappuccino para ele. Estranhei Moon não estar com lá, eu já não os via há uns 2 meses, estava com saudades de ambos. Tinha voltado da casa do BubbleGum apenas para pegar umas últimas peças de roupas, e voltaria na manhã seguinte. Não havia muito tempo, mas eu precisava me despedir deles. Não sabia quando os veria novamente.

-Anyoung Sookie. Aqui está seu Cappuccino. – ele sorriu, tirando os fones dos ouvidos e colocando o celular de lado. Logo bebeu um gole de sua xícara e, pela expressão, estava gostoso como sempre. Eu aproveitei e também bebi do meu copo. – Onde está Moonie?

-Ela não te falou? – ele levantou a sobrancelha, intrigado. – Está com Hyung, devem chegar já. – Era verdade, eu sabia, havia esquecido. Hyung, o vocalista da banda de Sook, aquele mesmo o qual Moon era perdidamente apaixonada há alguns anos, demonstrou interesse por ela também, e os dois estavam praticamente namorando há um mês. Ouvir ela falando/escrevendo sobre ele a todo momento já havia se tornado tão rotineiro que chegava a ser chato. Além disso, eu a achava nova demais para tal coisa. Mas estava feliz, era isso que importava. – Hoje à noite temos um show no Garagem. Você vai?

-Hm, não Sookie, acredito que não... – Garagem era um local bem pequeno para shows de bandas desconhecidas. Era, basicamente, uma garagem com espaço apropriado para ter pequenos eventos entre amigos, não cabia mais do que 150 pessoas. Eu nunca tinha ido em nenhum de seus shows, mas já o tinha visto ensaiando lá vez ou outra. O espaço pertencia ao pai do baterista.

-Tsc. – foi tudo o que Sook disse por um momento, e bebeu um gole do cappuccino, permanecendo em silêncio por um tempo. Eu sabia que ele estava chateado, já que não era a primeira vez que eu negava um convite. O ouvi suspirar, abrir e fechar a boca diversas vezes, então esperei que ele falasse alguma coisa. Então, depois de alguns minutos, finalmente disse: - É a nossa última noite, sabe, não é? Eu esperava que, ao menos hoje, você se esforçasse pra convencer o seu pai para isso. – havia uma expressão reprovadora em seu rosto. – Não sei quando a verei novamente.

Antes que eu pudesse responder, nossa conversa foi interrompida por barulhos e flashes de uma câmera de um homem que nos fotografava, sem cerimônia alguma. Eu já tinha passado por esse tipo de situação quando estava com meu pai, mas era a primeira vez que acontecia sem a presença de SajoLord.

-Sil rye ham ni da, com licença, será que pode parar de tirar fotos de Tulipay Kay sem a devida permissão? – Sook se dirigiu ao homem, de maneira educada, embora eu soubesse que estava bem irritado, por causa da sobrancelha que saltava, como um tique. Eu o segurei no braço para que ele permanecesse calmo e sentado.

-Tulipay Kay? Quem é? Sua namorada? – ele perguntou, olhando para mim e tirando mais algumas fotos. Nós dois ficamos surpresos com isso, de tal forma que não respondemos ao homem, que logo falou novamente. – Sook-ssi, com o resultado das Olimpíadas, quais os planos da equipe para 2020? Ainda vão manter Bon Chan como atleta, ou ele vai se aposentar?

-O que? Não, não sei.
– eu comecei a rir ao perceber que o fotógrafo só queria saber de Sook, não de mim. Eu ainda não era reconhecida publicamente sem o meu pai, na época. Claro que, agora, é diferente. Já Sook havia ganhado a medalha de ouro há poucos meses, mas era a primeira vez que estava sendo abordado desta forma.

-Senhor, com licença, senhor. Pode se retirar, por favor? – era a gerente do Starbucks que estava intervindo ao nosso favor. Sem criar grandes confusões, ele se retirou, não sem antes conseguir um autógrafo de Sook. Eu não conseguia parar de rir quando ficamos sozinhos na mesa novamente.

-Por que está rindo? Acha que vai ser diferente com você, é? – ele riu também e me empurrou para o lado, brincando. – Vai ser ainda pior, sabe disso. – Agora falava mais sério, o que me fez parar de rir também. – Pixie. Apareça lá hoje à noite. Por mim. – Seus olhos brilharam na minha direção e eu simplesmente não pude dizer que não pediria ao meu pai. Eu faria esse esforço. Ele merecia.

Moon e Hyung nos encontraram pouco depois, também rindo da situação com o fotógrafo, e lá permanecemos até o final da tarde, quando fomos para casa. Meu pai não gostava que eu ficasse fora depois do pôr-do-sol, e não era bom irritá-lo hoje. Eu precisava ir ao show.

-Ir a um lugar medíocre, sendo que tem que viajar amanhã cedo? Não tenho tempo para esse tipo de brincadeira sua, Tulipay. – respondeu ele quando eu, gaguejando, o perguntei se poderia ir ao Garagem. – Sua tia vem lhe buscar daqui uma hora, e a levará amanhã de manhã para a casa da I.M. Music. Eu e sua mãe temos uma viagem hoje à noite. – foi o final do assunto.

Tal como combinado, minha tia Joo Lee passou em nossa casa para me buscar. Eu já estava vestida e pronta para sair. Não foi necessário me despedir de meus pais com algo além de “até logo”, pois eu sabia que eles estariam comigo no dia seguinte. Triste, entrei no carro de titia, disse um “olá”, e fiquei quieta no restante do trajeto. Ela também não falou nada. Qual foi minha surpresa quando ela parou o carro em um local diferente. Não era sua casa. Era o Garagem.

-Joolie? – perguntei, meu coração saltando pela boca, sem querer acreditar.

-Moon ligou mais cedo. Explicou a situação. Não faça nada inconsequente, está bem? Não deixe que seu pai saiba desse nosso segredo. – Piscou para mim, como uma confidente. Eu a abracei, tão feliz que mal conseguia falar. – Você merece, Pixie... Vá, vá. Não perca mais tempo aqui comigo.

Sem conseguir me conter direito, saltei do carro e corri para onde o show já ocorria (eu podia escutar a música ainda do lado de fora). Estava vestida com um tênis confortável, calça jeans e um moletom da Nike, meus cabelos ainda molhados do banho, sem maquiagem alguma no rosto. Não me importava. Eu estava ali, afinal.

Moon não conseguiu acreditar quando me viu, e se jogou em cima de mim para me cumprimentar. Sook já estava tocando seu baixo em cima do palco, piscou e sorriu para mim quando me viu. Entre o intervalo de duas músicas, ele veio falar comigo na beirada.

-Pixie! Quem bom que conseguiu vir. – sorriu mais uma vez, olhando para os amigos. – Não é nada perto de um Starry Night, mas espero que curta. – sem ter muito mais tempo para conversa, ele voltou à sua posição e logo começaram a próxima música do repertório. Tocavam, em sua maioria, covers de rock coreano e ocidental. Não eram, nem de perto, profissionais, só que ninguém ali parecia ligar para isso. Todos cantavam junto com a banda, criando um clima muito agradável.

-Essa próxima música é uma composição nossa, e é um pouco diferente do que costumamos tocar. É dedicada para uma pessoa especial. – Hyung que falava, olhando para Moon, que juntos as mãos, girando o corpo com entusiasmo. Eu não pude evitar um sorriso.



Hal mal isseo boja hagon // Eu tenho algo para te falar, eu pedi para te ver
Amu mal eopsi maju anja // Mas nós estamos sentados um de frente para o outro
Jigeum meorissogen I mareul haeya hana mana // Não dizendo nada, estou pensando: devo dizer isso?
Wonhaji anhjiman // Mesmo que eu não queira


Assim como anunciado, a música era bem diferente do que a banda tocou no show. Era uma melodia muito bonita, mais lenta, romântica. Eu podia sentir Moon suspirar a cada frase cantada por Hyung, e sorri ao perceber como minha amiga estava feliz e apaixonada. Eu a abracei por um momento e logo soltei. Foi então que percebi que Sook cantava junto com o vocalista, ainda que sua voz não fosse nítida no microfone. E olhava diretamente para mim.

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Haneopsi kkeureoango issdeon neol nwaya hae // Eu tenho te segurado por muito tempo, mas eu preciso te deixar ir
Nan amugeosdo haejul su issneun ge eopsneunde // Não há nada que eu possa fazer por você
Naega eopseoyaman haengbokhal neoraseo // Esta é a única maneira de te fazer feliz
Noha noha noha eonjenga useul su issge // Então eu deixo ir, deixo ir, deixo ir
Nega useul su issge // Então você pode sorrir algum dia

Meu coração parou e meu corpo congelou no local onde estava. Esqueci como respirar. O jeito que ele fazia, a maneira como dublava cada palavra cantada por Hyung, sem desviar os olhos de mim por sequer um instante, nem mesmo para se certificar se estava tocando as notas certas no baixo. Nem parecia piscar. Não desviou o olhar quando nossos olhos se encontraram. Pelo contrário, parecia esperar que isso acontecesse.

Uma estrofe inteira foi cantada até ouvir o som da bateria e, só então, soltei o ar que prendia nos pulmões.

Gwaenhi saenggaknaneun uri // Eu lembro dos nossos tempos bons
Useumyeo jangnanchideon naldeul // Dias que rimos e nos divertimos
Neomudo sojunghan gieokdeuri gadeuk chaolla // Memórias tão preciosas que me preenchem
Wonhaji anhjiman // Embora eu não as queira

Moon mexia para um lado e para o outro, no ritmo da música, as mãos juntas e um sorriso bobo no rosto. Em um dos movimentos, encostou no meu braço de leve, o que fez com que eu cortasse brevemente o contato visual com Sook. Meu coração voltou a bater, mas de uma forma como se eu tivesse passado horas dançando, sem descanso. Era coincidência. Em cima do palco as luzes são muito fortes, ele nem devia saber que era pra mim que estava olhando. Ou sabia?

Haneopsi kkeureoango issdeon neol nwaya hae // Eu tenho te segurado por muito tempo, mas eu preciso te deixar ir
Nan amugeosdo haejul su issneun ge eopsneunde // Não há nada que eu possa fazer por você
Naega eopseoyaman haengbokhal neoraseo // Esta é a única maneira de te fazer feliz
Noha noha noha // Deixo ir, deixo ir, deixo ir

-Não é linda?
– disse Moon a pé do meu ouvido, na metade do refrão. Apoiou a cabeça no meu braço, suspirou mais uma vez, e endireitou a postura. Em um breve momento, pude perceber que Hyung piscava para ela. Sem dúvida estava dedicando a música à sua namorada, embora para mim ainda fosse estranho acreditar que minha amiga estava, de fato, em um relacionamento com alguém que era apenas um amor platônico há alguns anos.

Já eu? Estava ofegante, com a boca entreaberta, olhando para o seu irmão, aquele que até então havia sido o meu melhor amigo, meu sunbae, meu oppa, meu conselheiro... Eu queria, e quero até hoje, do mundo do meu coração, acreditar que Hyung fizera a música para Moon. Que passou horas pensando, escrevendo, dedilhando seu violão para achar as notas certas, encaixar a melodia. Juro. Mas havia um pensamento que não saia da minha cabeça...

Butjapgo issneun geon neol wihan ge // Eu sei que se eu te segurar não vai ser o melhor para você
Anin geol algie eokjiro neoreul mireonae // Então estou me esforçando a te empurrar
Hamkkehan siganeul uri chueogeul // Tempos que passamos juntos, nossas memórias
Noha noha noha eonjenga useul su issge // Eu deixo ir, deixo ir, deixo ir, então você pode sorrir algum dia


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-Essa não é uma música de amor... – falei baixinho, sabendo que ninguém ouviria, embora Sook pudesse ver meus lábios se moverem um pouco. – É de despedida. – Tinha certeza disso e, embora Moon acreditasse que a música fora feita para ela, não havia absolutamente nada em sua letra que lembrasse o relacionamento dos dois. Já eu e Sook...

A noha noha naega neowa bwawassdeon haengbokhan miraeneun // Deixar ir, deixar ir, o futuro brilhante que nós procuramos juntos
I know I know ije waseo baral suneun eopseo happy ending // Eu sei, eu sei, eu não posso esperar um final feliz agora
Bi on dwi ttangi gudeojideusi jamsi apeumeul gyeondyeonaemyeon bandeusi na daesin // Como a terra endurece após a chuva, a dor é apenas temporária
Neol deo usge haejul su issneun sarameul mannal su // Você irá conhecer alguém que pode te fazer mais feliz
Issge doel geonikka // Este é o tipo de amor que você merece
I got to say goodbye right now // Eu tenho que dizer adeus agora

A parte do rap, cantada pelo guitarrista, quebrou um pouco a melancolia da música, trazendo-me de volta à órbita. Minha vontade era sair dali, correr para casa, me esconder debaixo das cobertas e só sair depois de uns 5 anos, quando estivesse recuperada do baque. O que eu fiz de fato? Confusa, fiquei olhando para Sook durante todo o tempo. Ele fez o mesmo. Embora seus lábios se mexessem no ritmo da música, ele nada fez além da segunda voz. Não era vocalista, afinal. Mas eu sabia, de alguma forma sentia, e agora está mais do que claro enquanto relembro. Ele cantava para mim. Com toda a sinceridade que tinha.

Haneopsi kkeureoango issdeon neol nwaya hae // Eu tenho te segurado por muito tempo, mas eu preciso te deixar ir
Nan amugeosdo haejul su issneun ge eopsneunde // Não há nada que eu possa fazer por você
Naega eopseoyaman haengbokhal neoraseo // Esta é a única maneira de te fazer feliz
Noha noha noha // Deixo ir, deixo ir, deixo ir

Butjapgo issneun geon neol wihan ge // Eu sei que se eu te segurar não vai ser o melhor para você
Anin geol algie eokjiro neoreul mireonae // Então estou me esforçando a te empurrar
Hamkkehan siganeul uri chueogeul // Tempos que passamos juntos, nossas memórias
Noha noha noha eonjenga useul su issge // Eu deixo ir, deixo ir, deixo ir, então você pode sorrir algum dia

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Nos instantes finais da música, Sook desviou o olhar para o chão, parecendo muito triste por um instante. Então a melodia parou e o público começou a aplaudir, entusiasmado. Lutando para normalizar a minha respiração, eu logo segui com Moon até o bar. O local do show era pequeno, não haviam muitas pessoas, afinal, era apenas uma banda de “fundo de quintal”. A maioria ali eram amigos e seus acompanhantes, além de uns poucos fãs de Sook, que o conheceram não por causa da banda, mas pela competição olímpica. Sendo assim, logo conseguimos nossas bebidas: Moon um refrigerante, eu apenas água, para seguir a dieta.

Os rapazes terminaram o show com mais covers de rock coreano, japonês e ocidental, então eu consegui organizar meus pensamentos a tempo de encontrar Sook fora do palco. Havia sido apenas coincidência, é claro. Ou ao menos assim eu pensava. Mas, se fosse isso, porque essa música atormenta minha mente até hoje? Por que, depois de ouvir e ver Sook cantando para mim, toda vez que lembro dele meu coração aperta e, logo depois, dispara?

Nós os encontramos ao lado do palco, enquanto eles guardavam todos os instrumentos. Moon pulou no pescoço de Hyung, beijando-o e falando coisas românticas pessoais demais para me interessar. Eu permaneci de lado, esperando pacientemente que Sook terminasse de dar autógrafos. Ele era o mais famoso dali, até mesmo mais do que eu no momento. Só que não era por causa de seus dons artísticos.

Dei um passo na direção dele, que logo veio ao meu encontro. Nos primeiros segundos, nenhum de nós sabia o que falar. Ao menos tinha certeza que eu não. Minha boca abriu e fechou três vezes, trêmula. Então ele sorriu e minhas incerteza evaporaram. Era apenas o meu melhor amigo, afinal. Eu estava imaginando coisas. O clima pesado ao meu redor desapareceu no mesmo instante, e eu sorri de volta.

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-Pixie, pixie... – disse ele, colocando os cabelos para trás e dando tapinhas na minha cabeça. – Gostou do show?

-Claro que sim! Sinto muito por não ter vindo antes...
– me encolhendo um pouco por causa do gesto de carinho incomum. Ao nosso lado, Moon deu uma risada bem alta, enquanto era erguida nos braços de Hyung, chamando a nossa atenção por uns instantes. Eles pareciam felizes, de verdade. - Aquela música... – comecei. “Você escreveu ela pra mim?”, era o que eu queria dizer, mas nunca tive coragem de pronunciar tal coisa em voz alta. É claro que deveria ser coisa da minha cabeça. Era de despedida, sim, mas não deixava de ser romântica. Não havia sentido nenhum ser para mim. Havia? – Não foi Hyung quem fez, não é? – sem desviar os olhos do casal, Sook balançou a cabeça em sinal negativo, o que confirmava minha suspeita. O vocalista tinha seu talento como músico, contudo, nunca soube que ele também compunha.

-A letra não. Mas ele fez a melodia, então tem seu crédito.
– ele olhou para mim, com a sobrancelha franzida. – Não conte para Moonie, ta bem?

-Seu segredo morre comigo. – sorri para ele, e o assunto sobre a música não se estendeu. Nunca mais falamos sobre isso. Não ficamos muito tempo mais no local, já que eu precisava viajar muito cedo da manhã. Já estaria me acostumando com as noites mal dormidas, afinal. Pouco depois, Moon despediu-se de Hyung e, junto com Sook, me levaram até a casa da minha tia.

Sook estacionou o carro na frente da casa e ficamos parados por alguns segundos. Exceto Moon, é claro, pois seus dedos digitavam tão rápido no celular e ela parecia tão concentrada que nem percebeu que o carro parou. Seu irmão virou os olhos e abriu a porta do lado do motorista. Fiz o mesmo, saltando do banco traseiro. Juntos, percorremos o caminho de pedras que levava até a porta de entrada, da qual eu tinha a chave.

-Então...
– disse ele, quebrando o silêncio enquanto andávamos calmamente sobre as pedrinhas. – Viaja pela manhã?

-Sim, minhas coisas já estão na casa do BubbleGum, estou apenas com a última mala de roupas... Minha tia me levará até lá. – eu estava nervosa. Nosso debut seria dali há alguns meses e, mesmo já tendo feito amizade com as meninas, saber que a mudança agora era mesmo oficial fazia minha ansiedade disparar. Sook fez um biquinho com os lábios e apenas fez um sinal positivo com a cabeça, olhando para o chão, com as mãos nos bolsos.

-Pixie, pixie... Tem certeza de que é o que você quer? – perguntou, no mesmo instante que paramos perto da porta. Eu voltei meu corpo na sua direção, mas olhando para baixo. Tinha medo de que, se eu visse seus olhos novamente, todas aquelas sensações confusas voltariam à tona.

-Tenho sido preparada para isso a vida toda. Eu não saberia fazer outra coisa senão ser uma idol... – Sook suspirou, e eu senti que ele me olhava com aquela expressão reprovadora, como fazia toda vez que sabia que eu estava sendo obrigada a algo pelo meu pai. Por isso, continuei encarando o chão. Então senti sua mão em meu queixo, me obrigando a subir a cabeça. A olhar para ele. No fundo dos olhos.

-Não foi isso que eu perguntei. – disse ele, tão próximo que eu sentia o ar saindo de sua boca. Para isso, ele precisou ficar bastante curvado, então não era um movimento involuntário. Seus olhos brilhavam de encontro aos meus, e eu senti meu coração parou de novo. Havia esquecido como respirar, mais uma vez. – É isso o que você quer?

Eu nunca tive certeza o que exatamente ele quis saber fazendo aquela pergunta. O que eu queria? A carreira de idol? Seguir os passos guiados de meu pai? Me mudar para a casa do BubbleGum? Queria... Ele?

-Eu... – comecei, mas parei, esquecendo também de como falar. Seu rosto cada vez mais próximo, o perfume que usava invadia minhas narinas, me deixando entorpecida. Ele fechou os olhos e senti que devia fazer o mesmo. Sua mão ainda segurava gentilmente meu queixo. O hálito do chiclete de menta tão perto...

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Então a porta do carro bateu, e uma Moon entusiasmada e saltitante veio ao nosso encontro, dando pulinhos de felicidade. Não percebeu o que estava acontecendo, ou ao menos não parecia. Estava eufórica demais para isso. Ela correu e quase pulou em cima de mim que, mesmo mais velha, ainda era mais baixa do que ela. O sorriso não saía do seu rosto. Sook foi obrigado a dar um passo para trás, colocou as mãos nos bolsos, mas não tirou seus olhos dos meus.

-Aiiinn, não acredito que essa é a nossa despedida, unnie!!! – ela me abraçava muito forte, e eu fui obrigada a olhar para ela quando me soltou. Sorri da melhor maneira que pude. – Nossa Pixie agora vai ser Tulipay Kay, Soooookieeee! – ela balançou o braço do irmão, que deu um riso meio constrangido.

-Ainda continuarei sendo a Pixie... – protestei, cruzando os braços. Moon abriu um largo sorriso e me abraçou mais uma vez, dando beijinhos no meu rosto. Então se afastou um pouco e Sook deu um passo à frente. Um segundo de constrangimento, na minha cabeça pareceu quase uma hora. Por fim, ele me puxou para um abraço, quase me sufocando em seu peito.

-Tulipay Kay será um grande sucesso. – Passou a mão entre os meus cabelos e beijou o topo da minha cabeça, como era seu costume. Suspirei, fechando os olhos e sentindo seu perfume. – Adeus, Pixie.

Desde aquela noite eu e Sook não nos falamos mais. Parte disso é minha culpa, não tenho coragem de mandar mensagem, muito menos ligar. A agenda cheia de ambos também não colabora em nada, embora meu contato com Moon continue constante. Quando contei para a minha tia, ela riu, dizendo que eu descobria o que era estar apaixonada e que, ao contrário do que meu pai falava, esse tipo de coisa não se escolhia, simplesmente acontecia.

Eu não posso estar apaixonada por Sookie. Não posso. Tenho que deixa-lo ir...


Nang Eun Kyung
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Muni yollineyo, gudega durojyo

Escrevendo um pouco das minhas memórias com Sook, consegui entender do que estava acontecendo conosco. Escreverei agora de SeongYoon, mas para que minhas lembranças com ele não se percam...

Eu estava um pouco perdida naquele encontro. Ok, confesso, eu estava MUITO perdida. Algumas das meninas já estavam morando juntas, e eu havia sido a última a entrar para o grupo, há menos de 1 mês. Os Golden Boys estavam em viagem aos EUA, e por isso só ali eu os conheceria oficialmente. Todas as outras já haviam se encontrado ao menos uma vez com os oppas, então a interação entre eles já era algo natural, mesmo com aquelas mais tímidos, como Jun Sun. Este eu conhecia por causa do meu pai, mas ainda assim não me sentia a vontade para puxar qualquer assunto.

Passei um bom tempo calada, ainda que rindo de algumas coisas engraçadas que aconteciam: como Ji Hoon dançando qualquer coisa ocidental que estava na moda, com Yebin ao seu lado para aprendeu o passo. Ainda assim, só falava poucas palavras quando alguém puxava assunto. Devo admitir que GoEun esforçou-se como líder para me enturmar com todos. Mas eu era muito tímida, ainda mais do que sou hoje.

Os dois grupos passaram praticamente o dia inteiro juntos, entre interações e ensaios. Eu falava o mínimo possível e, se possível, ficava mais perto de Cho Ah, a qual era a unnie que eu mais tive proximidade no início, e GoEun, pelo simples fato de ela ser a líder. Os oppas eram divertidos e nem um pouco invasivos, então me deixaram à vontade. E nós tivemos uma agenda bem intensa, de forma que eu interpretei o meu papel como Tulipay Kay, e nada muito além disso.

No fim da tarde, nós nos reunimos em uma espécie de sala de estar na I.M. Music. Eu estava um pouco afastada, olhando um grande piano de cauda que ficava no canto da sala, enquanto comia uma maçã. Os outros estavam reunidos ao redor de uma mesa, pois era hora do lanche da tarde, algo raro para os idols. Sem que eu percebesse de antemão, SeongYoong havia se aproximado, sozinho.

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-Tulipay Kay.
– disse ele, sua súbita aproximação me sobressaltando. Deixei cair a maçã, ou melhor dizendo, o resto dela. Com um sorriso, ele apanhou a fruta e a girou nos dedos. – Acho que não vai querer isso. – Na outra mão, ele tinha uma maçã que havia trazido consigo e me alcançando. Era vermelha e parecia suculenta. Ele sabia escolher bem. – Pegue, trouxe pra você.

-Komawo, SeongYoon-ssi. – Agradeci, pegando a fruta, entretanto sem mordê-la. Comer na frente de estranhos nunca foi confortável. Eu não sabia o que falar, então fiquei quieta, observando-o.

-Aish, não precisa ser tão formal, está bem? - deu um meio sorriso e continuou a olhar para mim. Havia alguma coisa na expressão dele que me fez não desviar o olhar, como seria de costume. - Prefere que te chame de Tulipay Kay ou Eun Kyung?

-Eun Kyung está bom...

-Kure... GoEun disse que você sabe tocar.
– ele sentou no banco à frente do instrumento e bateu ao lado, para que me juntasse a ele.  Eu olhei na direção das unnies, Cho Ah nos observava. Ela deu um sorriso, me incentivando a sentar. Um pouco incerta, eu o fiz. – Conhece Can I Love You? – assenti com a cabeça, confirmando. Era uma bonita e clássica canção, uma das primeiras que aprendi a tocar nas aulas. – Pode tocar para que eu cante? - ele percebeu que eu mordia o meu lábio inferior, apreensiva, então completou: - Tudo bem, eu não vou ficar chateado se não quiser.

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-Ani, eu toco sim.

Eu não me sentia a vontade de falar, mas a música sempre foi algo natural para mim. Era através do canto que eu conseguia me expressar, e somente através da música que eu incorporava a personagem que meu pai havia criado, já que não era tão fácil no início. De todo modo, não parecia tão ruim tocar a canção, afinal, não era eu que ia cantar, e ninguém além de Cho Ah parecia prestar atenção em nós. Com as mãos trêmulas, comecei a dedilhar nas teclas, lenta conforme era o ritmo da música.


(piano)


(canção)

Muni yollineyo, gudega durojyo // A porta está se abrindo e você entra
Chonune nan ne saramingor arajyo // Eu sabia à primeira vista que era você
Ne aphe dagawa goge sugimyo bichin orgur jongmar // Você caminhou até mim e mostrou seu rosto
Nuni bushige arumdabjyo // É realmente uma beleza deslumbrante

A voz dele era agradável e afinada, ainda que não fosse o vocalista principal do grupo. No início da música, ele fechou os olhos, para se concentrar. Contudo, conforme a estrofe foi chegando à metade, ele abriu os olhos e me encarou, sorrindo de uma maneira tão gentil que foi impossível não retribuir. A medida que a música ia avançando, lentamente eu ia me conectando à ela, e desconectando do local onde eu estava. Era como eu sabia que estava deixando de ser Eun Kyung para me tornar Tulipay Kay.

Ao final da estrofe, ele fez um sinal com a cabeça, que eu entendi ser uma indicação para que eu continuasse a cantar a letra. Como eu disse, a música já era parte de mim, mesmo ainda sendo uma trainee, e eu me sentia mais à vontade cantando do que conversando. Foi natural assumir a segunda estrofe.

Wenir inji nassorjiga anhayo // Eu não sei porque, mas não é estranho
Sollego ijyo // Meu coração ainda está vibrando
Ne mamur modu gajyogan gude // Você tomou todo meu coração

Cantei de olhos fechados, conseguia me concentrar melhor na melodia desta maneira, e esquecer tudo ao redor. Aos poucos a presença dele e a aproximação por causa do banco que sentávamos era menos incômoda, até tornar-se bem-vinda.  Quando abri meus olhos ao final da estrofe, ele sorriu para mim. Um sorriso gentil e amigável, me encorajando a continuar.

Joshimsurobge yegihalleyo // Eu quero te dizer com cuidado
Yongine bolleyo // eu vou dizer corajosa e bravamente
Na onurbutho guderur saranghedo doerkayo // Posso te amar a partir de agora?
Choum ingoryo bunmyonghan nukim // Esse sentimento óbvio é a minha primeira vez
Nohchigo shiphji anhjyo // eu não quero perder esse sentimento
Sarangi oryona bwayo // O amor chegou
Gudege nur johun goman jurkayo // Eu farei o meu melhor por você

Cantamos juntos o refrão, oscilando entre momentos em que eu cantava sozinha outra vez. Fluía de maneira natural e aos poucos eu me sentia mais à vontade ali. Contudo, parei de tocar o piano quando ouvi os aplausos atrás de nós. Todos da sala haviam parado o que estavam fazendo para nos observar cantando. Não pude evitar que minhas bochechas corassem, mas ao invés de me encolher e voltar para a minha bolha, eu sorri.

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-Você tem uma voz maravilhosa, Eun Kyung. Que bom saber que poderei ouví-la cantar mais vezes
. – ele abriu o mais doce sorriso que eu já tinha visto entre os idols, e eu soube que era verdadeiro. Que a atitude dele não era só uma maneira de conquistar, de cativar. SeongYoon era mesmo assim, gentil, amável e atencioso com todos, sem distinção. A fama nunca o corrompeu, pelo contrário, ele utilizava a seu favor, para ajudar e promover tudo o que acreditava: no melhor para as pessoas.

E esse foi o momento que eu lembro de começar meu relacionamento com o BubbleGum e os Golden Boys, de verdade, por inteiro.

Até hoje eu não sei se oppa sabia como ter acesso a mim e quebrar aquela barreira de timidez através de uma das coisas que eu mais amava no mundo: a música. Talvez tenha sido apenas instinto, por sentir o mesmo. Seja como for, ele foi quem me impulsionou a deixar de lado o medo que eu tinha que tanto as unnies como os oppas fossem me julgar por causa do meu pai. Sim, esse sempre foi o cerne da minha timidez no meio dos idols, pois todos viam primeiro a princesinha filha do grandioso SajoLord. Nunca viam Tulipay Kay, muito menos Eun Kyung. De uma forma muito empática, SeongYoon mostrou-me que eles viam através desta máscara.

Nossa aproximação que, diferente do que foi com Sook, nunca passou de uma relação de amigos/irmãos, foi se solidificando conforme a nossa convivência, que eu julgo ter sido curta demais. Por vezes, saímos mascarados para ajudar em eventos de caridade, que na maior parte era ele mesmo quem bancava. Nunca fez pela fama ou pelo reconhecimento. Apenas porque amava ajudar os outros.

Agora ele está em coma no hospital, sem previsão para acordar, embora seu estado já seja estável. Eu não posso visita-lo porque continua na UTI, em observação, apenas a família pode ir até lá, e é através de meu pai que tenho notícias dele e dos outros.

Eu espero que você melhore logo, oppa. Estou ao seu lado enquanto isto não acontece.

Assim como estarei em sua recuperação. Sei que ela acontecerá. Eu espero...
Nang Eun Kyung
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GWAENHI SAENGGAKNANEUN URI

Ver o mar pela primeira vez foi uma experiência simples e, ao mesmo tempo, surreal. Simples porque quase todo mundo já viu o oceano alguma vez - ele habita mais da metade do nosso planeta, no fim das contas. Só que… Tem algo de mágico naquele lugar, tenho certeza disso, é toda vez que relembro é como se este pensamento se confirmasse.

Chegamos a Busan no início da tarde, com muita fome já que nosso almoço tinha sido interrompido por causa do impulso de minha tia de me levar até lá. Eu insisti em irmos comer algo antes, mas ela negou veementemente. "É mais importante você realizar seu desejo" dizia, mesmo que tivesse me alcançado uma barra de cereal que tinha na bolsa.

Eu fiquei bastante perdida quando vi aquela imensidão de água na minha frente. Nós estávamos em uma bahia, então eu conseguia ver um pouco da paisagem urbana, mas fiquei completamente deslumbrada ao avistar o horizonte sem fronteiras, que ia tão distante até minha vista alcançar. A areia era fofa e afundava minha sapatilha, de modo que não era exatamente confortável caminhar.

-Tire os sapatos, Pixie. - ouvi a voz da minha ao meu lado. Aceitei sua sugestão e ela fez o mesmo, com um sorriso quase infantil no rosto. Não pude deixar de sorrir também.

Outono costuma fazer bastante frio aqui, ainda mais que estávamos na beira da praia. Senti a areia gelada entre meus dedos. Estremeci. Era estranho e bom ao mesmo tempo. Então comecei a andar até chegar na água. Estava tão fria que meu primeiro impulso foi recuar. Não o fiz. A medida que as ondas batiam em meus pés fui me acostumando com a temperatura.

Fechei os olhos. Respirei fundo., o cheiro da maresia invadindo minhas narinas. O som das ondas quebrando em meus ouvidos. A água batendo em meus pés, afundando-os aos poucos na areia. O vento litoral em meu rosto. Por um momento me senti… Vazia. Não era uma sensação ruim. Pelo contrário.

Não sei dizer quanto tempo fiquei assim, abraçada a mim mesma, aproveitando cada instante daquele momento. Minha tia permaneceu em silêncio, como se entendesse o que eu sentia. Era eu e o mar, o mar e eu. A sós. Não me senti sozinha.

Quando abri os olhos precisei me acostumar com a claridade. Apesar do frio do outono, o céu estava claro e sem nuvens, tão azul que se confundia com o mar no horizonte. Levantei meu braço, como se pudesse alcançá-lo. Era uma tentativa tola, como todas as minhas ações nos últimos dias para tentar melhorar. Por mais que me esticasse ao máximo, não chegava nem perto do objetivo final.

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Titia estava me observando e sorriu quando trocamos olhares. Retribui o gesto, ainda que meu olhar permanecesse triste. Ela fez um sinal com a cabeça e começamos a caminhar lado a lado, as ondas batendo fracas em nossos pés.

-Há quem diga que o mar cura feridas. Eu sempre gostei de vir aqui quando mais nova, quando tudo parecia incerto e o futuro assustador. Olhar essa imensidão faz perceber como nossos problemas são pequenos, e como nos fazem crescer mesmo assim. Eu não seria quem sou hoje se não tivesse metade das experiências dolorosas em meu passado.


Eu permaneci em silêncio, absorvendo suas palavras. Porque eu precisava perder Sook para crescer? Porque os oppas precisavam morrer? Na conversa com Tori eu tinha dito que usaria daquela tragédia para aproveitar melhor a minha vida. Discutindo com Sook e chorando o tempo todo? Isso não era exatamente o que eu queria.

-Sei que é difícil compreender isso agora, querida, tudo ainda está muito recente. - Às vezes me questiono se ela é telepata. - Um dia vai olhar para trás e perceber tudo com clareza. O tempo é um bom curandeiro, se tiver paciência.

Respirei fundo. Tempo? Foi o tempo que destruiu a minha relação com Sook, de que forma poderia ajudar agora? Respirei fundo outra vez. A raiva que senti no primeiro dia após o acidente ainda está bem acesa, se confunde muitas vezes com a profunda tristeza. Tem momentos que eu não sinto absolutamente nada. É estranho demais, não consigo definir como estou, quais as minhas emoções.

Caminhamos por um bom tempo, conversando sobre outras coisas. Fazia muito tempo que não via Joo Lee, então os assuntos se acumulavam. Tentei ao máximo não voltas às pautas que me deixavam triste. Foi uma sensação muito boa, trouxe um pouco de felicidade nostálgica contra sobre meu dia-a-dia com o idol, com as unnies.

Quando paramos para almoçar, foi que percebi que estava com muita fome. Devorei o churrasco como se nunca tivesse comido na vida. Voltamos para a praia, sentando na areia para conversar e passar o tempo. Quando o fim da tarde chegou, eu desejei voltar no tempo e aproveitar tudo de novo. Mas era preciso partir. Bem mais aliviada, eu me levantei, batendo a areia das roupas.

-Fique exatamente assim como está. - disse minha tia, mexendo na bolsa. O vento balançou meu cabelo, mesmo preso no coque, então eu tentei segurar um pouco com as mãos. Quando olhei para cima, ela estava com a câmera do celular apontada em minha direção. Não pude deixar de sorrir. - Eu precisava registrar esse momento.

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Saímos de lá logo depois do sol se pôr no horizonte. Eu estava me sentindo muito melhor, mais… Viva, de alguma forma.

Espero que consiga ver o oceano mais vezes. Para esvaziar minha mente. Será preciso.
Nang Eun Kyung
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GWAENHI SAENGGAKNANEUN URI

Uma maçã madura e fresca. Um frappuccino gelado de chocolate em uma tarde quente de verão. Amigos ao redor da mesa do Starbucks. A flecha atingindo o centro do alvo. Um abraço de conforto depois de um dia difícil. Risadas dos grupos Bubblegum e Golden Boys ao compartilharem o café da manhã. O dedilhar no piano. Cantar. Conselhos da tia Joo Lee. O carinho autêntico dos fãs. Fofocas com Moon. O beijo de Sook.

Acrescento agora a visão e o cheiro do mar nesta lista de coisas boas da minha curta vida. Precisarei lembrar delas daqui pra frente. Ou não suportarei o presente de forma sã.

Aos poucos eu percebo que minhas emoções estão embotadas, como se minha mente não conseguisse permitir sentir nada. Nada... Bom ou ruim. Nem mesmo culpa, algo que vinha apertando meu peito e sufocando minha mente.

Tenho morrido aos poucos desde que Sook voltou para a minha vida. Desde que magoei Yunho. Ou da última reunião na IM Music. Desde que tive que tomar uma decisão que me afastaria de todos ou prejudicaria aqueles que mais amo.

A cada dia que passa, a cada minuto no relógio, penso no que minha tia me disse, que eu deveria me amar para poder amar os outros de um jeito bom, não doentio. Só que como posso fazer isso se passei a desprezar a mim mesma e as minhas atitudes? Se, ao fazer tudo como meu pai quer, eu trilharei apenas um caminho solitário, eu terei outra opção? Como conseguirei...?

Eu não quero nunca mais sofrer ou machucar alguém em minha vida.

Preciso ser forte. Preciso ser Tulipay Kay.
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Barame jeonhaejuo

Já há alguns dias eu tinha aula de expressão e atuação com uma das produtoras da Starfish. Meu pai sempre teve o sonho de me ver atuando em algum dorama, mas fora algumas pontas há alguns anos, eu nunca sequer cheguei a fazer testes. Ainda assim, ele investiu pesado na minha mudança de postura frente às interpretações nas músicas e, quem sabe, com isso arrumar destaque e um convite para alguma série televisiva... Não aprendia a cantar ou dançar melhor, mas a expressar o que a música deveria transmitir, fosse felicidade, romantismo, sensualidade, fofura ou… Tristeza.

A música de hoje era exatamente com esse tema, e lá estava a produtora me aguardando com um grande sorriso perto do piano. Era estranho perceber como o meu foco excessivo na carreira agradava a todos, fossem SajoLord ou funcionários da nova empresa. Embora eu pouco falasse com eles, apenas tratando-os com a cordialidade e profissionalismo que deveria, eles passaram a amar trabalhar comigo. Ou então fingiam muito bem.

-Esta música pertence à OST de um dorama épico. É uma música tocada em momentos muito tristes, então hoje trabalharemos com esse objetivo: você deverá transmitir essa tristeza através de sua voz e seu rosto. - Eu concordei com a cabeça e lancei um olhar à partitura em frente ao piano. Já era tão natural que a melodia foi surgindo em minha cabeça conforme lia, mas precisava treinar o dedilhar do piano e o cantar da melodia antes de fazer a performance que a produtora me pedia.

Ela me deu o tempo que eu precisava para praticar, corrigindo pequenos detalhes na maneira de tocar ou cantar. Não era uma canção difícil, embora eu estivesse muito preocupada em relação à demonstração do sentimento. Tristeza não era exatamente algo que eu desejava ativar no momento. Nem mesmo agora, prefiro trancafiá-la no fundo do meu coração. Só que não é tão simples negar um treinamento, eu podia até mesmo imaginar a insatisfação do meu pai se eu desagradasse aquela mulher, ou qualquer outra pessoa da Starfish.

Uma vez que aprendi a canção, era hora de praticar o objetivo final daquele dia: a expressão da tristeza. Eu ajeitei-me no piano e mordi minha bochecha direita, temerosa do resultado que aquilo poderia ter. A produtora pareceu ter percebido, então falou antes que eu iniciasse.

-É sobre uma história de amor que termina de forma trágica. Mas pode ser qualquer coisa para você, desde que o público sinta. Pense em momentos tristes de sua vida, deixe o sentimento fluir enquanto toca e canta. Faça o seu melhor, confia em você Tulip. - Concordei com a cabeça, mais uma vez, baixando-a para as teclas do piano. A produtora colocou no som o restante dos instrumentos gravados, para que eu acompanhasse com voz e piano. Respirei fundo.

Precisava dar o melhor de mim.


(piano)

Não era preciso pensar em algo muito melancólico para sentir a intensidade da música. Ainda assim, eu queria mesmo dar o máximo para aquele treinamento, afinal, eu estava me entregando completamente à minha carreira, então devia aproveitar cada oportunidade para impressionar os produtores e entregar o que eles desejassem. Assim eu conseguiria o sucesso. Ou é o que meu pai diz.

Só que não era nisso que eu pensava no momento. Uma trilha sonora de um trágico romance, disse a mulher. Embora o primeiro pensamento que viesse era Sook e nossa história infeliz, tampouco era nele que concentrava meus pensamentos. Pensei na separação do grupo, na discussão com Yebin, a forma com que tudo acabou. Como um flash, os oppas do Golden Boys vieram à minha cabeça, a visita ao hospital e a matéria da revista tinham reativado todo o meu luto, embora eu lutasse com frequência para deixar de lado...

Era para eles que eu cantaria essa canção.



Gyejeore heutnallyeo tteoreojin kkoccipeun // Uma pétala esta flutuando até o chão por causa da atual estação
Hollo nama oerowo seulpeudorok // Esta pétala vai estar sozinha, solitária e triste

Eu nunca soube o que aconteceu naquele dia, e só tive algum conhecimento através da leitura da matéria. Eles haviam recém chegado de uma turnê na Europa, estavam cansados da viagem e dos shows. A imagem deles levantando das poltronas do avião, meio sonolentos pelas longas horas de vôo veio à minha mente, como se eu estivesse com eles. Saíram com tranquilidade, até chegar na área do desembarque. As cenas pareciam passar em câmera lenta.

Byeoldeuri tteonagan haneureun seogeulpeo // O céu, onde ainda sobraram algumas estrelas, está triste
Naerineun bismulcheoreom ulgoman issne // Então chorará como a chuva que cai

Deve ter sido orientação de Jonghyun, o líder do grupo, para que eles interagissem com os fãs enlouquecidos e recebessem seu carinho. Os flashs das máquinas fotográficas não param, incansáveis, determinados a conseguir os melhores ângulos dos oppas. Ji Hoon sorria, era o mais famoso e aclamado, mas os outros não ficavam atrás. Os seguranças permitiam que eles se aproximassem do público para dar autógrafos e receber presentes.

Kkoccdeureun pigo tto jideut bonaeneun maeum // Como a flor que desabrocha e cai
Barame jeonhaejuo // Por favor, entregue meus sentimentos através do vento

Como qualquer outro dia comum em sua vida, eles entraram nos carros destinados a eles, sem saber que algo estava errado, que aquela seria a última vez que o grupo estaria todo junto… Sorrisos foram trocados, mas nenhuma palavra de adeus foi dita, nem ao menos um até logo. Como saberiam que não seria mais um dia normal, como tantos outros? Como imaginariam que a vida de metade deles acabaria naquele mesmo dia? Inocentes, eles conversavam alegremente nos carros, ignorando todo o cansaço. Já estavam prontos para mais uma turnê.

Cheosnuni naerimyeon irwojineun sowon // O desejo irá se torna realidade quando a primeira neve chegar
Geu mareul nan mideoyo ganjeolhan sowon // Eu acredito nessa história, meu querido desejo

Em algum momento eles devem ter percebido que algo estava errado. Talvez quando os carros aceleraram além do comum, talvez quando Junsun-oppa foi defenestrado pela janela. Como se eu fosse uma deles, eu via os carros se aproximarem. Cada vez mais veloz, cada vez mais perto, cada vez mais perigoso. Até que chocaram um com o outro. Machucados, os oppas saíam dos veículos, pouco depois aconteceria a explosão que levaria definitivamente a vida de Jihoon embora...

Aedalpeun naui maeumeul geudae andamyeon // Se você conhece todos os meus pensamentos angustiantes
Dasi kkok doraori // Você estará de volta novamente

Por último, uma imagem panorâmica dos dois funerais que aconteceram nos dias seguintes. Tristeza, pesar, luto. Tantas pessoas reunidas por motivos tão… Ruins. O choro sincero de famílias, amigos, amantes, colegas e fãs. E, em um silêncio absoluto de profundo respeito ao grupo mais famoso do kpop atual…

O último adeus...

Eu ainda cantava de olhos fechados, a última palavra se alongando um pouco mais, por isso precisava cuidar para não perder o timbre e desafinar. Só que não precisei, a melodia já saía de maneira natural. Meus olhos, lacrimejados, teimaram a permanecer serrados após o término. E me sentia sozinha na sala, por isso baixei a cabeça e soltei um soluço, as lágrimas rolando pelo rosto e caindo no meu colo..

A produtora, que prendia a sua respiração, começou a aplaudir alguns segundos depois. Estava tão emocionada quanto eu, e precisou limpar as lágrimas e controlar o prato. Eu sequer as minhas com a ponta das mangas, e sorri para ela, embora a tristeza da música e das lembranças não tivessem me deixado por completo. Precisei lutar para afastá-las.

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-Perfeito, Tulip! É exatamente dessa maneira que você deve passar os sentimentos para o seu público. Não se trata apenas de ter uma voz bonita, saber dançar e tocar piano. Você precisa fazer diferente para de destacar. E devo dizer que a senhorita está se saindo muito bem!

Eu sorri e murmurei um "obrigada". Meu pai diria que eu não tinha feito mais do que o esperado pelo meu trabalho, então eu não interiorizava muito os elogios recebidos. Apenas os utilizava para saber que estava no caminho correto. Não ensaiados depois disso, ela disse que não precisava e, além disso, eu tu há outros compromissos. Então, com uma despedida simples, a produtora saiu da sala, me deixando sozinha por uns instante.

Eu estava aguardando que Joo Hwan viesse até o meu encontro para me acompanhar até o carro, por isso o esperava na mesma sala que usaria para treinos. Sentada no banco em frente ao piano, eu dedilhava uma música ocidental, tocando cada tecla lentamente, dando um aspecto mais triste à melodia.


(até 1:30)

O sr. Park ficou em silêncio me ouvindo dedilhar as teclas do piano. Eu sabia que deveríamos ir logo, mas queria ficar um pouco mais ali, engolir aquela tristeza que tinha sido trazido à tona. Precisava só de um minutinho, e ele pareceu entender isso e respeitou, quieto perto da porta. Já tinha passado pouco mais de um mês desde que ele começou a ser o meu segurança, mas ainda acho que ele me compreende melhor que muita gente…

A música que dedilhava ela conhecia bem: era uma das ocidentais de rock preferidas de Sook, sua banda tocava em todos os ensaios e shows. Mas, por incrível que pareça, eu não pensava nele enquanto tocava (o que vem acontecendo com cada vez mais frequência, como se minha mente quisesse se livrar da existência do meu antigo melhor amigo). Na verdade, eu não pensava em nada. Só ficava dedilhando a música, de maneira lenta e melancólica.

Joo Hwan Lucarelli de leve e eu parei de tocar no mesmo instante. Devia estar atrasada para o meu próximo compromisso, ou então ele teria me deixado ali todo o tempo do mundo.

-Precisamos ir, srta. Nang. - Disse com a voz rouca e baixa. Eu concordei com a cabeça e me virei no banco, levantando em seguida. Caminhando pelo corredor, ele voltou a falar, com cuidado nas palavras. - Devo avisar, a imprensa descobriu mais uma vez o seu local de ensaio e está fazendo vigília do lado de fora. Parecem sedentos por qualquer informação sobre sua carreira.

-Tudo bem, não tem problema. Eu já acostumei. - Respondi, com a voz totalmente sem vida. Os meus momentos de apatia eram cada vez mais longos, e menos visíveis. Em meu íntimo, eu comecei a utilizar aquelas aulas de expressão e atuação para o meu dia-a-dia. E dava tendo um resultado muito bom, ou ao menos parecia pelas notícias que saíam na mídia a meu respeito.

Parei pouco antes da porta de saída, para respirar e vestir  minha "máscara". Não era um objeto de verdade, eu apenas interpretava a personagem que todos queriam ver: a doce e fofa Tulip. Meu olhos estavam no chão, tão logo os levantei já tinha um belo e convincente sorriso no meu rosto. Era como se estivesse amando todo aquele assédio. Os jornalistas, fotógrafos e fãs adoravam, então eu continuava fazendo isto dia após dia.

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-Tulip, é verdade que a senhorita já assinou com outra empresa? - Perguntava um. - O BubbleGum vai dar disband? - Indagava outro. - Há alguma notícia dos sobreviventes dos Golden Boys? - Queria saber um terceiro. - O que será se sua carreira daqui para frente? - Questionava o último.

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-Vocês saberão tudo a seu tempo. Desculpe, mas não posso falar mais. - Eu cheguei a parar para responder, e sorri para eles de uma maneira bastante simpática. Havia alguns fãs aguardando, então dei alguns autógrafos e logo Joo Hwan surgiu para me conduzir até o carro. Como um segurança protetor com uma inocente idol, que só queria dar atenção ao fandom. Mas o gesto dele era combinado previamente, pois não podia passar a imagem que tinha pressa ao conversar com as pessoas. Eu devia ser gentil, amável, acessível. Ele quem era a pessoa séria da dupla.

Assim que entrei no carro o meu sorriso morreu,  como se nunca tivesse existido. Havia um boné e uma máscara à minha disposição no banco traseiro, que eu quase nunca usava, exceto quando queria me esconder.

-Está tudo bem, senhorita Nang? - ele perguntou, com cuidado. Raramente fazia esse tipo de questionamento, o que queria dizer que ele estava verdadeiramente preocupado comigo.

-Vai melhorar. - Respondi, com a voz baixa e rouca, ajeitando o boné em minha cabeça até tapar os olhos. - Pode ligar o rádio, por favor? - Aumente o volume até que eu não escute meus próprios pensamentos, pena ir em completar. Mas tudo o que fiz foi ajeitar a máscara sobre a boca, até que só o meu nariz estivesse visível.

Nang Eun Kyung
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Changes

Não foi ideia minha a mudança de visual. Na verdade, como quase tudo em minha vida, havia sido sugestão de papai, em conjunto com os produtores do comeback. Eu estava contente com a minha aparência de modo geral, mas sequer questionei a decisão. Loiro platinado vai te cair bem, disseram. Para mostrar que será uma nova era para Tulip, afirmaram.

O procedimento foi feito com maquiadores e cabeleireiros contratados pela Starfish, em um local discreto, pois os fãs só poderiam saber da mudança após o lançamento da minha próxima música. Até lá, eu usaria perucas nas ruas. Apenas o pessoal da Starfish saberia da mudança.

Enquanto o produto fazia seu efeito, eu só pensava em Yunho dizendo que eu ficava bonita loira, mas mais bonita ainda morena. Por que, depois de tanto tempo, ele continua invadindo meus pensamentos, mesmo com todo o esforço que faço para esquecer ele e aquela festa maldita?

Ele não me ligou ou mandou mensagem, mas não o culpo oi sequer estou chateada. Estendo completamente seus motivos. Não mereço uma nova chance, desperdicei a única que tive.

Cerrando os olhos com força, afasto-o dos meus pensamentos. Talvez eu tenha passado a imagem de que o produto estava incomodando, pois a cabeleireira se apressou para ver se estava tudo bem. Não estava,mas ela não precisava saber.

Foram horas e horas até chegar no tom desejado. E, depois disso, mais incontáveis horas testando o melhor tipo de maquiagem para meu rosto, agora que eu estava loira. Chegaram à conclusão que branco, rosa e vermelho eram cores que realçavam minha beleza, além do delineado preto nos olhos.

Eu só me olhei no espelho quando tudo estava pronto. Desde o penteado e maquiagem até a roupa e as unhas. Naquela noite seria comemorado o natal na casa dos Park, então também era a primeira vez que me veriam daquela nova maneira.

Realmente quando me visualizei no reflexo, quase não me reconheci. O cabelo, loiro platinado, caía pelos ombros em discretas ondas, até a cintura. O casaco branco era mais longo que o comum, e também servia de vestido, mas também era curto, de modo que por baixo eu vestia um discreto short da mesma cor. O sapato era de salto alto e de ponta fina, na cor rosa. Fazia uma bonita combinação com a minha maquiagem, com os mesmos tons.

Dei um sorriso ao ver o resultado. E não é que eu gostei?

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